A pior coisa que pode acontecer com
Trump e os EUA é o Irã concordar em uma guerra total na região e atraí-los no
solo para uma longa guerra de atritos. O Irã é suficientemente grande e
populoso para um exército de ocupação com centenas de milhares e mesmo milhões
de soldados, o que a economia dos EUA jamais suportaria na atual conjuntura.
Quando Trump falou que o Irã nunca ganhou uma guerra desconhece a história
antiga da região. Os impérios aquemênida, parta, sassanida, safávida, pahlavi e
o atual regime demonstram uma longa duração e continuidade de formações
estatais na região. Os interesses dos EUA podem ser atacados não somente no
Golfo Pérsico, em Ormuz, no Iêmen, mas no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão,
na Ásia Central, na Anatólia Oriental, na Síria, todas regiões que já
pertenceram aos domínios persas.
Se a guerra se espalhar Trump ficará sem
opções e a lembrança de uma guerra longa, desgastante e cara como no Vietnã,
ainda assombram o militarismo estadunidense. Os interesses de Israel e uma crise
de mísseis com efeitos ainda desconhecidos pode causar ainda maiores impactos
na região e atraírem intervenções da Rússia, já presente na Síria e mesmo
interesses da China no petróleo da região. O jogo de Trump pode dar muito
errado se as lideranças iranianas efetivamente o peitarem decididas ao
enfrentamento em desgastante guerra para todos, se fraquejarem o blefe de Trump
sairá fortalecido.

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