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quinta-feira, 5 de março de 2020

Anos fabulosos


Reforma da Previdência e teto de gastos garantem crescimento de 3% e "anos fabulosos", diz Mansueto


SÃO PAULO, 22 Nov (Reuters) - A economia brasileira poderia crescer 3% ou mais e experimentar quatro anos "fabulosos" com a aprovação da reforma da previdência e cumprimento do chamado teto dos gastos, disse o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, nesta quinta-feira (22).

"Fazendo a reforma da Previdência e cumprindo o teto dos gastos, eu não tenho a mínima dúvida, a gente vai ter quatro anos fabulosos, com a economia se recuperando, tranquilamente podendo crescer 3% ou mais", afirmou Mansueto, durante evento em São Paulo, alegando que o ponto de partida é muito baixo.

Em sua fala a investidores, Mansueto também pontuou a necessidade de reestruturar carreiras do serviço público e disse que o Brasil terá de eventualmente e "de forma muito madura" revisar a política de reajuste do salário mínimo.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, tem defendido que ao menos parte da reforma da Previdência seja aprovada ainda neste ano, embora não haja um consenso sobre o tema entre aliados do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Bolsonaro anunciou que Mansueto será mantido no cargo de secretário do Tesouro em seu governo.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Solidariedade com quem?


Sobre os liberais perseguidos pelo bolsonarismo

Jones Manoel

Se eu visse um cara como José Dirceu sendo atacado por essas caras, eu defendia ele e trocava até tapa. Nos pelegos, a extrema direita não mexe. Porque quem ataca pelego ataca comunista também - pra eles é tudo a mesma coisa.

Sobre os liberais: quero que se fodam e morram abraços com o monstro de extrema direita que criaram.

Zero solidariedade a esse povo.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

A empregada de Schrödinger

Monica de Bolle (ultraliberal raiz que votou nulo entre o chefe da milícia e o professor Haddad)
O “imigrante de Schrödinger”, é um estorvo por estar desempregado, mas que rouba seu emprego. Porém, uma vez observado, ou ele está desempregado ou ele desfruta de seus afazeres profissionais após sua demissão
Lembram-se do gato de Schrödinger? Trata-se de uma alegoria sobre o aparente paradoxo da superposição quântica, em que um gato hipotético pode estar morto e vivo ao mesmo tempo. Portanto, duas realidades contraditórias existem simultaneamente até que um observador determine em qual delas está — na realidade do gato morto, ao observar o cadáver, ou na realidade do gato vivo. Antes de o observador determinar qual realidade haverá de se impor para ele, as duas realidades são igualmente prováveis para aquele indivíduo particular ainda que sua experiência real seja única.

Tenho pensado sobre os paralelos entre o estranho mundo da física quântica e o igualmente estranho mundo da política e da economia. Por exemplo: no Brasil, hoje, há muita gente que rejeita o programa Bolsa Família por considerá-lo — colocando de forma crua — uma medida que alimenta a preguiça dos que recebem o benefício, eliminando o incentivo de encontrar formas de sustento que não dependam do Estado.

O governo parece compartilhar dessa visão diante das notícias de que milhões de pessoas deixaram de receber o benefício recentemente, ou padecem em longas filas para recebê-lo. O problema reside no fato de que há pessoas que, ao mesmo tempo, compartilham da visão do ministro da Economia de que “há muita empregada doméstica indo para a Disney”. Qual o paradoxo? Ora, se tantas empregadas viajam para o exterior, dificilmente o fazem com o exíguo benefício do Bolsa Família — mas muitas são beneficiárias do programa. Eliminando, portanto, a hipótese anacrônica de que recebam o Bolsa Família por necessidade e viajem para a Disney, eis a empregada de Schrödinger: aquela que viaja para a Disney e não viaja para a Disney ao mesmo tempo.

A empregada de Schrödinger veio para mim não só como inspiração devido à fala do ministro, mas pela leitura de um paper recente de Alberto Alesina, Armando Miano e Stefanie Stantcheva intitulado The polarization of reality e publicado em janeiro desse ano pelo NBER (Bureau Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês). Nesse estudo, os autores discorrem sobre a polarização da realidade, isto é, a situação em que as pessoas têm diferentes percepções de uma realidade que pode ser constatada ou observada a partir de fatos verificáveis.

Para ilustrar o fenômeno que investigam, os autores descrevem o “imigrante de Schrödinger”, aquele que é um estorvo por estar desempregado, mas que rouba seu emprego. Porém, uma vez observado, ou ele está desempregado ou ele desfruta de seus afazeres profissionais após sua demissão. A revelação de que as duas realidades podem continuar a existir na cabeça de algumas pessoas é espantosa. Não só isso, ela tem claras implicações para a política migratória: quanto mais pessoas abrigarem duas realidades contraditórias em sua cabeça, maiores as chances de que a política migratória reflita escolhas que inibam a imigração — mesmo quando ela é inequivocamente benéfica.

Volto à empregada. Quanto mais pessoas acreditarem que a empregada deveria se esforçar mais para não receber o Bolsa Família, sobretudo porque estão viajando para a Disney aos montes, mais as políticas de redução de pobreza e redistribuição de renda serão rechaçadas. O repúdio respaldará a decisão do governo brasileiro de ignorar os imensos problemas de mobilidade social e acesso aos serviços básicos de boa parte da população brasileira.

Os autores do estudo mencionado conduziram um experimento para testar a maneira como as pessoas processam a realidade. Sem distinguir o posicionamento ideológico, indivíduos foram postos em dois grupos. O primeiro grupo teve acesso a diversos dados sobre desigualdade e a redução do grau de mobilidade social nos EUA, enquanto o outro grupo não teve acesso a essas informações. Em seguida, todos foram perguntados sobre a capacidade de uma pessoa pobre alcançar níveis de renda mais elevados por meio de seu próprio esforço. Os membros do primeiro grupo mostraram-se inequivocamente mais pessimistas do que os do segundo. Contudo, no segundo grupo, pessoas mais à esquerda do espectro político revelaram-se substancialmente mais pessimistas do que pessoas à direita.

A empregada de Schrödinger apresenta paradoxos à política econômica que talvez só possam ser resolvidos pelo velho cara ou coroa. Talvez baste o lançamento de uma moeda de R$ 1, no lugar do salário de R$ 31 mil de um ministro.

*Monica de Bolle é Pesquisadora Sênior do Peterson Institute for International Economics e professora da Universidade Johns Hopkins

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Patrícia Campos Mello merece nossa solidariedade. Mas não o jornal no qual ela trabalha e a categoria à qual ela pertence.


Luis Felipe Miguel

A agressão sexista de Bolsonaro contra a repórter Patrícia Campos Mello é deplorável. Seria inacreditável, se estivéssemos em tempos um pouco mais normais e a presidência não fosse ocupada por um putrecéfalo.

A "indignação" da Folha com o desgoverno, porém, não alcança sua cumplicidade com a destruição do país promovida por Guedes. Hoje, depois de mais de duas semanas de autocensura, a greve dos petroleiros chegou ao jornal - aos jornais, na verdade, porque eles decidiram romper o silêncio em conjunto, o que em si mesmo é bem significativo.

A cobertura da Folha é um monumento de parcialidade, com direito a um de seus articulistas mais limitados "ensinando" à oposição que não pode misturar greve de trabalhadores com luta contra privatizações.

Ao mesmo tempo, não importa quão abjetas sejam as agressões, os repórteres continuam correndo atrás de Bolsonaro, rindo de suas grosserias, incapazes de um gesto que manifeste sua contrariedade.

Patrícia Campos Mello merece nossa solidariedade. Mas não o jornal no qual ela trabalha e a categoria à qual ela pertence.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Saída do ministro Weintraub virou um clamor nacional

domingo, 29 de dezembro de 2019

A foto do ano

Aplicativos
Ciclistas que trabalham com aplicativos de entrega descansam em praça de São Paulo. 
Foto: Tiago Queiroz/Estadão - 13/9/2019
Estadão

"Para mim, é uma foto que retrata a precarização do trabalho como a gente conhecia. Fico triste quando vejo aqueles meninos da foto, eles estão quase em situação de rua" (Tiago Queiroz)

domingo, 24 de novembro de 2019

Neoliberalismo do Chile tem grande apelo entre seres totalitários


O menino e seu cavalo

José de Souza Martins

Milton Friedman, da Universidade de Chicago, mentor dos “Chicago boys”, que disseminam o neoliberalismo econômico nos países precários como o nosso, disse que uma economia livre só tem sentido em sociedades democráticas e livres. No entanto, esse neoliberalismo tem grande apelo entre os seres totalitários que transformam as reformas econômicas neoliberais em verdadeiros golpes de Estado de governantes ocultos que governam sem mandato, os técnicos que implementam as medidas que as efetivam.

No mais das vezes, com elas, revogam conquistas sociais preconizadas pelos próprios empresários, induzidos pelas inquietações e demandas dos trabalhadores, como técnicas políticas de racionalização das relações de trabalho e de incremento da produtividade do trabalho através da paz social.

O Chile é apresentado, na propaganda enganosa do neoliberalismo, como país em que as duras medidas que o caracterizam acabam resultando em crescimento econômico e modernização em benefício de todos. O protesto das ruas diz que não. É verdade que o Chile das grandes dificuldades econômicas de 1973 sofreu um crescimento econômico extraordinário de lá para cá, mas às custas de consequências sociais excludentes.

Economistas, e não só eles, têm dificuldade para lidar com a dimensão histórica do tempo, com as temporalidades sociais. O economismo de gente que pensa como os “Chicago boys”, como se vê no dia a dia, é o da economia de longo prazo pensada e reduzida a providências e consequências de prazo curto.

Baseia-se no equívoco de supor que o tempo da história é linear, e não a diversidade dos ritmos do desenvolvimento, do desencontro entre crescimento econômico e desenvolvimento social. Diferentes setores da sociedade são atingidos desigualmente pela economia e pela política econômica.

Aqui no Brasil, no Chile e em todas as partes em que a sociedade se tornou cobaia do crescimentismo neoliberal, foi-o no lugar do desenvolvimento econômico e social. A rapidez das quedas e subidas na vida e a consciência da incerteza que as acompanha geraram e disseminaram os componentes sociais mais sofridos e menos discutidos do neoliberalismo: o medo e a insegurança resultantes.

Os sociólogos deveriam fazer pesquisas sobre isso nos hospitais e nas clínicas médicas, sobre as enfermidades decorrentes da incerteza numa sociedade, como a capitalista da atualidade neoliberal, que investe fortunas só para ter certeza sobre a lucratividade dos capitais. Certeza para quem ganha e a incerteza consequente para quem depende do trabalho. Nada investe nas pesquisas sociais para avaliar o caráter socialmente destrutivo e perverso das inovações econômicas.

A alquimia dos agentes e cúmplices do neoliberalismo não se revela apenas nas informações estatísticas sobre as desigualdades. Agora mesmo, aqui no Brasil, o IBGE anunciou que, em 2018, 1 milhão de pessoas havia caído abaixo do nível de pobreza, as que ganham no máximo R$ 9,30 por dia. Desde 2015, a cada ano, 1 milhão de pessoas têm sido transferidas para o estrato mais baixo da inferioridade social.

Há anos que observo em várias partes as minúcias dessa degradação que se manifesta na dimensão dramática e nas consequências da administração irresponsável das políticas econômicas.

Durante 12 anos fui membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, voltada para as vítimas desvalidas da tirania econômica e social. Em 2004, tendo que participar de um seminário da FAO em Santiago do Chile, fui designado pela Junta para fazer também uma visita a um projeto social da Igreja Católica em Concepción. Ali, a indústria pesqueira e a indústria naval haviam sido duramente atingidas pela economia neoliberal da ditadura militar. A pobreza estendera-se pela região.

O programa social que visitei durante um dia inteiro era um programa de educação complementar, alimentação e orientação de crianças no mais das vezes abandonadas pelos pais em decorrência da crise econômica. Muitas delas “caíram” na prostituição infantil e se tornaram mantenedoras do que sobrara da família.

Um dos casos que analisei em detalhe foi o de um menino de 12 anos, de nome Felipe. Seu principal amigo e colega de trabalho era seu cavalo, com o qual trabalhava diariamente na catação de ferro-velho para sustentar, em primeiro lugar, seu próprio cavalo; em segundo lugar, sua avó; e, com o que sobrava, a si mesmo. A política econômica da prosperidade meramente visual da capital do país cancelara o futuro das crianças que visitei. Um cavalo manso se tornara o arrimo e amigo de Felipe e sua avó. Seres ausentes das estatísticas da prosperidade econômica sem ética, que mostram para encobrir.

*José de Souza Martins é sociólogo. Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, autor de "A Sociabilidade do Homem Simples" (Contexto).

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

A desonestidade intelectual de Hélio Schwartsman


Luis Felipe Miguel

Na Folha de hoje, Hélio Schwartsman defende a relativização das cláusulas pétreas da Constituição para prender Lula, uma bandeira sua de muito tempo. Argumenta que a proteção constitucional às cláusulas pétreas "não é contra qualquer tipo de emenda, mas só contra as que tendam a aboli-las".

Seria possível, portanto, "discutir se a prisão após a segunda instância 'tende a abolir' a presunção de inocência ou só a coloca em outras balizas".

Em suma, ele acha que descobriu o caminho para que o Congresso destrua a cláusula pétrea com o beneplácito do Supremo.

Mas a Constituição Federal não fala genericamente de "presunção de inocência". O inciso LVII do artigo 5º diz que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. É essa a cláusula protegida.

E não é por acaso. Com o país recém saído da ditadura militar, os constituintes de 1988 eram sensíveis à necessidade de proteger os cidadãos contra a violência de Estado. Com razão, vemos agora.

Portanto, não existe interpretação diversa possível. Sem o esgotamento dos recursos processuais ("trânsito em julgado"), não há definição de culpa, logo não cabe prisão.

A coluna de Schwartsman é, mais uma vez, um exemplo de desonestidade intelectual pura e simples.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Governador de ultradireita recebe Batata Liberal