Claudio Guedes
O governo brasileiro, no plano internacional sob a liderança do chanceler Ernesto Araújo e do deputado Eduardo Bolsonaro, reforça sua aliança com o governo de extrema-direita na Hungria, trabalha em uma agenda ideológica com Budapeste e apoiará uma conferência internacional sobre a perseguição de cristãos, uma bandeira do governo de Viktor Orban considerada, por vários especialistas mundiais em política externa, uma ação oportunista visando aumentar a rejeição à imigração.
A Hungria é uma das menores economias da Europa e com um comércio bilateral com o Brasil muito pouco representativo. É um país que enfrenta forte rejeição na Europa pelas posições extremadas e xenófobas do seu governo atual.
O governo Bolsonaro está decidido em privilegiar a relação ideológica com Orban, que passou a enfrentar forte oposição interna a partir da derrota nas recentes eleições municipais. A oposição na Hungria, de centro-esquerda, impôs duras derrotas ao partido nacionalista conservador Fidesz, do primeiro-ministro, e venceu as eleições municipais realizadas em Budapeste e outras grandes cidades.
Ernesto Araújo mostra-se, mais uma vez, um chanceler desconectado no tempo e no espaço. Um verdadeiro lunático. Se a agenda econômica com a Hungria é mínima, se o governo Orbán mostra sinais de fraqueza, por que buscar no plano ideológico uma relação entre os dois governos, repetindo os erros da recente aproximação com os desgastados governantes de Israel e da Argentina, Benjamin Netanyahu e Mauricio Macri, no momento em que ambos acumulam profundos desgastes internos.
É a diplomacia cega, obtusa, que está levando o Brasil a virar um pária no mundo democrático.
Um despirocado diplomata, motivo de chacota entre seus pares na ONU e na Europa, e um político medíocre, despreparado, como o filho do presidente, que trabalha para assumir a embaixada nos EUA, estão destruindo a imagem do país no mundo, algo que nem os militares que governaram após o golpe de 1964 conseguiram. Um feito e tanto, transformar em lixo décadas de diplomacia independente e respeitada.
O buraco, que o país se encontra, vai aumentando.

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