terça-feira, 2 de abril de 2019

O mundo visto do Rio

Milicianos no governo federal,  psicopatas no governo estadual, exorcistas na prefeitura. Basicamente é o que temos na atual conjuntura.

Luiz Antônio Simas

Bozonaro entrega o Brasil em troca de nada

Nilson Lage

Uma grande empresa gráfica norte-americana instalada no Brasil --- a que imprimia as provas do Enem -- anunciou o fim de suas operações, com a falência e a venda dos equipamento de suas três unidades para pagar dívidas bancárias e trabalhistas.

Duas montadoras norte-americanas, pioneiras da indústria automobilística no Brasil, a General Motors e a Ford, dispõem-se a encerrar atividades no país alegando questões financeiras e de mercado -- provavelmente acertos regionais que facilitarão importações.

Pouco a pouco, a América do Sul torna-se o novo cenário de uma guerra mundial que se desenrola no campo da economia; da propaganda política e religiosa; e da ação subversiva, em que se destacam os portentosos serviços de espionagem e guerra psicológica dos Estados Unidos.

Países vizinhos, com que o Brasil tem lanços antigos de cooperação, buscam alianças fora do âmbito continental, onde há perspectiva de vultosos investimentos e mercado para os produtos da região.

Neste contexto, o que o Brasil tem a ganhar com uma aliança ideológica como essa do governo Bolsonaro, a troco materialmente de nada?

Bolsonaro é a pessoa mais idiota que já exerceu um mandato no Brasil


É inacreditável. O presidente mistura a mente doentia de quem apoia a tortura, a capacidade cognitiva de um mentecapto e a  maturidade de uma criança de oito anos.

Luiz Antônio Simas

Queda do miliciano imbecil é questão de tempo



Luis Nassif: queda de Bolsonaro é questão de tempo

Sérgio Mallandro Moro supera Bolsonaro e se torna oficialmente o maior analfabeto do governo miliciano



"A possibilidade, por exemplo, de uma mulher, uma CONJE, seja morta pelo seu CONJE"

"A mulher reagindo eventualmente cometer algum excesso e não VIM a ser condenada como uma homicida por conta de ter agido SOBRE a QUESTÃO DE violenta emoção" 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Diplomatas brasileiros condenam presidente miliciano e chanceler demente por defesa de ditadura


“Um grupo representativo de diplomatas brasileiros vem manifestar repúdio a declarações do presidente da República e do ministro das Relações Exteriores que relativizam a natureza ilegal, inconstitucional e criminosa do regime de exceção instaurado no Brasil com o golpe de estado de 1964.

Declarações e atitudes dessa natureza, cada vez mais desmentidas por novas fontes documentais e sem precedentes na breve história da democracia inaugurada em 1988, violam os mais elementares compromissos que regem hoje a inserção internacional do Brasil e trazem danos graves à imagem do país.

A ditadura instaurada em 1964 cometeu crimes contra a humanidade, de forma sistemática e como estratégia para se manter no poder por mais de vinte anos. Assassinou, sequestrou e torturou opositores de diversas correntes ideológicas, entre eles lideranças políticas contrárias à luta armada. Perseguiu funcionários públicos que não se sujeitaram ao arbítrio, inclusive militares e diplomatas. Censurou as artes, o pensamento e a expressão da pluralidade brasileira. Arrancou de gerações de brasileiros os direitos políticos mais fundamentais. Destruiu famílias, massacrou povos indígenas, estuprou mulheres, torturou crianças. Deixou profundas e deletérias marcas na vida institucional do país, cujas consequências para o efetivo respeito aos direitos humanos ainda hoje enfrentamos.

As mencionadas declarações, que violam os princípios da dignidade humana e da prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais, consagrados na Constituição Federal, tripudiam da memória das vítimas de um regime assassino. Estendemos nossa solidariedade aos nacionais paraguaios e chilenos, igualmente ofendidos por declarações do mandatário brasileiro em alusão elogiosa às ditaduras que também se instalaram nesses países. Cabe recordar que a Comissão Nacional da Verdade, instituída por lei, dirigiu à diplomacia brasileira recomendações específicas, entre elas a de compreender como foi possível "se deixar capturar" pelo envolvimento direto na repressão, com graves consequências para as vidas de muitos cidadãos brasileiros (CVN, relatório final, p. 213).

Se em 1964 alguns líderes políticos aderiram ao golpe em seu primeiro momento, vinte anos depois foi Ulysses Guimarães quem resumiu em duas palavras o legado de duas longas décadas de arbitrariedade que vitimaram a sociedade brasileira e a humanidade. Da ditadura, temos apenas "ódio e nojo". Sobre esse sentimento erigiram-se as garantias fundamentais da Constituição de 1988.

Sobre essa base, apenas, legitima-se a ação internacional do Brasil, comprometida com a paz, os direitos humanos e a cooperação para o bem comum da humanidade, conforme os princípios elencados no artigo 4º da Constituição Federal.”

Fraude jornalistica


JORNALISMO PARA ENGANAR BOBO
Moisés Mendes

A Globo News comete mais do que um erro, comete uma fraude jornalistica quando põe Ariel Palácios, de Buenos Aires, a falar da realidade na Venezuela.

A Globo dá a entender que o correspondente tem uma melhor percepção dessa realidade, por alguma proximidade mediúnica. Não se trata de ter a melhor capacidade de análise, mas de observação da realidade, como tentou demonstrar agora há pouco, ao dizer que não há mais manifestações gigantes nas ruas porque muita gente foi embora do país. 

Já escrevi a respeito desse truque da Globo News, mas agora foi brabo ouvir o sujeito dizer que falta gente nos protestos contra Maduro porque todo mundo fugiu para o Brasil e a Colômbia.

Ariel Palacios só não estaria mais distante da Venezuela do que o correspondente da Globo na Patagônia, se a Globo tivesse correspondente lá. Nenhum correspondente da América Latina está mais longe de Caracas do que o de Buenos Aires. Nem o da Cidade do México.

É enganador é só contribui para mais desinformação dar a entender que, por estar em Buenos Aires, Ariel Palácios está perto da realidade de Caracas. Não está. Ele está a mais de 5 mil quilômetros, em linha reta, da capital da Venezuela.

Caracas está numa ponta do mapa, e Palacios está na outra. Por isso, ele sabe tanto da vida real na Venezuela quanto todos nós sabemos por informações que qualquer um pode acessar. Palacios está muito distante da vida real na Venezuela.

O correspondente talvez opine sobre a situação do país por sua contribuição ao pensamento mais básico e mais reacionário. 

Mas o telespectador não pode ser enganado. Ariel Palácios está tão perto de Caracas quanto eu estou da Groenlândia.

Armas de destruição em massa


O Jumento Rebelde


Símbolos da nova era

Leandro Fortes

TERRA PROMETIDA

O amor de Bolsonaro a Israel não tem, obviamente, nenhum vínculo com a história dos judeus, muito menos com o Holocausto - fato em que, provavelmente, ele sequer acredita, como a maioria dos fascistas.

Batizado nas águas do rio Jordão pelas mãos de um picareta evangélico, Bozo vislumbrou em Israel, desde antes das eleições, um deserto de oportunidades.

Primeiro, uma ligação com os neopentecostais, no Brasil, que se apoiam numa interpretação histórica pedestre da tradição judaico-cristã para replicar elementos do judaísmo. Uma forma tosca de se afastar dos rituais católicos.

Mas a jogada principal do Bozo foi a de agradar o filho mimado dos EUA, no Oriente Médio, e levar, de bônus, uma aproximação com um regime muito próximo do ideal de neonazismo que tanto agrada os dementes que o seguem nas redes sociais.

De quipá na cabeça e um sorriso de Chuck no rosto, Bozo foi recebido por Benjamin Netanyahu coberto da lama simbólica da corrupção, indiciado e sob o risco de ser preso, a qualquer momento.

Símbolos da nova era.

Tabata Amaral is the new João Doria


Não queria falar da Tabata Amaral, mas vou. Não a conheço e acompanho pouco sua atuação. No agora célebre embate com Vélez Rodríguez, vi uma moça inteligente e articulada tripudiando de um cidadão absolutamente desqualificado para o posto que ocupa. Mas o subtexto me pareceu uma visão 100% tecnocrática não só da educação, mas da ação governamental em geral - o que, aliás, é condizente com a trajetória da deputada, que é fruto dos programas empresariais de cooptação de talentos. Diz-me com quem lemanns que te direi quem és, não é mesmo?

Não vi, no embate com o ministro, a verbalização de nenhum compromisso com um projeto de educação pública ou emancipadora. Faltavam "metas", só isso. Não me espantei ao descobrir, depois, que a jovem deputada é uma das defensoras do homeschooling na Câmara, ao lado de fundamentalistas religiosos e reacionários delirantes. Amaral pode ser uma possível aliada contra alguns dos aspectos mais aberrantes do governo Bolsonaro e nada além disso.

Recuo de minha decisão de não falar dela porque, depois do episódio com Vélez, Amaral se tornou o modelo para ataques contra a esquerda: o modelo de "como a esquerda deve se comportar" (que em geral tem como preceito principal deixar de ser esquerda). Já vi mais de um apresentando seu discurso como um exemplo a ser seguido, um exemplo de crítica feita "sem ideologia", portanto mais eficiente. Como "sem ideologia"? O autodiscurso do tecnocratismo já é assumido de partida. Sim, temos que criticar a incompetência criminosa do MEC bolsonariano, mas nem por isso podemos deixar de disputar o projeto de educação do Brasil.

Hoje, na Folha de S. Paulo, é a vez de Mathias Alencastro, que compara Tabata Amaral a Alexandria Ocasio-Cortez. Amaral teria mostrado que se ganha muito mais "afrontando o governo com dados e ideias" em vez de "bravatas e digressões", uma frase que estigmatiza, de forma no mínimo irresponsável, quem estuda os problemas da educação brasileira e, ao mesmo tempo, enaltece a falta de crítica aos enquadramentos dominantes como "dados e ideias". Quem critica "ascensão" da deputada paulista, prossegue o colunista, faz parte do grupo dos "mais primitivos esquerdistas brasileiros". Tenho certeza de que é a minha turma.

Entre Amaral e Ocasio-Cortez, há de fato algumas semelhanças: mulheres, jovens, oriundas de espaços distantes da elite, articuladas, espertas. As semelhanças param por aí - e, para quem pensa a política como mais do que uma pretensa afirmação identitária, elas são bem superficiais. Ocasio-Cortez tem contribuído para politizar o debate nos Estados Unidos, ao passo que o discurso tecnocrático de Amaral tem o sentido oposto. Ocasio-Cortez se formou como ativista política, enquanto Amaral passou por uma incubadora empresarial. Com posições bem mais progressistas do que sua pretensa símile brasileira, Ocasio-Cortez tem contribuído para fazer o Partido Democrata ir um pouco mais à esquerda, ao contrário de Amaral, que está na direita de um partido complicado como o PDT.

Quero deixar claro que, ao contrário de muita gente por aqui, não sou um entusiasta de Ocasio-Cortez. Os limites de sua ruptura com o establishment estadunidense são claros, como mostra o apoio que ela dá ao golpe na Venezuela ou o recuo em seu compromisso com o povo palestino. Na esquerda dos EUA, ainda fecho é com a Pamela Anderson. Mas Ocasio-Cortez, em que pesem estes limites, é muito mais do que um ícone de "renovação" e "empoderamento". Ela representa claramente um avanço político. Amaral, com certeza, não.

[Atualização: eu havia dito que Amaral era "entusiasta" do homeschooling. Como a deputada nos últimos dias tem feito questão de se distanciar do tema, inclusive negando que estivesse para assumir a vice-liderança da frente parlamentar pelo ensino doméstico, troquei para "defensora", o que ela não nega ser.]

domingo, 31 de março de 2019

Bolsonaro nada tem a perder ou temer num país boçal

Espetáculo contraria o prazer do autoengano brasileiro
Bernardo Carvalho

Há duas semanas, me vi sentado durante uma hora e 40 minutos diante de três atores ingleses que, fantasiados de frangos amarelos, repetiam no palco o mesmo texto e a mesma cena, inspirada num desses jogos idiotas de auditório.

Enquanto um dos atores encarnava o apresentador, o outro pensava numa palavra que uma atriz, de olhos vendados, tinha que adivinhar. Depois de três tentativas frustradas, os três trocavam de papel e voltavam ao mesmo texto e aos mesmos erros, infinitas vezes, com pequenas variações, até a exaustão e o desespero. Em meio ao desconforto da plateia, comecei a desconfiar que, talvez, estivessem falando de nós.

Nós, brasileiros, já entendemos que o presidente que elegemos não peca pela inteligência. Nada tem a perder ou temer num país boçal, cujo projeto ele acalenta mais por intuição —por afinidade de grupo e instinto de sobrevivência— do que por estratégia.

Também já entendemos que sua eleição nada tem de revolução, a despeito do que dizem seus ideólogos; é antes um arrastão no Estado e nas instituições. Jogadas umas contra as outras, na inércia da incompetência e da ingovernabilidade, elas degringolam rumo ao caos no qual a estupidez e a arbitrariedade poderão enfim reinar livres de controle e entraves, sem necessidade de justificar excessos e exceções.

Já notamos que, no vácuo da ética, procuradores, juízes e ministros atropelam, sem pensar duas vezes, a deontologia de suas atribuições, sob o clamor da moral.

O caso da tentativa de acordo dos procuradores do Paraná com a Petrobras para a criação de um fundo bilionário sob sua jurisdição (sempre com o pretexto do combate à corrupção) é exemplar. Assim como a política ambientalista a serviço dos grandes proprietários rurais, a criminalização da educação em detrimento da educação e a concepção de um modelo de vida sexual e privado para os brasileiros, por um ministério encarregado dos direitos humanos.

Já sabemos que, no lugar do Estado laico como garantia do direito e da liberdade de culto, o governo Bolsonaro gostaria de impor a crença que lhe convém à totalidade da nação.

Já percebemos que o Brasil de Bolsonaro é o do ressentimento de um arrivismo moral contra tudo o que o contraria, que a entropia chancelada por sua eleição tem como divisa "cada um por si e nós por todos", em todas as instâncias, públicas e privadas. E que o limite desse arrivismo por enquanto ainda é a opinião pública. É natural que seu símbolo de justiça e de liberdade seja uma arma em minhas mãos.

Incompreensível seria que esperássemos outra coisa.

 'Mágica de Verdade', do grupo inglês Forced Entertainment 

E é disso que fala "Mágica de Verdade" (Real Magic), do inglês Tim Etchells, com a companhia Forced Entertainment, provavelmente o espetáculo mais radical apresentado na MIT, há duas semanas.

A certa altura, depois de mais de uma hora repetindo em moto-contínuo a mesma cena, um ator passa a soprar a palavra que ele pensou ao ouvido do colega que precisa adivinhá-la. Chega a esfregar na cara do outro a palavra escrita, mas o outro, depois de observá-la com olhar bovino, continua dizendo a palavra errada, impermeável às evidências. Nessa hora, alguns espectadores começam a gritar, porque é insuportável. Gritam a palavra certa, o óbvio, o que todo mundo já viu, ouviu e entendeu, e que continua sem produzir nenhum efeito.

O maior desafio para a crítica do moralismo populista é escapar à armadilha da sua demagogia. Como é possível uma reflexão de verdade se não se pode contrariar o público? Como é possível uma reflexão de verdade que depende de agradar as crenças e os preconceitos do interlocutor? O que é que estamos realmente dispostos a ver, ouvir e entender?

"Mágica de Verdade" encena o círculo vicioso e impermeável do absurdo e da boçalidade. É tortura para a plateia, que procura não se reconhecer no palco. A insistência no absurdo mais tosco acaba revelando os parvos indefesos que o mantêm. São ao mesmo tempo agentes e vítimas das suas próprias ações, incapazes de romper a corrente automática e repetitiva à qual estão agrilhoados e de enxergar ou compreender o que têm diante dos olhos, porque isso significaria contrariar sua lógica e sua ilusão.

É um espetáculo corajoso, mas duríssimo de ver, justamente porque nos diz respeito, porque contraria o prazer do nosso autoengano inconsequente e do nosso consentimento suicida.

A título de curiosidade, o espetáculo foi apresentado no teatro do Sesi, no centro cultural da Fiesp, templo dos que não faz muito tempo ainda gritavam nas ruas que não iam pagar o pato.

Bostonaro ofende todos os árabes e metade dos israelenses numa tacada só

Fernando Horta

Bolsonaro diz que vai abrir um "escritório de negócios" em Jerusalém.

Para quem não sabe, "escritório de negócios" é uma sub-representação. Normalmente, como o nome diz, é apenas um entreposto para questões de certificação comercial e informações.

NUMA TACADA SÓ, o asno que nos governa desgosta o mundo muçulmano todo, os judeus que apoiam Netanyahu (porque um escritório de negócios não é uma embaixada) e os judeus que são contra Netanyahu (porque o primeiro ministro israelense está sob sérias ameaças de prisão por corrupção). Desagrada também à esquerda israelense (porque Bolsonaro é claramente fascista e racista) e coloca o Brasil em linha de ataque do terrorismo internacional.

Ou vocês acham que os muçulmanos vão permitir que se abra um "escritório de negócios" em Jerusalém, sem nenhuma represália?

Política externa não é para ser feita por adolescentes e indigentes mentais. E é a política externa que vai derrubar Bolsonaro...

Não haverá país nenhum

Elias Machado

Há quem diga que, em nome da convivência se pode seguir adiante sem um consenso mínimo, incluindo uma visão da História de nosso país. Não, não e não! Não existe a menor possibilidade de elaborar um projeto de desenvolvimento sustentável e de longo prazo para o Brasil, como Nação e como Estado, sem um consenso mínimo sobre quem somos, sobre o que queremos e sobre o que devemos evitar celebrar porque se trata de um dos períodos mais sórdidos de nosso passado, a ditadura militar 1964-1985.

Enquanto evitarmos este tipo de debate e sobre outras questões fundamentais como as reformas estruturais e políticas (nas escolas, nas universidades, no legislativo, no executivo, no Judiciário, nas forças armadas, nas polícias, nos partidos políticos, nos sindicatos, enfim, em todas as instituições essenciais para a redução das desigualdades aviltantes existentes entre os brasileiros seguiremos atormentados pelo que marca a nossa História como país: um passo adiante de três passo atrás.

Todos os golpistas são filhos da puta


É triste observar que, passados 55 anos, persistem as estruturas essenciais para recompor, e pôr em ação, a qualquer momento, o monstro gerado nos anos de terror. Não absolvo fascistas de qualquer idade. Novos e velhos não se movem por ignorância ou manipulação. É adesão consciente às políticas de extermínio e exclusão que sempre estiveram à disposição das classes dominantes. Não há inocentes. São filhos da puta mesmo.

Gilson Caroni Filho

Torturadores da ditadura transformaram-se em bicheiros e milicianos


1 - A famosa "grande guerra do bicho", pegou fogo na disputa pelo espólio do capo China da Saúde, em 1981. O fuzuê ali envolveu cenas de traição, assassinatos em série, fugas espetaculares, e culminou com a queima do Mariel Mariscot em pleno centro do Rio durante o dia.

2- Mariel, egresso do esquadrão da morte e expulso da Scuderie Le Cocq na década de 1970, queria entrar no negócio da contravenção. Gente que aparentemente não tinha relações com a contravenção entrou na roda, fortalezas foram estouradas.

3 - No final houve uma reconfiguração da geopolítica do bicho, a redivisão de territórios, o fortalecimento da cúpula formada em 1975, a diversificação de atividades criminosas, a captura definitiva das escolas de samba e uma nova estabilidade.

4 - A estabilidade foi quebrada com a disputa pelo espólio de Castor de Andrade e a polêmica sobre os caça-níqueis, introduzidos aqui pela Máfia Corsa em conluio com parte da cúpula.

5 - Foi nesse processo que a "tigrada" dos porões da tortura da ditadura militar passou a ser cooptada, com o desmonte do regime, pelos capos do bicho para trabalhar como tropa de choque

6 - As diversas reconfigurações do crime desembocam na configuração posterior das milicias cariocas.

7 - O grupo do presidente do Brasil nas forças armadas é exatamente o do "pessoal dos porões" que foi recrutado para formar milícias a serviço da contravenção, levando a expertise forjada na pratica sistemática da tortura e do assassinato seletivo.

O chanceler anti-iluminista

Nada para comemorar


55 anos de horror sem fim


O guru do miliciano

Em um mês, guru de Bolsonaro escreveu 13 vezes 'c*', 34 vezes 'p*ta' e 59 vezes 'f*da'

ANCELMO GOIS

O devasso de Virgínia 

Há ou não há hipocrisia num governo (e numa bancada evangélica) que se diz conservador nos costumes — chegou a acusar adversários de absurdos como estimular mamadeira de piroca e “kit gay”, ambos comprovadamente fake news — em cultuar o chulo Olavo de Carvalho como eminência parda (foi um dos poucos convidados de Bolsonaro para um jantar em Washington)?

Sabe quantas vezes o ideólogo escreveu o palavrão “c*” no Twitter só no último mês? 13. Mas isso é fichinha perto de outros dois palavreados habitués do discurso olavista: “p*ta” (34 vezes só em março) e “f*da” (59 vezes). São tuítes elegantes como “O Nhonho (Rodrigo Maia) quer articular c* com piroca. A piroca dele e o c* nosso” ou “O ministério é do Vélez (Rodríguez). Que o enfie no c*”. Sem contar que chamou os militares brasileiros de “cagões”. 

E olha que tudo o que sabe o chanceler Ernesto Araújo veio dessa boca suja...