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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Trump foi um presidente normal dos Estados Unidos

Pelas leis de Nuremberg, seriam todos enforcados.

Esta ideia de que todos podem relaxar e dormir e parar de prestar atenção quando os Bons Papai e Mamãe, Joe & Kamala, estiverem no comando é assustadora e autoritária, mas é exatamente o que aconteceu em 20/1/2009 quando o movimento antiguerra, pelas liberdades civis e anticorporativismo desapareceu da noite para o dia. (com a eleição de Obama)

Esta mensagem, no entanto, é pelo menos honesta, mesmo que involuntariamente. O que os democratas precisam acima de tudo é que todos vão dormir enquanto eles estão no comando, para que ninguém perceba o que realmente fazem e o que realmente são. 

A não ser por alguns tweets e características pessoais incomuns, não houve nada de "anormal" na presidência Trump em comparação com o que veio antes dela, e não importa quem ganhe, esta "normalidade" continuará.

A toxicidade da normalidade americana é o que elegeu Trump em primeiro lugar. 

O que Trump fez de comparável em vergonha moral, comportamento delinquente e destruição bruta à invasão e obliteração do Iraque, a criação de um regime mundial de tortura e o estabelecimento de "locais negros" da CIA fora do alcance da justiça e de grupos de direitos humanos?

Glenn Greenwald

sábado, 31 de outubro de 2020

Glenn Greenwald explica sua saída do Intercept


O jornalista Glenn Greenwald, fundador do Intercept, explica por que deixou o veículo de comunicação que criou, em entrevista à TV 247, em entrevista aos jornalistas Leonardo Attuch e Tereza Cruvinel.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Glenn Greenwald é um jornalista de direita que defende e promove o imperialismo americano e seus crimes

Texto de Glenn Greenwald, editor do Intercept, publicado no seu blog em novembro de 2005, durante a visita do então presidente dos EUA George W. Bush à America Latina, que incluiu o Brasil, revela o que ele realmente pensa da Esquerda na América Latina, seus líderes e militantes.
https://greenwaldamericalatina.blogspot.com/ 

The reality of Latin American reaction to Bush 
por Glenn Greenwald - Friday, November 04, 2005
Texto original no blog do Sr.Greenwald (em Inglês)
http://glenngreenwald.blogspot.com.br/2005/11/reality-of-latin-american-reaction-to.html

Tradução:
A verdade sobre a visita de Bush a América Latina
por Glenn Greenwald - Sexta-feira, 04 de novembro de 2005

George Bush está na América Latina nesta semana, visitando o Brasil e a Argentina, e a maioria das reportagens na mídia americana estão tentando retratar um pequeno número de "protestos" isolados, organizadas por socialistas infantis, como uma espécie de grande protesto popular contra a visita de Bush, sugerindo, mais uma vez, que as políticas da Administração dele são falhas, porque as pessoas em outros países não gostam do Bush.
Como de costume, a realidade é bastante diferente do que a mídia dos EUA está reportando. .

É verdade que nesta região (como também nos EUA), ainda existe um pequeno e fervoroso grupo de fanáticos de esquerda que têm uma paixão louca pelas desgastadas políticas socialistas/coletivistas que condenaram milhões e milhões de pessoas na América Latina à pobreza, pobreza inimaginável até mesmo para os americanos mais pobres.

Essas tais "manifestações de massa" na Argentina e no Brasil são na realidade nada mais do que alguns incidentes isolados de grafitagem de slogans pacifistas banais em Brasília, e um "rali", semelhante ao da Cindy Sheehan, de socialistas do núcleo duro na Argentina, liderados por um jogador de futebol gordo e aposentado, venerador do Castro, que encontrou tempo suficiente longe de seu vício de cocaína de dezenas de anos, para aparecer usando uma camiseta tão inteligente com o nome de Bush em cima de uma suástica.

Um quadro bastante diferente das demonstrações de massa e revolta popular anti-Bush, descritos pelo New York Times e inúmeros repórteres de televisão.

Em alguns países, especialmente na Venezuela, essa mania antiquada anti-americana da Esquerda não é pequena, mas predominante, e é o que levou esse país a estar sob o polegar do repressivo Hugo Chavez, uma cópia  do Fidel Castro, cujo principal objetivo ao participar da cúpula regional Latino-Americana, parece ser atrair Bush e os EUA para uma espécie de jogo de insultos infantis, ao invés de estar fazendo algo construtivo para ajudar o seu empobrecido e instável país.

Não é surpresa que o principal aliado de Chávez, que ama atenção,nesses joguinhos, parecem ser os jornalistas e correspondentes americanos que estão reportando a viagem de Bush. Eles instintivamente regurgitam histórias desse suposto enorme sentimento anti-Bush, baseados simplesmente num punhado de socialistas lerdos, que destróem a propriedade pública com clichês anti-guerra e hippies latino-americanos desempregados, reunidos prá cantar uma música, curtir uma celebridades e entoar uns cantos.

A mídia americana está acostumada a traduzir esses incidentes isolados de forma equivocada, como se fossem uma representação da opinião pública maior, na viagem com Bush pela América Latina, eles obviamente carregaram na mala a sua preguiça jornalística.

É a mesma verdade nos EUA, os agitadores socialistas Latino-Americanos, que captaram a atenção e o carinho dos meios de comunicação americanos, são tão sem substância quanto são inconsequentes. São amantes de Fidel Castro. Eles insistem que a raiz de seus graves problemas econômicos não são suas políticas coletivistas ou de caráter nacionalista, é claro, mas as políticas econômicas malignas dos EUA. Ao mesmo tempo, é claro, que ficam furiosos porque o malvado dos EUA não lhes está fornecendo uma maior ajuda econômica.

Durante o furacão Katrina, os jornais no Brasil foram preenchidos por artigos de colunistas da esquerda e cartas proclamando com a maior seriedade, que Katrina aconteceu porque Bush não assinou o Tratado de Quioto e, como resultado, os americanos estavam recebendo o que mereciam. Esse é o nível intelectual e moral desse pequeno grupo.

Não há como negar o fato que grande parte do mundo se opõe à guerra no Iraque e a América Latina não é exceção. Isso não é uma surpresa. Seja qual for a opinião sobre a guerra no Iraque, é sempre o caso que as ameaças à segurança nacional de um país só são levadas à sério pelas pessoas daquele  próprio país, e são levadas menos a sério pelas pessoas de outros países.

Os ataques de 11 de setembro não ocorreram em São Paulo e a Al Qaeda não está declarando guerra aos peruanos. Portanto, é perfeitamente compreensível, mas igualmente irrelevante, que os latino-americanos não percebam como é fundamental e urgente a necessidade de mudar o Oriente Médio, da mesma forma que os americanos percebem que isso precisa acontecer..

Deveria ser óbvio que os riscos colocados à segurança nacional americana serão melhor compreendidos e apreciados pelos americanos e não por aqueles em outros países.

E no entanto, a mídia americana se recusa a entender o que os cidadãos americanos entendem perfeitamente bem: especialmente quanto à questões de segurança nacional americana: o fato das pessoas em outros países se oporem ao que estamos fazendo, não significa que o quê estamos fazendo é equivocado ou errado.

Isso parece ser uma ideia simples de entender, mas mesmo assim o argumento central da mídia americana, bastante refletido na viagem latino-americana de Bush, é que "as pessoas em outros países não gostam de Bush, portanto ele é um presidente ruim".

A grande maioria das pessoas aqui no Brasil, e em toda a América Latina, não estão grafitando muros, ou abandonando os seus empregos e filhos para ir participar de uma manifestação anti-Bush. Apenas um pequeno número de adoradores do Che Guevara estão fazendo isso. Mas nada disso impedirá a mídia americana de descrever a realidade aqui de forma muito diferente, porque os comícios anti-Bush em larga escala são excitantes, divertidos e consistentes com sua ideologia.
   
UPDATE: Enterrado no relato do "protesto" do New York Times nesta manhã, submerso embaixo dos parágrafos iniciais e típicos que descrevem este protesto depravado como prova de que "os problemas de Bush o perseguiram até uma reunião cumbre internacional aqui" - é essa passagem, que realmente diz tudo o que você precisa saber sobre os manifestantes e os sentimentos que os motivam:
Como o Sr. Chávez falou, ele foi interrompido por cânticos da multidão zombando de Bush. Todas as menções de Fidel Castro, em contraste, foram animadas, assim como referências frequentes do Sr. Chávez ao desejo de unir toda a América Latina em uma nova onda de socialismo. . . . .
Os milhares de manifestantes levaram bandeiras chamando o Sr. Bush de "fascista", "assassino infantil" ou "besta genocida", alguns com os "s" em seu nome substituídos por um sinal de dólar ou uma suástica.
  
Fidel Castro foi um dos ditadores mais repressivos e assassinos do mundo nos últimos 40 anos. Será que é realmente um "problema" para Bush ter uma multidão que adora Castro estar protestando contra ele? Somente nos olhos de repórteres preguiçosos e estúpidos, essa multidão afirmativamente pró-Castro e seu comportamento seriam vistos como algo significativo, com credibilidade e nobre.

UPDATE II: As fotografias da manifestação dizem muito sobre o quê realmente aconteceu e sobre a verdadeira natureza odiosa e os pontos de vista autoritários desses "manifestantes".

publicado por Glenn Greenwald | 11:57 Sexta-feira, 04 de novembro de 2005

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Texto original do Sr. Greenwald (em Inglês):
http://glenngreenwald.blogspot.com.br/2005/11/reality-of-latin-american-reaction-to.html

Dica do texto do Sr. Greenwald me foi enviada pelo escritor e
jornalista Antonio Luiz M.C.Costa (@AluizCosta) - grata pela dica.

Tradução e postagem por Isabel Monteiro

Isabel Monteiro: (https://en.wikipedia.org/wiki/Drugstore_%28band%29)
aka (também conhecida como) Gringa Brazilien (@GringaBrazilien)

Reprodução: material público para livre distribuição

São Paulo, 28 de janeiro de 2018

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sábado, 14 de dezembro de 2019

Siga o dinheiro: o Intercept é propriedade de um capitalista bilionário e Glenn Greenwald é seu empregado

Uma crítica a Glenn Greenwald e um elogio a Pepe Escobar

Vinícius Canhoto
Professor, doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo

Pierre Omidyar - Fortuna: US$ 11,4 bilhões

Pepe Escobar, aqui no Brasil 247, foi o primeiro no campo progressista a alertar e colocar em dúvida as possibilidades de alcance do Intercept naquilo que viria a ser chamado de Vaza-Jato. As desconfianças do veterano jornalista eram fundamentadas no caso Snowden cuja maior parte do material, recebida por Glenn Greenwald, jamais foi publicada. Escobar não se deu apenas o direito ao ceticismo, como também justificou suas desconfianças na experiência do caso Snowden e nas origens e na propriedade do site Intercept. Parodiando Christian Andersen, era como se no momento em que todos estavam entusiasmados com a descoberta da nudez do rei, o menino dissesse que ainda havia muitas roupas escondidas e por esconder. E são das roupas ocultas do rei que precisamos tratar.

Além de Pepe Escobar, diretamente mencionado, este texto também dialoga com críticas manifestadas por Kiko Nogueira no DCM e, sobretudo, com o artigo de Fernando Horta O que quer a Vaza a Jato?, publicado no GGN. O artigo de Horta começa por tratar das esperanças que Glenn Greenwald despertou na esquerda ao afirmar que em seus arquivos há uma enormidade de mensagens, áudios e vídeos comprometedores, referentes à Operação Lava-Jato. Embora fosse de conhecimento dedutivo de parcela culta da sociedade o modus operandi da Lava-Jato, os vazamentos do Intercept trouxeram à luz os intestinos e o esgoto da atuação da força-tarefa. Mais do que ter ciência das conspirações, os vazamentos permitiram ver parte dos bastidores. É neste ponto que eu quero enfocar porque o que foi anunciado como uma janela para que a sociedade enxergasse a maquinaria do Estado de exceção e visse a lógica de funcionamento do código de direito do inimigo político, a Vaza-Jato tem somente nos convidado para ver o buraco da fechadura que criam uma visão muitas vezes reduzida e ocultada.

Horta tem razão: “Bolsonaro e Moro estão ganhando a parada” e não apenas eles. Procuradores continuam com suas agendas, sejam elas de palestras remuneradas, sejam em entrevistas coletivas para imprensa. Os punitivistas do Supremo seguem com o discurso contrário ao artigo 5º da Constituição e quase tudo parece como dantes no quartel de Abrantes. Ao contrário da Lava-Jato, que sempre soube editar a narrativa para que sua visão de mundo triunfasse, a Vaza- Jato parece não saber ou não se interessar em estabelecer um fio lógico e cronológico entre os fatos e os arquivos. Horta citou vários profissionais e veículos da imprensa progressista que, com expertise, (para usar uma palavra da moda) montaria facilmente o quebra-cabeça as correlações entre causa e efeito das mensagens trocadas e os contextos envolvidos. Horta, no final do artigo, fez três questionamentos que seriam interessantes caso Greenwald os respondesse. Jornalistas historicamente críticos aos método da Lava-Jato poderiam fazer vários recortes de objeto para serem analisados: a) manipulação jurídica; b) manipulação da opinião pública; c) a manipulação política; d) a relação pouco ética com veículos de imprensa; e) vazamentos; f) indústria da delação; etc, etc, etc.

O que a Vaza-Jato tem atualmente nos apresentado são matérias esparsas,ora no Intercept, ora em veículos tradicionais, peças que apenas criam imagens  da renovação do velho e a novidade do já conhecido. O tom de escândalo e a ânsia por saber os desdobramentos dos vazamentos já se dissipou. Glenn Greenwald e outros editores têm muito mais falado fora das matérias do que por meio delas.

Por ser escritor, não gosto de utilizar o termo narrativa fora dos domínio das artes, por mais que a realidade tenha cada vez mais buscado se tornar fictícia. Todavia, reconheço na direita todo o trabalho de construir uma narrativa, o que em outras épocas seria chamado de discurso ou ideologia. Esta construção narrativa criou no senso comum a visão de que a corrupção foi inaugurada no Brasil quando o país foi assaltado por uma quadrilha de metalúrgicos, sedentos de whisky e poder. Vimos esta obra narrativa ser esboçada, ensaiada e representada com sucesso de público e crítica. O golpe em três atos: a queda de Dilma, a prisão de Lula, a eleição de Bolsonaro.

A Vaza-Jato muito mais que uma narrativa, poderia ser uma contra-narrativa. As mensagens trocadas, os áudios, os vídeos, ou seja, os materiais confiados a Greenwald, poderiam ser apenas a realidade nua e crua, vindas a público. Entretanto, o que temos visto são pequenas peças, pouco polêmicas, que reiteram o já sabido. As grandes revelações, que acompanharam os grandes atos da farsa Lava-Jato, ainda não foram publicadas. Estratégia estranha que permitiu Moro ironizar o Intercept com a frase da montanha que pariu um rato.

Talvez o reino da Lava-Jato esteja nu e as roupas e vestidos usado estejam escondidos em armários e guarda-roupas do Telegram.

Gleen Greenwald tem as chaves.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A vilania de Moro é infinita, mesquinha e sórdida

A VINDITA DE MORO

Cristóvão Feil

A vilania de Moro é infinita, mesquinha e sórdida.

Agora, usa o poder de Estado, no Executivo, para perseguir seus adversários políticos, depois de fazer o mesmo no Judiciário.

A ação do COAF contra o deputado psolista David Miranda, marido de Glenn/Intercept, é algo deplorável, miserável e repugnante. Sobretudo por que é infundado e injusto.

Moro pratica vindita, uma desforra atroz nos moldes da piores organizações mafiosas.

Com uma diferença, hoje, ele é ministro de Estado.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Sejam jornalistas, estúpidos



Moisés Mendes

Alguém perguntou a Glenn Greenwald, ontem no Roda Viva, o que ele faria se soubesse que pagaram o hacker para ter acesso às conversas escabrosas da Lava-Jato.

A resposta deveria ser estudada já a partir de hoje em aulas de jornalismo: jornalista não é polícia.

Jornalista divulga informações relevantes, de interesse público, obtidas legal ou ilegalmente. Aqui e em qualquer democracia (ou deveria ser assim também no Brasil).

O que não pode é comparar hacker com autoridade que faz vazamentos seletivos de informações do próprio trabalho para tentar favorecer ou comprometer uma das partes, como fizeram na Lava-Jato.

Outro bom momento foi quando da pergunta sobre os estragos que os vazamentos podem causar na Lava-Jato, se eventualmente beneficiarem já condenados. 

A resposta: Sergio Moro e seu pessoal se consideram acima do bem e do mal, a ponto de achar que qualquer informação que os contrarie pode conspirar contra feitos que consideram inquestionáveis? A verdade absoluta está sempre com eles? 

Resumindo, Glenn Greenwald deu boas lições à atrapalhada bancada de jornalistas que tentou cercá-lo de todas as formas. 

Tentem ser menos oficialistas, menos policialescos, menos governistas e menos lavajatistas. Sejam jornalistas.

Como foi o Roda Viva com Glenn Greenwald

Jorge Furtado

Vexame

“O documento é verdadeiro? É de possível interesse público?” Glenn Greenwald teve que repetir o óbvio 10 vezes aos perguntadores do Roda Viva. Não tinha nenhum jornalista disponível para entrevistar um colega?

William De Lucca

Glenn Greenwald teve de gastar duas horas da sua vida explicando para jornalistas como o jornalismo funciona. O #RodaViva foi isso, basicamente.

Andrew Fishman

Se a ideia por trás do #RodaViva é convidar jornalistas respeitados para realizar entrevistas, por que quase todas as perguntas foram tão terríveis?  Esse é o melhor do jornalismo brasileiro mainstream?  Me ajude, sou gringo e não entendo como isso é possível.

Hildegard Angel

Glenn Greenwald deveria ganhar o prêmio “Educador do Ano”. Com uma paciência de Jó, propriedade e seriedade, ele tem ensinado a imprensa brasileira como exercer a atividade com audácia e ética. Espero que aprendam. #RodaViva

Milly Lacombe

Falta alguém perguntar: "Glenn, você se arrepende de ter trazido a verdade à tona e com ela acabado com o conto de fadas que estávamos alegremente vivendo com a Lava Jato?

Kleber Mendonça Filho

É incrível ouvir um cidadão americano @ggreenwald  sendo um jornalista do mundo real, chamando corrupto de corrupto e com provas justas, sendo sabatinado por gente da imprensa brasileira totalmente adestrada pela realidade paralela do Brasil. Impressionante.

Rita Lisauskas

E o Garganta Profunda, hein? Vocês não acham que têm que revelar a fonte de vocês para provar que estão fazendo jornalismo, Bernstein e Woodward?


O Pato Esquerdalha

Se Bob Woodward estivesse no centro do #RodaViva ontem, a bancada de jornalistas pré-pagos estaria questionando se o escândalo Watergate não prejudicaria a imagem de Nixon e a guerra do Vietnã e se o Washington Post não estava cometendo crime ao ouvir o Garganta Profunda.

Rafa Pacheco

Os caras tem uma hora e meia pra entrevistar um dos maiores jornalistas do mundo, que está de posse do arquivo mais bombástico do país.

Ao invés de perguntarem do conteúdo, perguntam da fonte, do marido, da sua atuação como advogado.

Que vergonha, Roda Viva.

Cadu Lorena

Nenhum jornalista entrevistador do Roda Viva levantou questão a partir da defesa da Constituição, do Estado de direito, do devido processo legal, da democracia, do processo democrático eleitoral — diz muito como a mídia jogou o país nas mãos do fascismo bolso-lavajatista.

Gabi Guimarães

Bem, quem não assistiu o #RodaViva ontem com Glenn, deveria viu? Foi show! Claro que teve algumas coisas absurdas. Glenn passou quase duas horas ensinando pra jornalistas o que é ser jornalista. Acho que ele tem aquela tal de consciência de classe e por isto dá um desconto.

Edinei Bezerra

Vivemos para ver no #RodaViva jornalistas inquisidores questionando a liberdade de imprensa. Que vergonha!!

Rogério Correia

Nunca tinha assistido #RodaViva e depois de hoje afirmo que foi a primeira e única. Assistir a um Jornalista ser questionado por “jornalistas” por fazer jornalismo é deprimente.
Objetivo deles era evitar que Glenn revelasse ao vivo mais crimes do Moro e do cretino do Dallagnoll.

Mah 🍒

A pergunta de encerramento da âncora fechou com chave de ouro🙈

Que horror! #RodaViva

Leandro Demori

Jamais vi essa pergunta pra qualquer jornalista no Brasil. Alguém perguntou se O Globo pagou ao Joesley pela gravação do Temer? E pra Folha pelo grampo do Geddel?

Jose de Abreu

O #rodaviva escalou jornalistas com curso primário para entrevistar um advogado de sucesso que virou o jornalista mais famoso do mundo! Virou um esculacho! #Rodaviva

William De Lucca

Assisti uma rodada de perguntas dos jornalistas ao Glenn Greenwald no #RodaViva. Teve gente perguntando de erro em tuite, gente perguntando se ele não tem medo de ter sido enganado com mensagens falsas e gente perguntando se é válido publicar conteúdo obtido por invasão.

Chega.

Jose de Abreu

E eu sempre achei que jornalista fosse intelectual, gente estudada, séria! me fodi! #RodaViva

William De Lucca

Gente, vocês estão esquecendo que o #RodaViva é o programa que levou a Manuela D'Ávila praquela entrevista constrangedora onde ela foi perguntada se é fã do Mao e do Stalin, sendo interrompida 62 vezes durante o programa.

Não se faz mas jornalismo ali tem muito tempo.

Tiago Barbosa

Glenn Greenwald acabou de entubar o repórter de O Globo:

“Qual a prova que podemos ter de que o material não foi alterado?”, perguntou o jornalista.

“A mesma que seu jornal teve ao publicar comigo as reportagens sobre Snowden”, destruiu Glenn.

Fim.

Cecília Olliveira

- Comparação entre vazamento por autoridade envolvida no processo x hacker
- Pergunta se uma corrupção é mais grave que outra (mas e o PT?)
- Vc não tem medo de atrapalhar o processo?

Estas questões vindas de jornalistas explicam muito sobre a crise do jornalismo #RodaViva

Cara

Você é jornalista e tem a oportunidade de entrevistar um dos jornalistas mais premiados do mundo e você pensa:
Vou perguntar se vem mais áudios e matérias bombásticas?
Melhor não, vou perguntar sobre filmes pornográficos e Pavão Misterioso.

É o nível do nosso jornalismo #RodaViva

Temer Sincero

Jornalistas como essa gente do #RodaViva ajudaram a eleger um demente nepotista como o Jair Bolsonaro e tantos outros seres do PSL...

E depois ficam chorando com as perseguições?

Bolsonaro tem que barbarizar mesmo. Ninguém aprendeu nada.

Amanda Audi

Acabei de assistir ao #RodaViva com @ggreenwald
Achei importante haver críticas e questionamentos ao trabalho do  @TheInterceptBr
Todas foram respondidas e estão acessíveis ao público.
Mas fiquei um pouco frustrada. Quase tudo foi sobre a fonte! Nós somos maiores que ela, viu?

Fletcher Reed

@ggreenwald
Parabéns por ter passado incólume a sessão de fuzilamento a que o #RodaViva te submeteu. Aliás, a despeito da última pergunta dessa âncora tosca, qual o interesse público em o cara ser gay, o marido do PSOL e se ele fez ou não filme pornô? Roda viva virou Roda Morta.

Kit Gay Destruidora mesmo

A bancada do #RodaViva na entrevista do Glenn Greenwald serve para nos lembrar o quanto o jornalismo brasileiro tem uma péssima qualidade, é totalmente subserviente aos interesses dos poderosos e se presta ao papel de assessoria de imprensa de governos corruptos e autoritários.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Juca Kfouri entrevista Glenn Greenwald.



O Entre Vistas de hoje recebe o jornalista Glenn Greenwald. Juca Kfouri e Glenn falam sobre a Lava Jato, o poder da informação e as relações entre a mídia e a democracia.

domingo, 30 de junho de 2019

A mentalidade daqueles que ainda defendem a corrupção de Moro e Lava Jato


Gregorio Duvivier, o jornalismo e a #VazaJato



GREG NEWS | JORNALISMO
Confira o 14º episódio da terceira temporada do Greg News, com Gregorio Duvivier!

A revelação #VajaJato de hoje detalha como Moro e Lava Jato corromperam o sistema legal

Glenn Greenwald

A revelação #VajaJato de hoje - publicada na @Folha, em conjunto com @TheInterceptBr - detalha como Moro e LJ corromperam o sistema legal: usando a ameaça de prisão, para forçar as pessoas a dizer coisas que *não acreditavam*, para conseguir o que queriam:
Um de nossos primeiros artigos revelou que a LJ sabia que eles não poderiam ligar o caso de Lula à Petrobras, o que significava - como argumentaram os promotores de São Paulo - que Moro não tinha o direito de julgá-lo. Então forçaram Pinheiro a dizer exatamente o que precisavam:
Essa é a chave para esse escândalo: Moro e LJ usaram meios corruptos para "combater a corrupção" - inclusive colaborando juntos. Ao fazê-lo, criaram precedentes que contaminaram as proteções centrais do sistema legal. Alguns aprovam essa corrupção só pq gostam dos resultados.
Na @Folha, leia as mensagens entre procuradores usados. Lembra, nas palavras da @Folha, que eles "indicam troca de colaboração entre Moro, então juiz, e Deltan" e "segundo a lei, o juiz não pode auxiliar ou aconselhar nenhuma das partes do processo"



Ainda @SF_Moro teve a coragem de chamar o maior jornal do Brasil de "aliados do hackers"? O blogue que é reveladoramente favorito de Moro, @o_antagonista, ainda chamou @folha ou @reinaldoazevedo "cúmplices do hacker"? Ou @Veja, que logo entrará na reportagem? Notavelmente: não.

E para quem perdeu ontem de noite: o maior jornal de Brasília, @correio, destruiu a única tática de Moro: cínica e falsamente sugerindo que o material não é autêntico. Eles verificaram o material com um procurador do MPF que era um integrante dos chats:
Qualquer um que continue a cinicamente lançar dúvidas sobre a integridade do material publicado por nós, @Folha, @reinaldoazevedo e em breve @Veja agora está conscientemente mentindo. Aqui está o repórter do @Correio que revelou a verdade ontem:
Exatamente isso está acontecendo. Obviamente, há pessoas dentro do MPF - como @MoniqueCheker - ainda dispostas a mentir para Moro e Deltan, como ela foi pega fazendo ontem. Mas muitos não, e é por isso que essas verdades estão surgindo agora:
Sim, os partidários de Bolsonaro vão gritar nas ruas hoje. Espero que eles se divirtam. Enquanto isso, devido a uma imprensa livre e pessoas de consciência dentro do MPF, a verdade sobre seus heróis está emergindo, e continuará até que não ficam mais dúvidas. #BrasilNasRuas

sexta-feira, 28 de junho de 2019

As ‘testemunhas’ que puseram em xeque a imparcialidade de Sergio Moro

VEJA.com ›

Das muitas mensagens trocadas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, o chefe da força-tarefa da Lava-Jato, a mais comprometedora até o momento é a que mostra Moro passando ao procurador a dica de duas testemunhas que teriam informações relevantes sobre negócios envolvendo a família do ex-presidente Lula. Para a maioria dos especialistas, essa parceria investigativa teria beneficiado uma das partes envolvidas no processo — no caso, os acusadores, o que seria ilegal. Seguindo a orientação do juiz, Dallagnol procurou as pessoas citadas, mas elas teriam se recusado a colaborar. Em resposta a Moro, o procurador chegou a sugerir que se forjasse uma denúncia anônima para justificar a expedição de uma intimação que obrigasse as testemunhas a depor no Ministério Público.

O diálogo entre Moro e Dallagnol foi publicado pelo site The Intercept Brasil há três semanas, mas o nome das testemunhas não havia sido divulgado. VEJA localizou os dois personagens ocultos da história. O primeiro deles é o técnico em contabilidade Nilton Aparecido Alves, de 57 anos. Na mensagem, o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba relata ao procurador ter recebido a informação de que uma pessoa fora instada “a lavrar escrituras de transferências de propriedade de um dos filhos do ex-presidente”. “Seriam dezenas de imóveis”, segundo Moro. Durante o governo do petista, pipocaram na internet inúmeros boatos sobre supostos negócios imobiliários envolvendo o clã presidencial. Pela primeira vez, havia uma testemunha com nome, sobrenome e telefone. Vinte e quatro minutos depois da mensagem, Dallagnol escreve que tentou fazer contato com o técnico em contabilidade, mas a testemunha “arriou”, “disse que não tem nada a falar” e, “quando dei uma pressionada”, relata o procurador, “desligou na minha cara”.
Nilton Aparecido tem um escritório no centro de Campo Grande (MS). Ele é conhecido no estado por fazer negócios, nem sempre lícitos, relacionados a terras. Em agosto do ano passado, agentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em Mato Grosso do Sul fizeram uma operação de busca e apreensão na casa de Nilton e recolheram escrituras, agendas, extratos bancários e pen drives. Mas essa investigação não tem relação com a da Procuradoria da República no Paraná. O técnico em contabilidade é acusado de corrupção por negociar pagamento de propina com uma organização criminosa especializada em fraudar impostos que desfalcou o Estado em 44 milhões de reais entre 2015 e 2018. Abordado pela reportagem de VEJA na tarde de quarta-feira, Nilton foi evasivo. “Não sei por que meu nome está nessa história. Alguém deve ter falado alguma coisa errada”, disse. Indagado sobre se teria informações referentes aos filhos de Lula e se havia prestado depoimento aos procuradores da Lava-Jato com relação ao tema, ele encerrou a conversa dizendo que não iria declarar mais nada.

Na mensagem publicada pelo The Intercept Brasil, logo depois de tentar, sem sucesso, falar com Nilton, Deltan Dallagnol diz a Sergio Moro que estava pensando em intimar o técnico em contabilidade, se necessário, “até com base em notícia apócrifa”. Moro concorda em formalizar a intimação, mas não fica claro se ele avalizou a ideia de forjar a origem da denúncia. O juiz sugere a Dallagnol que procure o homem que ouviu a história do técnico em contabilidade, e, de novo, passa as coordenadas — o segundo personagem oculto da história, também localizado por VEJA. Trata-se do empresário Mário César Neves, dono de um posto de gasolina também em Campo Grande. Ele confirmou que, na época, em dezembro de 2015, um representante do Ministério Público Federal entrara em contato para pedir-lhe informações sobre o técnico em contabilidade Nilton Aparecido. “O pessoal do Ministério Público me ligou, não sei mais o nome da pessoa, mas ela queria saber quem era o Nilton, que serviços ele prestava e como poderia encontrá-lo”, contou o empresário. Questionado sobre se ouvira do técnico em contabilidade algo referente a negócios do filho do ex-presidente, o empresário também arriou. Disse que desconhecia o assunto. Ele, porém, confirma que repassou ao Ministério Público o endereço e o telefone de Nilton. “Eu soube que o Nilton foi chamado para prestar depoimento logo depois dessa ligação para mim”, diz Mário. O empresário acrescenta que soube disso por meio de funcionários do escritório de Nilton, que trabalha para ele há mais de quinze anos. Se for verdade, a situação de Moro complica-se ainda mais do ponto de vista jurídico. A comprovação de que o Ministério Público, de fato, não apenas ouvia, mas seguia suas orientações, reforça a tese de que, quando magistrado, Moro abandonou a posição de imparcialidade para instruir um dos lados da ação, algo considerado ilegal pelo Código de Processo Penal. Embora permaneça com apoio popular — e exista até uma manifestação marcada para este domingo (30) —, o ministro está com a imagem de herói arranhada.

Essa e outras mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil, comandado por Glenn Greenwald, levaram a defesa do ex-presidente Lula a reforçar um pedido de suspeição de Moro que havia sido feito à Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O princípio está escorado na lei: quando um juiz aconselha qualquer uma das partes, todo o processo pode ser anulado. As mensagens com as orientações de Moro para que o Ministério Público fosse atrás de evidências contra o ex-presidente, mesmo que tenham sido obtidas de maneira ilegal, de acordo com o recurso apresentado pelos advogados de Lula, comprovariam a parcialidade do juiz. Se o recurso fosse aceito, o processo que condenou o ex-presidente a oito anos e dez meses de prisão por ter recebido propina voltaria à estaca zero e o petista seria posto em liberdade. Na terça-feira, a Corte rejeitou discutir o mérito do pedido de suspeição. O ministro Gilmar Mendes disse que não havia tempo hábil para analisar as novas acusações contra o ex-juiz.

Na mesma sessão, no entanto, Mendes propôs uma alternativa: conceder uma liminar para garantir liberdade provisória a Lula até que se julgasse se a atuação de Moro foi comprometida. O ministro Ricardo Lewandowski acolheu a proposta, mas outros três juízes — Cármen Lúcia, Edson Fachin e Celso de Mello — negaram o recurso, impondo ao ex-presidente a 14ª derrota desde que foi preso, em abril de 2018. Lula ainda sofreria outras duas. No mesmo dia, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) retirou de pauta o recurso que discutia se ele já tem direito de cumprir pena em regime semiaberto. O julgamento deve ser retomado em agosto. No Paraná, o juiz Luiz Antônio Bonat mandou congelar até 78 milhões de reais em bens do ex-presidente. No segundo semestre, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) vai decidir se confirma a condenação do ex-presidente no processo que envolve o pagamento de propina por meio de melhorias em um sítio frequentado por ele em Atibaia (SP) e que, na verdade, seria de sua propriedade. Caso seja confirmada a condenação de doze anos e onze meses de prisão, a primeira e a segunda sentenças se somarão e ele não deixará a cadeia antes de 2021. Por isso, todas as esperanças de Lula agora estão depositadas na suspeição de Moro e na anulação dos processos. Será uma briga jurídica e tanto. Afinal, outras instâncias confirmaram a sentença de Moro.

Até aqui, a Lava-Jato tem preferido o silêncio (ou pronunciamentos oficiais, em vídeos e notas) em relação ao episódio. VEJA encaminhou oito perguntas à força-tarefa em Curitiba. Perguntou se os procuradores intimaram e ouviram formalmente o técnico em contabilidade Nilton Aparecido Alves ou o empresário Mário César Neves, que argumentos utilizaram para procurar as duas testemunhas e quem foi o responsável pela tomada dos depoimentos. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. O contato não foi por Telegram.

Colaborou Laryssa Borges

Publicado em VEJA de 3 de julho de 2019, edição nº 2641

https://outline.com/4nAsjP

Fake news do Estadão diz que "pior já passou" para Sérgio Malandro Moro

Glenn Greenwald

O desespero aqui é triste. Vamos esperar até o final do dia - hoje - e depois me dizer se o que o @Estadao publicou aqui hoje é verdade ou não. Eu acho que a resposta será bem clara.

"A versão de integrantes da inteligência do governo dá conta de que já se esgotou o arsenal do The Intercept contra Moro."- rindo muito. De todos os dias para afirmar isso, hoje é o pior dia possível para eles. E obviamente, eles não têm ideia do que temos, então por que fingir?

Quando confundimos nossos desejos e esperanças com a realidade: nunca saudável.

Também é muito importante sobre isso 👆: a única maneira que os "integrantes da inteligência" poderiam pensar que sabem o que temos é se eles têm as conversas originais entre Moro e Deltan. Como pode ser se Moro e Deltan afirmam que destruíram todas as cópias e nenhuma existe?

O pior contra Moro e Dallagnol já passou, só que não...

sábado, 22 de junho de 2019

Ações de Sérgio Moro são corruptas, destrutivas para o sistema legal e uma ameaça à democracia

Glenn Greenwald 
Essa coluna do Estadão de @geraldoprado, professor de Direito da UFRJ, é crucial. Ele explica porque as ações de Sérgio Moro são corruptas, destrutivas para o sistema legal e uma ameaça à democracia, e porque é vital que o STF as pare.

O STF na encruzilhada

Geraldo Prado

As pessoas leigas em Direito muitas vezes somente percebem a importância do respeito escrupuloso às regras jurídicas quando vivenciam alguma experiência elas próprias.

O sentimento mais particular da relevância do cumprimento das leis não é suficiente para a construção de uma sociedade mais digna, fraterna e ética.

O salto para o plano do coletivo é fundamental porque é o passo à frente na criação e manutenção de uma tradição genuinamente democrática.

Cobrar a aplicação do Direito em relação ao desconhecido ou mesmo ao adversário como deveria ser aplicado a si mesmo é um dos fatores que caracterizam uma cultura democrática.

A exigência moral de que a lei se aplique a todos que estejam na mesma situação, de que as normas jurídicas devem ser escrupulosamente respeitadas, de que as competências para elaborar as leis, decidir sobre sua correta aplicação aos casos e governar a sociedade sejam igualmente tratadas como espaços políticos autônomos que devem conviver harmoniosamente, são condições básicas de que não devemos e podemos abrir mão.

O que a história nos ensina, dolorosamente, é que sempre que esta ética é desprezada, as leis ignoradas e a vontade dos poderosos é imposta como régua moral para corrigir a corrupção alheia, as sociedades entram no terreno do vale-tudo no qual prevalece a lei do mais forte.

E a história também ensina que não importa o quão poderosa seja a pessoa no momento em que maneja a interpretação das leis contra o texto legal, com fundamento em aparentes boas razões e também não interessa a que título exerce o poder, se deriva da riqueza ou da ocupação de um cargo público: o exercício do poder é algo transitório e amanhã será o poderoso de ontem a reclamar em sua defesa o direito que ele próprio pisoteou e ajudou a destruir.

No próximo dia 11 de agosto, o Mundo comemora os cem anos da Constituição alemã de Weimar. Para quem não sabe convém explicar que a Constituição de Weimar, promulgada após a derrota alemã na I Guerra Mundial, pretendia ser uma barreira contra os autoritarismos e uma alavanca capaz de impulsionar a proteção de direitos individuais e sociais (dos trabalhadores, previdenciários etc.).

O generoso projeto constitucional, no entanto, não foi capaz de impedir a ascensão do nazismo. Mesmo antes de 1933, quando Hitler chega ao poder, várias personagens importantes da vida alemã, não necessariamente autoritárias, já clamavam por aplicar a Constituição contra seu texto expresso, na defesa de virtudes cidadãs e patrióticas e no presumido interesse geral sobre o individual, usando como argumento a prevalência do fático sobre as regras jurídicas: a vida muda, o mundo se transforma e a velocidade dessa dinâmica social não é acompanhada pelas alterações da Constituição que obedecem a rituais lentos e exigências formais rigorosas, é o que dizem.

A este movimento de mudar a Constituição sem alterar seu texto e mesmo aplicá-la contra o que a própria Constituição determina deu-se o nome de “Mutação Constitucional”.

Pessoas poderosas convictas de suas virtudes corrigiam por conta própria os erros da Constituição. A mutação constitucional idealizada na Alemanha em 1906, em outras circunstâncias, pelo jurista Jellinek, para proteger direitos, converteu-se nas mãos dos virtuosos da década de 30 no instrumento que levou o mundo à beira do abismo.

Parece que não aprendemos a lição.

Ao menos não aqui no Brasil.

Em seu voto contra a aplicação literal e incontroversa da presunção de inocência conforme está definida na Constituição – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória – o ministro Luís Roberto Barroso invocou a “Mutação Constitucional” para justificar sua posição de não aguardar o trânsito em julgado de uma sentença condenatória para considerar alguém culpado.

O trânsito em julgado, dizem os que não apreciam a presunção de inocência, é algo demorado nos processos criminais, em especial quando se trata de processos criminais contra acusados ricos e poderosos.

Aguardar por ele, como preconiza o texto constitucional, é não estar atento aos novos tempos, que reclamam seja a opinião pública satisfeita em seu desejo de ver punidos os poderosos.

É necessário, portanto, deixar de aplicar a Constituição – em outras palavras, atuar na prática em sentido contrário ao texto da Constituição – para nos ajustarmos aos novos tempos.

A porta que se escancara quando o STF se transforma de guardião da Constituição em órgão que a corrige, por entender que a Constituição está errada, termina por permitir que passe todo tipo de gente que se entende virtuosa e, estando temporariamente no exercício do poder, resolva corrigir os rumos da história por suas próprias mãos.

É o que hoje a totalidade dos brasileiros constata ao ver desnudados pelas reportagens do The Intercept Brasil os métodos ilegais no âmbito da Lava Jato, métodos praticados por Sérgio Moro e alguns procuradores da República, que tímida, contraditória e prudentemente os reconhecem.

Não é verdadeira a alegação de que a tradição autoriza relações juridicamente promíscuas entre juiz e acusador. A regras legais não autorizam, antes proíbem, juízes de interferir na preparação da futura acusação, sugerir estratégias à acusação contra o réu, pasmem no curso do processo (!) e eleger critérios políticos para igualmente sugerir ao acusador quem, quando e em que medida este deve ou pode acusar alguém, quer esta pessoa mereça ou não ser melindrada.

Atitudes dessa ordem, flagrantemente ilegais, que violam a regra canônica da imparcialidade do julgador, da integridade do processo, da independência do Ministério Público e da impessoalidade na atuação dos seus membros, levam à nulidade de condenações que hajam sido proferidas.

Em 2004 o STF declarou inconstitucional a atuação de juiz em preparação da acusação por violar a imparcialidade do julgador (ADI 1.570 rel. Maurício Correa).

Narrativas estrategicamente definidas de antemão por acusadores e juízes podem ser mascaradas no processo por meio de um relato que aparentemente faça sentido. Como dizem os portugueses, “com a verdade me enganas”.

Estes comportamentos, no entanto, somente foram e são possíveis por que incentivados em um ambiente de “Mutação Constitucional” que no lugar de ampliar a proteção de direitos, como pretendia Jellinek, os suprime, como ocorreu na Alemanha de 1930.

O potencial autoritário de se transferir aos virtuosos a decisão de aplicar ou não as leis e a Constituição é imenso e a grande prejudicada, ao fim e ao cabo, é a sociedade.

Como disse no início. Poder não é algo que alguém tenha. As pessoas exercem o poder temporariamente, não se tornam donas dele para sempre. Daí a ironia de ver na audiência do Senado o ministro da Justiça que tanto defendeu o aproveitamento – e ao que tudo indica cogitou – de provas ilícitas manifestar-se agora enfaticamente contra elas. A próxima etapa será vê-lo defendendo a presunção de inocência. Convém anotar.

A Constituição não deve valer apenas enquanto é útil para nos defender. Ela deve valer o tempo todo, em relação a todas as pessoas.

Caberá ao STF assegurar isso. Se são verdadeiros os boatos de que há militares contrários à aplicação da Constituição, algo em que não acredito, apenas resta dizer que… já passamos dessa fase.

*Geraldo Prado, professor de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Memórias de um senador de milícias


terça-feira, 11 de junho de 2019

A brilhante estratégia de Glenn Greenwald


Renato Janine Ribeiro

Brilhante, a estratégia de Glenn Greenwald:

1. Assumiu o protagonismo do jogo. Seus alvos estão fazendo exatamente o que ele quis ou previu. Ele controla o tabuleiro. Pela primeira vez desde 2015, a extrema-direita perdeu a iniciativa.

2. Os procuradores e Moro responderam a ele justamente o que ele queria: confirmaram a autenticidade das fitas. Foram debater a forma, não o conteúdo. Assim disseram: você, Glenn, diz a verdade.

3. Ele previu até o argumento que iam usar: a defesa da lei e da privacidade. E respondeu a isso domingo, antes mesmo da reação do grupo: vocês não fizeram isso com Dilma? Que moral têm? Assim, tirou deles o argumento moral, que era o principal da Lava Jato e que esta conduziu para a ideia de que os fins justificam os meios.

4. Enquadrou a mídia pátria. A imprensa internacional caiu matando. A Folha de hoje tem um relato bom das reações no estrangeiro. E os jornais de fora que li chamam todos nosso governo de exceção de “extrema-direita”. Nenhum usa o eufemismo “direita” (direita é Merkel, cara-pálida!) ou “liberal” (liberal é o Economist, stupid!). Vai ser difícil passar pano por muito tempo.

5. Ao dizer que não divulgaria as intimidades dos membros do grupo , mostrou-se superior a eles (que publicaram conversas privadas de dona Mariza - sem falar na subtração do iPad do pequeno, hoje falecido, Artur) - e deve ter causado medo de que divulgue. Acuou-os.

6. Finalmente, anunciou que soltará mais dados a conta-gotas. Tornou-se senhor do tempo ou, se quiserem, é quem decide quais serão as próximas etapas, o desdobramento do assunto (até porque ninguém sabe o que ele sabe).

A Globo é sócia, agente e aliada de Moro e Lava Jato



Erro grande, grave e triste de Jornal Nacional hoje, dando mais tempo para Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e as associações dos juízes e procuradores para negar as acusações contra eles do que focar nas gravíssimas acusações em si.

A Globo é sócia, agente e aliada de Moro e Lava Jato - seus porta-vozes - e não jornalistas que reportem sobre eles com alguma independência. É exatamente assim que Moro, Deltan e a força-tarefa veem a Globo. Então não esperem nada além de propaganda.