Elias Machado
Ao renunciar, forçado pelos
militares golpistas, Evo Morales deixou a resistência nas mãos do próprio povo
boliviano. Ao contrário de Maduro, que vem organizando o povo e as forças
armadas para resistir as tentativas de golpe, na Bolívia, a renúncia coletiva
do governo e o chamado a não violência quando do outro lado a única palavra de
ordem era e continua sendo a da violência utilizada em todas as suas formas, na
prática, fragilizou e muito as condições de resistência da base leal a Morales
- e que representa ao menos metade da população - e deu sinal verde para o
avanço da oposição golpista. Tanto que houve saques nas casas de Morales e de
seus familiares e se divulgou uma ordem de prisão para o agora ex-presidente. É
uma ingenuidade, como aconteceu e está acontecendo no Brasil com o caso da
prisão de Lula e os diversos processos abertos contra as lideranças do PT, que
os golpistas não vão fazer a caça às bruxas com os antigos donos do poder. E,
como costuma ocorrer nestes casos, as punições serão exemplares para que jamais
alguém se atreva a sair de seus devidos lugares e ouse ocupar os lugares que
estão destinados apenas e tão somente para os membros das oligarquias, os
legítimos representantes na escala local, do imperialismo de turno, neste caso
dos Estados Unidos e dos países centrais do capitalismo. E, como ficamos
sabendo, inclusive do Brasil.

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