Chamar Bolsonaro de racista, misógino e genocida é um prêmio para ele.
Se quiserem derrubar o Bolsonaro precisam deixar o moralismo de lado. E sim, o dito setor progressista hoje é ultra-moralista até quando diz não ser, só ver o quanto te insultam quando você manda alguém tomá no cu.
"Ain, toma da polícia, porque tomar no cu é uma delícia".
Sociopata e psicopata não tem muitos sentimentos não. Uma figura sem limites e escrúpulos como Bolsonaro tem que ser atacado no que o afeta: A SUA FAMÍLIA.
A mídia brasileira pega leve com o Bolsonaro e só o ataca no campo moral, o que apenas o fortalece.
Chamar Bolsonaro de racista, misógino e genocida (gente, parem de usar genocídio pra tudo... genocídio é uma coisa muito específica) num país como o Brasil, com um povo médio tão acostumado com narrativas de novela, onde o mocinho apanha o ano todo e no último capítulo dá um tapa na cara do vilão para deleite dos telespectadores de folhetins de merda como Avenida Brasil, é um prêmio para Bolsonaro.
Porque ele construiu para si mesmo a imagem de anti-herói injustiçado, que veio para vingar o homem e mulher comum das garras do inimigo metafísico.
Porém, essa mesma mídia só o ataca neste campo porque enquanto não existir um opositor neoliberal real ao Bolsonaro (Dória e Huck não engrenam, e Bolsoanaro está dando um passeio no Dória), eles tem medo de reabilitar o Lula. É simples.
Entre o Lula, super-democrático, mas vestido de vermelho, e um Bolsonaro espalhando vermelho sangue de verdade, ameaçando jornalistas, porém com um Paulo Guedes conduzindo a economia e sendo fiador dos interesses de empresas como a Globo, eles fecham com o Bolsonaro.
Treta entre Bolsonaro x Folha de São Paulo/Globo/Vera Magalhães é pura encenação.
Se quisessem atacar o Bolsonaro mesmo deixavam de lado essa narrativa pífia de adolescente mimado de DCE, chamando de "genocida cara de melão", "misógino cara de cocô" e investigavam A SÉRIO o Caso Marielle, a Milícia de Rio das Pedras e o Escritório do Crime.
Paravam com idiotice de cheque de 89 mil para Michelle, que ninguém liga, e passariam a investigar a execução de toda a família, inclusive uma mulher grávida, do rapaz envolvido com o roubo de sua moto. Vejam bem, não estou insinuando nada, mas ali você conseguiria traçar um ELO CRIMINAL pesado e real. E não essas merdas aí que falam sobre esse verme.
Isso só impacta (e de mentirinha) a classe-média branca com culpa na consciência moradora de Laranjeiras e Botafogo. A mesma que odeia palavrão, não mata bichinho, mas vota no Partido Novo, cuja política mata bichinho homo sapiens debaixo das marquizes.
A grande imprensa brasileira e o campo progressista nativo estão conseguindo transformar o Bolsonaro num fenômeno da contracultura. Gente que, mesmo muitas das que passaram o ano pregando o isolamento radical, estão ensadencidas neste final de ano nas praias, nas festas etc...virou uma espécie de grito de "liberdade", e "sair da jaula".
Mesmo sabendo que está errado, muitas estão demonstrando um prazer extra nisso tudo justamente porque é o prazer a "contracultura", do "proibido é mais gostoso".
Me lembra até aquela música "Dance Macabre" da banda Ghost, que fala sobre uma das ondas de Peste Negra na Europa, durante a Idade Média, onde nunca os puteiros e tabernas ficaram tão lotados. As pessoas achavam que iam morrer a qualquer momento, e foi aí mesmo que elas partiram em massa para os prostíbulos, farra e jogatina para curtir o possível/provável restinho de prazer terreno.
Eu sei que é irresistível odiar o Bolsonaro e seus atos e falas criminosas (como o praticado na Praia Grande, em Santos) dado o tamanho do absurdo. Eu mesmo me pego compartilhando essas coisas. Bolsonaro, por parvoíce, orientação ou instinto, é uma máquina de produzir símbolos e imagens que vão na contra-mão de tudo o que é razoável...
...E por isso, talvez, se concretize como uma figura popular* (odiada ou não).
E enquanto a mídia e até nós mesmos apontarmos os defeitos do comportamento do Bolsonaro, ele tende a crescer. Veja bem, eu estou abismado que o Bolsonaro está se aglomerando e produzindo símbolos popularescos com a doença alheia, mas uma boa parte da população está pouco se lixando para isso.
Pelo contrário, alguns mesmo discordando dele, de uma forma geral, tendem a achar que os ataques e críticas ao Bolsonaro são "afetados", "histéricos", e não fazem muito juízo de valor ou não acham o fim do mundo que ele dê seu show de absurdos.
"É o jeito dele", pensam. "Ele é doidão assim mesmo, mas é original", devem refletir.
Existe uma correlação entre qualidades e defeitos. E a questão é que em 2022, nas urnas, mesmo que as pessoas o desaprovem, não veem nenhum problema em cravar o seu número na urna de novo, "deixa ele trabalhar", "esse pelo menos eu conheço", "vou dar mais uma chance", "mais tem Deus pra dar".
O mundo real é diferente do mundo militante.
Para a maioria da população eleitoralmente ativa ou para a que acompanha a política apenas por "visão periférica", pouco importa o que o Bolsonaro diz ou defende, muita gente sequer tem condições de saber o que é certo ou errado, o que importa é que com a imagem de Bolsonaro repetida ad nauseum na mídia, no whatsapp e em memes, o brasileiro médio vai tender a simpatizar com quem está sendo superexposto.
Neste sentido a superexposição de Bolsonaro, mesmo tentando apontar coisas negativas nele, acaba sendo positiva.
*Me recuso a usar a palavra populista como muita gente vem usando para retratar o Bolsonaro. O termo "populismo" é empregado, muitas vezes, de forma canalha para equivaler tudo aquilo que não é liberal. Aí Bolsonaro, Paulo Maluf, Getúlio Vargas, Lula e Brizola são colocados no mesmo balaio de gato do populismo. Dória, FHC e Partido Novo, aí não, aí são "técnicos".

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