quinta-feira, 4 de abril de 2019

Escadas da sabedoria


PSL quer proibir debate na UFRJ por ter o escopo de "defenestrar a pessoa do Presidente da República"



O Globo 
Em ofício, PSL exige à UFRJ que cancele debate com presença de Marcelo Freixo.  
O diretório do partido em Niterói afirmou que o evento "toma relevo de ilegalidade" por ter o escopo de "defenestrar a pessoa do Presidente da República".


DEFENESTRAÇÃO 
Luís Fernando Veríssimo


"Certas palavras tem o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A falácia Amazônica . A misteriosa falácia Negra.

Hermeneutas deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.

 — Os hermeneutas estão chegando!

— Lh, agora é que ninguém vai entender mais nada...

Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisa recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.

— Alô...

— O que é que você quer dizer com isso?...


Traquinagem devia ser uma peça mecânica.

— Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.


Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água

Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.

A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:

— Defenestras?

A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas...Ah, algumas defenestravam.

Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria assim defenestradores profissionais.

Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma ou outra vez, como em:

— Aquele é um defenestrado.

Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada era a palavra exata.

Um dia finalmente procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês defenestration. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo pela janela.

Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?

Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.

— Les defenestrations. Devem ser proibidas.

— Sim, monsieur le ministre.

— São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.

— Sim, monsieur le ministre.

— Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: interdit de defenestrer. Os transgressores serão multados.. Os reincidentes serão presos.

Na bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.


Luís Fernando Veríssimo. O Analista de Bagé. 6ª ed. Porto Alegre.L&PM ed. 1981. p. 29-31


Gleisi acusa a operação Lava Jato de quatro crimes e pede prisão de Moro e Dallagnol



Em plenário, Gleisi acusa a operação Lava Jato de quatro crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa por entregar o Brasil aos EUA e receber recursos para isso. Defendeu Lula e a Soberania do Brasil.

Gleisi Lula Hoffmann

Tchutchuca is the new Ipiranga


Um desgoverno em perdigotos...



100 dias de inoperância


Valor Econômico - Maria Cristina Fernandes

O governo Jair Bolsonaro completa 100 dias em 10 de abril. Com o jogo em curso, já no dia 23 de janeiro, divulgou um conjunto de medidas denominado "Metas Nacionais Prioritárias - Agenda de 100 dias de Governo". Neste documento, listou as 35 ações que a gestão reputa prioritárias. Antes de deixar Jerusalém, o presidente da República disse que cumprirá 90% das metas, ainda que, para isso, esteja envelhecendo precocemente.

Dois experientes consultores de Brasília, Luiz Alberto dos Santos e Antonio Augusto de Queiroz, debruçaram-se sobre as metas, acompanharam decretos, portarias e projetos de lei desde a posse, e têm uma má notícia para o presidente. Se Bolsonaro envelhece mais rapidamente do que gostaria é mais pelo que deixa de fazer do que pelo que cumpriu até aqui. Das 35 metas, apenas sete foram integralmente cumpridas, dez estão em curso, uma foi parcialmente atingida e 17 estão pendentes. O cumprimento, radiografado pela Diálogo Institucional e Análise de Políticas Públicas, empresa dos consultores, é de 20%.

Não é um balanço tirado da cartola. O escopo e a atribuição de cada medida foram analisados separadamente, bem como os meios oferecidos para seu cumprimento. Nem o padrão Chicago implantado na Economia se mostrou eficiente. Das cinco medidas anunciadas no escopo do superministério, apenas uma foi cumprida, aquela que torna mais rígidas as condições para a autorização de novos concursos. Paradoxalmente, o decreto que condiciona os concursos à caneta do Ministério da Economia, isenta Polícia Federal, Advocacia-Geral da União, Itamaraty e universidades federais do aval.

O levantamento mostra que o ministro da Educação não é um ponto fora da curva. O padrão "lista de desejos", que desmoralizou Ricardo Vélez na comissão da Câmara contaminou o governo e dificulta o cumprimento das metas. Entre as 35, anunciou-se, por exemplo, a "intensificação do processo de inserção econômica internacional". Não se listaram medidas fiscais ou de desburocratização nesse sentido. No limite, a viagem aos EUA o governo brasileiro colaborou com a inserção internacional dos exportadores americanos de trigo e de carne suína.

Na linha "lista de desejos" das metas do governo Bolsonaro está, por exemplo, uma medida do Banco Central completamente inexequível para 100 dias, a independência do Banco Central. A mudança, que tem sido debatida há décadas no Congresso, teria que ser proposta por emenda constitucional. O presidente do BC já se manifestou favoravelmente à medida, mas se desconhece qualquer minuta de proposta.

Entre as sete medidas cumpridas, as de efeito imediato são a garantia de continuidade de acesso de milhões de produtores a políticas de promoção da agricultura familiar, ampliado até 2021 por portaria; o decreto que facilita a posse de arma; e a retirada do padrão Mercosul do passaporte brasileiro com retomada do brasão da República.

Duas outras metas se dão por cumpridas porque se limitaram ao seu caráter propositivo, a apresentação de uma lei anticrime, já enviada ao Congresso, e o Plano Nacional para o Combate ao Lixo no Mar, publicado em portaria. Ambas as medidas, no entanto, têm execução duvidosa. A primeira, por enfrentar resistência no Congresso, e a segunda por não ter estimativa de custos ou prazos para implementação.

Das 35 metas anunciadas, governo cumpriu sete

Permanecem na condição de "pendentes", medidas como o leilão da cessão onerosa, que o governo tenta realizar sem aval parlamentar; e a abertura de cadastro de desempregados para empresas privadas, que já teve audiência pública, mas terá efeitos limitados visto que a ausência de vagas não se deve a este cadastro, mas ao desaquecimento da economia.

Das sete medidas cumpridas pelos 100 primeiros dias de Bolsonaro a mais robusta é a aquela que estabelece regras e critérios para a nomeação de cargos de confiança no governo federal. A medida, elaborada contra o loteamento político dos cargos públicos, foi alvo de um decreto no dia 18 de março que aplica a Lei da Ficha Limpa para a nomeação de cargos e fixa requisitos de qualificação. Paradoxalmente, a medida é também aquela que ameaça o cumprimento da mais ambiciosa e imediata missão deste governo, a reforma da Previdência. Não por acaso, a mudança no sistema previdenciário está ausente das metas dos 100 dias.

A inoperância parlamentar não atinge apenas a Previdência. A primeira ação do governo, a medida provisória que criou os superministérios e foi editada no segundo dia do governo, ainda hoje não foi votada. Por inconstitucional, a medida que, a pretexto de reestruturar a gestão Michel Temer, deu status de ministro para Moreira Franco, caiu. Com isso, se Bolsonaro não aprovar sua MP, terá que governar com a estrutura ministerial da gestão Dilma Rousseff. À ficha corrida do coronel Brilhante Ustra, se acrescentaria o atributo de pé frio.

Veja a íntegra do balanço aqui Agenda de 100 Dias de Governo

Pinta de candidato

Com o dedo apontado para os deputados da CCJ, o ministro da Economia bradou: "Vocês estão há quatro mandatos no poder. Por que não votaram o imposto sobre dividendos? Por que deram benefício para bilionário? Por que deram dinheiro para a JBS? Por que deram dinheiro para o BNDES?". Paulo Guedes tem razão. O discurso é bom, mas para quem tenta a sorte nas urnas e não a maioria constitucional no plenário.

Os três tchutchucos


Tudo pela morte

Extinguir a vigilância eletrônica que reprime acidentes é agir contra a vida
Janio de Freitas

As asnices oficiais, a um só tempo tristes e anedóticas, juntam-se ao blá-blá-blá sobre a Previdência e formam uma névoa que encobre certos atos de irresponsabilidade ou de má-fé no governo. Até mesmo com grande potencial de ameaça à vida.

Embora em Israel, Jair Bolsonaro propalou um exemplo desses atos, cuja alucinação é comprovável em números captados por meio eletrônico. Pela internet, interrompeu a participação na campanha eleitoral da direita radical israelense e comunicou o fim, à medida que acabem os contratos, da vigilância eletrônica das velocidades em rodovias federais —as lombadas eletrônicas ou radares fixos.

Não teve cerimônia em expor seu raciocínio: "É quase impossível você viajar sem receber uma multa". Culpa dos radares. Não lhe ocorreu que multas respondem ao abuso de quem dirige, e não do radar. Do próprio Bolsonaro, pois, nas idas dos fins de semana em Angra dos Reis. Onde, por sinal, o ímpeto desordeiro submeteu-o a outro tipo de multa, por invadir estação ecológica vedada à presença humana, por uso de motor de popa e pesca proibida na área. O fiscal do Ibama que o multou foi demitido há dias.

A eficiência dos radares está comprovada pela redução de mortes nas estradas que os têm. E ainda pelo aumento de 50% dos registros de infração em 2017-18. Extinguir a vigilância eletrônica que reprime a provocação de mortes, portanto, é agir contra a vida. Coerente em governo que promove o uso de armas, porém mais uma atitude contrária ao povo desprovido de governo.

Bolsonaro armou-se também de um argumento ao gosto popular: "Por que queremos acabar com isso? É a indústria da multa, é para meter a mão no seu bolso, nada além disso". É ainda a campanha da mentira. O pagamento das multas é recolhido pelo governo, sem participação das concessionárias.

Não é diferente, senão na forma, a providência de Sergio Moro como ministro da Justiça: uma comissão especial para estudar os tributos incidentes sobre os cigarros. Bem entendido, para a possibilidade de que o ministro sugira a redução. Em toda parte, mesmo no Brasil e apesar da força dos fabricantes e da publicidade, há sempre mais medidas para reduzir o consumo de tabaco, em especial o do cigarro. Apesar da astronômica arrecadação que a indústria cigarreira representa para os governos, a luta da medicina se impôs contra essa causa de doenças horríveis e mortes prematuras. É uma vitória de alcance mundial.

O ministro da Justiça nada tem a ver com tributos. O pretexto é o contrabando de cigarro paraguaio, que, na verdade, nem sempre é paraguaio: é brasileiro mesmo, dá umas voltinhas e figura como estrangeiro contrabandeado. Contrabando é reprimível com ação policial eficaz, cuja responsabilidade, no caso, é do ministro da Justiça interessado em tributos que baixem o preço do cigarro brasileiro.

Cigarro mais barato é estímulo a consumo maior. No mínimo, à contenção da constante queda. Logo, é um modo de disseminar doenças e mortes em maior número, sobretudo entre jovens e os mais pobres, uns e outros com menos dinheiro disponível. Missão injustificável que Sergio Moro se atribuiu. Ou aceitou. Em favor da única indústria que tem um lobby equivalente ao das armas, se não mais forte.

Jornalismo tchutchuca

Luis Felipe Miguel

Colunista da Folha descreve o vexame de Paulo Guedes na Câmara. Como no restante da cobertura da grande imprensa, a responsabilidade é atribuída aos deputados governistas, que não se mobilizaram para proteger o ministro. No meio do caminho, chama os discursos da oposição de "festival de bobagens", sem se preocupar em explicar o porquê, e classifica o deputado Zeca Dirceu de "um insensato", também de forma gratuita.

A performance de Guedes apenas confirma que é impossível sustentar a reforma da Previdência com argumentos em um debate aberto. Mas o jornalismo tchutchuca continua a postos, fazendo de tudo para bloquear esse debate.

Cem dias de aflição


Monica de Bolle

Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva 
Arnaldo Antunes

Esperança? Desespero? Raiva? Indignação? Orgulho? Agonia? Meu sentimento é a aflição nestes 100 dias transcorridos desde a posse de Bolsonaro. Aflição por um país que permanece sem rumo, por um país que se deixou levar pela fúria constante das redes, pelas brigas, pela incivilidade, pela barbárie. Aflição por um país que elegeu um presidente da República que nada conhece além do confronto, pouco importa quem seja o alvo: jornalistas, intelectuais, congressistas, gente comum.

Seguidores fiéis imitam o comportamento vulgar e os gestos ofensivos. Nestes 100 dias de governo, Bolsonaro mostrou que sua ignomínia não tem limites, o que deveria ser causa de profunda aflição e angústia para quem realmente se ocupa de preocupar-se com o Brasil.

Nestes 100 dias de governo, Bolsonaro viajou para os Estados Unidos e ajoelhou-se perante Trump. Nestes 100 dias de governo, Bolsonaro viajou para o Chile e insultou as autoridades do país com seus comentários sobre a ditadura de Pinochet. Nestes 100 dias de governo, Bolsonaro foi a Israel e disse a todos que o nazismo é de esquerda, imitando seu vergonhoso ministro das Relações Exteriores, para o profundo constrangimento internacional do país. Nenhuma dessas viagens trouxe qualquer ganho econômico para o Brasil ou mesmo alguma melhoria da imagem do país, a percepção de que há rumo bem traçado para os próximos anos. Nos últimos 100 dias, Bolsonaro permitiu que o Palácio do Planalto divulgasse vídeo abjeto e revisionista sobre a ditadura militar e sobre o golpe de 1964. Os macacos de auditório do Twitter — não tão numerosos, mas bastante barulhentos — rapidamente repercutiram a estupidez e a inominável ofensa às vítimas da opressão que o Brasil jamais condenou como fizeram outros países latino-americanos.

Nestes 100 dias de governo, Bolsonaro questionou as estatísticas de desemprego como um liderzinho qualquer. Curioso será se resolver questionar o déficit da Previdência.

Nestes 100 dias de governo, Bolsonaro nomeou um ministro despreparado para uma das pastas mais importantes do governo, a da Educação. Não é mistério para ninguém que o país padece quando o assunto é educação. A dificuldade do próprio presidente da República com as palavras é exemplo de nossas falências. O ministro despreparado foi corajosamente enquadrado pela jovem deputada de 25 anos, Tabata Amaral, formada em astrofísica e ciências políticas pela Universidade Harvard. Amaral foi o bálsamo para a aflição destes 100 dias, deixando entrever um pouquinho de esperança. A outra ministra despreparada, Damares Azul-Rosa Alves, não merece mais do que essa frase.

Nestes 100 dias de governo, Bolsonaro brigou com congressistas de seu próprio partido, de outros partidos, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Foi por ele repreendido algumas vezes ao não entender que o Congresso é poder democrático independente tão relevante quanto o Executivo — mas fora Bolsonaro quem elogiara Fujimori por ter o presidente peruano fechado o Congresso em 1992, inaugurando o autogolpe. Portanto, de democracia nada entende. Ao instalar o caos nas relações entre o Congresso e o Executivo, ao deixar ressabiados os parlamentares com quem terá de negociar a reforma da Previdência, fez de seu ministro da Economia o Sísifo tupiniquim. Guedes foi encarregado de empurrar as rochas da reforma ladeira acima, mas Bolsonaro haverá de assegurar que voltem ladeira abaixo, já que não entende que só ele pode respaldar politicamente o que muitos esperavam que fosse o principal feito de seu governo. E, mesmo que depois de tudo isso consiga aprovar a reforma da Previdência, restará fazer todo o resto para tirar 13,1 milhões de pessoas do desemprego, para melhorar a segurança do país, para socorrer os estados quebrados, para uma lista infindável de prioridades perdidas na balbúrdia dos 100 dias.

Nestes 100 dias, inflou-se a ideia de que basta a reforma da Previdência para o país voltar a crescer. Mas a Previdência é um ajuste fiscal e, como ajuste fiscal, contracionista no curto prazo. Essa verdade inconveniente e aflitiva está perdida em meio ao pensamento mágico das expectativas que empurrariam a economia.

Cem dias. Sem nada. Socorro, alguma alma, mesmo que penada, me empreste suas penas.


Monica de Bolle é diretora de estudos latino-americanos e mercados emergentes da Johns Hopkins University e pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics

O que é possível fazer em 100 dias de governo


Helio Gurovitz

Candidato à Presidência, ele escapou de um atentado na campanha eleitoral para obter uma vitória consagradora nas urnas. Num momento de crise econômica sem paralelo, era considerado analfabeto no assunto, incapaz de passar por qualquer prova de economia elementar. Confiou naqueles que escolheu para o governo e, em 100 dias, mudou a história do país. Seu nome? Franklin Delano Roosevelt, o 32º presidente americano. Tomou posse em 4 de março de 1933 com os Estados Unidos à beira da convulsão. Desde o crash de 1929, a Bolsa desabara 85%. A produção industrial estava virtualmente parada. Montadoras funcionavam a 20% da capacidade, siderúrgicas a 12%. As receitas agrícolas haviam caído dois terços. Corridas bancárias eram corriqueiras, quase 5 mil bancos haviam falido. Entre um quarto e um terço da força de trabalho não tinha emprego. Havia 1.000 despejos por dia. Quem não tinha onde morar dormia em parques, debaixo de pontes, em carros abandonados, até em carcaça de piano — sobretudo nas favelas de madeira e papelão conhecidas como “Hoovervilles”, ironia com o presidente derrotado na eleição. O clima de revolta popular assustava. Mesmo moderados insistiam que Roosevelt invocasse “poderes ditatoriais” diante da calamidade.

Nada disso aconteceu.
“Em 100 dias, Roosevelt aprovou 15 leis relevantes, deu 30 entrevistas coletivas e adotou a nova tecnologia de comunicação, o rádio, para duas ‘conversas ao pé da lareira’, falando direto ao cidadão”
“Nenhuma administração presidencial fez tanto em tão pouco tempo”, diz o jornalista e historiador Adam Cohen em Nothing to fear (Nada a temer). Por meio da história dos cinco principais assessores, cérebros do New Deal, Cohen mostra como e por que os 100 primeiros dias de Roosevelt — repletos de acertos, erros e conflitos — se tornaram exemplo para todo governante.

No domingo, dia seguinte à posse, Roosevelt decide decretar feriado bancário por quatro dias e convocar o Congresso para uma sessão extraordinária. Dá sua primeira coletiva na quarta-feira. Na quinta, encaminha aos parlamentares uma lei emergencial que permite fechar os bancos insolventes e imprimir dinheiro para salvar os demais. No mesmo dia, é aprovada na Câmara e no Senado. Nove horas depois de enviada, é sancionada. No dia seguinte, sexta-feira, Roosevelt envia outra lei, com cortes de US$ 500 milhões em gastos públicos (15% do Orçamento), em especial benefícios a veteranos de guerra (25% das despesas) e 15% dos salários federais. No domingo, fala à nação na primeira “conversa ao pé da lareira”. Na segunda-feira, os bancos reabrem sem corrida nem necessidade de imprimir dinheiro. Na terça, o Senado aprova os cortes. A Bolsa de Valores, reaberta, sobe 15%.

O ritmo frenético não arrefece nas semanas seguintes. A nova lei agrícola permite ao governo pagar pela redução da produção rural e segurar os preços. Aprovada na Câmara, empaca no Senado até que Roosevelt cede à pressão e decide abandonar o padrão-ouro. Sanciona a exploração e a distribuição de eletricidade pelo governo no Vale do Tennessee, o alívio nas hipotecas urbanas e rurais e a reforma nas regras para lançar papéis no mercado acionário. Obtém aprovação para destinar US$ 500 milhões ao primeiro programa federal de assistência social, para usar US$ 3,3 bilhões na criação de 1 milhão de empregos em obras públicas e para abrir 250 mil vagas no plantio de árvores em florestas e parques nacionais (havia 15 milhões de desempregados). Novas leis impuseram limites às jornadas laborais, vetaram o trabalho infantil e garantiram direitos sindicais. Também criaram um mecanismo por meio do qual o governo ajudava indústrias em crise. Nem todas as medidas sobreviveriam às pressões ou à Suprema Corte. Nem todas deixariam um legado positivo. Mas elas mudaram o país. Aqueles 100 dias resgataram a democracia americana ao promover, nas palavras do próprio Roosevelt, “uma revolução — do tipo certo, o único tipo de revolução que esta nação pode defender —, uma revolução pelas urnas”.

NOTHING TO FEAR 

Adam Cohen, Penguin Books

2009 | 404 páginas | US$ 17

Helio Gurovitz é jornalista e blogueiro do portal G1

O que é o fascismo


Relembrando traços que Leandro Konder identifica para conceituar o fascismo: faz parte de uma direita pragmática, radical, defensora de lucro privado, mistificadora, repressora, reacionária, conservadora, imune a teorias capazes de criticar a prática política.

A esses atributos, acrescenta a cereja do bolo, o valor supremo, o seu mito: a pátria. Escreveu Mussolini em Opera Omnia: "Criamos o nosso mito. O mito é uma fé, é uma paixão. Não é preciso que seja uma realidade. O nosso mito é a nação, o nosso mito é a grandeza da nação".

No pós-guerra, Mussolini assume um discurso de que só havia uma luta na Itália, a luta entre a nação e a antinação. "Processava-se uma absorção do social pelo nacional", anota Leandro Konder.

"A fórmula veio a se tornar um dos princípios básicos do fascismo e logo adquiriu notável influência internacional. Hitler adotou-a e radicalizou-a, sustentando, já em 1922, que nacional e social eram conceitos idênticos".

"Apesar de sua fragilidade intrínseca, o mito fascista da nação mostrou-se eficiente. Brandindo-o exaltadamente, ele conseguiu recrutar adeptos em todas as classes sociais, inclusive nas que nada teriam a lucrar com a sua política".

Cesar Maccedo

quarta-feira, 3 de abril de 2019

"Nós não vamos morrer em campos de concentração pelo seu direito de ser nazista"


Enquanto isso, na Suécia:

"Nós não vamos morrer em campos de concentração pelo seu direito de ser nazista. Antifascismo é autodefesa."

Paulo Jegues é massacrado na Câmara

Alberto C. Almeida
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 Muita gente que vem dizendo que a oposição está perdida ou não existe deveria ter visto, ou deve assistir, o massacre que Paulo Guedes está sofrendo na CCJ da Câmara. A oposição existe, e muito bem articulada e preparado. Hoje foi apenas uma oportunidade midiática de aparecer.

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Paulo Guedes tem a cara de pau de dizer que a capitalização será opcional. Ora, se os patrões não vão contribuir, qual será a "opção" que os trabalhadores terão na hora de assinar o contrato. Quer enganar o povo na cara dura.

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Paulo Guedes não veio à CCJ da Câmara defender a sua proposta que enterra a previdência social e o direito à aposentadoria do povo brasileiro. Ele veio provocar e bater boca com os deputados. Não vamos aceitar calados suas mentiras.

Bohn Gass
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Paulo Guedes diz que a capitalização será opcional. Ora, se o empregado for para a capitalização, o patrão não precisa contribuir. Alguém aí acha que algum patrão vai contratar alguém que queira ficar na Previdência Pública? Guedes dá show na CCJ. Show de cinismo!!!

Maria do Rosário
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Paulo Guedes disse q idosos são um "peso" para o Brasil. Não é verdade. Guedes e o governo nada fazem contra os grandes devedores e sonegadores do país. Preferem atacar os mais pobres e idosos. Esta reforma é inconstitucional e perversa.

Erika Kokay
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Guedes veio à CCJ da Câmara para bater boca com parlamentares e fazer proselitismo do ultra-liberalismo econômico. O ministro não responde nada que os parlamentares estão perguntando.

No modelo de capitalização da Previdência, ao invés de você contribuir todos os meses para o INSS, você vai pagar, sozinho, a aposentadoria privada para bancos ou fundos privados de previdência. Se o banco ou esses fundos falirem, você morrerá sem aposentadoria.

Memorial de Perus


General Mourão pede desculpas por imbecilidade de Bolsonaro


terça-feira, 2 de abril de 2019

A tortura no regime petista

Apoie o trabalho do Jota Camelo (clique no link):

É preciso investigar como Sérgio Moro, um analfabeto funcional, tornou-se juiz federal

Moro é um analfabeto funcional! Sua cultura é pouca, seu português é de um ignorante, sua oratória é risível. Moro é a prova cabal que os concursos públicos para a magistratura são suspeitos e precisam ser revistos, aliás, é preciso investigar como ele foi aprovado. Pega!

Adriano Argolo

O Conge de Massachus


Leandro Fortes

O CONGE DE MASSACHUS

Sérgio Moro tornou-se um meme progressivo porque chegou àquele momento em que, motivado a tirar as mãos do guidão da bicicleta, quedou-se esborrachado ao chão.

Não é um fato novo.

Antes dele, em uma escala experimental, outro juiz, Joaquim Barbosa, sentiu-se inflado dessa autoconfiança pertinente a essa magistratura capturada pela mídia.

A Barbosa, a revista Veja, em seu pior momento, deu uma capa ridiculamente laudatória, "O menino pobre que mudou o Brasil", e, a Rede Globo, um emprego para o filho do então ministro do STF, no staff de Luciano Huck, sem falar no prêmio "Faz diferença", em 2012.

Assim como Barbosa, Moro ganhou o mesmo "Faz diferença", em 2014, da Globo. Em comum aos dois, a ofensiva judiciária sobre o PT, o primeiro, relator do Mensalão; o segundo, executor da Lava Jato.

Barbosa tornou-se refém da própria vaidade e, desde que foi descartado, tenta uma carreira inútil de tuiteiro lacrador.

Moro cometeu o erro de abandonar o porto seguro da magistratura para tornar-se avalista de um governo desvairado, ligado às milícias do Rio, apenas pela promessa vã de ocupar, em dois anos, uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Esqueceu-se ou não deu a importância devida ao fato de que, fora da bolha do Judiciário, teria que se expor sem os recursos de photoshop e edição de vídeo. O resultado é esse que presenciamos, não sem algum espanto: um ministro frágil, de voz risível, incapaz de articular duas frases sem cometer erros crassos de português, vazio de ideias e doente de ambição.

Um conge que, ao que parece, esmera-se apenas em engordar.