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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Palavra da Salvação!


Cadu de Castro

Uma indústria de fake news, por intermédio de robôs virtuais, que mudou o resultado de uma eleição; o envolvimento direto com milícias; as fortes suspeitas de participação como mandante do assassinato de Marielle e Anderson; evidências das "rachadinhas"; cheque de dinheiro desviado na conta da Michele; enfim, milícias (que atuam no tráfico), assassinato, corrupção.

Esse é o fascista que sentaram à cadeira de presidente da República e seu clã. E que, cinicamente, diz não ter nada a ver com isso. Em breve, o criminoso que ocupa a cadeira do ministério da Justiça sairá em defesa do clã dos milicianos. É serviçal deles. Ainda sonha com a vaga no STF ou com a eleição presidencial.

Enquanto isso, o canalha que gere a economia diz para não esperar deles justiça social. Prefiro assim, na lata, sem cinismo. Mesmo porque é a última coisa que esperaríamos de uma organização mafiosa, a justiça social.

Segurem as pontas, segurem os bolsos, consumam só o estritamente necessário, o país está à bancarrota. A economia afundará ainda mais em 2020. Decaímos rápido demais. Dentro da ótica convencional, não há economia que resista à destruição de direitos sociais, ao arrocho extremo das classes trabalhadoras. As classes médias sofrerão como nunca sofreram antes. Segurem-se. Todo tostão fará falta.

Palavra da Salvação!


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

O trabalho não dignifica as pessoas


O TRABALHO NÃO DIGNIFICA A PESSOA, NUNCA DIGNIFICOU!

Cadu de Castro

O trabalho sempre esteve presente em toda e qualquer sociedade humana. Não há, nem nunca houve, sociedade que sobrevivesse sem o trabalho, portanto, quando alguém diz que determinado povo é preguiçoso, só faz ostentar enorme ignorância e preconceito. Toda e qualquer sociedade trabalha, no entanto, há diferentes conceitos do que é trabalho.

Desde a pré-história, comunidades humanas tinham a subsistência baseada na caça e coleta (caçadores-coletores), assim, este era o tipo de trabalho que exerciam, além da produção de ferramentas, utensílios e arte. Há cerca de 10 mil anos, alguns povos descobriram a técnica de cultivo de alguns alimentos, e a agricultura também passou a ser um tipo de trabalho.

Durante a Idade Média, na Europa feudal, a divisão da sociedade era tripartite: a aristocracia era a proprietária das terras e sua função era defendê-la militarmente, eram os "beliatores"; os filhos da aristocracia, que não herdavam as terras, formavam boa parte do clero, cuja função era a de orar pela sociedade, eram os "oratores"; e a imensa maioria das pessoas formava o grupo dos “laboratores”, servos (camponeses) que trabalhavam a terra para sustentar os outros dois grupos.

Alguns historiadores descrevem uma instituição feudal denominada jus primae noctis), também conhecido como direito do senhor ou direito da pernada, que era a premissa que o senhor feudal tinha de passar a primeira noite com as mulheres que se casavam. Isto é, as núpcias de todas as esposas era um privilégio do proprietário do feudo. Ora, era esta a dignidade da classe trabalhadora que, como hoje, sustentava a aristocracia (hoje as elites) e os religiosos? Historicamente, os trabalhadores, que dentro do conceito do trabalho no ocidente são a base da pirâmide, nunca exerceram o poder econômico e político, ao contrário, foram sempre explorados e humilhados.

No século XVI, o reformista Martinho Lutero transformou o trabalho em virtude, portanto, dentro da ética protestante o trabalho é sinal de graça. João Calvino pregava que só os predestinados seriam salvo, contudo, como não era possível saber quem era predestinado à salvação, entendia-se que os eleitos por Deus manifestavam sinais, como o trabalho árduo e a vida frugal, sem excessos.

Forja-se assim a ideia de que “o trabalho dignifica a pessoa”. A aristocracia continuou a não produzir - como nunca produziu - e a gozar dos excessos, assim como o alto clero. A preguiça era pecado capital para o camponês, mas não para a aristocracia e nem para o clero, fosse ele católico ou protestante.

O pensamento iluminista, que se consolidou no século XVIII, encontrou apoio da burguesia, pois pregava a liberdade econômica, o antropocentrismo, o desenvolvimento da ciência e o predomínio dos ideais burgueses. Criticava-se o absolutismo e o poder herdado pela nobreza. Rousseau, em “O Contrato Social” defendeu que o soberano deveria dirigir o Estado seguindo a vontade do povo, e que o papel do Estado seria o de mediar os interesses da sociedade civil. 

Adam Smith, em “A riqueza das nações” defendeu que a classe burguesa era a verdadeira produtora de riquezas e que o papel do Estado monárquico deveria ser diminuído. Assim, entendia-se que a riqueza era fruto exclusivo do mérito, desconsiderando contextos históricos e sociais, pois a base do trabalho continuava a ser explorada e desvalorizada. Defendia-se que a riqueza burguesa era fruto do trabalho, e ignorava-se que a pobreza do trabalhador era fruto da exploração aristocrática e burguesa. O Capital reproduziu largamente todo trabalho como virtude e o naturalizou nas mentalidades ocidentais.

No século XIX, Marx produziu uma análise profunda sobre estas questões e trouxe à tona aquilo que já existia: a luta de classes gerada pela exploração da mão de obra operária por parte das classes burguesas. Previu e defendeu a revolução do proletariado - “Trabalhadores do mundo, uni-vos”, frase de Flora Tristan, que inspirou relevantemente o pensamento marxista.

Ora, se o trabalho dignificasse a pessoa, não haveria ninguém mais digno que os escravizados, pois trabalhavam em jornadas diárias de até 19 horas. No entanto, a população negra sofre até hoje as sequelas sociais da exploração e crueldade a que seus antepassados foram submetidos.

O sistema (elite política e econômica) e a igreja (religiões diversas), que quase sempre caminharam de mãos dadas, consolidaram a ideia do trabalho como virtude: “Deus ajuda a quem cedo madruga”. Estruturaram as mentalidades sociais de maneira que a cultura do trabalho fosse sempre sobrevalorizada. O trabalhador do início do século passado tinha uma jornada diária de dezesseis horas. Mal comia, mal dormia, mas sentia-se “enobrecido" pelo seu esforço sobre-humano.

“Fulano é trabalhador”! A qualidade de “trabalhador" o legitimava como pessoa de bem. Pouco importa se era um agressor doméstico, uma mau pai, etc. O Código Penal de 1890 dizia que "exercícios de habilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação de capoeiragem”. Capoeira, samba, isto é, cultura ou trabalho de preto, eram vadiagem. O Código Penal brasileiro, de 1942, dizia que a vadiagem configurava crime de quem "habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que assegure meios bastantes de subsistência, ou de prover a própria subsistência mediante ocupação ilícita”, como a prostituição, por exemplo. Um morador em situação de rua, ainda que tivesse problema psiquiátrico, era considerado um “vadio”.

Desde o século passado, as políticas neoliberais vêm desmantelando os direitos trabalhistas construídos por décadas de luta da classe trabalhadora. No século XXI surgiram novas práticas que devolveram o trabalhador às jornadas desumanas e salários baixíssimos. É o que ocorre com a chamada “uberização” do trabalho. Travestida do eufemismo de empreendedorismo é uma espécie de servidão contemporânea. 

Hoje, a ideia forjada do trabalho como virtude prevalece. Une-se a ela o conceito equivocado e distorcido de prosperidade, baseado em acesso aos bens de consumo. Essa falsa bonança contribui para que as pessoas coloquem em prática a sua “virtude" e trabalhem cada vez mais para consumirem cada vez mais. Mas isto é assunto para outro texto.

O ócio é desqualificado. A obsessão por trabalho - que pode ser patológica - é vista como predicado. Sociedades que têm conceitos e relações com o trabalho diferentes das nossas são ditas “preguiçosas”. As pessoas deveriam trabalhar muito menos horas, pois o ócio é necessário para a saúde física e mental. Mas não! Somos impelidos a trabalhar o tempo todo. Novas tecnologias têm chegado para ampliar nosso tempo de trabalho. Redes sociais - como o Whatsapp -, celulares, micros, tablets, etc., trazem o trabalho até a nossa casa, em nossos pretensos “momentos de descanso”.

Como escreveu Huxley: "A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura em que, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."

Deveríamos trabalhar para nossas subsistência, mas o consumo, a acumulação de bens, não nos permitem. Há quem se disponha a distintas jornadas de trabalho para, quando muito, poder pagar o cartão de crédito ou os carnês no fim do mês. Precisamos refletir sobre isto. Estamos doentes.

O ócio nos é imprescindível. Precisamos de tempo livre para dedicarmos às nossas relações sociais, aos familiares e amigos. Pais não têm tempo para doar à educação de seus filhos, pois só trabalham. Compensam a ausência comprando “coisas”. O trabalho não nos dignifica, nunca dignificou a nenhum trabalhador. Só enriquece ainda mais quem detém o poder econômico e político.

É sintomática a ânsia do trabalhador para chegar a sexta-feira, ou o dia de folga. É evidente a “tristeza” gerada pela expectativa de proximidade da segunda-feira. Lembro da melancolia gerada pela música do Fantástico, programa dominical noturno da Globo, que anunciava o início de mais uma semana de labor. Pois, dedicamos boa parte de nossa vida ao trabalho e uma parte pequena à convivência com pessoas queridas.

Como mudar isso? Mudando o estilo de vida. Abrindo mão daquilo que nos vendem como “conforto”, da felicidade disposta em prateleiras. É necessário estabelecer uma relação diferente com as pessoas e com as coisas. É preciso mudanças de paradigmas, e que sejam profundas.

Bem, alguns dirão que este é mais um textão e que quase ninguém lerá. No entanto, escrevo para quem quer ler. Haverá também os de pouco entendimento, dizendo que estou fazendo apologia à vadiagem. Paciência, escrevo para quem esteja aberto à reflexão. 

Assim, reafirmo: o trabalho não dignifica as pessoas. O que nos dignifica são nossas ações coletivas positivas. O que nos dignifica é o tempo para o ócio e para as pessoas que amamos. E só! O trabalho, quando muito, nos sustenta.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Onde estão os traficantes de drogas e armas?


Cadu de Castro

Disse inúmeras vezes e repito: o tráfico de drogas e de armas são apontados como as atividades mais lucrativas do mundo, isto é, as que geram mais riquezas. No entanto, as mídias hegemônicas insistem desonestamente em localizá-lo nos subúrbios, nos cortiços, nas favelas. Reforçando as estruturas racistas e aporofóbicas (aversão ao pobre).

Ora, como atividades que geram tanta riqueza podem estar circunscritas a ambientes de pobreza e miséria? A quebrada não produz drogas, a quebrada não produz armas. Lá está só o pequeno varejo.

Os grandes traficantes são proprietários de mega-empresas, jornais, rádios, tvs, latifúndios, bancos, igrejas e outros negócios onde lavam o dinheiro podre. São os que financiam e elegem políticos que representam seus interesses em câmaras e no Congresso Nacional.

Os grandes traficantes não estão em celas fétidas e superlotadas dos falidos presídios do país. Os grandes traficantes são chamados de “doutor" e figuram nas colunas sociais. São admirados e exaltados pelas mídias e por parte da população como exemplos da meritocracia: trabalhadores dignos e homens de bem.

Lembram dos 19 kg de pasta base (cocaína em estado mais puro) encontrados na fazenda do Senador Aluízio Nunes? E do avião com 500 kg de cocaína apreendido pela FAB, que havia partido de uma fazenda do Ministro Blairo Maggi? E os 500 kg no helicóptero de Zezé Perrella? E o sargento da Aeronáutica - que tinha inúmeras fotos ao lado de membros da família Bolsonaro - com 39kg de cocaína no avião presidencial?

Ora, acreditar que as ações criminosas das polícias na favela são parte da guerra às drogas é muita inocência, burrice abissal ou racismo puro. É ódio aos pobres e pretos. O combate ao tráfico viraria o país de ponta-cabeças, já disse o traficante Fernandinho Beira Mar.

sábado, 7 de setembro de 2019

Civismo forjado


7 DE SETEMBRO, BALELAS DA HISTÓRIA E O CIVISMO FORJADO

Cadu de Castro

O ofício do historiador é o de trazer à luz fatos e contextos históricos e sociais, sob um olhar crítico, analítico e aberto a possíveis novas evidências e leituras.

Hoje, escrevo sobre o 7 de setembro de 1822. Data saudada e largamente comemorada desde 1899, mas especialmente nos idos da malfadada ditadura militar. A Independência nos foi vendida como uma das mais importantes datas cívicas do país. Balela! Forjou-se um caráter heroico à data e ao seu maior protagonista, Pedro de Alcântara, coroado como D. Pedro I, no Brasil. Haja vista a tuitada carregada de equívocos do patético prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela, quando aconteceu o incêndio no Museu Nacional.

Bem, mas vamos à História. Após a Revolução do Porto, D. João VI sofreu pressão popular do clero, da nobreza e da burguesia portuguesa e em 1821 decidiu retornar à metrópole depois de cerca de treze anos no Rio de Janeiro, pois temia perder o trono português. Deixou no Brasil seu filho, Pedro de Alcântara, como príncipe regente com objetivo de garantir o poder da Família Real também por estas bandas.

Em Portugal, as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa já iniciavam a elaboração da Constituição do Reino. Mas esta decisão régia foi mal recebida no Brasil. A burguesia brasileira, em sua maior parte composta por comerciantes de origem portuguesa, temia pela recolonização do Reino Unido e pressionou o príncipe regente a uma decisão mais radical. As elites de cá provocavam o descontentamento popular pressionando o príncipe Pedro de Alcântara.

D. João VI já havia orientado o filho, em trocas de correspondências, para que, caso houvesse necessidade, rompesse oficialmente os laços com Portugal, pois desta forma manteria o poder em mãos da Família Real. José Bonifácio de Andrada e Silva também aconselhara ao príncipe regente para que este fizesse as mudanças antes que o próprio povo as realizasse.

No dia 7 de setembro, quando Pedro de Alcântara subia a Serra do Mar, depois de uma visita de reconhecimento às fortificações de Santos, recebeu próximo ao córrego do Ipiranga uma carta levada por Paulo Bregaro que indicava a necessidade de se romper definitivamente os laços com Portugal. Assim foi feito. Não houve ato de heroísmo, só interesse político e econômico.

A maior parte dos países latino-americanos recusaram-se a reconhecer a "Independência" do Brasil, pois havia se instalado cá uma monarquia cujo maior líder era português e pertencente à Família Real portuguesa. Contudo, foi firmado um acordo entre Brasil e Portugal no qual se reconheceu uma dívida de 2 milhões de libras esterlinas como indenização pelo rompimento dos laços.

Portanto, a bendita Independência não passa de uma grande balela. O heroicismo que permeia este evento foi forjado para a manipulação e alienação do povo brasileiro. Foi mais uma das mudanças que nada mudou para os mais ricos. Manteve-se o status quo e o povo, de maioria miserável ou escravizada, continuou em sua condição. A elite continuou sendo elite e a enorme dívida contraída junto a Portugal foi paga pela população mais pobre e por intermédio da exploração da mão de obra do escravizado.

Após a Proclamação da República - outra mudança que nada mudou - os militares e as elites políticas forjaram heróis nacionais para fazer brotar no povo o desditoso e equivocado civismo. Ressuscitaram a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, sob o figurino do mártir, tanto é que construíram sua imagem a semelhança de um Cristo, o que não seria possível considerando que era um alferes à época. Conceberam a bandeira e venderam o respeito a estes símbolos como conceito de civismo.

As artes plásticas também refletiram esta construção heroicizada de cenas históricas. O paraibano Pedro Américo pintou "O Grito" no final do século XIX. Esta tela está no Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga) e apresenta uma série de equívocos sob a ótica da história. Contudo, não há como se negar seu valor artístico.

Lembro-me de minha infância, nos tempos da nefasta ditadura, das comemorações sobre esta balela cívica que é a Independência do Brasil. Desfile militares, EXPOEX.

Incrível os militares falarem em civismo, pois entendo que civismo não é entoar o hino ou saudar a bandeira, ferramentas das elites econômicas e políticas para alienar e manipular o povo.

Civismo é respeitar a diversidade e multiplicidade de um povo, inclusive o direito dele se manifestar ainda que contra as suas ideias e ideais. Civismo é conduzir os destinos políticos do país na direção da justiça social e igualdade de direitos e oportunidades. Civismo é combater o racismo, o machismo, o classismo, a homofobia, etc. Civismo é abrir mão de algumas vantagens e privilégios em prol daqueles que não gozam de vantagens e privilégios nenhuns.

Civismo é ter, antes de tudo, um olhar humanitário para a vida, e não a visão sectária que predomina no país.

Hoje, vivemos num país em que o governo se posta contra o civismo, contra a civilidade. Comemorar o quê?

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Ladragnol e Boçalnaro


DIÁLOGOS POSSÍVEIS

Cadu de Castro

— Alô, tá óquei?

— Na paz de Deus, irmão! Tudo bem, Presidente?

— Quem fala nisso daí?

— É o Deltan.

— Levei alguma multa? No tocante a isso daí tem que quebrar o galho, tá óquei? Eu sou a Minha Majestade, o Presidente, entendeu? Eu mando nisso daqui e posso correr na estrada, estacionar na calçada e atropelar uns petralhas, tá óquei?

— Desculpe, Presidente, não entendi.

— Não é do Detran?

— Não, é o Deltan.

— Então, é isso daí que eu falei, tá óquei?

— É Deltan, senhor, o procurador que estava mancomunado com o Moro na Lava Jato; que fez o power Point do Lula; que deu palestra remunerada para empresa investigada, lembra? Deltan Dallagnol.

— Ô Detran! Agora lembro disso daí. Tudo bem com você? Já achou o que tava procurando? O que manda?

— Senhor, serei direto: gostaria que me nomeasse para o STF.

— Detran, a qüestão é que eu já prometi pro Moro, tá óquei? Ele prendeu o Lula e impediu as investigações contra o Flavinho.

— Mas o senhor disse que nomearia alguém terrivelmente evangélico, e não há ninguém mais terrivelmente evangélico do que eu.

— No tocante a ser terrivelmente evangélico, qual o seu currículo nisso daí?

— Senhor, execro as mulheres, pois são elas que levam o homem ao pecado desde o início dos tempo, veja o pobre Adão e a maldita Eva. Condeno os homossexuais. Abomino a nudez. Odeio minorias como um todo. Educação e cultura, só se for bíblica. E, além disso, forjei provas contra vários acusados na Lava Jato, senhor. Mancomunei com Moro e Fux. O Lula não estaria preso se não fossem os meus ardis, tudo em nome dos bons costumes e de Deus. Além disso, venho de uma família de grileiros de terra de estirpe. Oro quando acordo, quando faço cada uma das refeições e quando durmo. Sempre pedindo a Deus dinheiro e prosperidade. Quero ficar ricoooooo, ricoooooo.

— No tocante a isso daí estou impressionado, Detran. Nunca vi currículo tão bom. O problema é que o Moro disse que os ráques invadiram meu celular, tá óquei? E se eu não nomear ele vai vazar isso daí…

— Não tem problema, senhor. Se qualquer acusação contra o senhor chegar no STF eu engaveto. Afinal, como está em Atos, capítulo 20, versículo 35, “É dando que se recebe”, senhor.

— Detran, no tocante a isso daí eu vou pensar, tá óquei?

— Deus estará vendo, senhor. Como eu disse, não há ninguém mais terrivelmente evangélico que eu.

— Brasil acima de tudo, Deus acima de todos, e vice-versa. E que a mamata reine para sempre, tá óquei?

— Amém! Na paz do Senhor, senhor.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

É hora de prender Moro e Dallagnol


É mais do que sabido que Moro e Dallagnol cometeram uma série de crimes. Até para os fãs dos dois corruptos isso já está claro, ainda que não se importem, pois o que vale era tirar o petê.

A cada vazamento, a gravidade dos delitos aprofunda  e coloca os dois num caminho sem volta, pois terão de pagar pelos crimes. É nítido que Moro está desesperado. Seu afastamento inesperado comprova.

De toda maneira, os últimos vazamentos apontam para corrupção ativa. Usaram dinheiro do Tribunal para patrocinar campanha particular na Globo. E como disse Greenwald, há muito mais e os criminosos sabem disso.

Cadu de Castro 

terça-feira, 19 de março de 2019

Um governo completamente idiotizado


Cadu de Castro

O último ato desmoralizante, do pífio (DES)governo brasileiro, foi romper com as relações de reciprocidade em nossa diplomacia.

A ação mostra um governo - e por consequência um país - fraco, subalterno, subserviente, súdito.

Permitir que estadunidenses entrem no país sem visto, enquanto brasileiros têm uma série de restrições para ir aos EUA, é explicitar a visão de que o cidadão estadunidense é melhor que o brasileiro, é outra "categoria"de gente.

Em termos de entrada de turistas essa ação resultará em muito pouco ou nada. O que atrai o ingresso se viajantes estrangeiros é o câmbio e a segurança, e não as facilidades burocráticas.

Portanto, na prática, a atitude só serve para revelar a postura de colonizado, de submissão, de inferioridade, que o Brasil adotou desde a ascensão do estulto que desgoverna e sua equipe.

Um governo completamente idiotizado, que ainda encontra aqueles, ainda mais idiotizados, que continuam a defender o indefensável.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Postagem pornográfica foi a pá de esterco na imagem internacional de Bolsomijo

Cadu de Castro

O Carnaval é a maior manifestação popular do país. É nosso patrimônio imaterial dos mais relevantes, ainda que haja os que não gostem e não curtem - eu mesmo não curto, sempre passo em casa.

Portanto, quando um boçal sentado na cadeira da presidência publica um vídeo, com teor "pornográfico, para desqualificar e deslegitimizar a festa popular - vingança pelas correntes manifestações contrárias a ele -, comete um crime contra a cultura brasileira.

Foi a pá de esterco que faltava sobre sua imagem infantiloide, débil e perversa.

Correspondente do The Guardian tuitou "Alô alô, Brasil! Tirem o telefone da mão dele.".

O boçal sentado na cadeira de presidente é vergonha internacional.

#ImpeachmentDeBolsonaro

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Mourão será o Mitão


BOLSONARO CAIRÁ

Bolsonaro cairá. Não pelas ostensivas ligações de sua família com as milícias no Rio de Janeiro, mas cairá. Aos donos do poder pouco importa terem um miliciano como presidente, desde que faça as reformas que requerem. Mas Bolsonaro é o cara errado, é incapaz, um ser completamente imbecilizado, e já escrevi sobre isso. Ele foi e será o idiota útil até quando interessar ao sistema. O ministro Marco Aurélio rejeitou o foro privilegiado de Flávio Bolsonaro, e é óbvio que as conexões com as milícias brotarão ainda mais. Já há evidências de crime de peculato e outras surgirão.

A semiótica é uma ciência fascinante, e basta percepção e análise simples, rasas, para se enxergar a construção da figura do presidente “ideal”: Hamilton Mourão. Desde Davos, as imagens que publicam de Bolsonaro o “desqualificam”: um homem com semblante assustado, medroso, um homem desalinhado, a ausência revelada na foto da entrevista que não aconteceu, um homem submisso e subserviente, a pessoa errada no lugar errado. Além disso, usam as falas equivocadas, os erros de português, as mentiras, que o transformam numa figura idiotizada. E ele o é. Basta uma réstia de senso crítico para enxergar isso.

Em contrapartida, constrói-se uma imagem inversa de Mourão, o vice que aparece mais que o presidente. Desde a posse, Mourão aparece alinhado, em ternos de bom corte. Seu discurso em nada lembra o general autoritário e tresloucado da campanha eleitoral, que chamou indígenas de indolentes e negros de malandros, que preconizou o fim do 13˚ salário, que falou sobre refazer a Constituição Federal com um colegiado de especialistas. Agora, por algumas vezes, desautorizou ou contradisse o presidente, demonstrando bom senso. Rejeitou a intervenção brasileira na Venezuela, negou a mudança da embaixada em Israel para Jerusalém, colocou-se contra a privatização dos Correios, mostrou-se favorável à descriminalização do aborto, entre outras posturas que, em princípio, poderiam soar como posições progressistas. Constroem a imagem de um presidente muito mais capaz e digno ao cargo. 

Mourão é o nome ideal da Rede Globo e de outras empresas e instituições que exercem o poder de fato no país. A idiotia de Bolsonaro não os serve. A ligação estreita com a bancada evangélica, e suas alucinações de poder, não interessam aos poderosos, e nem a nós, claro. Portanto, Bolsonaro cairá.

No entanto, Mourão não é o gentleman que tem fingido bem ser. Ao contrário, é autoritário e sectário, como o tresloucado da campanha, mas é infinitamente mais inteligente que Bolsonaro, e encera muito bem e pacientemente o chão para puxar o tapete do presidente. E assim o fará.

Os fãs-eleitores de Bolsonaro, que em sua maioria são os mesmos que eram fãs-eleitores de Aécio, estão assustados, perdidos, ainda não sabem como se posicionar. As posturas do vice são uma surpresa negativa. Já há os insanos que o chamam de comunista. São os que ainda defendem o presidente e suas posturas fascistas. Ao cair Bolsonaro, a quem chamaram de Mito, dirão que nunca tiveram político de estimação, e passarão a adorar Mourão. Talvez um ou outro alucinado ande sem rumo pelas ruas gritando "a nossa bandeira jamais será vermelha”…

A nós, progressistas, não há motivos para comemoração. Quer dizer, a queda de Bolsonaro e sua matilha, será motivo de comemoração sempre. O clã miliciano precisa ser punido. Além do que a onda de idiotia que assola o país talvez se amenize um pouquinho. No entanto, em termos políticos, pouca coisa mudará. E haverá um presidente militar, autoritário e retrógrado, sustentado no poder pelos meios de comunicação hegemônicos. Infelizmente, a construção das narrativas continua a ser deles, ou dos que patrocinam posts no WhatsApp. De toda forma, está sob a égide do Capital. Enquanto isso o país continuará mergulhado na indigência intelectual profunda e no messianismo político. Mourão será o Mitão.

Aliás, os que dizem não terem político de estimação, sempre os tiveram, de Maluf a Bolsonaro, pois a maior parte dos que votaram em um votavam no outro.

* Atentem-se à semiótica. Lembrem-se da desconstrução da imagem da Dilma por parte da mídia. Muita coisa se repete.

Texto de Cadu de Castro

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

A idiotia de Bolsonaro atrapalha os resgates em Brumadinho

Cadu de Castro

A idiotia de Bolsonaro atrapalha os resgates em Brumadinho. Usar o crime ambiental para "mostrar"a aproximação do Brasil com o Estado Terrorista de Israel - com todo respeito ao povo judeu -, é infantil, estúpido, cruel.

Os equipamentos trazidos por Israel não são adequados ao que requer a situação. Houve conflitos entre bombeiros brasileiros - estes sim trabalhando ardorosamente -, e o comando do exército israelense. Até o embaixador de Israel já se manifestou sobre as críticas.

Enquanto isso, bombeiros voluntários de São Paulo e Santa Catarina foram dispensados. Bolsonaro muito mais atrapalha que ajuda.

Estamos à mercê de um homem com mais de 60 anos, que tem mentalidades e comportamento de um menino fascistinha e mimado de quarta série. Patético.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

General Mourão já prepara o discurso de posse

BOLSONARO SUBIU NO TELHADO

Cadu de Castro

Bolsonaro é o cara errado no lugar errado. Sempre foi. Despreparado, incompetente - haja vista sua carreira no exército e no parlamento -, portanto, suscetível à influência de figuras medíocres e mal vistas pelo "mercado", como Paulo Guedes. 

O discurso pífio de Bolsonaro na abertura do Fórum de Davos, na Suíça, deixa evidente o despreparo e a estultice de toda a sua equipe. Esquecem que termos como “comércio de viés ideológico” e “América bolivariana” funcionam muito bem com os eleitores ignorantes, despolitizados, idiotizados pela fobia contra as “esquerdas”, que lhes foi introjetada, mas jamais com o “mundo civilizado” europeu, onde se conhece o conceito de ideologia.

A brevidade da fala, as evasivas nas respostas, o lugar comum, o vazio conceitual, soaram muito mal aos olhos internacionais, que desde antes das eleições já tinham um olhar bastante crítico às ideias fascistas de Bolsonaro. É o cara errado no lugar errado para o mercado internacional, e isso refletirá negativamente na economia do país.

O candidato predileto da figura etérea do “mercado" era Geraldo Alckmin, mas não emplacou. Restou o apoio àquele que teria total liberdade às nefastas reformas pretendidas, a principal delas é a previdenciária, que gerará vantagens às empresas em detrimento aos beneficiários. Assim, já que não tem Alckmin, que se vá com Bolsonaro mesmo a contragosto.

Hoje, o governo recém empossado queima pelas bordas e pelo centro. As evidências incontestáveis levam Flávio Bolsonaro a uma relação “fisiológica" com as milícias no Rio de Janeiro. A suposta ligação de Flávio com as milícias vem de longe. Os milicianos Adriano Nóbrega (ex-capitão da PM) e Ronald Pereira (major), receberam monções de honra do deputado, na ALERJ. A mãe e a esposa de Adriano estavam lotadas no gabinete do deputado até novembro, e uma delas depositou dinheiro na conta do Queiroz, o motorista dos R$ 7 milhões na conta corrente.

Antes disso, Flávio havia feito visita a milicianos na prisão, criticou a juíza Patrícia Aciolli - era conhecida como combatente às milícias do Rio de Janeiro - quando foi executada na porta de casa. Sim, o comentário que fez no Twitter foi uma ameaça velada para quem investigasse PMs.

Além disso, em dezembro passado, dois PMs que trabalhavam em sua campanha foram presos por extorsão e ligação com milícias. Flávio é o calcanhar de Aquiles do pai. Não esqueçamos do cheque de R$ 24 mil que a Michelle recebeu do Queiroz, bem como da filha do motorista, lotada no gabinete de Jair em Brasília, mas postando seu trabalho como personal trainer no Rio de Janeiro. Já há evidências para se derrubar o governo no 22˚ dia de sua posse. Parece que não esperarão nem que esquente a cadeira.

Há uma série de reflexões a fazermos. Quem trama pela sua queda? Por quê?

Bem, ao contrário de Alckmin - que saberia precisamente porquê e para quem estaria sentado na cadeira de presidente -, Bolsonaro se comporta como um delegado de cidade pequena do interior. Acha que manda, acha que tem poder. Assim, se comporta sua prole, como filhos do mesmo delegado. Tudo podem. São as pessoas erradas no lugar errado.

Uma das instituições que declarou guerra ao clã é a Rede Globo. Por quê?

Sob uma análise mais superficial pode-se dizer que é pela aproximação do clã Bolsonaro com a Record, o SBT e algumas migalhas à Band.

Será que a Rede Globo duvida da capacidade de articulação do novo governo com o Congresso nacional para aprovar as nefastas reformas? Talvez seja mais seguro um governo capitaneado pelo general Mourão? O general ,apesar de tosco, é quase um Descartes se comparado a Bolsonaro. E Moro, o juiz aético a serviço a Globo?

Numa possível queda de Bolsonaro assumirão Mourão e Moro. Repararam que a Rede Globo aliviou para “Mourinho" (Antonio Mourão, filho do general que foi promovido no BB)? Repararam que a Rede Globo Não questiona o silêncio criminoso e conivente de Moro até agora?

Não, não estou dizendo que devamos nos colocar contra a queda do clã Bolsonaro. Ao contrário, como escrevi antes, com o fascismo não se dialoga, o fascismo se combate. Quero é que pegue fogo. Já disse que torcer para o errado dar errado é o certo.

No entanto, não nos entusiasmemos com o que virá pela frente. O futuro é sombrio. E não, não é pessimismo ou torcida contra… É só a busca de uma leitura lúcida da realidade política e econômica.

Apertem muito os cintos, mas muito mesmo. O avião está em queda brusca.

E sobre o "eu avisei", sim avisamos, mas estamos todos na mesma aeronave...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Com o CPF, com tudo


DIÁLOGOS POSSÍVEIS
Cadu de Castro

- Alô

- Alô, tá óquei? É o Fúcsia, do CPF?

- Perdão, sou o Fux, do STF. Quem fala?

- Aqui é Minha Excelência, o Presidente, dono disso daqui tudo, tá óquei?

- Em que posso ajudá-lo, Excelência?

- Bom, Fuckyou, a qüestão é que o primo do vizinho da cunhada do amigo da mãe do assessor do Flavinho fez uns depósitos na conta do Queiroz, motorista, empreendedor, e coreógrafo da família, e os petralhas do COAF inventaram umas fake news, tá óquei? No tocante ao Flavinho… é menino ainda e vai pedir desculpas, tá óquei?

- Caro Presidente, Vossa Excelência sabe que estou com as mãos atadas… a Constituição…

- Que porra de Constituição, Lux? Esqueceu que é com CPF, com tudo?

- STF, senhor, STF.

- Isso, com STF com tudo, tá óquei? Aceita o limiar do Flavinho e suspende as investigações disso daí.

- A liminar, senhor, a liminar.

- É isso daí, tá óquei? O Flavinho já desmaiou três vezes no tocante a essa história. Vamos acabar com isso daí.

- Mas senhor, ele pede foro privilegiado e…

- Isso é coisa de comunista, tá óquei? Primeiro foro de São Paulo, depois esse daí, vamos des-pe-ti-zar o Brasil. Vamos acabar com a mamata, tá óquei?

- Seus filhos tem dado muito problema, senhor.

- É tudo fake news de feminista-petralha-abortista. Os meninos fumam, mas não tragam, tá óquei? O bilau do Eduardinho cresceu depois que ele operou a fimose. E a qüestão é que o Queiroz ganhou dinheiro vendendo Belina, Gurgel e Zé do Caixão.

- Mas senhor…

- Senhor uma porra! Fucks, o cabo e o soldado já estão abastecendo o jipe…

- Tudo bem. Liminar acatada, senhor. Investigação suspensa. Seu pedido é uma ordem. Posso ajudar em mais alguma coisa?

- Só isso daí mesmo, tá óquei? Por enquanto…

- Senhor…

- Diga.

- Lembranças pro Flavinho.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Os flagelados intelectualmente pelo Jornal Nacional, revista Veja, O Globo, Folha, Estadão...


Imagine um boçal, um grande boçal, alguém intelectualmente mutilado - mas que se acha inteligente -, agora multiplique essa boçalidade por mil... chegou à metade de Murilo Resende, novo coordenador do ENEM. Do ENEM, o mais importante exame do país.

O cara diz que Descartes é o pai da "ideologia de gênero" - usou o termo ideologia de gênero, já se sabe: é flagelado intelectual. Sim, estamos falando de Descartes, o matemático, físico e pensador francês. E esse cara está "responsável" pelo ENEM.

Imagine uma boçal, uma grande boçal, alguém intelectualmente mutilada - mas que se acha inteligente -, agora multiplique essa boçalidade por mil... chegou à metade de Damares Alves, Sinistra de Direitos Humanos. Em entrevista recente (gravada, pra ninguém dizer que é fake news ou que a fala estava fora de contexto), Damares disse que os evangélicos perderam espaço para a ciência, especialmente quando deixaram a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, entrar na escola.

Ela não tem capacidade intelectual e discernimento para distinguir ciência e religião. É surreal, bizarro, kafkiano que alguém, em pleno século XXI, questione a Teoria da Evolução das Espécies. É insano, desatinado, demente. É na mão dessas pessoas que o país está entregue. É na mão dessas pessoas que a educação de nossos filhos e netos está entregue. A ciência, o conhecimento, a razão, saem de cena para dar lugar à demência, ao fundamentalismo, à sandice.

E nem falei sobre Ernesto Araújo, a matilha bolsonaro, o Sinistro da (DES)Educação, etc., nem dos condenados e corruptos.

E há quem os defenda. Isso é o que mais me assusta. Tomo a expressão que li num post de uma amiga, que diz que parte do povo brasileiro foi "mutilado intelectualmente", está insano, demente. Só fazem justificar a malandragem, o desatino, a insânia, e a crueldade que (DES)governa o país, usando os erros do PT. "Mas e o petê?" é tudo o que conseguem "argumentar. São os flagelados intelectualmente pelo Jornal Nacional, revista Veja, O Globo, Folha, Estadão, etc. Hoje as redes sociais, especialmente o WhatsApp, os "provêm" de (DES)informação e (DES)conhecimento. Até quando alimentarão seus delírios?

domingo, 6 de janeiro de 2019

Não há outro nome para quem defende o fascismo que não seja fascista

Cadu de Castro

Nas eleições de 2014, votei para Dilma Rousseff. Quando Dilma iniciou a montagem de seu ministério fui um crítico contundente. Figuras como Eduardo Braga, Kassab, Helder Barbalho, Edinho Araújo, Afif Domingos, e especialmente Joaquim Levy e grileiro-escravagista Kátia Abreu, eram prenúncio de uma tragédia que se consolidou. Tive discussões acirradas com amigos petistas por conta destas críticas, mas nunca me furtei a fazê-las.


Fui contundente ao reprovar ações efetivas do governo Dilma, como o criminoso veto à auditoria da dívida interna, o perdão de dívida de igrejas, a postura transigente frente ao crime ambiental da Samarco, entre outras. Portanto, desde que o governo que ajudei a eleger começou a se formar, ainda antes da posse, passei a adotar uma postura bastante crítica - e me refiro ao sentido de análise e reflexão - elogiando o que entendi como positivo, expondo e condenando o que achei negativo. Isto é crítica.

Quando aconteceu o golpe escrevi um artigo intitulado “Dormindo com escorpiões”, que foi publicado pela e-revista Língua de Trapo, da qual eu fazia parte do editorial. Mais uma vez fui cobrado por petistas, discutimos, debatemos. Mas mantive minha postura crítica, pois, entendo que a ética pede que lidemos com a política sob a ótica da razão e não da paixão, bem como análises com embasamento sólido. Escrevi também que a ruptura democrática causada pelo golpe traria consequências drásticas ao país. Foi o que aconteceu, o mea-culpa de Tasso Jereissati é prova disto. Para quem quiser confirmar estas análises críticas é só buscar no meu histórico no Facebook.

Enfim, política se trata com racionalidade. No entanto, vejo inúmeros eleitores do DESgoverno agindo como fãs - passionais até a medula. Falam o tempo todo em torcida, “vingança”- porém usam eufemismos do tipo "agora a esquerda terá de trabalhar”, etc. Desconhecem completamente o senso crítico. Dão-se à interpretação binária e maniqueísta de mundo, que o ídolo tanto propaga: esquerda e direita, bem e mal, família (conceito estreito, raso e cruel) e perversão, entre outros. A passionalidade os cega a ponto de não enxergarem o que está claro, cristalino e à sua frente: as ações fascistas que afetarão gravemente indígenas, quilombolas, comunidade LGBT+ e trabalhadores. Até quando condescenderão?

Ora, furtar-se à análise crítica é se apartar das realidades, e se apartar das realidades é se alhear, alucinar. Portam-se como um bando de tresloucados e chegam ao ponto de defender ou exaltar as ações fascistas do DESgoverno que, além de nomear condenados a corrupção para o ministério, não realizou um só ato positivo, construtivo. Todos os feitos são para destruir, sejam minorias, seja o meio ambiente. Portanto, é momento para se desvestir a hipocrisia e assumir mentalidades: não há outro nome para quem defende o fascismo que não seja fascista. É preciso nomearmos as coisas como são. Confesso minha decepção por esperar das pessoas a postura crítica que sempre tive.

Nunca condescendi com nenhum partido ou político, não o farei com um fascista. Para fascista não se torce, com o fascismo não se transige, mas se combate. A luta pelos direitos da pessoa humana jamais cessará, e essa nunca foi pauta de “comunista”, como indigentes intelectuais costumam dizer, mas daqueles que alimentam em si ao menos uma réstia de humanidade.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Política não se faz com torcida, mas com participação e luta

Cadu de Castro

Quando leio ou ouço alguém falar em “torcida" para que tudo dê certo e o governo seja bom, lamento. Lamento pela passionalidade equivocada e profunda despolitização. “Torcemos” para clube de futebol - seja contra ou a favor -, pois o esporte aceita a passionalidade, a política não. Política não se faz com torcida, mas com participação e luta, como muitos de nós fazemos. A política não é espaço de paixões, e ainda menos de messianismos.

A multidão que sempre disse odiar política, que sempre reproduziu a máxima da ditadura “política não se discute”, que sempre bateu no peito e se gabou de não entender de política, hoje se sente ou se diz politizada. É parte desta população que fala na necessidade de se torcer para o novo DESgoverno que se descortina.

Não, caros amigos. Torcida não mudará as posturas e ações catastróficas que se anunciam ou se desenham. O que talvez mude é enfrentamento e luta. Torcida não mudará o fato do país estar desacreditado e se tornar piada no estrangeiro. O que talvez mude é enfrentamento e luta. Torcida não impedirá o fascismo desvelado, o machismo, a misoginia, o racismo, o classismo, a xenofobia. O que talvez mude é enfrentamento e luta. Torcida não influenciará na competência e intenções do iminente presidente e sua equipe tosca, recheada de investigados e condenados. O que talvez mude é enfrentamento e luta.

Assim, clamar por “torcida" é ostentar passionalidade, despolitização, hipocrisia ou má fé - caso dos membros ou agregados do governo que produzem essas falácias. Quando Adolf Hitler chegou a presidência da Alemanha, em 1934, a maior parte da população torceu a favor. Na política pouco importa a torcida, seja a favor ou seja contra. A tragédia humanitária do nazi-fascismo é prova cabal disso. Deveríamos aprender com a História.

Política se faz com engajamento, conhecimento, racionalidade e luta. Portanto, não ostente alienação, não peça torcida. Ao contrário, lute junto. Se a indignação contra a corrupção não foi só falácia, comece por cobrar o Ministério Público do caso claro de peculato da família Bolsonaro. Se a indignação contra a corrupção não foi só hipocrisia, exija uma postura minimamente digna com relação a nomeação de Ricardo Salles, condenado por corrupção. Se a indignação contra a corrupção não foi só ódio partidário, nem ira seletiva, posicione-se contra o arquivamento do processo de Onix Lorenzoni, que assumiu o crime de caixa 2, mas teve o caso arquivado pelo venal Fux. Só não ostente ignorância, não peça torcida.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

A conversa entre Sílvio Santos e o Bozo

Cadu de Castro

DIÁLOGOS POSSÍVEIS

- Alô, tá óquei?

- Oêêêê! Ah aiiii. Bozo?

- Bozo não, tá óquei? Quem me chama de Bozo são os petralhas-comunistas-bolivarianos-gayzistas-aquecimentistas-globalistas-abortistas-builliyng-queirozistas. Quem fala?

- Má-má-má sou eu Bozo! Oêêê. O seu patrão.

- Mister Trump? O seu português tá tão perfeito que já tá até imitando o Sílvio Santos? E, desde já, se espirrar, saúde!

- Má-má-má sou eu, Bozo, o Sílvio. Deixa de ser idiota.

- Eu tento, mas não consigo. Mas é o Sílvio ou o Mister Trump?

- Já falei que sou eu, Bozo, o Sílvio. Oêêê… Má-má-má, é o seguinte, pensei num programa novo e você será a estrela principal. Você topa tudo por dinheiro, Bozo?

- Topo tudo! Até vender o pais pro Mister Trump, tá óquei? E se sou a estrela principal, vamos ter de fazer isso daí. Vou liberar recurso da Lei Vouarnet, mas sem viés ideológico, tá óquei?

- Oêêêê! Ah aiiii. Bozo, você vai fazer o papel de um palhaço burro e fascista. A burrice e o fascismo estão em moda nos auditórios do Brasil todo. O programa será tipo um Circo Sem Partido, você será o idiota fascista e eu o velho gagá sem noção que fica cantando as novinhas. Vou te dar três aviõezinhos de R$ 100,00 por programa. É ritmo de festaaaaa. Oêêêê! Ah aiiii.

- O Paulo Guedes tá falando aqui que pra esse papel eu nem preciso ensaiar, tá óquei? Vamos fazer isso daí. Os aviõezinhos você manda pro Queiroz, que ele deposita na conta da Micheque. E o programa estreia quando?



- Oêêêê! Ah aiiii. Dia 1˚ de janeiro.

- Temos que mudar isso daí, tá óquei? Dia 1˚ de janeiro eu não posso porque é o dia da posse, tá óquei?

- Má-má-má, você foi convidado, Bozo?

- Convidado não, fui eleito pelas fake news, tá óquei?

- Má-má-má que Bozo tá falando?

- O presidento Mito. O que vai metralhar todos os petralhas, tá óquei?

- Má-má-má Bolsonaro? Achei que estivesse falando com o palhaço Bozo, que trabalhou no SBT. Oêêê.

- Tá achando que eu sou palhaço? Vamos mudar isso daí, tá óquei?

- Má-má-má eu vou demitir a Sheherazade que passou o seu telefone e disse que era do Bozo. Oêêêê! Ah aiiii.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Samba do Arnesto com o Olavão

Cadu de Castro

DIÁLOGOS POSSÍVEIS

- Hello!

- Alô! Professor Olavo? Aqui é o Enersto.

- Ernesto… Ernesto… Ah! O idiota que indiquei pra ministro das Relações Exteriores?

- Isso, professor! Mas não sou idiota. Sou um intelectual conservador.

- É meu seguidor? É idiota!

- Só um idiota para seguir um idiota que convence idiotas sobre as mais diversas idiotices.

- É?

- É! Fale idiota.

- Bem, professor, preciso de alguns conselhos para me posicionar no ministério. O senhor acha que devo defender a valorização da diversidade cultural na América Latina?

- Deixa eu dar uma olhadinha no tarô aqui… Tô vendo que você é muito idiota, idiota! Isso é marxismo cultural, sua anta. Começou lá na Revolução Francesa. Só há uma cultura a ser valorizada: a dos ianques. É preciso defender que a cultura dos brancos americanos é superior a qualquer outra, sua besta. Não caia na conversa desses bolchevistas africanistas indianistas tomadores da bastilha.

- Tá certo professor. E sobre a liberação do casamento gay? Vários países já liberaram. Até a Argentina liberou…

- Vou ver o que diz a bola de cristal… Iiiiih! Tá virando viadinho, é? Isso é marxismo de gênero, seu imbecil. Só existe homem e mulher. Naturalmente usamos azul e elas rosa. Homem com homem e mulher com mulher. Não caia nessa conversa de peronistas gayzistas socialistas subversivos sexuais, seu néscio.

- Tá certo professor. E sobre o planeta Terra? É um globo, como já defendia Pitágoras?

- Peraí, vou ler aqui na borra da xícara de café… Sua cavalgadura! Isso é marxismo geográfico. É claro que a Terra é plana, e tem uma coluna em cada um dos quatro cantos, que apóia a abóboda celeste. Essa história de Terra redonda é coisa de anarquista cubista globalista, seu palerma.

- Tá certo professor. E o aquecimento global?

- Vou consultar os astros… Sol em Câncer… Lua em Capricórnio… Seu bosta, isso é marxismo climático. Faz frio no inverno e calor no verão. Teve até o dia mais frio do ano, oras. Diz pros comunistas explicarem isso!!! Não caia no conto desses socialistas aquecimentistas bolivarianos.

- Tá certo professor. E ente nós, o que o senhor acha do presidente?

- Verei nos búzios… Olha, você está no lugar certo: idiotas do mundo, uni-vos!

- Muito obrigado professor. Qualquer dúvida ligo pra me aconselhar…

- Muito obrigado nada, mando a conta pra você fazer o depósito. Afinal, conhecimento científico tem custo, seu parvo.

- Tá certo! Pedirei pro presidente fazer o pagamento, afinal é consulta de trabalho, né?

- Não esquece de passar os dados pro laranja, ô mentecapto…

- Professor, isso não é marxismo frugívoro?

domingo, 16 de dezembro de 2018

Um diálogo possível


Cadu de Castro

DIÁLOGOS POSSÍVEIS

- Alô!

- Alô, Flávio! Sou eu, tá óquei?

- O Flávio está ocupado e não pode atender neste momento. Favor deixar o seu recado após ouvir o sinal. Biiiiiiiiiiip!

- Ô seu moleque de merda, sei que é você, tá óquei? Que história é essa de pegar 99% e só repassar R$ 24 mil pra Michelle?

- pe-Pa pe-i, pe-é pe-pe pe-ri pe-go pe-so pe-fa pe-lar pe-di pe-sso pe-no pe-ce pe-lu pe-lar. pe-De pe-po pe-is pe-a pe-gen pe-te pe-con pe-ver pe-sa

- Para com essa merda de linguagem cifrada que eu não entendo disso, nem de economia, nem de saúde, nem de educação. Meu negócio é matar tá óquei? Quem entende disso é o Paulo Guedes. E o Moro é nosso! Tamo junto, tá óquei? Quero saber da subtração do salário alheio que você desviou a minha parte. Vamos acabá com isso daí, tá óquei?

- Pai, vou explicar. Eu, o Carlos e o Eduardo fomos ao restaurante. A conta deu R$300,00, nós dividimos e cada um deu uma nota de R$100,00. Aí o garçom trouxe 5 notas de R$10,00 de troco. Pegamos uma nota cada um e sobrou R$20,00 na mesa. Deixamos de caixinha pro garçom. Aí o Carlos falou se cada um de nós deu R$100,00 e pegou R$10,00 de volta, significa que cada um pagou R$90,00. Três vezes R$90,00 dá R$270,00, mais os R$20,00 do garçom dá R$290,00. Quem roubou os outros R$10,00? Aí a gente conhece os irmãos que tem e saiu os três na porrada. Depois enchemos o garçom de porrada também, entendeu?

- Olha aqui seu merda! Acha que me enrola? Nenhum de vocês daria caixinha pro garçom, tá óquei? Conheço os pulhas que criei. E eu não entendo nada de matemática, quem sabe disso é o Paulo Guedes. Quero saber da minha parte na divisão, tá óquei?

- Pai, eu tô muito magoado por desconfiar de mim. Já tô no fundo do "posso" com essa mídia inventando fake news. Não “poço" aguentar tanta injustiça. Acho que vou desmaiar!

- Flávio, seu bosta, eu não caio nessa. Tá achando que sou a Jandira? Meu Deus, como um cara bacana como eu criou três picaretas como vocês? E comigo bandido bom é bandido morto. Temos que mudar isso daí, tá óquei?

- Pai, eu vou explicar. É matemática simples, até você vai entender. Eu peguei 99 porcento dos salários, veja, eu disse porcento. Porcento vem de cem, centena. E quanto eu repassei pra Michele? R$24 mil. Mil vem de milhar e milhar é muito maior que a centena. Você saiu na vantagem pai.

- É?

- Claro, pai!

- Sai na vantagem?

- Sim, pai.

- Pô Flavinho! Desculpa então, tá óquei?

- Tá desculpado pai Mito!

- É isso daí, Flavinho! Agora me faz um favor. Volta lá no restaurante, dá mais um cacete no garçom e diz pra ele que bandido bom é bandido morto, tá óquei? Tenho certeza de que foi ele que roubou os R$10,00 de vocês, que são gente de bem que trabalha muito pra ganhar o dinheiro suado dos outros. Vamos mudar isso daí. Vamos moralizar esse país!