segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Mobral incompleto: ucraniano é preso no Rio e juíza pede intérprete da "União Soviética"


Turista ucraniano é preso por tentativa de furto no Leblon, e juíza pede intérprete 'da União Soviética'

Coluna do Alcelmo

Tiago Rogero

Alguém tem um Mapa Mundi?

Em 30 de dezembro, um turista ucraniano foi preso suspeito de tentar furtar uma bolsa e um perfume na Zara do Shopping Leblon. Quatro dias depois, ele foi levado à audiência de custódia. Um detalhe: ele não fala português.

A juíza de plantão, então, requisitou um “intérprete de língua oficial na União Soviética. Não sendo possível, solicite-se intérprete ao Consulado da Rússia”. Só que a URSS deixou de existir em 1991, quando a Ucrânia (onde fala-se ucraniano) tornou-se país independente, que, há cinco anos, está em conflito com a... Rússia.

Segue...

O quiproquó continuou. O Consulado da Rússia chegou a responder que, devido a “problemas diplomáticos”, “seria inviável o envio de um intérprete para um cidadão ucraniano”.

Cinco dias após a prisão, um desembargador acatou pedido da Defensoria Pública do Rio e libertou o ucraniano, que responderá em liberdade. O magistrado criticou a “inépcia estatal”, que não só foi incapaz de conseguir um intérprete como “equivocadamente” pediu ajuda à Rússia, “país que mantém atual notório estado de beligerância” com a Ucrânia, ignorando a “diversidade linguística” entre os dois países.

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