sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Lula está solto, mas não livre


SOLTO

Leandro Fortes

Assim como Hugo Chávez, ao sair da prisão em que lhe meteram os golpistas venezuelanos, em 2002, Lula pediu paz e preconizou que o amor há de vencer o ódio, ao deixar a Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

A comparação é exagerada, mas não descabida. Chávez voltou ao poder, com apoio das Forças Armadas e de uma população politizada, pronta para a guerra. Naquele momento, incitar um conflito levaria o país a uma guerra civil.

Lula teve essa mesma percepção, aliás, deu continuidade a ela: poderia ter conduzido as massas a defendê-lo, quando foi preso, mas preferiu se entregar e fazer da paciência uma virtude. Conseguiu.

A diferença fundamental é que, ao sair da prisão, Chávez, ele sim, estava livre. Lula está apenas solto. As engrenagens que o levaram, inocente, ao cárcere ainda se mantêm, senão íntegras, fortemente ativas no Poder Judiciário e no Ministério Público.

Sérgio Moro é uma serpente ferida. Dois dias antes da decisão do STF sobre a segunda instância, tentou prender a ex-presidenta Dilma Rousseff. No mesmo dia, mandou agentes da PF invadirem a cela de Lula para intimá-lo a depor, uma ação tão absurda quanto ridícula.

É de se esperar que, com Lula solto, novas investidas do tipo sejam levadas a cabo. Porque é bastante provável que Moro, desmoralizado pelos vazamentos do Intercept Brasil e pelas sucessivas derrotas no STF, acabe apelando para alguma medida desesperada.

Lula que se cuide.

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