Prof Alexandre Costa
O que aconteceu na França e, mais recentemente, no Equador, deverá ser regra, e não exceção. Alguns setores das classes dominantes, o que inclui técnicos do FMI e do Banco Mundial, estão se rendendo à realidade da Crise Climática.
Não é que sejam "bonzinhos". Pelo contrário. Mas têm a percepção de que a aposta dos exterministas (ultradireita negacionista, supremacismo branco) é muito alta e tem tudo para dar errado.
Esses setores supostamente mais lúcidos do andar de cima sabem que não terá como controlar um planeta com clima instável, feedbacks climáticos disparados e legiões de bilhões de refugiados do clima, mesmo com geoengenharia (intervenção climática) e militarização.
Mas ao perceberem que vai ser necessário pelo menos diminuir radicalmente o uso de combustíveis fósseis para se ter uma situação administrável do ponto de vista climático, os neoliberais tentam colocar a conta da transição no andar de baixo.
Ao quererem que os pobres paguem, direta ou indiretamente (via alta nos preços de alimentos, transportes, etc.) pela sua "solução" da crise climática, a burguesia não-negacionista/neoliberal radicaliza na austeridade e, no final, fica mais parecida com a burguesia neofascista.
Na verdade, ao não negar o risco do caos climático mas ao mesmo tempo negar a inadmissibilidade de que sejam os pobres a pagar a conta, os neoliberais antecipam aspectos da barbárie que, no caso dos fascistas-negacionistas-exterministas, é o ideal de mundo.
Esse encontro, na prática, entre esses dois segmentos da burguesia, nos mostra cada vez mais que é preciso definitivamente pensar o fim do capitalismo, a fim evitar o fim do mundo (como conhecemos). Os de cima têm que pagar pela crise climática.
Trata-se de uma dívida para com os de baixo. Habitantes de Malawi, que emitem 0,1 tons-CO2/pessoa/ano emprestaram, por muitas décadas, seu espaço de carbono aos habitantes dos países ricos. Os pobres, que pouco consomem e pouco emitem, são credores de carbono dos ricos.
Está na hora de pagar a CO(2)nta!

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