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segunda-feira, 29 de março de 2021

Monstro que expôs tomografia de Marisa Letícia, morta por AVC, tem pai e irmão mortos por AVC


Duas aberrações

Jornalista que expôs tomografia de Marisa Letícia, morta por AVC, tem pai e irmão mortos por AVC

Kiko Nogueira

O jornalista Claudio Tognolli comunicou em seu perfil no Twitter uma tragédia pessoal.

“Quinta meu irmão morreu de AVC e hoje meu pai morreu de AVC: correm-me lágrimas que queimam…”, escreveu.

Em janeiro de 2017, Tognolli expôs em suas redes a tomografia de Marisa Letícia, então internada no Sírio Libanês após sofrer exatamente um AVC.

Ele contou ter recebido o material de uma fonte “militante do PT e muito ligada ao partido”.

No vídeo, defendeu que a publicação era de interesse público.

Os médicos que analisaram a tomo, afirmou, “falaram que se continuar nesse quadro, ela não se recupera tão cedo e vai ter dificuldade para voltar a andar. Não estou mentindo nem fazendo juízo de valor”.

De acordo com o Código de Ética Médica, profissionais da área não podem permitir o acesso de terceiros a prontuários.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo abriu sindicância para apurar o vazamento, mas nunca chegou a lugar nenhum, obviamente.

A ex-primeira-dama morreu às 18h57 de 3 de fevereiro de 2017.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Enquanto o Brasil afunda, Leandro Karnal conversa com as baleias


O pernosticismo de Karnal, o amigo de Moro, ajuda a entender como Olavo ocupou espaço no Brasil. 

Por Kiko Nogueira, 11 de abril de 2019


Platão fez Sócrates zombar de Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo do Ocidente.

Tales olhava para as estrelas e caiu num poço.

“Uma decidida e espirituosa rapariga da Trácia zombou dele, dizendo que procurava conhecer o que passava no céu, mas não via o que estava à sua frente, junto dos próprios pés”, diverte-se Sócrates.

Quando você depara com um nefelibata rico como Leandro Karnal, entende como um Olavo de Carvalho acabou ocupando espaço no Brasil.

Karnal tem lugar amplo e garantido na mídia, é best seller, dá conferências em universidades, empresas, batizados, tem aquela careca e o sorriso alvo que lhe conferem um certo carisma.

Sucesso. Poderia ser um contraponto à barbárie de Olavo no campo, digamos, intelectual.

Prefere esvaziar a mente de um público quer tem preguiça de ler livro.

E cabeça vazia é oficina do Olavo.

Dia desses, a convite de Sergio Moro, palestrou no Ministério da Justiça sobre o artigo 37 da Constituição e “o patrimonialismo do Estado”.

“Compartilhei espaço de fala com o deputado Marcelo Callero e seu enfrentamento no governo Temer”, escreveu.

“Espaço de fala” é de chorar sentado, mas sigamos.

Karnal serviu de papagaio de pirata para Moro — a quem tietou num jantar famoso em 2017 —, cujo projeto anticrime contém abjeções morais.

O que o professor acha do “excludente de ilicitude”?

E da ideia de reduzir a pena do policial até a metade ou deixar de aplicá-la caso “o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”?

Provavelmente acha muita coisa, mas não vai revelar.

Está mais preocupado com o “pensamento cetáceo”, tema de sua coluna no Estadão de ontem.

É uma das coisas mais pernósticas jamais publicadas em qualquer lugar desde o início dos tempos.

Resumindo um blábláblá idiota, trata-se de um conceito que Karnal inventou, o “costume de voltar a um foco já largado em oceano passado e sem nenhuma introdução”.

Toma Fosfosol, amigo.

Eu vou reproduzir um trecho porque não quero sofrer rindo sozinho:

As baleias são mamíferos que podem mergulhar a profundidades abissais. Porém, o apelo da respiração acaba chegando. Como os golfinhos, podem morrer afogadas nas águas em que nasceram.

Boas nadadoras e exímias mergulhadoras, porém, continuam mamíferas e dependentes dos pulmões. Na superfície, só as vemos quando respiram. A superfície é a conversa audível. Ali, estamos nos vendo, baleias, golfinhos, navegadores e flutuadores em geral.

O tema submerge na vastidão dos oceanos. Em graciosos movimentos ondulatórios, o tópico volta mais adiante, quando, para quem está na superfície, ninguém mais pensa nele.

Talquei?

Enquanto o Brasil afunda, Leandro Karnal, como Roberto Carlos, conversa com as baleias. 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

No essencial, Luíza Trajano e Luciano Hang são iguais


No que realmente importa, Luiza Trajano não é diferente do Véio da Havan: não aceita imposto sobre sua fortuna

Kiko Nogueira

Luiza Trajano é uma senhora muito rica que se comporta como uma senhora muito rica.

E, nesse sentido, é como todos os seus colegas, à direita, à esquerda e ao centro: não gosta de pagar impostos.

Questionada sobre a taxação de grandes fortunas no Roda Viva, escorregou como sabonete para deixar claro que é contra.

Ou melhor, é a favor da “cultura de doação”.

Se o Brasil tornar compensatório doar — ou seja, isentando de impostos o milionário —, ela apoiará pagar mais impostos.

Que as coisas fiquem como estão. Os bisnetos dela não precisarão trabalhar.

“É preciso ter distribuição de renda com controle”, afirma.

Ela e Lemman vão controlar tudo, supõe-se. Com o Véio da Havan dando uns toques.

A fortuna dela é avaliada em US$ 4,9 bilhões. A jornalista que a entrevistou leva uma mordida do leão proporcionalmente maior que a dela e um abraço.

Informe da Oxfam mostra que, em plena pandemia, 73 bilionários de América Latina e Caribe aumentaram suas fortunas em US$ 48,2 bilhões (equivalentes a cerca de R$ 268.624 bilhões) entre março e junho.

O país tem 42 desses bilionários que, juntos, tiveram seus caixas incrementados em US$ 34 bilhões (R$ 189.486 bilhões).

Este, sim, é o grande escândalo do nosso tempo.

Nos EUA, imposto sobre herança é de 45%.

Grandes capitalistas volta e meia se manifestam contra essa aberração.

A neta de Walt Disney, Abigail, herdeira de um império de entretenimento, capitaneia um movimento para seus colegas desembolsarem mais dinheiro para o fisco.

“Nada na história avançou apenas porque as pessoas defendiam seus próprios interesses”, disse numa entrevista.

“As coisas realmente mudam quando as pessoas são traidoras de sua classe, e minha classe precisa de alguns traidores realmente bons hoje em dia.”

Isso é corajoso e responsável.

Luiza é uma pessoa admirável sob diversos aspectos.

É uma vencedora, obstinada, emprega milhares de brasileiros, criou um programa para combater o racismo estrutural.

Mas daí a transformá-la em heroína, apenas por irritar bolsonaristas, vai uma distância enorme.

Passa pano para o governo, passa pano para o agronegócio.

Qualquer discussão séria sobre o papel do empresariado para diminuir nosso abismo social passa, obrigatoriamente, pela taxação de grandes fortunas.

Bastaria Luiza falar: sim, eu quero pagar mais imposto.

Ocorre que ela não quer. O resto é silêncio.

sábado, 22 de agosto de 2020

A Folha é, acima de tudo, um jornal a serviço de si mesma - e golpista

“Jair Rousseff” é a Folha sendo canalha. Depois é só pedir para trouxas usarem “amarelo pela democracia”

Kiko Nogueira

Carro da Folha incendiado na ditadura em retaliação a apoio do jornal à Oban


A Folha é, acima de tudo, um jornal a serviço de si mesma — e golpista.

Como toda a imprensa, embarcou na quartelada de 64. Anos mais tarde, fez mea culpa.

Em 2016, nem mea culpa houve.

Por isso não é de se estranhar o editorial “Jair Rousseff”. 

O tema é a quebra do teto de gastos por Bolsonaro, que “seria contratar crise futura em que pobres e presidente perderiam”.

Bolsonaro, diz o texto, “tem o azar e a sorte de suceder à petista Dilma Rousseff, que levou a fórmula aos limites da capacidade do Tesouro e da lei —o que resultou na maior crise econômica em gerações e lhe custou o segundo mandato.”

O que “custou o segundo mandato” dela, como se sabe, não foram as pedaladas, mas uma farsa jurídica e política que o jornal dos Frias ajudou a fomentar.

É lobby.

Em busca de um slogan, a Folha vincula um fascista genocida a uma mulher que foi torturada por gente que o sujeito homenageia.

Depois é só fazer uma campanha idiota com otários falando para otários usarem amarelo pela democracia.


terça-feira, 14 de julho de 2020

As emas têm mais dignidade que os militares, sócios de Bolsonaro no genocídio e na incompetência


Bolsonaro engole o choro causado pelas críticas de Gilmar Mendes ao Exército porque tem medo do STF.

Prefere mandar os generais falarem por ele. Uma nota cobrando representação da PGR não dará conta do problema, no entanto.

Fica, sim, o carimbo de “genocidas” na pele deles, por mais que esperneiem.

O que será feito da cloroquina produzida em quantidades cavalares?

Será distribuída nas aldeias indígenas? Quem reclamar será processado?

Lei de Segurança Nacional é remédio para tudo? Prende e arrebenta?

O Ministério da Saúde foi aparelhado pelos militares. Há mais de vinte lá, a maioria da ativa.

A gestão da pandemia é caótica. No pós-coronavírus, a conta será cobrada, inclusive no Tribunal Penal Internacional.

Na manhã desta terça, Gilmar voltou ao tema.

“O meu discurso, se olharem bem, é de defesa da institucionalidade das Forças Armadas, do seu papel. Que eles acabem não se envolvendo nos ‘triques’ tão normais da política. Portanto, que não se deixem usar nesse contexto”, afirmou.

Mourão exigiu uma retratação e pediu ao ministro do Supremo “grandeza moral”.

Ora.

O vice quer algo inexistente no governo de que faz parte e que falta a seus colegas de farda, que chancelam e se enlameiam com o “bunda suja”.

Por ambição e deslumbre, Pazuello vai atirar sua corporação na cova obrada por Bolsonaro.

O falastrão JB permanecerá silente porque é um covarde. Sempre haverá quem faça o trabalho sujo por ele nos quartéis.

As emas têm mais dignidade que eles.

A ema gemeu no tronco do juremá

terça-feira, 30 de junho de 2020

Até quando Jair Bolsonaro ficará sem babar na gravata?

Bolsonaro rifa seus radicais, se afasta de olavistas e repete o que Hitler fez com os arruaceiros das SA


Em busca uma imagem mais domesticada para mercado, mídia, Supremo e os donos do Brasil, Bolsonaro está rifando os radicais que cultivou e que o apoiaram cegamente.

Não ofereceu uma palavra de solidariedade aos milicianos digitais que foram presos ou alvo de busca e apreensão da PF.

Sara Winter está até hoje aguardando um agrado do líder. Allan dos Santos chegou a contar com uma força de Eduardo na primeira prensa, mas o Zero 3 já sumiu.

Mesmo os deputados metidos no inquérito das fake news foram esquecidos — publicamente ao menos — pelo chefe.

Nesta terça, dia 30, Alexandre de Moraes decidiu prorrogar, por mais cinco dias, a prisão do blogueiro Oswaldo Eustáquio.

O sujeito é acusado de propagar ataques contra a democracia e mover uma rede de mobilização virtual em torno dos protestos golpistas.

A prisão, temporária, foi estendida a pedido da Polícia Federal porque Eustáquio participa de “fatos que estão sob apuração e guardam relação com atos de potencial lesivo considerável”.

Ele mobiliza pessoas “com afinidade ideológica” e propaga “o extremismo e discurso de polarização”. Além disso, mentiu sobre seu endereço.

Bolsonaro deve, também, indicar um substituto para Decotelli distante do olavismo ou da delinqüência de um Weintraub.

Não significa que Bolsonaro vai, de fato, virar gente. Mas ele dá o recado de que, para manter o poder, não hesitará em atirar ao mar seus cachorros mais raivosos.

Em 1934, Hitler fez esse mesmo movimento com as SA, as tropas de assalto que o ajudaram a subir ao poder.

O capitão Ernst Röhm, fundador do partido nazista, veterano da Primeira Guerra, havia se tornado um problema com seus arruaceiros especializados em espancamentos e assassinatos.

Röhm encara seu “exército plebeu” como o núcleo do nazismo, “a encarnação e garantia da revolução permanente”. A lealdade ao führer era absoluta.

Essa matilha, porém, desagrava e assustava a classe média e preocupava os militares e industriais, que formavam a base do regime.

Na madrugada de 30 de junho para 1º de julho de 1934, Hitler ordenou uma série de execuções políticas extrajudiciais, entre elas a de Ernst Röhm — cuja homossexualidade era usada pelos generais como argumento de sua perversão.

O verniz de civilidade durou pouco tempo, como se sabe.

Vamos ver até quando Jair Bolsonaro ficará sem babar na gravata.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Lya Luft e a banalidade do mal


“Não conhecia direito”: Lya Luft e a banalidade do mal no voto entediado em Bolsonaro

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“Te confesso que votei e me arrependi. Votei na falta de coisa melhor e me arrependi muito. Não conhecia direito. Queria uma trégua do PT, era muita esculhambação, corrupção, não foi uma fase boa. Votei nele e me arrependi em seguida”.

Eis a justificativa de Lya Luft para votar em Bolsonaro.

Escritora, ex-mulher do psicanalista Hélio Pellegrino, membro de uma elite intelectual, portanto, Lya apoiou um fascista que sempre foi fascista por… tédio.

Ela queria “uma trégua do PT”. Não “conhecia direito”.

Preferiu um jumento que homenageou um torturador em plenário (para ficar num episódio recente) a um professor, ex-ministro da Educação, testado como prefeito em SP, porque este era petista.

Lya não é a única, evidentemente.

Quantos como ela, com o mesmo background, fizeram essa opção? FHC, para citar um caso de omissão criminosa.

O cinismo, a banalidade do mal com que Lya confessa esse desastre, é pior que a credulidade do bolsonarista raiz.

O idiota que acreditou no capitão de boa fé tem a desculpa de que queria um país melhor.

Lya, não. Ela estava com enfado do PT.

Ela preferiu não se informar.

Fitzgerald define os ricos Tom e Daisy Buchanan, no “Grande Gatsby”, como “pessoas indiferentes”, que “esmagavam as coisas e as criaturas e então se refugiavam em seu dinheiro e em sua vasta futilidade”.

No Brasil, os Bolsonaros da vida sempre poderão contar com as Lyas Lufts não por convicção, mas para sair da monotonia.

domingo, 21 de junho de 2020

Um país que baba ovo para o Jornal Nacional merece cada novo Bolsonaro que a Globo gera




O velho clichê diz que “aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.

É uma frase piegas como o editorial desta noite do Jornal Nacional lido pela dupla Renata Vasconcellos e William Bonner.

A sessão de autocongratulação foi recebida por muita gente boa com êxtase e furor.

Os dois apresentadores abriram a edição lamentando as mais de 50 mil mortes de coronavírus.

Justo.

Em seguida, Bonner falou das omissões do governo, da “minoria barulhenta” que não quer o tom de tragédia no noticiário e teceu loas ao “jornalismo profissional” praticado pela casa.

“A história vai registrar também aqueles que se omitiram, que foram negligentes, que foram desrespeitosos. A história atribui glória e atribui desonra. E história fica para sempre”, afirmou Bonner.

A história fica, de fato, para sempre.

Por isso é impossível não lembrar que o JN é diretamente responsável pelo clima de ódio que se instaurou no país e desaguou em Jair Bolsonaro.

Em nome de se livrar do PT, todos os recursos jornalísticos que porventura estejam sendo bem empregados hoje foram dirigidos para promover, por exemplo, a Lava Jato.

Vazamentos repassados pela República de Curitiba foram divulgados de maneira acrítica porque se tratava de destruir o lulismo.

Um dos principais repórteres do JN, Vladimir Netto, filho de Míriam Leitão, é autor de livro sobre Sergio Moro e seus apaniguados.
Miriam Leitão, Moro e Vladimir Netto: tudo em família

Toda a turma de Dallagnol estava no lançamento em Curitiba. Ele e a mãe emocionados na livraria com os “heróis”.

Moro é, hoje, chamado para comentar escândalos de um governo do qual foi funcionário por um ano e meio.

Queiroz e os Bolsonaros estão na ativa há décadas, barbarizando nas barbas da Globo no Rio de Janeiro.

Nada foi apurado durante a campanha em nome da mono obsessão antipetista. O “Fora Haddad” estava decidido.

Falta uma autocrítica, que não virá jamais.

Agora os Marinhos resolveram rifar Bolsonaro, enquanto poupa Paulo Guedes. E aplaudimos.

O regozijo com o show de Bonner e Renata é revelador do nosso caráter — e do nosso desespero.

O Brasil que baba ovo para o Jornal Nacional merece cada novo Bolsonaro que a Globo ajuda a gerar.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Ação da PF contra bolsonaristas prepara terreno para prisão de Carlos e Weintraub

Allan dos Santos, Bernard Küster, Flávio Morgenstern e Carlos Bolsonaro


Por Kiko Nogueira


A operação de hoje da Polícia Federal, que teve como alvos bolsonaristas blogueiros, desocupados, deputados e um senador, é para justificar uma medida mais grave, diz uma fonte do governo ao DCM.

Allan dos Santos deve ir em cana.

Só na casa do dono do Terça Livre, uma cloaca de fake news, já é a terceira busca e apreensão.

O STF está coletando indícios de que existe uma continuidade delitiva, segundo a fonte.

O passo lógico seguinte é a detenção temporária de Allan — mas não só dele.

Abraham Weintraub e Carlos Bolsonaro também podem ir para trás das grades.

A prisão temporária deles seria transformada em preventiva sob o argumento de que estaria havendo destruição de provas e prejuízo à instrução criminal.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Como Bolsonaro, Hitler se vendia como “médico da nação” para curar o “corpo do povo”


Por Kiko Nogueira

Jair Bolsonaro transformou sua transfixação pela cloroquina numa questão ideológica e numa tábua de sua salvação.

O sujeito que apregoava que o coronavírus era uma “gripezinha” virou divulgador de uma droga com resultados inconclusivos e efeitos colaterais tenebrosos.

Pode ser letal, de acordo com a dosagem, especialmente nos “velhinhos”. Relatos de quem a usou são assustadores.

O presidente é contra o isolamento e não esclarece que prudente é evitar o contágio e fazer testes em massa.

Em seu último pronunciamento em rede nacional, comportou-se como um especialista degenerado receitando a cura para um país.

“Há pouco conversei com o doutor Roberto Kalil. Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o juramento de Hipócrates, ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos”, disse.

Todos quem, cara pálida?

“Omitir o uso do (sic) cloroquina é o mesmo que deixar judeus na dúvida entre chuveiro e câmara de gás”, escreveu recentemente o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

“Antissemitas e oportunistas estão sempre à espreita”, respondeu a Confederação Israelita do Brasil em nota.

Adolf Hitler era chamado de “Médico da Nação Alemã”. Rudolf Hess, seu vice, se referia ao nazismo como “biologia aplicada”.

Hitler falava da Alemanha como um organismo e de si mesmo como o doutor que iria torná-la saudável, eliminando as moléstias.

Judeus, comunistas, ciganos, eslavos, deficientes ameaçavam o “volkskörper”, o “corpo do povo”.

Num editorial de 1927 de seu jornal Der Angriff (“O Ataque”), Joseph Goebbels, futuro ministro da Propaganda do Reich, afirmou que ele e seus correligionários estavam “prontos para curar o corpo doente do povo alemão e fazê-lo capaz de viver novamente”.

Hitler era vegetariano e Himmler dava palestras para a SS sobre a importância de vitaminas, minerais, alimentos integrais e fibras na dieta.

O programa de saúde nacional nazi começou com a esterilização e terminou, como se sabe, com milhões de mortes nos campos de concentração (“fica a dica”, como sugeriu um apresentador do SBT).

Bolsonaro, como Hitler, nunca estudou medicina, mas não hesita em prescrever elixires que podem ser mortais. Qualquer atividade humana supostamente nobre pode virar uma monstruosidade a depender da ética de quem a pratica.

As cobaias somos nós.

domingo, 22 de dezembro de 2019

O brasileiro não merecia, em 2019, ainda aguentar Galvão Bueno narrando futebol


Kiko Nogueira

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“O lateral Alexander-Arnold tem uma grande visão de jogo porque foi campeão mundial de xadrez”, ele disse.

O inglês Alexander-Arnold trocou, em 2018, o futebol pelo xadrez por uma partida.

Ele curte peões, bispos, cavalos, reis e rainhas desde pequeno. Encarou o norueguês Magnus Carlsen. Foi batido com 17 movimentos em 5 cinco minutos.

“Eles têm um lateral-esquerdo inglesinho que é meio fraquinho, gosta de atacar e deixa um espaço nas costas dele ali”, ele garantiu.

Andy Robertson é escocês, soma 101 partidas, marcou três gols na equipe, tem uma Liga dos Campeões e uma Supercopa Europeia.

Galvão é, seguramente, o pior narrador de futebol do mundo.

Não apenas pelos erros — que ele não corrige a posteriori porque é bom demais para isso –, mas porque é um torcedor mal disfarçado.

Esse traço deixou de ser folclórico para ser patético. Silvio Luiz não era tão ridículo.

Galvão passou os 120 minutos de Flamengo e Liverpool tecendo considerações de como o clube carioca deveria jogar.

Nada sobre a campanha dos ingleses, o técnico Jürgen Klopp, o esquema tático, como eles chegaram ali etc. 

Sobre o craque Salah, um amontoado de clichês sobre sua canhota “que não deixa a bola sair de perto”. Quando se arriscava, era um desastre.

Os dois patetas que o acompanhavam, Junior e Roger Chinelinho, serviam de escada. 

Galvão não faz jornalismo esportivo há muito tempo. Mas conseguiu piorar.

Virou um animador de auditório vulgar, um canastrão.

Manipulador, ele chora, ou finge chorar, por qualquer coisa.

Emocionou-se, ou fingiu se emocionar, no início com uma orquestra do Complexo da Maré.

No final, com a vitória do Liverpool, simplesmente boicotou os vencedores e a parte da audiência que não estava interessada em palhaçada para dar chibatadas nas costas de quem já estava deprimido.

Enfim temos o Jim Jones da crônica futebolística.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Roberto Carlos: para quem elogiava Pinochet, Geisel e Médici, posar com Moro é moleza, bicho


Por Kiko Nogueira

O elemento mais espontâneo na foto do casal Moro com Roberto Carlos no camarim é o sorriso de Mona Lisa do cantor.

É um esgar entre a cólica renal e a enxaqueca.

Os três estão fingindo, portanto os três estão cientes de participar de um teatro.

Muita gente boa defendeu que Roberto não tinha como fugir daqueles “fãs”. Ora, claro que tinha.

Tudo é coordenado pela assessoria com sua anuência. Inclusive, e principalmente, a fotografia.

Sabia o que estava fazendo.

Ele já elogiou Sergio Moro publicamente algumas vezes.

Em 2018, falou que o trabalho do ex-juiz era “maravilhoso” e que “realmente merece todo o nosso apoio e os nossos aplausos”.

Roberto é absolutamente coerente com sua história.

Sempre foi e continua sendo de direita, embora chamado de “ingênuo politicamente”. Ingênuo é você.
Documento do Exército lista Roberto entre “artistas que se uniram à Revolução (sic)”

Na ditadura, quando tornou-se o maior cantor popular do país, foi condecorado com a Medalha do Pacificador, ocupou cargos em conselhos do governo, teve ajuda do ministro da Justiça para se livrar da censura e foi contratado para dar shows em homenagem à “Revolução” (é como ele trata o golpe de 64).


Puxou o saco dos militares até conseguir a concessão de uma rádio em Belo Horizonte, que manteve por quinze anos.

Apresentou-se nas Olimpíadas do Exército em 1972 diante de Médici.

Em 1976 — um ano depois do assassinato de Herzog — lá estava o rei ganhando a Ordem do Rio Branco, pelos serviços prestados à nação, das mãos de Geisel.

Não faltaram muchas gracias a Pinochet num festival em Viña del Mar, no Chile. Puxa saco, se declarou honrado com a “presença do presidente de um país”.

“É um motivo de orgulho para mim, don Augusto”, discursou (vídeo no pé deste artigo).

Esse é o Roberto. Podia se poupar, a essa altura da vida, desse tipo de mico com os Moros.

Mas aí não seria o Roberto.


sábado, 23 de novembro de 2019

O Brasil que não perdoou Sobel pelas gravatas canonizou Gugu pelo lixo que levou à TV



Por Kiko Nogueira

A maneira como o brasileiro reagiu à morte de Gugu Liberato e de Henry Sobel, no mesmo dia, dá uma dimensão da nossa encrenca psicotrópica-moral.

Sobel foi um gigante que ajudou a enterrar a ditadura quando se recusou, em outubro de 1975, a sepultar Herzog como suicida no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.

O jovem rabino viu as marcas de tortura e não comprou a versão oficial do Exército.

Na semana seguinte, comandou uma missa ecumênica histórica com dom Paulo Evaristo Arns, à época arcebispo de São Paulo, e o pastor Jaime Wright na Catedral da Sé.

Tinha 31 anos. (Meu pai, o jornalista Emir Nogueira, fez parte da organização).

Sobel não encarou apenas o regime militar.

Sofreu resistência da comunidade judaica, que nunca deixou de ser conservadora. Mesmo assim, foi adiante.

A internet não perdoou Sobel quando ele faleceu.

O episódio em que ele furtou gravatas foi mais lembrado que sua batalha pela democracia.

Aconteceu numa loja em Miami em 2008. Ele passou uma noite na cadeia. De volta ao Brasil, se internou e revelou o uso de remédios. Foi humilhado, julgado e escorraçado.

Acabou afastado da CIP, Congregação Israelita Paulista.

Em 2013, admitiu “uma falha moral”. “Peço perdão a todos”, falou. Repetiu essa penitência ao longo da vida.

Nunca foi perdoado. Nem no caixão.

Gugu Liberato foi vítima de um acidente fatal ao cair de uma altura de 4 metros quando fazia reparo no ar-condicionado no sótão de sua mansão de 629 metros quadrados em Orlando.

(Seis quartos, sete banheiros e uma área externa descrita no site realtor como um “oásis particular com uma encantadora piscina de água salgada, equipada com spa, cozinha e uma lareira a gás”).

Por razões óbvias, seu passamento teve muito mais repercussão que o do outro.

Mas sua “obra” está sendo festejada.

Segundo a Folha, ele é “dono de uma das trajetórias mais brilhantes da TV brasileira”. 

O El Pais o descreve como alguém que “mudou a TV”.

Um vice-presidente da CNN Brasil citado pelo jornal o classifica como “bom entrevistador porque ouvia atentamente o que o entrevistado dizia e não se desconcentrava pensando na próxima pergunta”.

“Tinha uma curiosidade genuína, mas não agressiva. Era educado, polido, sutil”.

Ora.

Cria de Silvio Santos, eterna cara de menino, Gugu ficou notório com um atração chamada Domingo Legal, um vale tudo ordinário no SBT.

Na guerra pela audiência, criou um pornô soft numa banheira, entrevistava assassinos famosos, cobriu a “exumação” do cadáver de Dercy Gonçalves.

O ponto mais baixo foi a farsa do PCC em 2003, quando dois “membros” da quadrilha falaram ao programa.

Os picaretas encapuzados receberam 500 reais cada um para mentir diante do apresentador, que fingia surpresa.

Um antecessor das fake news de massa.

Gugu nunca admitiu ter conhecimento da fraude. Cascata completa que ele jamais reconheceu.

Sua morte aos 60 é uma tragédia, claro.

Mas seu legado foi contribuir com mais lixo para o monturo da televisão aberta brasileira. Gugu não foi visto, em décadas, indicando um mísero livro.

Henry Sobel será velado nos EUA numa cerimônia discreta.

Gugu Liberato, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Doria decretou três dias de luto em sua memória.

Sobel não teve perdão. Gugu nunca precisou pedir.

sábado, 2 de novembro de 2019

Leda Nagle é especialista em envernizar fascistas

Como seu primo Gabeira, Leda Nagle é expert em envernizar fascistas

Por Kiko Nogueira

Leda Nagle é prima de Fernando Gabeira e tem com ele, em comum, a vontade de normalizar monstros.

Foi no canal dela no YouTube que Eduardo defendeu “um novo AI-5″ se a esquerda no Brasil “radicalizar”.

Aos 68 anos, Leda tinha 17 anos quando a ditadura entrou em seu período mais sombrio e criminoso.

Não que precisasse estar vivo então: basta não ser um ignorante contumaz ou tomar água da privada para saber do que se tratou.

Leda ouviu essa barbaridade como se Eduardo estivesse dando uma receita de bolo porque essa é sua especialidade: fazer de conta que está tudo bem no Brasil dessa corja.

Ela admite a influência de Gabeira em sua carreira.

O ex-guerrilheiro, ex-deputado, hoje patrono do isentismo, eco-direitista, tem no grupo Globo uma coluna no jornal e um programa de televisão que ninguém vê.

Patrocinador da Lava Jato, dedicou dezenas de artigos à turma, invariavelmente encomiásticos.

Foi mestre de cerimônias do lançamento do livro de Dallagnol sobre as “10 medidas” numa feira, puxando o saco do procurador de maneira asquerosa.

Em 2016, assinou o prefácio do best seller de Vladimir Netto, repórter do Jornal Nacional e filho de Míriam Leitão, sobre Moro e cia.

O então juiz tinha “o grande conhecimento técnico, as perguntas meticulosas, as sentenças fundamentadas e a coragem de enfrentar a pressão dos advogados mais bem pagos do país”.

Na campanha, elogiou Bolsonaro como “uma forma de virar a mesa”, entre outros eufemismos, e ganhou de volta um “abraço hétero”.

Depois da revelação dos diálogos do Intercept, acusou os ministros do Supremo de “lobos” querendo “devorar” a operação.

Leda passou pela Globo, Manchete, SBT e TV Brasil antes de investir no YouTube.

Esteve com a fina flor do fascismo nacional, sempre ouvindo o mais puro lixo extremista com aquele sorriso maternal.

O bolsonarismo em peso já tomou um chazinho com ela: Carlos, Eduardo, Flávio, além do colunista bolsominion da Jovem Pan Caio Coppola, do jurista lavajatista Modesto Carvalhosa e do ex-roqueiro Roger, escada de Danilo Gentili.

Leda, como Gabeira, se sente em casa com todos eles. É como estar no sítio da vovó no Reich.

A famosa tanga que Gabeira usou na praia quando voltou do exílio em 1979 era de Leda.

Envelheceu melhor que os dois.
Gabeira em 1979 com a tanga da prima Leda Nagle

domingo, 8 de setembro de 2019

Dallagnol chamava Lula de “9”, o tipo de piada que os nazistas adoravam

Pregando a palavra do Führer

Dallagnol chamava Lula de “9”, o tipo de piada que os nazistas adoravam: schadenfreude

Por Kiko Nogueira

O novo capítulo da Vaza Jato, sobre a manipulação dos grampos de Lula, mostra mais um traço do caráter de Deltan Dallagnol e sua turma.

A certa altura, ele escreve o seguinte ao então delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula:

Igor, consegue pra mim Cd ou DVD com todos os áudios do 9 e a análise dos que tiver? Estou sem nada para ouvir no carro rsrsr 
Igor: Sim… amanhã, ok!?

“9″ era uma referência aos nove dedos de Lula, vítima de um acidente com o torno.

Dallagnol não tirou esse escárnio da Bíblia que diz seguir como cidadão de bem, temente a Deus etc e tal.

Ali tem de tudo, ok, mas não há nenhum versículo mandando tripudiar sobre o defeito físico de ninguém. 

Por outro lado, esse “humor” era bastante comum entre os nazistas e suas vítimas.

A entrada dos campos de concentração continham a inscrição “Arbeit macht frei” — “o trabalho liberta”, em alemão.

Judeus com habilidades em metalurgia eram incumbidos instalar a placa com uma mensagem evidentemente maldosa e falsa.

Esse tipo de piada se chama “schadenfreude”, expressão da língua alemã que designa a alegria ou o prazer diante do infortúnio alheio.

Isso não é, como gosta Dallagnol, uma filigrana.

Isso é um jeito de encarar o mundo.


Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Se Michelle Bolsonaro abandonou avó e mãe por ser bandidas, por que topou cheque de Queiroz?


Kiko Nogueira

Jabuti não sobe em árvore. Se subiu, alguém colocou lá.

A Veja e o Metrópoles vieram com a mesma matéria sobre a família de bandidos de Michelle Bolsonaro.

Foi plantada? Eu aposto que sim. E você?

Resumindo, a primeira dama trata mãe e avó como lixo porque elas não prestam.

Dona Aparecida, de 79 anos, abandonada num corredor de hospital, foi presa por tráfico de drogas.

Diz a Veja:

Na penitenciária feminina do Gama, onde foi cumprir a pena, Maria Aparecida mostrou que os seus princípios não estavam tão renovados assim. Em maio de 1999, quando já estava presa havia um ano e oito meses, tentou subornar um agente, oferecendo-­lhe dinheiro para que a levasse até sua casa.

O plano era o seguinte: ela fingiria que estava doente, a direção do presídio autorizaria sua ida a um hospital e, no caminho, a guarda desviaria a rota, permitindo que Maria Aparecida fizesse uma visita à família.

Por causa dessa infração, ela ficou na solitária e teve os benefícios de progressão de pena suspensos — e só deixou a penitenciária, em liberdade condicional, em agosto de 1999, depois de cumprir dois anos e dois meses de cadeia. Sua punição foi oficialmente considerada extinta em 2000.

Em outras palavras, uma pilantra completa, reincidente e sem salvação.

A mãe de Michelle, por sua vez, falsificava documentos.

No Metrópoles saiu a folha corrida do resto da turma:

Um dos irmãos de sua mãe foi condenado por estupro, em 2018, a 14 anos de prisão. O outro encontra-se preso preventivamente por suposto envolvimento com a milícia.

Foram duas sobrinhas do tio de Michelle que o denunciaram por estupro sofrido quando ainda eram crianças. Em 2015, o avô materno da primeira-dama morreu assassinado de forma brutal, fato que os investigadores concluíram ter sido latrocínio.

De acordo com a Veja, “entende-se a distância que a primeira-dama, tão ciosa de sua imagem e preocupada com causas sociais, impôs aos enrolados membros de sua família”.

Ora.

Ninguém é obrigado a conviver com alguém do mesmo sobrenome, especialmente com problemas na Justiça.

Mas por que, ao invés de atirar às traças, ela não tentou acolher e tirar do crime pelo menos a avó?

Jesus não salva? Ou o pastor manda esquecer?

Um tio miliciano estava na posse. Ele podia? Por quê?

A verdadeira pergunta é: com esse background, como é que Michelle se casa com um sujeito historicamente ligado às milícias?

Com esse background, por que aceitou os dez cheques de Queiroz na sua conta?

O resto é conversa para boi dormir. Plantada.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A defesa abjeta da Lava Jato feita por Barroso na Globo é o túmulo da Justiça

Abjeto

Por Kiko Nogueira

A Globo contará sempre com uma cota de ministros no STF disposta a abraçar suas teses.

Ali estará, impávido e infalível como Elton John, com seus anéis (para que tantos, Jesus?), as bochechas rosadas e as gravatas cor-de rosa, acaciano, Luiz Roberto Barroso.

Entrevistado pela serviçal Andréia Sadi, da GloboNews, a respeito do escândalo da Lava Jato, Barroso enxerga uma “euforia de corruptos”.

Fez um longo preâmbulo sobre a necessidade do juiz falar “ao final da apuração dos fatos”.

“O que é certo é certo, o que é errado é errado”, diz, iluminado.

“Não é hora de formar juízos sobre isso, ainda”.

Esse blablablá, contudo, não o impediu de dar sua sentença.

“Eu até tenho dificuldade de entender um pouco essa euforia que há em torno disso se houve algo pontualmente errado aqui ou ali”, diz.

Algo pontualmente errado?? Vale tudo, então? Os fins justificam os meios?

Milhares de brasileiros que vibraram com a confirmação de suas suspeitas sobre a República de Curitiba são ladrões, portanto, segundo Barroso.

“Não há nada a celebrar”, afirma.

“A única coisa que se sabe ao certo, até agora, é que as conversas foram obtidas mediante ação criminosa. E é preciso ter cuidado para que o crime não compense”.

O crime não compensa: isso é o melhor que um magistrado da mais alta corte do país consegue produzir de reflexão.

Barroso se refere a um hackeamento que, para todos os efeitos, foi desmentido pelo Telegram.

Globo, o Antagonista e outros estão se vacinando diante do que o site de Glenn Greenwald deve mostrar sobre eles.

O lamaçal vai respingar no TRF 4 e no Supremo.

Estará Barroso no meio da festa? 

terça-feira, 11 de junho de 2019

Tchau, querido!


Tchau, querido: como Joaquim Barbosa, Moro está sendo cuspido por quem o tornou ‘herói’


Moro está a caminho de voltar a ser o personagem menor que sempre foi, um cunhado de Nelson Rodrigues.

Vai sendo fritado por Jair Bolsonaro, que não se manifestou publicamente sobre o escândalo da Lava Jato e declarou um apoio envergonhado.

Bolsonaro sabe que o ministro tem um projeto de poder próprio.

Cauteloso, não sabe o que virá por aí nos vazamentos do Intercept envolvendo a nomeação do ex-juiz para o governo.

Mas é a mídia que construiu Moro que o está rifando de maneira inclemente.

A Globo ensaia uma defesa da dupla Moro e Dallagnol, mas os fatos teimam em contradizê-la. O apoio vai até a página 2. 

O Estadão, em editorial, afirma que “não foram poucas as vezes em que as suspeitas levantadas pela Lava Jato custaram o cargo a ministros de Estado, incapazes de se explicar”.

Mais: “Se Sergio Moro continuar a dizer que é normal o que evidentemente não é, sua permanência no governo vai se tornar insustentável”.

A Folha é mais dura: “Mensagens oriundas de ato ilícito mostram comportamento às raias da promiscuidade”.

“Não é forçando limites da lei que se debela a corrupção. Quando o devido processo não é estritamente seguido, só a delinquência vence”, crava.

Cedo ou tarde, Sergio Moro teria de acordar para o fato de que sua glória era passageira e que ele, assim que deixasse de ser útil, seria descartado por aqueles que o inventaram.

Vide Joaquim Barbosa.

Onde está “o menino pobre que mudou o Brasil”?

Aposentado, deu uma ou outra cacetada no PSDB, criticou o impeachment de Dilma, ensaiou uma candidatura a presidente e então desapareceu na noite.

O sistema que insuflou seu ego e lhe deu asas fez o mesmo com Moro.

O sujeito acreditou no papel que o establishment lhe deu e tentou voar até o sol.

As asas do ícaro maringaense queimaram.

Se fosse inteligente, mais do que ambicioso, teria olhado para a foto de JB e enxergado a si mesmo.

Inteligência, porém, não é o forte do Conje. Esperteza, sim. Quando se viu entregue a si mesmo, virou um ministro constrangedor.

Agora ele precisa vazar — para que entre outro em seu lugar.

Pobre do país que precisa desse tipo de heróis


Kiko Nogueira

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Napoleão fuzilaria Bolsonaro

O desgoverno Bolsonaro e o tratamento de Napoleão aos ignorantes com iniciativa. 
Por Kiko Nogueira
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Um dia Napoleão explicou a um amigo que havia quatro tipos de soldados.

“Os primeiros são os burros sem iniciativa. Esses eu coloco na infantaria. Há também os inteligentes com iniciativa. Esses são meus marechais de campo. O terceiro tipo são os inteligentes sem iniciativa. Esses eu transformo em generais”, disse.

O interlocutor, então, notou que faltava um grupo. “E os ignorantes com iniciativa?”, quis saber.

Napoleão respondeu sem pestanejar: “Esses eu fuzilo”.

Por onde começaria o Corso no desgoverno Bolsonaro?

Movido por entusiasmo, inépcia e estultice em iguais medidas, um bando despreparado e sem noção vive de dar caneladas a esmo, inclusive e principalmente uns nos outros.

Em seu mísero quarto dia como presidente, Jair foi desmentido e desautorizado por dois integrantes de sua equipe com relação ao decreto para aumentar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Primeiro foi Marcos Cintra, Secretário da Receita, depois Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil, que afirmou que o chefe “se equivocou”.

Nunca antes na história desse país governantes produziram tantas declarações desastradas em tão pouco tempo.

Damares Alves e sua doutrinação jumento-evangélica, os três patetas dos filhos agredindo quem não deixa eles brincarem, o chanceler anão e seus delírios de grandeza, Olavo de Carvalho, o guru do cupiroquismo, o general Heleno, o colega Mourão…

A anarquia do final da ditadura militar retorna como farsa.

Para coroar a cacofonia, Bolsonaro anuncia o novo slogan: “Pátria Amada Brasil”.

Nunca Samuel Johnson foi tão adequado: “O patriotismo é o último refúgio do canalha”.

Napoleão não teria balas suficientes na baderna entusiástica de Bolsonaro.

E teria que começar, obviamente, pelo aparvalhado capitão da banda.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Damares é a alma da idiocracia bolsonarista


A ignorância e a má fé de Damares na Globo News: a glória da idiocracia bolsonarista
Publicado por Kiko Nogueira

“Idiocracia” é uma comédia americana despretensiosa que serve como tradução do culto do imbecilismo no Brasil.

Joe Bauer (Luke Wilson) é um bibliotecário do Exército meio burro, escolhido para participar de um projeto científico com uma prostituta chamada Rita (Maya Rudolph).

Eles acordam de um congelamento 50 anos depois. A raça humana passou por processo de derretimento das capacidades cognitivas e intelectuais.

Joe e Rita viram luminares num planeta em que todos consideram a atividade de pensar algo para “bichas”.

O presidente, Camacho (Terry Crews), é um idiota exibicionista. Joe, nesse cenário, acaba sucedendo-o e é aclamado como o homem mais sábio da Terra.

Me lembrei do filme ao assistir a entrevista de Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, na GloboNews.

Perto de Damares somos todos gênios. Até Merval Pereira. Até o Gerson Camarotti.

Damares não junta lé com cré. Ela tem um arsenal de indigência mental inesgotável.

As maiores sandices são proferidas com a veemência de uma pastora que viu Jesus num pé de goiaba.

“Temos 20% dos jovens que já se auto mutilaram”; “É preciso fazer uma revolução cultural no país”; “Podemos chamar menina de princesa, menino de príncipe, e isso não causará nenhum problema às crianças”.

Confundiu a Comissão da Verdade, encerrada em 2014, com a Comissão de Anistia, que passará a integrar seu ministério.

Avisou que vai rever as indenizações a vítimas da ditadura.

Não sabe a diferença entre o Enem e o Sisu.

O primeiro mede o conhecimento dos estudantes e o segundo permite que, com base nas notas do exame, eles disputem vagas em universidades de outros estados.

E dá-lhe cacetadas na ideologia de gênero, uma coisa que ninguém consegue entender e ela não consegue explicar, mas que tem que ser combatida.

Damares é a cara da república dos néscios do governo Bolsonaro. 

Cada asneira que ela profere causa estrago grande porque os porcos chafurdam nela.

Damares defende um tipo de “família” enquanto destrói outras que não se enquadram em sua visão tacanha de mundo.

É engano subestimá-la ou achar que o que ela diz é “cortina de fumaça”.

Damares está falando seríssimo. Ela é a alma da idiocracia.

“Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa”, disse Martin Luther King.