Ricardo Costa de Oliveira
O desastre ambiental na Austrália é de proporções devastadoras e pode ser a norma ecológica de piora na região ao longo dos próximos anos. Mais um modelo social de sucesso liberal dos "coxinhas" fulminado pelas cinzas, junto com um Chile, também em forte crise hídrica. A Austrália resultou do genocídio racista de suas populações aborígenes instaladas naquele território há mais de 50.000 anos. A Austrália seria um Brasil sem a Amazônia, sem as portentosas águas e chuvas do Centro-Sul brasileiro.
O modelo de alto consumo de água, muitos banheiros, muitas piscinas, irrigação e de uso industrial e de serviços abundantes, modelo abusivo, não serve para muitas regiões do mundo, como a própria Califórnia nos EUA. Os brasileiros de classes mais elevadas são grandes consumidores de água, basta ver o choque cultural do padrão brasileiro de amplos banheiros, quando visitamos a Europa e mesmo os EUA, com seus banheirinhos chinfrins e chuveiros modestos. A herança tupi-guarani de se tomar vários banhos por dia era incompatível com o fedor e a sujeira europeia medieval.
A Austrália foi uma reserva demográfica para poucos imigrantes, seria algo como o Brasil monopolizado exclusivamente só com a população portuguesa colonial até o século XVIII, sem maiores miscigenações, sem africanos, sem imigrantes europeus dos séculos XIX-XX e com o extermínio quase completo dos nativos, o que resultaria uma população pequena, uns 25 milhões amplamente sobrando em um território imenso e cheio de recursos minerais.
A Austrália também fracassou no seu capitalismo e as cenas de refugiados climáticos, natureza incinerada, mortos carbonizados, destruição implacável de vastos territórios deve ser o padrão australiano daqui para a frente porque uma hora o custo ambiental chega para todos, o que sirva de lição para o agronegócio brasileiro predador no entorno da Amazônia.

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