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sábado, 27 de junho de 2020

A campanha das "Diretas Já" foi uma vitória histórica da Direita


A DERROTA DAS DIRETAS JÁ

Não quero ser chato, mas sendo velho e ainda não prejudicado por nenhuma doença que tenha atingido fortemente a minha memória, lembro aos distintos amigos que a campanha das 'Diretas Já' não deu certo. 

Resultou numa rotunda derrota do povo brasileiro.

Nós perdemos, para ser mais claro.

A emenda Dante de Oliveira foi rejeitada e o Brasil só conseguiu livrar-se da ditadura militar por meio de um colégio eleitoral com maioria democrática forjada por um grande acordo nacional, escondido do povo, que livrou a cara dos torturadores e assassinos do regime autoritário.

Acordo que se estendeu à constituinte, na qual, de novo, ficou assegurada a liberdade dos que cometeram crimes contra a humanidade.

Pior: foi incluído um artigo deliberadamente ambíguo para que passássemos o resto da vida discutindo, diante de qualquer crise política, se os militares podem ou não podem tomar o poder de novo, desta vez com amparo constitucional explícito.

Talvez tenha sido este o momento em que a serpente foi emprenhada, mas não me arrisco a especular tanto.

sábado, 4 de abril de 2020

Weintraub é ignorante, imbecil, xenófobo e racista


Mario Marona

Weintraub não está sendo apenas ignorante e imbecil, ao agredir a China, o maior importador de produtos brasileiros e capaz de fornecer ao nosso país equipamentos para salvar vidas na crise do covid19. Ele também é xenófobo e racista, quando, no seu tuíte estúpido de hoje, debocha da dificuldade dos chineses de falar português sem sotaque. Este idiota é ministro da Educação de um governo que se elegeu porque a imprensa brasileira fechou os olhos a um reconhecido fascista e mentiu que o professor e verdadeiro ministro da Educação que disputava com ele a presidência era uma "escolha difícil".

segunda-feira, 16 de março de 2020

Guga Chacra chorou



Mario Marona

GUGA CHACRA CHOROU.

PARABÉNS.

Guga Chacra chorou no Manhattan Connection quando falava sobre as mortes causadas pelo COVID-19.

Respeito sua emoção.

Ilse Scamparini também se comoveu a ponto de chorar ao falar sobre sua amada Itália numa entrada ao vivo no JN.

Jornalista por 36 anos até deixar a profissão para me tornar consultor e assessor de imprensa, há 11 anos, nunca deixei de me emocionar com o sofrimento alheio e com o meu próprio.

Chorei algumas vezes por ter tido minha liberdade roubada durante a ditadura militar.

Chorei muitas vezes, de desespero, quando colegas, conhecidos e amigos foram presos, torturados e, alguns, assassinados pelo regime que uma parte do povo brasileiro hoje quer de volta.

Chorei de indignação quando vi um líder como Brizola, destinado a reatar o nó da história que havia sido rompido pelo golpe de 64, ser alvo de uma campanha brutal da mídia, da direita e de parte da esquerda para impedi-lo de se tornar presidente.

Chorei quando soube que uma senhora muito pobre disse, ao receber luz elétrica em sua casa de pau a pique, no sertão nordestino: “É a primeira vez que eu vou enxergar meus filhos dormindo”.

Naquele dia, Lula estava lá e chorou antes de mim.

Chorei quando acompanhei muito de perto o golpe que destituiu a primeira mulher que presidiu o Brasil – uma presidenta honesta, honrada e que jamais cometeu qualquer crime que pudesse justificar sua derrubada por um bando representado pelo voto infame e repugnante de um certo Jair Bolsonaro.

Chorei quando forjaram a prisão de Lula para que ele não pudesse ser candidato e chorei mais ainda quando vi ser eleito, com apoio da mesma mídia que destruiu Brizola, e que hoje se faz de desentendida, a figura mais abjeta que a política brasileira já produziu.

Chore, Guga Chacra, você tem esse direito.

Mas olhe para o teu país e sua história e, quem sabe, você descerá de sua confortável e obsequiosa "isenção" e encontrará mais motivos para derramar lágrimas sentidas. Mesmo que seja sozinho, em casa, discretamente.

sábado, 7 de março de 2020

A Folha cometeu feminicídio contra o jornalismo


Mario Marona

A única reportagem da Folha de hoje sobre o Dia Internacional da Mulher, que será amanhã, com manifestações no mundo inteiro, inclusive no Brasil, foi feita de entrevistas com mulheres que se recusam a participar dos atos públicos porque são antifeministas e/ou apoiadoras do governo Bolsonaro.

A Folha não ouviu nenhuma mulher que pretenda participar das manifestações, nenhuma feminista, nenhuma mulher que denuncie a violência que as atinge, nenhuma mulher que defenda as pautas mais comuns do movimento feminista mundial e brasileiro.

A Folha cometeu feminicídio contra o jornalismo.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Quatro linhas


Mario Marona

NOÇÃO DE ESPAÇO

Quatro linhas.
Quatro linhas!

QUATRO LINHAS é o tamanho da nota da Folha contra Bolsonaro e em defesa de sua repórter, que o presidente da República acusou de pretender ter relações sexuais com ele.

O que será necessário para que a Folha diga o que Bolsonaro precisa ouvir em pelo menos 10 ou 15 linhas?

O que Bolsonaro precisa fazer de abjeto e asqueroso para que a Folha gaste para criticar o presidente, de forma legítima, um décimo do espaço que gastou, de forma venal, para tirar o PT do poder, derrubar uma presidenta eleita que não havia cometido crime de responsabilidade, e prender injustamente o maior líder popular da história recente do país?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Dilema


Uma longa pergunta de difícil resposta, e uma menor, de resposta simples:

Que tal possuir ou dirigir um jornal e ver uma de suas repórteres ser chamada de piranha numa CPI, assistir à reprodução da calúnia pelo deputado que é filho do presidente, mas sentir-se obrigado a limitar sua reação apenas a um texto de desagravo à sua funcionária, porque fazer mais do que isso - como uma campanha para retirar do poder governantes tão antidemocráticos, fascistas e indecorosos -- prejudicaria a agenda econômica neoliberal que este mesmo governo adota e que você, empresário de comunicação, apoia integralmente?

Como era fácil quando o objetivo era derrubar um governo antineoliberal e democrático, não é verdade?

Mario Marona


domingo, 2 de fevereiro de 2020

O modo Folha de canalhice e manipulação


Mario Marona

O MODO FOLHA DE CANALHICE

À Folha não basta ser regularmente canalha, como toda a mídia comercial brasileira.

Precisa mostrar-se radicalmente canalha, de vez em quando, para manter sua liderança no ranking da canalhice.

É o que faz na edição de hoje, ao fabricar uma reportagem para acusar Lula de mentir ou distorcer fatos nas entrevistas e nos discursos que fez desde que foi solto.

O truque da Folha quando precisa mostrar que acanalhou-se muito mais do que seus concorrentes é relativamente simples: chamar o inimigo de mentiroso por dizer mais ou menos o que a própria jornal já noticiou, sem considerar que, por ser quem é - um político lutando por sua liberdade e pelo poder - o alvo da Folha utiliza ênfase e retórica diferentes das adotadas no jornalismo.

Alguns exemplos?

A Folha noticiou, com chamada de primeira página, que para apressar o julgamento de Lula no caso do triplex o TRF-4 passou o seu caso na frente de 76% dos processos que estavam à espera de decisão. Lula denunciou este fato como uma injustiça, e a Folha, na matéria de hoje, o acusa de ter distorcido a verdade. Verdade que o próprio jornal revelara!

Lula criticou a Lava Jato por acusá-lo "sem provas" e "com convicções" e a Folha, hoje, diz que ele mente, mas informa, no mesmo parágrafo, logo em seguida, que, de fato, os procuradores da operação, na famosa entrevista do power point, disseram que não tinham provas cabais, mas tinham convicções.

Em retórica deliberadamente forte, Lula diz ter passado 580 dias numa solitária. A Folha diz que é mentira. Talvez considerasse verdade se Lula tivesse ficado preso numa masmorra ao lado do Conde de Monte Cristo. Mas a verdade é que Lula passou, sim, 580 dias numa cela adaptada em que não tinha contato algum com ninguém além de seus advogados e, uma vez por semana, seus parentes. A isto se chama imposição da solidão, por sinal não prevista na sentença.

A Folha também diz que Lula mente ao acusar a Globo de ignorar as denúncias contra a Lava Jato pelo Intercept. De fato, a Globo não ignorou o assunto, mas praticamente, com raras exceções, limitou-se a noticiar apenas as acusações contra o Intercept por ter publicado informações obtidas por hackers. Até a Folha deu muito mais espaço à Vaza Jato.

Alguém esqueceu que, desmascarada por ter divulgado uma ficha falsa do Dops como se fosse de Dilma, a Folha, depois de longa resistência, afirmou que, de fato, a ficha era falsa, mas bem que poderia ter sido verdadeira?

Ou seja: "nossa notícia é mentirosa, mas poderia não ser".

É o modo Folha de canalhice e manipulação.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Colunistas simulam surpresa e indignação com o apoio da Fiesp ao neofascismo de Bolsonaro

Mario Marona

Nos últimos dias, colunistas de São Paulo passaram a simular surpresa e indignação com o apoio da Fiesp ao neofascismo de Bolsonaro.

Como se fosse novidade.

Como se não conhecessem a velha Fiesp golpísta do pato amarelo.

Não querem aceitar o fato de que compraram um combo, que inclui o ultraneoliberalismo de Guedes, mas traz junto o neofascismo e a baixaria de Bolsonaro.


Na Folha

A FIESP É FASCISTA

Celso Rocha de Barros

Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) está trabalhando pela organização do partido de Bolsonaro no estado. É uma vergonha para a indústria brasileira e para São Paulo.

Associando-se ao bolsonarismo, Skaf está amarrando a elite do estado mais dinâmico do Brasil ao que há de mais imundo e atrasado na tradição política brasileira.

A vanguarda de nosso empresariado defende o torturador Brilhante Ustra, que introduzia ratos nas vaginas das presas? A locomotiva da nação dá graças a Deus porque Pinochet matou o pai de Michelle Bachelet?

Há planos para projetar uma placa rasgada com o nome de Marielle Franco na fachada da sede na Paulista? As milícias de Rio das Pedras poderão se filiar à Fiesp?

A elite paulista, que já financiou a Semana de Arte Moderna de 1922, a USP e o Masp, agora patrocinará a doença mental de Olavo de Carvalho? Os empreendedores bandeirantes defendem o negacionismo climático? Aliás, que modelo de empreendedorismo os federados de Skaf pretendem oferecer aos jovens paulistas, a startup “Escritório do Crime”?

Os cidadãos brasileiros a quem o país permitiu ter mais dinheiro apoiam um novo AI-5, entusiasmam-se com os ataques ao STF, defendem a guerra de Bolsonaro contra a imprensa livre? A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo será a defensora do atraso e do coronelismo, do preconceito e do obscurantismo, da mais torpe e abjeta depravação autoritária?

Ao redor do mundo, segmentos econômicos que não se mostraram capazes de competir globalmente se aliaram ao populismo autoritário. Se o empresariado paulista seguir Skaf no bolsonarismo, terá também assinado sua desistência.

Talvez a indústria brasileira, em franco declínio, abrace o bolsonarismo como os antigos mineiros do norte da Inglaterra abraçaram o brexit. Vale lembrar, o bolsonarismo se distingue de outros autoritarismos da mesma safra pelo apoio que tem nas elites.

Se os industriais paulistas não protestarem contra Bolsonaro na qualidade de industriais, poderiam ao menos protestar na qualidade de paulistas.

Bolsonaro venceu em São Paulo, mas representa o contrário da visão que São Paulo já foi. Bolsonaro acha que desenvolvimento é plantar em cada vez mais terras e explorar cada vez mais minas. É o exato contrário do tipo de atividade econômica moderna e intensiva em conhecimento em que São Paulo é líder.

São Paulo é suas universidades, é o centro da ciência nacional, é a Fapesp. Bolsonaro é censura ao Inpe, guerra às universidades e negacionismo climático. São Paulo foi o berço dos dois melhores partidos que o Brasil já teve, PT e PSDB. Bolsonaro é uma infecção oportunista nascida das crises dos dois. São Paulo é um dos poucos estados em que dois grandes jornais sobreviveram. Bolsonaro pretende estrangulá-los financeiramente e substituí-los pelo jornalismo puxa-saco muito comum nas regiões mais pobres.

Ainda resta a esperança de que Skaf não seja representativo da indústria paulista como um todo. Matéria de Bruna Narcizo publicada nesta Folha em 3 de janeiro mostrou que há industriais insatisfeitos com os movimentos recentes do presidente da Fiesp. Tomara que sejam muitos e que estejam insatisfeitos pelo motivo certo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Faça sua autocrítica, mude seu comportamento e tente consertar a merda que fez


Mario Marona

Mensagem de fim de ano:

Aos amigos, conhecidos e gente que eu conheço de vista e que nem por isso desprezo.

Você que se acha de esquerda e não se deu conta de que o boicote e a sabotagem aos governos do PT começaram no dia exato em que Lula tornou-se um candidato viável contra FHC na campanha eleitoral de 2002.

Você que se acha de esquerda e não percebeu que o mensalão foi uma acusação ao PT segundo a qual o governo petista subornou seus próprios parlamentares para votar a favor dele, o que não faz o menor sentido.

Você que viu a Lava Jato sendo incensada pela mídia escrota e transformando um juiz desqualificado em herói nacional, mas jura que nem desconfiou que tinha alguma coisa que não batia naquela história.

Você que apoiou os protestos de 2013 que foram movidos pelas táticas da guerra híbrida, e se emocionou como um revolucionário com a tática dos black blocks (com PMs infiltrados) que ajudaram a desestabilizar um governo democrático no auge de sua popularidade e no ano em que atingia o nível mais alto de atendimento dos direitos dos pobres e excluídos em toda a nossa história.

Você que sentiu nojinho quando o governo social democrata que assumiu em 2003 se viu obrigado a fazer alianças com partidos e forças políticas conservadoras porque, do contrário, não seria capaz de governar, já que, infelizmente, o Brasil não vivia uma situação pré-revolucionária.

Você que preferiu se omitir e fingir-se de isentão diante do golpe de estado que derrubou o último governo democrático do país porque, justo no período em que o Brasil vivia uma crise econômica e, por mais que se esforçasse para superá-la, e quando mais precisava dos progressistas como você, o governo não conseguia vencer o bloqueio político do Congresso, do mercado e, sobretudo, da mídia.

Você que defendia que o povo fosse às ruas para protestar por quaisquer 20 centavos no preço da passagem, mas não defendeu passeatas e manifestações em defesa da democracia quando ela estava ameaçada, contra o golpe, contra a extinção da CLT, contra a aprovação da reforma previdência e todos os demais retrocessos que nem te prejudicam muito, agora, mas são verdadeiros desastres na vida dos teus pais ou dos trabalhadores.

Você que viu o maior líder popular do país desde Getúlo Vargas ser perseguido, acusado, condenado e preso sem provas sólidas e ficou quieto porque, enfim, “o PT estaria pagando pelos equívocos” que teria cometido.

(Acréscimo inspirado no amigo Milton Leite)

Você que anulou o voto ou votou em branco no segundo turno da eleição do ano passado, sob o argumento cretino de que "político é tudo igual" ou, como disse o Estadão em manchete e editorial, "Haddad ou Bolsonaro: uma escolha difícil".

Você que acusa Lula de ser o outro lado de uma moeda a ser desprezada e descartada, e afirma que a polarização é a causa dos nossos males e não um conflito natural, inevitável, e NECESSÁRIO, numa sociedade excludente do país que produziu a segunda maior desigualdade social do mundo, depois de 350 anos de escravidão e mais de 500 anos de racismo.

Você que começa a perceber – alvíssaras! – que Bolsonaro é um desastre ou, pior ainda, a perfeita tradução da tragédia que, em parte, foi provocada por sua omissão, enquanto você, um cara bacana e sensato, agia como o sujeito que bebeu pra cacete na festa de aniversário, mas achou que poderia dirigir para casa, com três crianças no carro, e que nada daria errado só porque elas não estavam usando cinto de segurança.

Você fez merda – e com esta opinião estou sendo generoso, por não dizer que você agiu deliberadamente contra o fio vulnerável de democracia que nós vivíamos.

Digamos que tenha sido apenas idiota.

Vá lá: distraído.

Mas é preciso que fique bem claro: você se tornará eternamente responsável, culpado, e um rematado canalha, se continuar defendendo, como se fossem defensáveis, retrospectivamente, os erros de avaliação que cometeu.

Você não precisa da minha solidariedade, e não a terá, mas pode ter coragem de dizer a si mesmo e aos seus amigos mais próximos, francamente:

-- OK, admito, fiz merda, errei pra caralho, me penitencio, e por isso decidi que a partir de agora vou fazer o que estiver ao meu alcance pra corrigir esta cagada.

Vai pela sombra e bom 2020 pra você.

domingo, 22 de dezembro de 2019

O mal que a imprensa faz ao Flamengo


Mario Marona

1. A Fla Press causa enormes prejuízos ao Flamengo. Inventa, forja, exacerba, esconde defeitos e fez a torcida acreditar num time imbatível que não existe. Em parte porque torce mesmo pelo Flamengo, em parte porque acha que dá audiência adotar o time de 30% dos brasileiros e aborrecer 70% dos demais torcedores. Mesmo tendo sido, disparado, o melhor time brasileiro deste ano, o Flamengo não pode ganhar imunidade a críticas e análises rigorosas que a imprensa dedica, com razão, aos demais clubes.

2. Como eu disse ontem, em sincero reconhecimento, o Flamengo fez um jogo digno e de igual para igual, o que está longe de significar que está, ou esteve, no mesmo nível do Liverpool. Se estivesse, não haveria motivo para falar em dignidade. Seria apenas um clássico entre times que se equivalem. O Grêmio, que citei, foi digno ao perder nos pênaltis para o Ajax em 1995, justamente porque o Ajax era muito melhor (chegou a Tóquio invicto havia 46 jogos); foi digno ao perder para o Real Madri em gol de falta em 2017 porque o Real Madri era infinitamente superior e, mesmo assim, não nos empurrou uma previsível goleada. Foi mais ou menos assim, ontem,

3. A data e o formato dos mundiais de clubes continuarão tornando a competição desinteressante para os europeus. É claro que, uma vez participando, eles querem ganhar e se esforçam para isto. Vale taça e história. Mas desconfio que o Liverpool teria mais gana num jogo contra Leicester pelo campeonato inglês, desde que valesse a liderança da Premier League.

4. O Liverpool não é um pouco melhor do que o Flamengo. É muitíssimo melhor. Não há no Flamengo um único jogador que tenha mais qualidade do que algum jogador do Liverpool, embora eles tenham lá as suas babas. A vitória do time inglês, ainda que magra e apenas na prorrogação, mesmo assim foi natural e não exigiu grande esforço ou épicas superações. Os lances de gol criados pelos ingleses foram em maior número e muito mais perigosos.

5. O Liverpool só não venceu por 3 a 0, pelo menos, porque tem um atacante brasileiro que se caracteriza pela enorme dificuldade de fazer gols. Perdeu dois, ontem, que até o André Balada faria. Firmino é um camisa nove que joga ainda pior quando veste a camisa da seleção, e que a mídia esportiva brasileira protege e, quando comenta estatísticas de seu desempenho medíocre, sempre o desculpa com argumentos do tipo: “na verdade, ele sempre foi atacante de lado e não centroavante”.

6. O Flamengo tem o melhor técnico do Brasil, mas não tem um técnico do nível dos melhores da Europa. Aliás, nenhum treinador brasileiro (portanto, não me refiro a Jesus e Sampaoli) teria condições de comandar um time de segunda divisão da Inglaterra, Espanha, Alemanha ou Itália. Jorge Jesus, um dos fortes motivos do ótimo desempenho do Flamengo este ano, é bom técnico e pode até assumir algum time europeu de segunda linha, com chances de vaga na Liga Europa ou até na Champions, mas deve ser comparado, no máximo, a José Mourinho, outro português que de vez em quando acerta por lá.

7. Se não perder Jesus e muitos titulares, o Flamengo continuará sendo o melhor time brasileiro e um dos favoritos a vencer a Libertadores - e a uma provável nova derrota digna para o campeão europeu do ano que vem.

8. O Flamengo entrará 2020 com uma divida moral imensa com a sua torcida: solucionar de maneira generosa e sem manobras jurídicas e mesquinhas o litígio com as famílias dos dez meninos que morreram no incêndio do Ninho do Urubu, causado por incúria do clube. Isto vale muito para a história do Flamengo e deve custar menos do que um contrato de um ano com Gabigol.     

A vestal paulistana

Mario Marona

O Estadão mostra-se, enfim, chocado com a falta de compostura do presidente que ajudou a eleger e que já tratou como semelhante a Fernando Haddad ("Escolha difícil").

No editorial de ontem, interpretado como um grave sinal de rompimento (ã-hã!), diz que Bolsonaro, com seu padrão de agressividade, "se apequena como presidente" e "parece incapaz de se comportar de acordo com o cargo que ocupa".

É de se indagar ao Estadão se foi só agora que o jornal teve esta epifania diante de um sujeito que já prestou homenagem a um torturador em sessão da Câmara transmitida ao vivo para todo o país.

Ou apenas repete o conceito segundo qual nem toda a falta de educação será castigada. como mostra a foto abaixo, de um de seus acionistas, durante passeata de apoio a Aécio, em 2014:
Fernão Lara Mesquita

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Como as Fake News, as Teorias da Conspiração e os Algoritmos Estão Sendo Utilizados para Disseminar Ódio, Medo e Influenciar Eleições


Mario Marona


“Quando Bolsonaro diz uma coisa que é factualmente falsa e todo mundo começa a corrigi-lo, ele consegue atingir pelo menos quatro objetivos: o primeiro é que todo mundo está falando sobre o que ele está falando, e não sobre o que outros estão; o segundo é que ele mostra que não é parte do establishment, é algo diferente; o terceiro é que ele demonstra liderança, ao moldar sua própria realidade com sua vontade política, e o quarto é que une a tribo das pessoas que acreditam nessas fake news, e isso une as tribos muito mais do que notícias verdadeiras. Combate ou correção de fake news não pode ser discurso político. É importante ter seu próprio discurso e não ir atrás dos nacionalistas populistas e cair na armadilha deles.”

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Sentença de juiz Francisco Shintate contra Haddad é deboche puro, uma cusparada na Democracia


Luis Felipe Miguel

Eu tenho pra mim que é de propósito. O juiz que condenou Haddad num processo para lá de fajuto, sem ligar para provas ou mesmo para as acusações, fez de sua sentença um cartapácio de mais de 500 páginas, a esmagadora maioria das quais sem nenhuma relação com o caso.

Informa Mônica Bergamo: antes de começar a tratar do caso, "ele fala sobre linguística - 'veículo sígnico (o suporte físico), designatum ou significatum (a significação) e denotatum (o significado)' -, de lógica 'alética e deôntica' e inclui citações de 50 páginas contínuas de trechos de livros".

Citações totalizando 50 páginas contínuas superam, com enorme folga, os requisitos do "encher linguiça".

Para mim, é deboche. É a vontade de anunciar ao mundo que o julgamento é uma farsa e que o Judiciário faz o quer, em favor dos seus aliados e contra seus desafetos, sem se preocupar sequer com as aparências, porque a fachada do império da lei no Brasil já ruiu há muito tempo.


A sentença do espetáculo


O art. 381, do CPP, prescreve que:

"A sentença conterá:

I - os nomes das partes ou, quando não possível, as indicações necessárias para identificá-las;
II - a exposição sucinta da acusação e da defesa;
III - a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão;
IV - a indicação dos artigos de lei aplicados;
V - o dispositivo;
VI - a data e a assinatura do juiz."

A sentença do espetáculo, entretanto, deve contar centenas de páginas inúteis com citações doutrinárias duvidosas e, se possível, uma defesa do próprio juiz em face das acusações que ele presumivelmente recebeu em razão de condenar um réu por razões políticas ou ideológicas. Sérgio Moro abriu o caminho. Agora todo juiz que mandar encarcerar um petista famoso vai escrever um livro de direito penal seletivo, de direito penal do inimigo e de estatística criminológica aplicada. Quando a Lei e os fatos se tornam irrelevantes, as condenações devem conter racionalizações. Quanto mais, melhor. Mas não vi nenhum juiz regredir ao infinito para condenar Deus em virtude dele ter criado os homens que criaram o partido que tira o sono dos juízes de extrema direita e que atormenta os advogados.

"O defensor não rebateu todos os argumentos da sentença. Condenação mantida por seus próprios fundamentos." Nesse caso o Acórdão pode ser curto e grosso. Quanto menos racionalizações, melhor. Na segunda instância opera efeitos o princípio oposto. Um Acórdão do espetáculo não dá qualquer chance para o condenado. O advogado dele pode até ser impedido de usar a tribuna, como ocorreu no caso do recurso de Lula julgado pelo STJ.


SENTENÇA SEM PÉ NEM CABEÇA

Alertado por notas de Mônica Bérgamo, procurei a íntegra da sentença do juiz Francisco Carlos Inouye Shintate, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, que acaba de condenar Fernando Haddad por um crime que ele não apenas não cometeu como do qual não foi acusado.

Trata-se de uma maluquice provavelmente inédita no Judiciário brasileiro. São quase 500 páginas mas, exceto pelo despacho de abertura de 11 folhas, a sentença propriamente dita tem 361 páginas de elucubrações teóricas e reproduções de livros e teses sobre assuntos variados, como filosofia e linguística, trechos de muitas páginas em língua estrangeira e reproduções de livros teóricos sobre direito.

Tudo isso antes de fazer a primeira referência direta ao caso específico que está sendo julgado. Até a página 361 os nomes dos réus e as acusações contra eles não são citadas uma única vez. A maior encheção de linguiça já vista – e talvez não apenas no direito.

Já conhecemos uma juíza que, para condenar Lula por um sítio que não é dele, fez CTRL-C/CTRL-V na sentença em que seu antecessor, Sergio Moro, condenou Lula por um apartamento que também não é dele. Agora, somos apresentados a um juiz que, para condenar Haddad por um crime do qual o ministério público não o acusou, faz copia e cola em livros e teses de terceiros.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Tabata tem potencial para ser uma boa deputada de direita

Esta menina fabricada pelo Lehman é simpática, bonitinha e articulada, e nada disso é defeito. Sendo cria do Lehman, certamente não podia ser de esquerda, e isto tampouco a desqualifica previamente. 

O que não faz sentido é gente que se declara progressista esperar dela uma proximidade impossível e, pior, se decepcionar ao descobrir que, mesmo tendo sido pobre, ela vota contra os pobres, como acaba de fazer em relação à aposentadoria. Desde quando ter sido pobre é garantia de alguma coisa além de, apenas, ter sido pobre?

Deixem a menina ser o que é, uma liberal forjada pelo Lehman e identificada com gente como Luciano Huck e Gabeira, que não fazem outra coisa além de apagar rastros nas suas redes sociais. 

A mim ela não frustrou porque nunca pensei em tê-la ao meu lado - ideologicamente, quero dizer.

Que seja uma boa deputada de direita. Até disso ainda vamos acabar sentindo falta.

Mario Marona

quinta-feira, 30 de maio de 2019

VOCÊS ERRARAM OU MENTIRAM, COLUNISTAS DE ECONOMIA


Mario Marona

Se a Dilma fosse derrubada, o Brasil seria salvo da crise por um surto natural e imediato de confiança do mercado e dos empresários.

Não foi. Muito pelo contrário. Mais de três anos depois da destituição do PT do poder, a situação econômica do país é muito pior. Se há três anos havia “apenas” uma crise econômica, agora a situação é de profunda depressão.

Leitores de jornal, ouvintes de rádios e telespectadores estão aguardando: o que têm a dizer quase todos os colunistas e comentaristas de economia?

Vocês se encarregaram de espalhar como verdadeira a tese segundo a qual sem o PT no governo o país superaria num instante a crise econômica. Vocês também garantiram que a mudança nas leis trabalhistas, há dois anos, teria efeito semelhante, e levaria logo à criação de empregos. Agora, asseguram que a mudança das leis previdenciárias fará a mesma coisa.

Quando vocês pretendem para de enganar os brasileiros? Ou quando, para fingir que não são venais, pretendem confessar que foram incapazes de entender minimamente a realidade que deveriam analisar com um minimo de isenção? Na segunda hipótese, alguns de vocês poderiam ter errado de boa-fé, exceto pela imperdoável desonestidade intelectual.

Mas de bem intencionados, todos sabemos, o inferno sempre estará lotado.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Alerta!

Mario Marona

Bernardo Melo Franco sugere hoje a leitura de um livro chamado "A democracia em risco?".

Trata-se de uma tentativa coletiva de intelectuais coxinhas que sentaram praça no antipetismo, apoiaram ou se omitiram diante do golpe parlamentar e midiático de 2016, e, agora, tentam limpar sua barra e sua biografia "alertando" para o risco de um autoritarismo que ajudaram a construir.

Não dá pra não deixar de ler.

sábado, 8 de dezembro de 2018

A competência extraordinária da polícia do Ceará

Todos salvos
Mario Marona

Interior do Ceará, cidade de 28 mil habitantes, seis bandidos planejam assaltar dois bancos, fazem seis reféns (duas famílias, duas crianças), a polícia ataca e morre todo mundo: os seis bandidos e os seis reféns, inclusive as crianças.

Depois, o ministro da Segurança Pública, o prefeito e todas as autoridades comemoram porque, apesar do lamentável imprevisto, os bancos não foram assaltados.

Patrimônio preservado, duas famílias destruídas.

Para mim, isto é incompetência e falta de respeito pela vida de seis cidadãos inocentes.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Não use Bozonazi como desculpa

Mario Marona

Não use o fascismo grosseiro e caricato de Bolsonaro para se declarar espantado e se exibir como progressista. A não ser que você seja tão estúpido que não percebeu o ovo da serpente (2013), a sabotagem (2015), o golpe (2016) e a prisão sem provas de um líder que venceria a eleição (2018).

Você não é tão burro.

Você só quer limpar sua barra com os leitores, com os amigos, com a sua biografia e com seus descendentes.

Não vai conseguir.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Lula vai morrer nos cárceres da ditadura

Mario Marona

Lula foi preso para não ser candidato.

Foi mantido preso para não ter direito de percorrer o país apoiando algum candidato.

E continuará preso para não ser o líder da oposição capaz de barrar o autoritarismo.

A prisão sem provas, a manobra venal para impedir o cumprimento do habeas corpus que mandava soltá-lo, e o desrespeito do Brasil à determinação do comitê de direitos humanos da ONU para que ele pudesse se manifestar na campanha denunciam a tibieza vergonhosa de tribunais superiores submetidos ao poder midiático de um juiz de primeira instância, agora premiado com um superministério por ter feito o trabalho sujo que sustentou o retrocesso político e civilizatório.

Que ninguém se iluda. Lula só será solto quando os tribunais superiores deste país se encherem de brios que já não têm há muito tempo ou quando o povo exigir sua liberdade nas ruas - infelizmente, o mesmo povo que não reagiu quando o golpe começou, em 2016 e que ajudou a eleger um protofascista presidente da República.

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"quando os tribunais superiores deste país se encherem de brios" = NUNCA
"quando o povo exigir sua liberdade nas ruas = NUNCA"