Alceu Castilho
E agora temos uma pororoca dos lixões do capital: um encontro entre os dejetos do petróleo e os dejetos da mineração, com as águas do Nordeste como cenário.
A redescoberta do Brasil. Mercantilismo com os piratas instalados em todo o país. Inclusive nas mesas das grandes corporações. Lama para vender e para poluir.
A velha sociopatia empresarial na sociedade do espetáculo. Lama por todos os lados. E que ninguém se engane: não será "Lava Jato" nenhuma que dará um jeito em tudo isso.
A corrupção é estrutural. Inerente ao sistema. E ela polui. Agride. É violenta. Contra a sociedade e contra o planeta. Não é que uma operação específica não dê jeito. O Direito não dá jeito. Ele não quer dar jeito.
O capital é um continente de lama com ilhas de bom mocismo. O culto do simulacro, da enganação diária de bilhões de pessoas. Ilhas de marketing, a começar do marketing do próprio Direito.
A Justiça fará um esforço para parecer rigorosa, mas defenderá os ateadores de fogo e os espalhadores de lama. Continuaremos a fazer de conta que se trata do contrário. Mas o modelo é individualista,por definição.
A pororoca de lama é também uma pororoca midiática. Apresentadores farão caras e bocas, simularão indignação. No atacado, porém, a velha imprensa continuará defendendo essa lama e essa violência.
A Vale e a Shell podem ficar sossegadas. Ainda não entendemos direito, séculos depois, como funciona nosso modo de produção.
A rigor, nem se pronuncia direito o nome dele. Virou um tabu. Como se fosse coisa de comunista chamar esse senhor por seu nome correto: capitalismo.

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