sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Bolsonaro é um imitador de quinta categoria de Trump


Trump é de segunda; Bolsonaro, que o mimetiza, de quinta
Americano exerce a Presidência como um imperador
Kennedy Alencar

Washington

Nos discursos desta quinta nos quais atacou adversários políticos, o presidente Donald Trump também bateu duro em veículos de imprensa, seguindo a estratégia de tirar credibilidade do jornalismo para propagar sua meias-verdades. Ele governa como se fosse um imperador.

Com cores nazifascistas, como comentado ontem, Trump afirmou que seus adversários eram inimigos que desejavam destruir o país. Foi um discurso autoritário que sinaliza a disposição de levar a lógica da guerra para a campanha eleitoral.

Numa democracia, você aceita que seu adversário também deseja o bem do país, apesar de ter fórmula diferente para chegar a esse fim. Autocrata, Trump despreza a política.

Nesse sentido, ele é um político de segunda, e o presidente Jair Bolsonaro, que mimetiza o americano, é de quinta. Em poucas semanas vivendo nos EUA, nota-se que o bolsonarismo é uma cópia piorada do trumpismo.

As estratégias são as mesmas: fake news e ataques a jornalista e veículos nas redes sociais. Projetos e comportamentos são autoritários.

Nos EUA, boa parte da imprensa entendeu com todas as letras que deva falar o que Trump faz. Ele mente, ofende a religiosidade de opositores, manipula números da economia com meias-verdades, como o mérito do governo Obama nessa área.

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Culto partidário

Joe Walsh, ex-deputado por Illinois, retirou-se da disputa republicana por enxergar um “culto” a Trump no partido. Afirmou que estava difícil debater com a base do eleitorado republicano.

Isso é fato. Trump dominou o Partido Republicano e será indicado à reeleição por quase a unanimidade de sua base política. O outro oponente interno de Trump, o ex-governador de Massachusetts Bill Weld, permanece numa disputa partidária cujo desfecho já é sabido.

Ao votar o impeachment no Senado, os republicanos não admitiram novas provas ou novos testemunhos. Levaram em conta o que foi dito e apresentado na fase em que o processo tramitou na Câmara. Trump foi absolvido, como esperado, num julgamento que abre precedente perigoso. Será difícil impedir futuros presidentes se não foi feito nada contra o atual mandatário. As provas era, muito fortes. O impeachment morreu, mas o caso Ucrânia ainda não.

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Democratas divididos

A importância da eleição americana para o futuro da democracia mundial e a disputa do Partido Democrata pela indicação do candidato a presidente também foram temas do comentário no “Estúdio CBN”, que será feita às sextas às 15h50.

Um destaque ontem na CNN foi a declaração de amor que o democrata Pete Buttigieg fez para o seu marido, Chasten Buttigieg. Num país conservador governado por um presidente que se orgulha de sua masculinidade tóxica, foi um gesto muito significativo.

Ouçam abaixo:

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