quarta-feira, 10 de março de 2021

A grande mídia abandona o bandido que havia vestido com a fantasia de salvador da Pátria

Aroeira


Eu não assisto ao Jornal Nacional, mas almas caridosas que o resumem dizem que a edição de ontem marcou uma ruptura com Sérgio Moro.

Toda a grande mídia vai, assim, seguindo a trilha de Gilmar Mendes. Sem um olhar para trás, sem um pingo de autocrítica, abandona o bandido que havia vestido com a fantasia de salvador da Pátria.

Na Folha, mesmo os colunistas mais renitentes vão, pouco a pouco, reconhecendo que a Lava Jato foi a maior farsa judicial da história.

Resta, claro, aquela que foi contratada exclusivamente para defender o ex-juiz. No texto de hoje, ela deplora as ações do STF, que promoveriam "impunidade".

Sim, impunidade é um problema. Mas quais crimes devem ser punidos? Aqueles com provas forjadas, conluio entre juiz e acusação, cerceamento do direito de defesa? Ou os crimes fartamente comprovados de Moro, Dallagnol et caterva?

Ao final, a colunista menciona a tão temida "polarização" e insinua, risivelmente, que Moro é temido por seu potencial eleitoral.

Mas acho significativo que, ao lado de Huck, Doria ou Mandetta, Moro seja sempre citado entre as alternativas do "centro".

O que o discurso dos seguidores do ex-juiz apresenta é a defesa de uma ação regeneradora violenta, acima da lei e dos direitos, justificada apenas pela fé no "homem providencial". O morismo é ainda mais fascista que o bolsonarismo.

Que um fascista como Sérgio Moro continue a ser incluído entre os nomes disponíveis para o "centro" em 2022 só mostra qual a verdadeira natureza deste "centro".

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