Elias Machado
Vou voltar ao tema porque não tenho alternativa. Qualquer um sabe que sem testagem em massa da população não tem como combater a pandemia com eficácia e reduzir o número de mortes evitáveis. E é aí que cada vez mais se agrava a omissão criminosa do Governo Federal. O Brasil ocupa hoje uma das últimas posições entre o número de habitantes testados por milhão e, com o número que tem não tem a menor condição de planejar o combate do vírus, registrar o número real de contaminados e mortos e sequer de orientar a população da importância de tomar determinados cuidados para proteger sua vida e das demais pessoas.
Passados 100 dias da chegada do vírus ao país o Brasil testou apenas 339.552 pessoas, com uma proporção de 1.597 por 1 milhão. Nos Estados Unidos, o número de testados é de 6.699.878, com proporção de 20.241 por 1 milhão. E a meta é de testar 2 milhões por semana antes de começar a flexibilizar o isolamento social. Na Rússia, o número de testados é de 3.945.518, com uma proporção de 27.036 por 1 milhão.
Entre os países centrais do capitalismo de grande população na Europa o que menos testou, o Reino Unido, testou 1.023.824, numa proporção de 15.082. E, dos países em estágio de desenvolvimento similar ao do Brasil, a disparidade com a Turquia é aviltante porque a Turquia já testou 1.075.048, numa proporção de 12.748 por milhão, mais que o Reino Unido e pouco menos que a França, que testou 1.100.228.
Na América do Sul a proporção de testados do Brasil é a pior entre a maioria dos países e supera apenas a do Suriname, da Guiana Francesa, da Bolívia, do Paraguai das Ilhas Falklands e da Argentina, o que demonstra o descaso com a vida dos brasileiro. E entre os países de maior população com uma população de 209 milhões testou muito menos que a Venezuela, que testou 458.737, com uma proporção de 16.132 por 1 milhão e que o Peru, 342.498, com uma proporção de 10.338 por 1 milhão.
O mais trágico é que se sabe que o Governo Federal não tem a menor intenção de promover uma testagem em massa e que os números de mortos e contaminados são fictícios porque se sabe que estão em até 15 vezes subnotificados. Se tivesse intenção de testar os brasileiros, como aconteceu com a França e o Reino Unido e, nos Estados Unidos, em pouco tempo poderia dobrar o número de testados. Como não tem, o que deve se multiplicar é o número de mortos, atualmente, em 6.412 vidas perdidas.
https://www.worldometers.info/coronavirus/#countries

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