Os dementes
Claudio Guedes
A primeira reação política expressiva ao assassinato do líder iraniano em território do Iraque, por um atentado terrorista do governo dos EUA, representa uma dura derrota de Donald Trump: a decisão do governo iraquiano, referendada pelo parlamento, de exigir a retirada das tropas americanas do Iraque.
Ficará só nisso?
Não creio. Caso o governo dos aiatolás do país persa saiba manobrar politicamente, pode conseguir um isolamento progressivo dos EUA no Oriente Médio, com exceção da sempre fiel Israel. A Arábia Saudita deve estar preocupada, tenderá a uma postura moderada, pois é o país que tem mais a perder com a perspectiva de um longo conflito na região.
Ficará só nisso?
Não creio. Trump deu um passo maior do que a perna ao decidir de forma unilateral pelo assassinato do general iraniano, sem consultar seus aliados europeus. Tecnicamente o assassinato foi um ato terrorista, e qualquer país filiado à ONU pode pedir não só a condenação do ato pela entidade, como a investigação e um processo contra Donald Trump por terrorismo já que ele assumiu a responsabilidade pela ação em território soberano de um país independente. O Iraque tinha recebido a autoridade iraniana de forma legal. E, não devemos esquecer, cidadãos iraquianos foram também vitimados na ação.
Os líderes europeus serão cautelosos e dificilmente irão apoiar enfaticamente a ação americana.
Trump pode estar no começo de uma escalada ao inferno.
Lugar próprio dos dementes, adversários da paz, do direito à autodeterminação das nações e do processo civilizatório.

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