sábado, 2 de fevereiro de 2019

Vamos falar seriamente do que ora acontece em nossos oceanos?

Prof Alexandre Costa

Dia de Iemanjá, vamos falar seriamente do que ora acontece em nossos oceanos?

1. Plástico: todo ano até 12,7 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos. Macroplástico e microplástico, resultado de sua fragmentação, estão produzindo efeitos devastadores na biota marinha.

Animais como tartarugas e baleias confundem plástico com alimento. Até larvas de peixe consomem macroplástico e este sobe toda a cadeia alimentar desde o zooplâncton. Hoje para cada 5 toneladas de peixe há uma tonelada de plástico nos mares, podendo chegar a 1:1 se nada for feito.

2. Acidificação: CO2 em excesso na atmosfera se dissolve reduzindo o pH oceânico. Hoje os mares do planeta estão em média quase 30% mais ácidos do que no período pré industrial.

A acidificação pode comprometer irreversivelmente as condições de existência de inúmeros organismos que dependem da fixação de carbonato de cálcio para suas conchas, exoesqueletos e outras estruturas.

3. Desoxigenação: a solubilidade de gases em líquidos cai com a temperatura e o simples aquecimento dos mares reduz a concentração de O2 dissolvido. Acontece que há algo ainda pior em curso.

O aquecimento se dá por cima, inibindo a mistura na vertical. A oxigenação dos níveis mais profundos depende desse transporte, reduzido pela estratificação. O aquecimento do oceano superior pode asfixiar o oceano profundo.

4. Branqueamento de corais: corais vivem em uma simbiose delicada com algas. Estas produzem o alimento. Eles, o substrato. O resultado é um ecossistema rico, berço, abrigo e fonte de alimento para inúmeras espécies.

O aquecimento das águas prejudica essa delicada interação. O coral sem as algas perde não só a cor, mas a fonte de alimentos. E assim como ele, todo aquele ecossistema. Branqueamento de corais é morte por inanição para muitas espécies marinhas.

5. Espécies invasoras: trazidas pela água de lastro ou forçadas a migrar por fatores como o próprio aquecimento global, espécies provenientes de localidades remotas podem produzir grande desequilíbrio.

6. Poluição química: de agrotoxicos a PCBs, de antibióticos, hormônios e medicamentos a drogas como a cocaína, de nitrogênio e fósforo em excesso a metais pesados e rejeitos de mineração, o mar recebe de um tudo.

Várias dessas substâncias são tóxicas ou prejudiciais por si sós. Mas além disso podem se associar quimicamente umas com as outras, produzindo um imprevisível efeito-coquetel ou com o plástico, que acelera a incorporação delas à cadeia alimentar.

7. Poluição sonora: os oceanos são um mundo de som, mais que de luz. Muitos animais, como os cetáceos, se orientam e se comunicam sonoramente. Sonares e sísmica perturbam violentamente esse ambiente.

Mourão será o Mitão


BOLSONARO CAIRÁ

Bolsonaro cairá. Não pelas ostensivas ligações de sua família com as milícias no Rio de Janeiro, mas cairá. Aos donos do poder pouco importa terem um miliciano como presidente, desde que faça as reformas que requerem. Mas Bolsonaro é o cara errado, é incapaz, um ser completamente imbecilizado, e já escrevi sobre isso. Ele foi e será o idiota útil até quando interessar ao sistema. O ministro Marco Aurélio rejeitou o foro privilegiado de Flávio Bolsonaro, e é óbvio que as conexões com as milícias brotarão ainda mais. Já há evidências de crime de peculato e outras surgirão.

A semiótica é uma ciência fascinante, e basta percepção e análise simples, rasas, para se enxergar a construção da figura do presidente “ideal”: Hamilton Mourão. Desde Davos, as imagens que publicam de Bolsonaro o “desqualificam”: um homem com semblante assustado, medroso, um homem desalinhado, a ausência revelada na foto da entrevista que não aconteceu, um homem submisso e subserviente, a pessoa errada no lugar errado. Além disso, usam as falas equivocadas, os erros de português, as mentiras, que o transformam numa figura idiotizada. E ele o é. Basta uma réstia de senso crítico para enxergar isso.

Em contrapartida, constrói-se uma imagem inversa de Mourão, o vice que aparece mais que o presidente. Desde a posse, Mourão aparece alinhado, em ternos de bom corte. Seu discurso em nada lembra o general autoritário e tresloucado da campanha eleitoral, que chamou indígenas de indolentes e negros de malandros, que preconizou o fim do 13˚ salário, que falou sobre refazer a Constituição Federal com um colegiado de especialistas. Agora, por algumas vezes, desautorizou ou contradisse o presidente, demonstrando bom senso. Rejeitou a intervenção brasileira na Venezuela, negou a mudança da embaixada em Israel para Jerusalém, colocou-se contra a privatização dos Correios, mostrou-se favorável à descriminalização do aborto, entre outras posturas que, em princípio, poderiam soar como posições progressistas. Constroem a imagem de um presidente muito mais capaz e digno ao cargo. 

Mourão é o nome ideal da Rede Globo e de outras empresas e instituições que exercem o poder de fato no país. A idiotia de Bolsonaro não os serve. A ligação estreita com a bancada evangélica, e suas alucinações de poder, não interessam aos poderosos, e nem a nós, claro. Portanto, Bolsonaro cairá.

No entanto, Mourão não é o gentleman que tem fingido bem ser. Ao contrário, é autoritário e sectário, como o tresloucado da campanha, mas é infinitamente mais inteligente que Bolsonaro, e encera muito bem e pacientemente o chão para puxar o tapete do presidente. E assim o fará.

Os fãs-eleitores de Bolsonaro, que em sua maioria são os mesmos que eram fãs-eleitores de Aécio, estão assustados, perdidos, ainda não sabem como se posicionar. As posturas do vice são uma surpresa negativa. Já há os insanos que o chamam de comunista. São os que ainda defendem o presidente e suas posturas fascistas. Ao cair Bolsonaro, a quem chamaram de Mito, dirão que nunca tiveram político de estimação, e passarão a adorar Mourão. Talvez um ou outro alucinado ande sem rumo pelas ruas gritando "a nossa bandeira jamais será vermelha”…

A nós, progressistas, não há motivos para comemoração. Quer dizer, a queda de Bolsonaro e sua matilha, será motivo de comemoração sempre. O clã miliciano precisa ser punido. Além do que a onda de idiotia que assola o país talvez se amenize um pouquinho. No entanto, em termos políticos, pouca coisa mudará. E haverá um presidente militar, autoritário e retrógrado, sustentado no poder pelos meios de comunicação hegemônicos. Infelizmente, a construção das narrativas continua a ser deles, ou dos que patrocinam posts no WhatsApp. De toda forma, está sob a égide do Capital. Enquanto isso o país continuará mergulhado na indigência intelectual profunda e no messianismo político. Mourão será o Mitão.

Aliás, os que dizem não terem político de estimação, sempre os tiveram, de Maluf a Bolsonaro, pois a maior parte dos que votaram em um votavam no outro.

* Atentem-se à semiótica. Lembrem-se da desconstrução da imagem da Dilma por parte da mídia. Muita coisa se repete.

Texto de Cadu de Castro

O fundo do fundo do poço

Fernando Horta

Você vê o nível de ignorância e baixeza política que o país chegou quando Renan Calheiros é a tábua de salvação contra o fascismo, General Mourão é a "voz sensata" no executivo federal e Reinaldo Azevedo pede moderação e respeito às leis num governo de extrema direita.

Governo Bolsonaro completa 1 mês. Veja o balanço.


Fernanda Bueno 

Como chamar alguém de burro, mas com classe

Que vença o pior

Luis Felipe Miguel

As regras no Brasil sempre foram maleáveis à pressão dos poderosos.

O artigo 57 da Constituição é claro: é vedada a recondução para o mesmo cargo, na mesa diretora da Câmara ou do Senado, na eleição imediatamente subsequente.

Michel Temer deu um jeitinho de burlar a regra. Eleito presidente da Câmara para o biênio iniciado em fevereiro de 1997, reelegeu-se em 1999, sob o argumento que era uma nova legislatura. No Senado, ACM, o avô, fez a mesma manobra. (Ulysses Guimarães já havia sido reconduzido à presidência da Câmara antes, mas a Constituição não estava em vigor.)

Rodrigo Maia foi mais além. Eleito presidente da Câmara para mandato tampão após a cassação de Eduardo Cunha, foi reeleito na mesma legislatura, com a justificativa ainda mais esfarrapada de que mandato tampão não conta. E agora conseguiu um novo mandato de dois anos.

O Supremo lava as mãos, dizendo que é assunto interno de outro poder. Mas está escrito de forma cristalina na Constituição!

Enquanto isso, o Senado virou um campo de pugilato. É o melhor retrato do Brasil desde que o golpe de 2016 e a coorte de retrocessos e abusos que o seguiram rasgaram a Constituição. Antes, as regras eram maleáveis à pressão dos poderosos. Hoje, ganha quem grita mais, quem pode mais.

É a lei da selva, que a ruptura da ordem constitucional gerou.

Vita brevis, ars longa


Sinistro da iducación deveria ser expulso do Brasil


Mais do que demitido, ministro da Educação deveria ser expulso do Brasil. 

Nunca antes na história desse país um ministro da Educação (ou qualquer outro) humilhou tanto o povo brasileiro como Ricardo Vélez Rodriguez.

Espécie de amostra grátis da miséria intelectual do atual governo, o colombiano que por reiteradas vezes deu demonstrações incontestáveis de sua incapacidade generalizada, ultrapassou de vez os limites da decência ao chamar os brasileiros de ladrões e canibais.

Ignaro às últimas consequências, utiliza-se do seu cargo no comando da educação brasileira para aviltar figuras históricas do pensamento educacional do país.

As ofensas gratuitas a intelectuais como Leonardo Boff e propostas de retiradas das homenagens ao Patrono da Educação Brasileira, o educador Paulo Freire, insultam tudo o que foi a longa e árdua construção do nosso conhecimento.

Vélez não é só um pedante incapaz de reconhecer suas próprias limitações, é também um estrangeiro acolhido pela República Federativa do Brasil que, a despeito disso, vive de diminuí-la e ridicularizá-la.

Ainda que pese reproduzir o que esse estulto afirmou em sua última entrevista sobre todos nós brasileiros, faz-se necessário grifá-la para que se grave bem o que o néscio pensa sobre o povo que o abrigou e que paga o seu salário.
“O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assentos salva-vidas do avião. Ele acha que sai de casa e pode carregar tudo”.
Para um governo que se elegeu sob o lema mequetrefe de “Brasil acima de tudo”, permitir que um colombiano assuma uma posição de destaque apenas para nos chamar de ladrões só corrobora com a ideia de que Jair Bolsonaro é na verdade o último dos impatriotas.

Menos pelo dever mínimo da compostura no alto escalão do governo, a obediência à lei recomendaria não só a sua demissão imediata do cargo, mas, sobretudo, sua expulsão do país.

Vejamos o que diz o artigo 65 do Estatuto do Estrangeiro (Lei n° 6.815/80):
Art. 65. É passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à conveniência e aos interesses nacionais.
De barato Vélez se enquadra em pelo menos duas das condições acima elencadas que justificariam a sua expulsão do Brasil.

Propostas suas como a segregação do ensino superior e a abolição do pluralismo ideológico no debate político-educacional brasileiro afrontam miseravelmente os interesses nacionais.

Da mesma forma, querer repaginar o que de fato foi a ditadura militar brasileira transformando-a como uma opção presente e possível para o Brasil fere criminosamente a segurança nacional e o Estado Democrático de Direito.

Ricardo Vélez Rodriguez, por tudo o que já fez e propôs, não pode passar mais um minuto na cadeira que ora ocupa.

Mais do que isso, se num governo minimamente nacionalista e patriota estivéssemos, sua expulsão do Brasil já deveria ter sido prontamente expedida.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

MEC emite nota raivosa ligando Mourão à KGB

The Piauí Herald
‘Vice-presidentes do mundo todo, uni-vos!”, tem gritado Mourão

ESCOLA SEM SENTIDO – Após afirmar que o colunista d’O Globo Ancelmo Gois teria sido treinado pela KGB – o antigo serviço secreto comunista –, o Ministério da Educação fez uma segunda denúncia. Em comunicado publicado hoje pela manhã, o MEC cravou que o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, também teria feito cursos de terrorismo marxista na organização russa. “Esse vice falante já se manifestou a favor do aborto, do Lula e da imprensa”, reclamou o aiatolá-em-chefe do MEC, Ricardo Vélez Rodríguez. “Agora só falta defender a educação para todos!”

Leia a íntegra da nota, escrita em Caps Lock, que, segundo o MEC, é a única tipografia sem ideologia de gênero: “O VICE-PRESIDENTE HAMILTON GRAMSCI MOURÃO TENTOU LUDIBRIAR OS ELEITORES DE BEM DO PAÍS, MANIPULANDO INFORMAÇÕES, E DEFENDENDO BANDEIRAS TÍPICAS DO GLOBALISMO SOVIÉTICO, COMO O ABORTO, A REDE GLOBO E O JEANWYLLYANISMO, QUE ERAM PRÓPRIOS DE ORGANIZAÇÕES COMO A KGB. QUANDO DE SUA FUGA DA RÚSSIA PARA O BRASIL, NOS ANOS 1960, O BOLCHEVIQUE DIMITRI MOUROVSKY ADOTOU NOVO NOME, E ENTROU PARA AS FORÇAS ARMADAS NO INTUITO EVIDENTE DE CHEGAR À VICE-PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, PARA ENTÃO ASSUMIR O PODER E PERPETRAR O PLANO FINAL, A SABER: TIRAR DO AR TODOS OS VÍDEOS DO GRÃO MESTRE OLAVO DE CARVALHO.”

Procurado pela reportagem, o general negou todas as acusações, e respondeu, de forma indignada: “нечего там видеть!”

Fascista colombiano ofende todo o povo brasileiro e continua ministro do governo dos milicianos analfabetos


“Leonardo Boff, volte para a Coréia do Norte, que é o único lugar em que esse marxismo-leninismo de botequim ainda é consumido.” (Ricardo Vélez Rodriguez, ministro da Educação).

“O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”. (Ricardo Vélez Rodríguez, ministro da Educação).

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Em qualquer pais medianamente civilizado e democrático, as declarações de hoje seriam suficientes para exoneração do ministro da educação. Não bastou insultar um homem do bem, como o professor Boff, mas na sua crise de verborreia absurda ele insultou frontalmente à todos nós brasileiros.

CONTRADIÇÕES PEDAGÓGICAS
Fabio Sa e Silva

O Ministro da Educação acaba de dizer que o brasileiro "rouba coisas dos hotéis, rouba assento salva vidas do avião" e que, como os catequistas dos Tupinambás, vai nos trazer para mais perto da civilização

Será aplaudido por muitos. Em especial pelos que mais andam de avião e se hospedam em hotéis

E que elegeram o candidato do slogan "Brasil acima de tudo" para verem um ministro estrangeiro os insultando publicamente

Bandido bom é bandido no governo

Gilson Caroni Filho

Já tínhamos Bolsonaro e seu filho, o 01, envolvidos com esquemas de lavagem e relações estreitas com milicianos. A eles se somaram Ricardo Salles (Meio Ambiente), condenado por improbidade administrativa; Luiz Mandetta (Saúde), suspeito de fraudar licitação e tráfico de influência, quando foi secretário de Saúde no Mato Grosso do Sul; Marcelo Álvaro Ramos (Turismo), respondendo a ação criminal por supostamente ter vendido terreno da União e Tereza Cristina (Agricultura), acionada judicialmente, segundo a revista Piauí, por dívidas com bancos e fundos agropecuários. Lorenzoni pediu desculpas pelo caixa dois, foi perdoado por Moro e o processo foi arquivado por Fux. Agora se descobre que Damares pode ser sequestradora de criança indígena, além de ter cometido crime de falsidade ideológica. Há outros, mas por serem do núcleo militar,ou integrarem a equipe responsável pela implementação da agenda econômica, serão totalmente blindados. E vocês dizendo que eram contra a corrupção...Cínicos.

Vídeos mostram o momento exato do rompimento da barragem e a onda de lama avançando por Brumadinho

Vi o filme frontal da ruptura da barragem de Brumadinho. Até onde entendo (não sou exatamente um leigo em física) não houve uma ruptura, no sentido clássico, e sim uma verdadeira LIQUEFAÇÃO da barragem, que certamente estava totalmente encharcada por dentro, de modo que o pouso de uma mosca poderia desencadear o colapso. Certamente algum abalo sísmico, por menor que tenha sido, desencadeou o processo. Entretanto, a forma e a rapidez do colapso reforçam a tese de que ela deve ter "gritado" muito antes do colapso. A história tem o compromisso de dar o nome e o endereço de todos os que se fizeram de surdos diante da "gritaria" da barragem. Classifico como absolutamente impossível que um estudo competente feito há poucos meses não desse claros indícios do que estava a ocorrer. Juntando-se tudo isso a uma absoluta ausência de um plano e de uma estrutura de reação a uma emergência deste porte, talvez tenhamos a história de um crime de dimensões bíblicas.




Imagens mostram momento exato do rompimento da barragem em Brumadinho

Destruição e saque da Venezuela é só "o primeiro tiro" dos EUA para recolonizar a América Latina

Venezuela é o primeiro tiro dos EUA em plano para remodelar AL, diz Wall Street Journal
Brasil e outros sul-americanos não têm 'mais nenhum papel significativo', destaca Foreign Affairs
Nelson de Sá

'Como a América do Sul cedeu o campo'
Em extensa reportagem, o Wall Street Journal destacou, a partir do título, que a “Pressão dos EUA para saída de Maduro da Venezuela marca o primeiro tiro em plano para remodelar a América Latina”. Na chamada de primeira página, “é o primeiro tiro numa batalha mais ampla”.

Ou ainda, “marca a abertura de uma nova estratégia para exercer influência sobre a América Latina, segundo autoridades dos EUA”.

O apoio dos presidentes de Colômbia e Brasil é citado no 31º parágrafo. O WSJ diz que “um plano de ação” foi discutido com o colombiano, mas não com o brasileiro.

Na manchete digital da Foreign Affairs, principal revista de política externa dos EUA, “Como a América do Sul cedeu o campo na Venezuela”. Logo abaixo, no segundo enunciado, “Potências externas vão decidir o resultado”.

Assinado por Oliver Stuenkel, especialista alemão em política externa, professor da FGV no Brasil, o texto afirma que “a América do Sul não desempenha mais nenhum papel significativo na crise” e “os únicos atores externos que importam são os EUA e a China e, em menor medida, Cuba e Rússia”.

A situação representa “uma reviravolta humilhante para os governos sul-americanos”, Brasil em particular. Mais importante, a América do Sul voltou a ser “o playground das potências estrangeiras”.


Áudio de Renan, vazado pela Milícia Federal de Moro, mostra honestidade de Dilma

Fabio Sa e Silva

Acho lamentável, como prática institucional, e imprestável, como meio de compreensão da verdade das coisas, o vazamento de áudios, em geral descontextualizados e incompletos, como os de hoje, que envolviam Renan e representantes da JBS

Dito isso, acabei ouvindo os tais áudios. Contam eles que:

Dilma nomeia, para a agricultura, a ex-senadora Katia Abreu, o que contraria os interesses da JBS. A JBS vai até Renan. Renan diz a Joesley que vai tentar indicar Vinicius Lage para a Secretaria Executiva da pasta. Sugere com isso que poderia, assim como a JBS, manter alguma influência na agricultura.

O que faz Dilma? Nomeia Vinicius Lage... para o Turismo!

Ou seja, mais uma vez Dilma contraria políticos e empresários poderosos; empresários esses que depois vão aparecer doando rios de dinheiro para Aécio, Eduardo Cunha, e outros

Como fez em 2012, ao substituir toda a Diretoria da Petrobras

Essa a mulher que tiraram em 2016

A propósito: Por que a PF e o MPF não vazaram esses áudios antes, quando poderia interessar ao povo saber mais sobre a conduta de Dilma no Palácio? Por que vazaram agora, às vésperas da eleição da mesa Senado? Por que, enfim, brincam e fazem política com provas? Acham isso bonito e republicano?

E a imprensa, pra piorar, sugere nos lides de matérias que havia uma mercancia de cargos no governo Dilma, quando na verdade era o contrário.

Mourão nos daria um governo menos bizarro, mas não um governo melhor

Luis Felipe Miguel

Conjecturas sobre a conjuntura

Um mês se passou e a inépcia do ex-capitão para governar mostra-se gritante. Não se trata só do direitismo desvairado: é incapacidade de entender as decisões que precisam ser tomadas, de antecipar consequências de ações, de manter a compostura.

Uma velha crítica à competição eleitoral, em geral mobilizada em chave elitista, diz que as qualidades necessárias para ganhar uma eleição e as qualidades necessárias para governar têm muito pouco em comum. Bolsonaro serve como ilustração extrema. No cenário de uma população imbecilizada, massiva campanha de desinformação, produção de pânico moral e classes dominantes apavoradas com a possibilidade de vitória de algum candidato de centríssimo-esquerda, ele tornou-se uma opção competitiva. Mas governar está muitos furos acima de suas possibilidades.

O movimento para que Mourão - em nome de uma junta militar - tome as rédeas do governo parece forte. A entrevista dele hoje, n'O Globo, é significativa. O general se mostra "reinventado", como se diz por aí. Tornou-se um poço de moderação, diálogo e redução de tensões. Nas entrelinhas, deixa claro que é ele que é capaz de conduzir a nau evitando maiores intempéries.

Na resposta mais surpreendente, se diz favorável à legalização do aborto, o que revela uma vontade de se distanciar dos setores mais medievais do governo. (Na resposta anterior, Mourão se tinha visto constrangido a uma defesa protocolar da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos. Com a posição sobre o aborto, marcou inteligentemente uma diferença.)

Para que Jair aceite a posição de rainha da Inglaterra, limitando-se a brincar de arminha e assinar os documentos, é provável que ofereçam vista grossa para todos os malfeitos do clã. A lojinha do Rio pode funcionar normalmente e ninguém fala mais nisso. Sérgio Moro, que (como bem definiu The Intercept) tornou-se um "soldado raso do bolsonarismo", dissiparia o que resta de sua espúria credibilidade para avalizar o arranjo.

Os ministros mais folclóricos, como Damares Alves e Ernesto Araújo, seriam provavelmente substituídos. Ricardo Vélez Rodríguez, que completa o trio dos destrambelhados mais ostensivos, talvez tenha chance de ficar como uma sub-rainhazinha da Inglaterra no MEC, que já está mesmo coalhado de militares. E um governo mais razoável faria talvez acenos à opinião pública, interna e externa, mudando parte de sua composição - por exemplo, tirando o criminoso ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

Mourão pode sonhar com tal passo porque é legítimo representante da nova elite militar brasileira - que continua tão autoritária como sempre, mas é cada vez mais mercadista e entreguista. Ou seja, ele conta com o apoio dos grandes interesses econômicos, cuja prioridade é naturalmente a agenda de desnacionalização da economia, redução das políticas sociais e desproteção do trabalho.

O nome que encarna tal projeto é o de Paulo Guedes, cuja permanência como czar da economia não parece ameaçada em nenhum cenário. Ele é poupado pela imprensa, mas é tão despreparado quanto Vélez, Araújo ou Damares. Não tem conhecimento básico sobre o cargo - não sabia sequer o que era a lei de diretrizes orçamentárias. Não entende que ocupa uma posição em que precisa prestar contas à sociedade, como mostram suas respostas agressivas a perguntas de jornalistas. Não sabe negociar; na verdade, como o fundamentalista (de mercado) que é, recusa qualquer negociação e é deliberadamente cego a qualquer argumento que contrarie seus dogmas sagrados.

A regência de Mourão nos daria um governo talvez menos bizarro, mas não um governo melhor.

♪Tu vens, tu vens♫ ♫Eu já escuto os teus sinais...♪

Mourão emite “sinais, fortes sinais”

Fernando Brito

O general Hamilton Mourão, para ressuscitar a famosa frase do Governo Fernando Henrique, começa a mover-se “no limite da responsabilidade”.

Fez preces para que “o Senhor dos Exércitos” protegesse Jair Bolsonaro  durante a cirurgia, mas defendeu o “direito humanitário” de Lula ir ao velório do irmão, heresia intolerável para a turma do Moro e a turma do Bolso.

E matéria dos Bolsos, aliás, que a lama do “Filho 01” salpica o “00”  e não o governo. Isto é: o lugar onde está.

Agora, solta esta posição sobre o aborto, defendendo que a mulher tenha o direito de escolher nas situações revistas em lei (estupro, risco de vida e malformação do feto) e ainda avança, afirmando que, pessoalmente, acha que poderiam “ser ampliadas essas possibilidades de aborto”.

A estratégia de diferenciação é clara e inversa à que praticava antes da eleição, quando radicalizava num grau no qual o Bolsonaro candidato já não se aventurava, como no caso do 13° e das mães e avós dos “desajustados”.

Agora, Mourão veste o figurino da ala dos “não-malucos” do governo: modera a questão da embaixada em Israel, mostra-se “humano” para com a prisão de Lula e, agora, procura uma dissidência na questão do aborto que poderia ter evitado na entrevista que deu a O Globo.

Mino Carta, na edição desta semana da CartaCapital, o chama de “enigmático vice”.

Peço licença ao mestre para discordar. Se há algo que Mourão não está sendo é enigmático, mas claro.

Está construindo a imagem do diálogo, cuja ausência poder-lhe-ia ser fatal à pretensão de substituir o titular, se este se vir numa situação insustentável.

E para isso precisa descolar-se da horda fanática.



Façam suas apostas


Vice, vício visceral...


O MEC está aparelhado por uma vara de javalis analfabetos


O presidente do INEP fala em cidadões e o MEC emite nota oficial em caixa alta - redigida por alguma azêmola com distúrbios psíquicos - falando em KGB e doutrinação marxista-leninista de Ancelmo Góes. O MEC está aparelhado por uma vara de javalis analfabetos. Que horror!

A República de Assassinos


Temos hoje uma  República de Assassinos. Um presidente que defende a tortura envolvido com milicianos, um Congresso dominado pela bancada da bala, um Judiciário empenhado em levar à morte um ex-presidente condenado sem provas, um empresariado que deseja a morte do trabalhador.

Palmério Dória

Como aceitar um governo liderado por um analfabeto, imoral, ladrão de dinheiro público, pai de marginais e protetor de milicianos? Como o brasileiro se submete a isso?

José de Abreu

Nós temos um presidente cuja família tem ligações com o crime organizado do Rio de Janeiro, uma ministra acusada de ter sequestrado uma criança e um ministro da Justiça que faz a egípcia.

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