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terça-feira, 11 de agosto de 2020

O genocídio como opção política

Mais 1.274 vidas perdidas nas últimas 24 h, 103.026 desde o começo da pandemia. Mais 52.160 novos contaminados, 3.109.630 no geral. Não tem trégua. O descaso do Governo Federal em tomar as medidas necessárias para combater o avanço da pandemia se paga com milhares de novas vidas perdidas e de contaminados. 

Com exceção dos fins de semana, em que as secretarias de saúde do interior funcionam em regime de plantão e os registros de mortos são incompletos, no dias de semana, a média é de mais de mil vidas perdidas e de, no mínimo, 40 mil novos contágios todos os dias. E não se trata de fatalidade. É resultado de uma opção política.

 Elias Machado

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Mais um dia com mais de mil vidas perdidas


No levantamento extra-oficial do Worldometers mais um dia com mais de mil vidas perdidas: 1.269, com um acumulado de 32.547 vidas perdidas. Neste ritmo amanhã o Brasil pode superar o número de mortos da Itália, que está com sua situação bem mais estabilizada e hoje registrou 71 mortos. O Brasil tem 583.980 em 930.013 testados, com mais 27.312 novos casos registrados nesta quarta-feira. 

No número de mortos diários e de novos casos o Brasil confirma pelo segundo dia consecutivo que é o epicentro da pandemia no mundo. O que impressiona é o percentual de contaminados entre os testados que está agora em 62,79% e que reforça a hipótese que o objetivo do Governo Federal a universalização do contágio. E o Ministério da Saúde até agora ainda não divulgou o boletim diário sobre a situação da pandemia no Brasil.

sábado, 2 de maio de 2020

O número de mortos e contaminados no Brasil é fictício: sem exames não há como saber


Elias Machado

Vou voltar ao tema porque não tenho alternativa. Qualquer um sabe que sem testagem em massa da população não tem como combater a pandemia com eficácia e reduzir o número de mortes evitáveis. E é aí que cada vez mais se agrava a omissão criminosa do Governo Federal. O Brasil ocupa hoje uma das últimas posições entre o número de habitantes testados por milhão e, com o número que tem não tem a menor condição de planejar o combate do vírus, registrar o número real de contaminados e mortos e sequer de orientar a população da importância de tomar determinados cuidados para proteger sua vida e das demais pessoas.

Passados 100 dias da chegada do vírus ao país o Brasil testou apenas 339.552 pessoas, com uma proporção de 1.597 por 1 milhão. Nos Estados Unidos, o número de testados é de 6.699.878, com proporção de 20.241 por 1 milhão. E a meta é de testar 2 milhões por semana antes de começar a flexibilizar o isolamento social. Na Rússia, o número de testados é de 3.945.518, com uma proporção de 27.036 por 1 milhão.

Entre os países centrais do capitalismo de grande população na Europa o que menos testou, o Reino Unido, testou 1.023.824, numa proporção de 15.082. E, dos países em estágio de desenvolvimento similar ao do Brasil, a disparidade com a Turquia é aviltante porque a Turquia já testou 1.075.048, numa proporção de 12.748 por milhão, mais que o Reino Unido e pouco menos que a França, que testou 1.100.228.

Na América do Sul a proporção de testados do Brasil é a pior entre a maioria dos países e supera apenas a do Suriname, da Guiana Francesa, da Bolívia, do Paraguai das Ilhas Falklands e da Argentina, o que demonstra o descaso com a vida dos brasileiro. E entre os países de maior população com uma população de 209 milhões testou muito menos que a Venezuela, que testou 458.737, com uma proporção de 16.132 por 1 milhão e que o Peru, 342.498, com uma proporção de 10.338 por 1 milhão.

O mais trágico é que se sabe que o Governo Federal não tem a menor intenção de promover uma testagem em massa e que os números de mortos e contaminados são fictícios porque se sabe que estão em até 15 vezes subnotificados. Se tivesse intenção de testar os brasileiros, como aconteceu com a França e o Reino Unido e, nos Estados Unidos, em pouco tempo poderia dobrar o número de testados. Como não tem, o que deve se multiplicar é o número de mortos, atualmente, em 6.412 vidas perdidas.

https://www.worldometers.info/coronavirus/#countries

sábado, 7 de dezembro de 2019

Não vai ser possível parar o desgoverno do atraso nos limites da luta parlamentar


Elias Machado

Quem quiser se iludir que se iluda. Não vai ser possível parar o desgoverno do atraso, da ignorância e do ódio aos mais pobres e seus filhotes, de Dória em São Paulo, a Leite no Rio Grande do Sul, passando por Witzel, no Rio de Janeiro e Zema em Minas somente nos limites da luta parlamentar porque os parlamentos eleitos no contexto do golpe parlamentar de 2016 e de uma esquerda esfacelada e dividida tem maioria ultra-conservadora. Ou os trabalhadores vão para as ruas para defender os seus direitos e a manutenção de políticas públicas e impedir a destruição do que resta do Estado brasileiro ou não vai sobrar nada. E não adianta justificar o imobilismo, alegando que não dá para mobilizar. É pura conversa fiada. Parece que até os brigadianos e os bombeiros gaúchos estão descobrindo o óbvio: não tem solução mágica. Ou se mobiliza ou vai se perder tudo!

sábado, 23 de novembro de 2019

Nunca fizemos o que deveríamos ter feito



Elias Machado

O ano era 1978, em plena Ditadura Militar, o sábio Florestan Fernandes, um dos intelectuais mais íntegros e cultos que o Brasil teve ao longo de sua História, escrevia, no prefácio a edição brasileira de "O que fazer? Problemas candentes de nosso movimento", o clássico livro de Vladimir Lênin, publicado pela HUCITEC, um diagnóstico certeiro e que se revelou profético sobre o que veríamos acontecer no Brasil em 2016:
"Os partidos que deveriam ser revolucionários (anarquistas, socialistas ou comunistas) devotaram-se à causa da consolidação da ordem, na esperança de que, dado o primeiro passo democrático, ter-se-ia uma situação histórica distinta. Em suma, bateram-se pela democracia burguesa, como se fossem campeões da liberdade. Trata-se de uma avaliação dura? Quanto tempo as burguesias nacionais ter-se-iam aguentado no poder se fossem atacadas de modo direto, organizado e eficiente? Ou estamos sujeitos a uma "fatalidade histórica", que prolonga o período colonial e a tirania colonizadora depois da independência e da expansão do Estado Nacional? O diagnóstico correto, embora terrível para todos nós, é que nunca fizemos o que deveríamos ter feito. Os "revolucionários" quiseram manter seus privilégios, ou os seus meio-privilégios, sintonizando-se com as elites no poder e com as classes dominantes. Formaram a ala radical, sempre pronta a esclarecer o que certas reformas implicariam, para evitar uma aceleração da desagregação da ordem e os seus efeitos imprevisíveis."
Há muito esgotado na edição da HUCITEC, o livro O que fazer? tem duas outras edições no Brasil. Uma da Martins Fontes, de 2006, e outra da Editora Expressão Popular, de 2010. E que teve uma segunda edição em 2015 e que em 2019 está em sua 4ª reimpressão. Como se sabe, no capítulo V de O que fazer? -"O plano de um jornal político para toda Rússia", Lênin apresenta o projeto editorial de um jornal para organizar as atividades políticas e revolucionárias dos trabalhadores. É leitura de extrema atualidade porque, cada vez mais, o que caracteriza o jornalismo nas sociedades contemporâneas é o seu uso para a legitimação de campanhas políticas. O mundo mudou, o capitalismo se sofisticou, chegamos ao fundo do poço porque muitos erros foram cometidos e porque não soubemos o que fazer. Se, por um lado, não faz o menor sentido replicar as soluções propostas por Lênin, por outro, a pergunta que não quer calar, se quisermos encontrar saídas e alternativas para o processo de reestruturação do capitalismo em escala mundial é, em termos gerais e, no caso do jornalismo, em particular: "O que fazer?

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O império do caos

Elias Machado


A lógica por detrás destes levantes, como na chamada primavera árabe, na maioria das vezes, está diretamente relacionada com os interesses estratégicos de Washington. Que tem atuado diretamente no sentido de desestabilizar países, dentro da estratégica de dividir para melhor dominar e como aconteceu recentemente na Bolívia. O que parece cada vez mais evidente é que Pequim não terá vida fácil porque, como aconteceu como a Rússia na Chechênia ou como aconteceu nas manifestações de 2013 no Brasil, revoltas legítimas são canalizadas para desestabilização de governos pela criação do caos. E, naturalmente, sem o menor interesse em criar alternativas mais democráticas aos governos existentes e externas à lógica do imperialismo de turno. Muito pelo contrário, em geral o que se instala como alternativa de poder é a volta pura e simples das oligarquias, a vassalagem completa a serviço de Washington ou o caos completo nos casos da Síria tomada pelo Estado Islâmico e a guerra fratricida na Somália, no Sudão ou na Líbia.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O amadorismo da política externa brasileira


Elias Machado

As declarações ambíguas e contraditórias da chancelaria da Rússia com relação a situação da Bolívia demonstra o quanto o Itamaraty trata de forma amadora a política externa brasileira ao se alinhar totalmente - e pior - sem qualquer contrapartida à política imperial dos Estados Unidos na região e no mundo. Dando uma no cravo e outra na ferradura, a chancelaria russa ao mesmo tempo que afirmou que houve sim um golpe e que a auto-proclamação da senadora Jeanine Àñez não atendeu as formalidades necessárias e anunciou que reconhece Àñez como mandatária provisória e que espera que convoque eleições o mais rapidamente possível.

E por que é que Moscou agiu de maneira tão contraditória? Por uma questão muito simples, meus amigos: os Estados são movidos pelos seus interesses estratégicos e não podem desconhecer os poderes de fato porque é com os poderes de fato que se fazem negócios. E um Estado vive dos negócios que faz. E o problema é que em 2018 a Gazprom, a empresa estatal russa fechou um acordo com a Bolívia para explorar o campo de gás de Vitiacua, no Chaco, que tem um produção estimada de 12 milhões de metros cúbicos diária. A produção total da Bolívia hoje é de 60 milhões de metros cúbicos e três quartos é exportada para Argentina e Brasil.

A Rússia, herdeira da tradição dos impérios Russo e Soviético, como uma potência regional que é hoje, mas que tem ambições em escala mundial, atua sempre de forma pragmática de modo a atingir seus interesses estratégicos. Logo no começo da Guerra na Síria, a Turquia derrubou um caça russo e um de seus pilotos acabou morto, no terreno, pelos 'rebeldes' do Estado Islâmico. Putin em vez de declarar guerra total à Turquia, aproveitou a oportunidade para firmar negócios com Erdogan, criando uma cunha na OTAN, com a venda de sistemas de defesa aérea S-400 e de construção de um gasoduto para exportar petróleo e gás para a Europa sem depender do gasoduto que pela pela Ucrânia e do gasoduto que Nord Stream 2, que passa pelo norte da Europa.

O mesmo aconteceu quando Israel provocou o bombardeio de um avião de espionagem russo matando toda a sua tripulação. Putin, sem entrar em guerra com Israel, respondeu com a entrega de sistemas de defesa S-300 para a Síria. Quem tem vocação para inserção na política mundial ou mesmo regional - e o Brasil pela sua dimensão territorial e projeção econômica deveria obrigatoriamente ter, se tivesse uma classe dominante com outra vocação que não fosse a de vender o destino do próprio povo ao melhor preço, evitando confrontos desnecessários com países amigos e vizinhos, com quem estamos condenados a conviver - gostemos ou não de seus governantes de turno - deveria, portanto, agir com a cabeça em vez de priorizar o fígado e o jogo baixo, práticas incompatíveis com o nível de diplomacia historicamente praticado pelo Itamaraty.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Lição histórica

Gabriel Priolli 
Lição histórica atualizada hoje na Bolívia: a única esquerda latino-americana que não cai, quando há assalto da direita ao poder, é a que conscientiza, mobiliza e arma o povo. Vide Cuba e Venezuela, e compare com as demais.


Gabriel Priolli vai ao ponto. O problema é quando é que as 'esquerdas' latino-americanas vão aprender o óbvio: é função obrigatória de um chefe de Estado manter serviços de inteligência para alertar sobre possíveis golpes e educar o povo para defender seus direitos e as Forças Armadas para defender a Constituição. É uma questão de vida ou morte para qualquer Governo. E, de fato, neste caso, na América Latina somente Cuba e Venezuela tiveram essa preocupação. E não tem essa história de renunciar para evitar violência. Sempre que isso acontece, na prática, o que ocorre é que o chefe de Estado eleito para defender seu povo e sua Constituição acaba entregando a cabeça do povo para os seus algozes. A estrutura do Estado existe para defender seu povo e sua Constituição. Ou, então, diante de uma ameaça de invasão o que cabe é se entregar sem luta para o inimigo...porque é preferível viver como escravo. Não, o que cabe é ao líder organizar a resistência e derrotar os golpistas ou os invasores.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Mídia apoia golpe na Bolívia e defende golpe na Venezuela


Elias Machado

A imprensa corporativa, quando está em campanha, perde todos os limites. A Bolívia acaba de ter o seu presidente constitucional afastado do poder por um golpe militar e a Reuters, na maior cara dura, escreve um artigo que deveria ter como título "O que se deve fazer para derrubar um presidente de esquerda?" E mais estimula o golpismo na Venezuela, embora reconheça que ali a chance de um golpe é mais difícil porque as Forças Armadas dificilmente vão aceitar trair o seu povo.

Como se sabe, para o status quo a democracia liberal formal somente merece respeito quando estão no poder seus representantes e quando o Estado funciona a serviço de seus interesses. Ingênua é a esquerda que, como Morales, acredita nas instituições e não toma as devidas precauções contra os golpistas de turno. Nem quando é conciliador, como é o caso de Lula, merece perdão. Tem que pagar caro pelo atrevimento de ter saído do seu devido lugar e tem que sofrer punição exemplar para evitar que, no futuro, outros tenham o mesmo atrevimento.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Evo Morales abandonou a resistência do povo boliviano


Elias Machado


Ao renunciar, forçado pelos militares golpistas, Evo Morales deixou a resistência nas mãos do próprio povo boliviano. Ao contrário de Maduro, que vem organizando o povo e as forças armadas para resistir as tentativas de golpe, na Bolívia, a renúncia coletiva do governo e o chamado a não violência quando do outro lado a única palavra de ordem era e continua sendo a da violência utilizada em todas as suas formas, na prática, fragilizou e muito as condições de resistência da base leal a Morales - e que representa ao menos metade da população - e deu sinal verde para o avanço da oposição golpista. Tanto que houve saques nas casas de Morales e de seus familiares e se divulgou uma ordem de prisão para o agora ex-presidente. É uma ingenuidade, como aconteceu e está acontecendo no Brasil com o caso da prisão de Lula e os diversos processos abertos contra as lideranças do PT, que os golpistas não vão fazer a caça às bruxas com os antigos donos do poder. E, como costuma ocorrer nestes casos, as punições serão exemplares para que jamais alguém se atreva a sair de seus devidos lugares e ouse ocupar os lugares que estão destinados apenas e tão somente para os membros das oligarquias, os legítimos representantes na escala local, do imperialismo de turno, neste caso dos Estados Unidos e dos países centrais do capitalismo. E, como ficamos sabendo, inclusive do Brasil.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Gado brasileiro será abatido antes de se aposentar

Idade média ao morrer em São Paulo é de 68,7 anos


Elias Machado

Como o povo brasileiro aceitou como gado que vai ao matadouro a destruição da Previdência pública, a maioria vai agora morrer antes de se aposentar. E quem se aposentar não vai ter nenhuma garantia de receber o mínimo necessário para garantir uma velhice digna. Se morasse em São Paulo, teria direito, na média, a viver mais cinco anos como aposentado. O que significa que depois de ter trabalhado ao longo de 49 anos teria direito a gozar a vida como aposentado 5 anos. Uma desgraça para os financistas do Planalto porque ainda viveria para receber por mais cinco anos. Naturalmente, o projeto desta gente, que tem Guedes como artífice, mira é na maioria mais pobre e que morre, na média, com 57. Neste caso, eu teria que renascer porque morreria antes de chegar aos 63 anos, que é, provavelmente, a idade que terei que completar para ter direito a me aposentar. Que tal fazer as tuas continhas para saber se vai dar para, como é o meu caso, curtir alguns aninhos de aposentado, ou se vai morrer antes, como a maioria....

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Quem manda em Washington é o complexo industrial-militar



Os oligopólios das tecnologias da informação e da comunicação chineses são as dores de cabeça dos oligopólios das tecnologias da informação e da comunicação do Vale do Silício e, antes de mais nada, do Pentágono. O avanço dos oligopólios chineses são uma ameaça para os planos de supremacia do Pentágono, a começar por projetos estratégicos como a computação nas nuvens, essenciais para a estratégia de vigilância e inteligência dos Estados Unidos.

Como aconteceu no caso do impeachment de Nixon, que teve como uma da suas causas pouco discutidas, a suspensão do financiamento dos projetos estratégicos do Pentágono, resultantes do avanço da técnico-ciência como a internet, que Nixon estava implementando como uma das consequências do desastre da Guerra do Vietnã e dos movimentos pacifistas, muito do que se joga por detrás do impeachment de Trump tem a ver com a cegueira de Trump em relação a política de reestruturação do capitalismo em escala global e que tem nos oligopólios das tecnologias da informação e da informação o seu carro-chefe.

Sem os acordos globais, que liberam os mercados internacionais para estes oligopólios, o capitalismo informacional não tem futuro e vai perder as vantagens competitivas para seus concorrentes chineses...E o que é pior o aumento das pressões das autoridades reguladoras nos Estados Unidos a pedido de Trump e das autoridades da União Europeia, sem contestação de Trump, são o sinal vermelho para estes oligopólios...Por detrás do impeachment de Trump, como sempre, quem se move é o complexo industrial-militar, que é quem, de fato, manda em Washington..

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

De ridículo em ridículo o Brasil vai cada vez mais ao fundo do poço



Elias Machado
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No desgoverno do atraso e da ignorância o que predomina é o amadorismo. Como é que o Itamaraty, que tem um chanceler que desconhece o beabá da ciência básica e do que determina a Constituição Federal para orientar nossas relações exteriores, pode ter descido tão baixo ao ponto de constranger o inquilino do Planalto a participar de uma reunião em que não entendeu uma só palavra do que foi dito porque simplesmente não existia um tradutor na sua comitiva e por que a Embaixada do Brasil não se prestou para cumprir com essa finalidade? De ridículo em ridículo o Brasil vai cada vez mais ao fundo do poço. Uma vergonha..

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O Estado de Exceção é o novo normal


Elias Machado

Como tenho dito por aqui. E faz tempo. O Estado de Exceção é uma das características das democracias liberais contemporâneas. Quando a 'esquerda' compreende a situação, como na Venezuela e agora Morales, na Bolívia, consegue se manter no poder. Quando é ingênua o bastante para confiar na neutralidade das instituições como no caso do Brasil, do Paraguai ou de Honduras, entrega o poder, sem qualquer resistência.

A diferença é que quando o Estado de Exceção é aplicado pelos governos de "direita", liberais, de um modo geral, a imprensa corporativa em campanha - pouca diferença faz se pública ou privada - justifica as medidas de exceção como no caso do Brasil da Lava-Jato, dos Estados Unidos das sanções unilaterais e dos bombardeios de outros países, da França, do Reino Unido, que prende Assange arbitrariamente, do Equador, e do Chile, para citar alguns poucos exemplos, como se fosse "o uso legítimo da força para evitar o caos".

sábado, 12 de outubro de 2019

O descalabro que é militarizar as escolas brasileiras


Elias Machado

A foto de um menino em uma escola militar em São Paulo com uma arma na mão e um coldre na cintura nos braços do ocupante do Planalto demonstra a total falência das instituições e o descalabro que é militarizar as escolas brasileiras. Por dois simples motivos: 1) educação como atividade problematizadora da realidade e promotora de inovações nada tem a ver com a militarização pura e simples das escolas e 2) a educação para a autodefesa, que é uma parte fundamental da educação dos futuros cidadãos, tampouco tem a ver com um militarismo que predomina no comando das forças armadas e policiais brasileiras que cada vez mais está mancomunado com o que existe de pior em termos de entreguismo do país, destruição de um projeto de Nação soberana e extermínio dos brasileiros pobres e moradores das periferias dominadas pelas milícias.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Trump trata Bolsonaro como cocô do cavalo do bandido


Quando um país não se dá ao respeito, não é respeitado por ninguém. E o Brasil hoje, na verdade, não passa de um Estado-Vassalo. E, como Estado-vassalo que é não poderia ser tratado de outra maneira. 

Para nossa desgraça e vergonha...porque estamos entregando tudo, inclusive nossa soberania, a troco de humilhação em cima de humilhação na comunidade internacional. E o Brasil está prestes a entregar a Base de Alcântara para os Estados Unidos, acreditando que os Estados Unidos vão cumprir com as suas promessas não utilizá-la para fins militares...


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Os interesses por detrás do impeachment de Trump


Elias Machado

Os interesses por detrás do impeachment de Trump são muito mais complexos do que se pretende fazer ver na cobertura superficial das denúncias de sua tentativa de interferência no caso da investigação das atividades do democrata Joe Biden, baseadas, como sempre em delações. 

Trump, independentemente de sua agenda ultraconservadora, é um empecilho porque representa os interesses dos capitalismo imobiliário, das indústria de base e do agronegócio, - pouco competitivos no mercado mundial - mas está na contramão dos interesses estratégicos do complexo industrial-militar e dos oligopólios das tecnologias da informação e da comunicação do Vale do Silício, que tem nos Democratas, em particular na ala representada pelos Clinton e por Obama, os legítimos representantes de seus interesses na Casa Branca. 

A retirada das tropas dos EUA da Síria pode ser uma tentativa desesperada de Trump de salvar a própria pele, mas não vai ser fácil de ser consumada, como não aconteceu nas vezes anteriores em que anunciou que sairia daquele país, porque vai ter a oposição de Israel, que - como se sabe, controla os lobbies políticos em Washington.


quinta-feira, 27 de junho de 2019

General Augusto Heleno é uma vergonha mesmo pelos padrões de um governo de loucos e bandidos

BBC News 
"Todo mundo tem a sua mala revistada, inclusive nós e o presidente. Agora, esse sargento era da comissaria. Ele chega muito antes. Não tem efetivo para manter durante todo o tempo um esquema de vigilância. Cada um tem seu cada qual. A revista de passageiros e de malas para aviões da FAB fica a cargo da FAB, que não é subordinada a mim. Então não tem nada a ver com o GSI". 
General Augusto Heleno
Chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Planalto
Fosse o Governo brasileiro um Governo sério e o General Augusto Heleno não teria tido a oportunidade de, ocupando o cargo que ocupa, depois da falha de segurança monumental que possibilitou o uso de um avião da comitiva presidencial do Brasil para tráfico internacional de cocaína, de divulgar para o mundo que as medidas de segurança do presidente do Brasil são uma vergonha, que ninguém prova sua comida, que ninguém revista os membros da tripulação de seus aviões e suas bagagens porque falta pessoal para este trabalho e que o Gabinete de Segurança não tem nada a ver com isso porque a responsabilidade de segurança do presidente não tem nada a ver com isso. Fosse o Governo brasileiro um Governo sério e não o desgoverno do atraso, da ignorância e do ódio aos mais pobres e Augusto Heleno jamais teria ocupado uma função desta importância com tamanho nível de despreparo e amadorismo. E, se tivesse por algum equívoco chegado ao cargo, depois do desastre de ontem, teria sido demitido no ato.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Tráfico de drogas, armas e milícias privadas são três coisas que estão muito bem articuladas

A que ponto chegamos. Um militar da segurança do desgoverno do atraso, da ignorância e do ódio aos mais pobres preso na Espanha em avião das Forças Armadas com 39 Km de cocaína. Os falsos moralistas, como se sabe, são os piores, são os piores, são os piores...

Não existe a menor possibilidade de pensar que as instituições de Estado atualmente estão funcionando dentro da mais absoluta normalidade. E o desgoverno do atraso, da ignorância e do ódio aos mais pobres preocupado em destruir as universidades públicas e em acabar com índios, quilombolas, aposentados, com o estatuto da criança e do adolescente... 

Tráfico de drogas, armas e milícias privadas são três coisas que estão muito bem articuladas e não tem como prosperar sem a tomada dos poderes do Estado e suas agências de inteligência. E os falsos moralistas fingindo que estão preocupados com o "kit gay" e querendo saber com quem o jornalista Glenn Greenwald se deita, como diria o Caetano Veloso...

Elias Machado

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Democracia digital sob o capitalismo é ilusão

Não é possível ter ilusões democráticas no reino do Capital. Eu nunca tive ilusões com a democracia digital, com o jornalismo no ciberespaço ou com o ativismo digital. Há exatos 20 anos quando defendi minha tese de doutorado na Universidade Autônoma de Barcelona, depois de sustentar que o jornalismo nas redes digitais pressupunha o desenvolvimento de novas práticas, organizações, processos, produtos e relações entre os envolvidos na produção e circulação de informações jornalísticas, uma das coisas que chamei a atenção é que, muito provavelmente, as práticas jornalísticas seriam controladas por organizações com caráter global e de oligopólios.

O tempo somente confirmou as minhas hipóteses, com uma diferença substantiva: a reestruturação do capitalismo informacional foi ainda mais drástica e, com a criação dos oligopólios mundiais das tecnologias da informação e da comunicação, as empresas de comunicação e articuladas com a produção de conteúdos jornalísticos perderam a função de estruturar a esfera pública para estes oligopólios e hoje, como negócios, são inviáveis. Enquanto sistema econômico, o capitalismo, em qualquer uma de suas formas de manifestação - comercial, financeiro, informacional - sempre pressupõe produção de mais-valor e tendência a concentração do capital e a oligopolização das atividades estruturantes. O resto, meus amigos, são apenas ilusões...