terça-feira, 9 de abril de 2019

Função do Estado brasileiro é reprimir e matar os pobres

Luis Felipe Miguel

O aparelho repressivo do Estado brasileiro sempre foi generoso ao distribuir violência contra os mais pobres. E sempre teve no racismo um elemento central de sua lógica de funcionamento.

A presença de governos de centro-esquerda não mudou esta situação. Na verdade, os governos de centro-esquerda nunca deram a prioridade necessária ao combate a ela.

Mas a sensação é que o avanço da extrema-direita - no discurso público, nas instituições, no governo - tem levado a um agravamento do problema. Imagino que já haja gente estudando essa relação.

Os militares que fuzilaram a família no Rio de Janeiro, assassinando o músico Evaldo dos Santos Rosa, foram presos. É difícil acreditar que seja mais do que um gesto pontual, destinado a aplacar momentaneamente a opinião pública.

Enquanto isso, Doria se apressar para condecorar os policiais que mataram onze "bandidos" no interior de São Paulo - às pressas, para aproveitar o caso no calor da hora, sem esperar sequer uma apuração das circunstâncias. Enquanto prevalecer a mentalidade que a função do Estado é matar uma parte da população, não há avanço possível.

Genocídio com transparência


O triunfo do exército na batalha de Guadalupe

Chuvas na cidade do Rio

Luiz Antônio Simas

1- Vivaldo Coaracy - primeiro sujeito que deve ser lido para se estudar a história da cidade - fala do espanto do Padre Anchieta com fortes chuvas que alagavam o Rio na década de 1570.

2- Vieira Fazenda, outro clássico, cita uma chuvarada que não saiu da memória da cidade durante muito tempo. Foi durante a invasão dos piratas franceses de Dugay-Trouin, que sequestrou a cidade (sim, a cidade toda) no meio do temporal. Isso foi em 1711.

3- A enchente de 1811 é talvez a mais lendária da cidade. Recebeu até nome: enchente das "Águas do monte". Morreu gente, desabou parte das muralhas da Fortaleza de S. Sebastião. D. João mandou abrirem todas as igrejas para acolher desabrigados. Parte do Morro do Castelo desabou.

4 - Em 1864 os cariocas apelidaram outra enchente: foi a "chuva de pedra", com granizos e os cacetes. A cidade ficou debaixo d´água, casas caíram, igrejas foram destelhadas, bois boiavam. Machado de Assis, nascido em 1839, conta que nunca se esqueceu do dilúvio.

5- Vieira Fazenda cita uma enchente que acabou com uma procissão de quarta-feira de cinzar e destruiu a cidade em 1854. Fala de um dilúvio que em 1897 destruiu uma festa no Itamaraty e arrasou parte do centro.

6- Olavo Bilac fala, daquele jeitão dele, "das ruas transformadas em rios, as praças, mudadas em lagoas, os bondes metamorfoseados em gôndolas, - e homens e cachorros nadando, como peixes, pela vasta extensão das águas derramadas”. Isso foi em 1904, ano da reforma Passos.

7 - Lima Barreto tem talvez a mais famosa crônica sobre enchentes na cidade, de 1915. Lima acusou Pereira Passos diretamente: "O prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio. "

8 - Em 1906, parte dos morros da Gamboa, Santa Teresa e Santo Antônio foram arrasados pelas águas. O Mangue transbordou. Em 1924, parte do São Carlos veio abaixo. Marques Rebelo citou enchentes bíblicas em suas crônicas.

9 -Em janeiro de 66 uma enchente deixou mais de 250 mortos e 50 mil desabrigados. Em janeiro de 67 ocorreu o deslizamento em Laranjeiras que arrasou uma casa e dois edifícios e matou mais de 200. A família de Paulinho Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues e Mário Filho, morreu.

10 - A enchente de fevereiro de 88 deixou 289 mortos e quase 30 mil desabrigados. Os desfiles das campeãs foi cancelado na Sapucaí. A lista é infinda.

11 - A cidade do Rio foi fundada lutando contra a natureza. Foi arrasando morros, drenando pântanos, aterrando mangues, a baía, lagoas e praias, que chegamos até aqui; O fato é citado por cronistas e viajantes desde o século XVI.

12 - Tempestades são inevitáveis. Alterações no clima podem apenas piorar o que é comum desde os tupinambás e piorou com a urbanização descacetada. O descaso do poder público, exceções confirmam a regra, só piora.

13 - Para quem quiser saber mais, sugiro Vivaldo Coaracy: Memórias da cidade do Rio de Janeiro. Vieira Fazenda tem o clássico Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro. Do Marques Rebelo, O Trapicheiro fala das chuvas. "As enchentes", crônica do Lima Barreto, tá na rede.

14 - As crônicas cariocas do Machado, a chuva aparece aqui e ali, estão reunidas em "A Semana". Andréa Casa Nova Maia tem o artigo "Memórias de Rio de Janeiro inundado em relatos de cronistas e literatos" publicado nos anais do XXVII Simpósio Nacional de História.

15 - J. Carlos caricaturou diversas enchentes. No livro O Vidente Míope, que escrevi sobre a obra dele, com organização de imagens do Cássio Loredano, falo sobre isso.

16 - Moreira da Silva gravou Cidade Lagoa, de Cícero Nunes e Sebastião Fonseca, em 1959:

Esta cidade, que ainda é maravilhosa,

Tão cantada em verso e prosa,

Desde os tempos da vovó.

Tem um problema, crônico renitente,

Qualquer chuva causa enchente,

Não precisa ser toró.

17 - Basta que chova, mais ou menos meia hora,

É batata, não demora, enche tudo por aí.

Toda a cidade é uma enorme cachoeira,

Que da Praça da Bandeira,

Vou de lancha a Catumbi.

Aqui a gravação:



18 - O prefeito, no séc. XXI, se declarou surpreso e considerou "atípico" o que aconteceu na cidade. É isso.

19 - Charge de J. Carlos sobre as enchentes na cidade do Rio de Janeiro na década de 1920.

Ministro da Educação reproduz discurso nazista trocando "judeu" por "comunista"

Weintraub replica discurso de Hitler, trocando a palavra judeu por comunista
O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub repete o discurso dos nazistas na Alemanha na década de 1930 e diz que "os comunistas" são donos dos bancos, das grandes empresas e da imprensa no país; nlemanha, em vez dos comunistas, o alvo de discurso similar ao de Weintraub eram os judeus; segundo Gerd Wenzel, comentarista da ESPN Brasil e colunista da Deutsche Welle, nascido na Alemanha, o discurso  é "plágio dos anos 30 na Alemanha: é só trocar 'comunistas' por 'judeus'"
247 - O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub repete o discurso dos nazistas na Alemanha na década de 1930 e diz que "os comunistas" são donos dos bancos, das grandes empresas e da imprensa no país. Na Alemanha, em vez dos comunistas, o alvo de discurso similar ao de Weintraub eram os judeus. Segundo Gerd Wenzel, comentarista da ESPN Brasil e colunista da Deutsche Welle, nascido na Alemanha, o discurso  é "plágio dos anos 30 na Alemanha: é só trocar 'comunistas' por 'judeus'".

O que disse o novo ministro em palestra em 2018:

"...Os comunistas são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios..."

O que diziam os nazistas em 1930:

"...Os judeus são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios..."

Hitler atribuía os males da Alemanha ao suposto fato de os judeus controlarem os meios de comunicação e o sistema financeiro com isso, escolheu um bode expiatório, que se tornou alvo preferencial da perseguição nazista o Weintraub, na essência faz o mesmo

A afirmação farsesca. Weintraub lança uma acusação segundo a qual os Setúbal, donos do Itaú, os Safra, donos do banco que leva o nome da família, Jorge Paulo Lemann, com sua fortuna de US$ 23 bilhões, os Marinho e os Frias seriam comunistas com o mesmo objetivo que os nazistas lançaram acusação similar aos judeus na Alemanha.

Hitler atribuía os males da Alemanha ao suposto fato de os judeus controlarem os meios de comunicação e o sistema financeiro. Com isso, escolheu um bode expiatório, que se tornou alvo preferencial da perseguição nazista. Weintraub, na essência faz o mesmo. Em 1930, criou-se uma onda de antipatia e repulsa que deu condições políticas à perseguição brutal, cujo ápice foi o holocausto ou shoá, na qual morreram mais de 6 milhões de judeus. É o mesmo método, que o novo ministro agora usa contra os comunistas.

A ironia trágica é que Weintraub é judeu.

Veja o tweet de Gerd Wenzel e assista ao ministro em seu discurso:

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Não existem raças, mas o racismo é uma realidade inegável



1- Como branco, com os privilégios daí decorrentes, falo de racismo pensando a branquitude e falo para os brancos, é evidente. Daí que contínuo pasmo com o argumento primário de que "a biologia provou que raça não existe", como ouvi de novo hoje em virtude do fuzilamento no Rio,

2- Vou tentar ser didático, falando para meus pares. Raça não é uma condição biomolecular, mas é uma construção fenotípica e cultural. Neste sentido é possível que um banto sul-africano e um sueco sejam geneticamente mais próximos entre si que entre aqueles de seu próprio grupo.

3- A questão, o exemplo é de Diop, é que, nos anos de 80, na África do Sul, o banto seria vítima do apartheid e o sueco seria um homem livre. Quando falo de raça me refiro a uma construção social que me faz ter a proteção da cor da pele, reconhecida, por exemplo, pela polícia.

4 - O racismo e o colonialismo são modos socialmente gerados de ver e viver no mundo. A colonização gerou sociedades psicologicamente doentes, conforme Fanon ressaltou. Somos a evidência disso.

5 - O racismo é um problema patológico nosso, dos brancos, inclusive dos que (como eu) foram civilizados por saberes pretos. Precisamos pensar e agir sobre a nossa incontornável branquitude. Isso já virou uma questão de, no mínimo, compostura.

TATIBITÁBATA

Leandro Fortes



O problema dessa moça não está em quem a financia ou deixa de financiá-la. Essa é uma discussão estéril, uma falsa polêmica.

O problema dessa moça é que ela é portadora mental dessa narrativa infantiloide - típica dos remediados - de que não existe nem esquerda nem direita.

Existe, sim, e quem pensa assim vota sempre na direita, concorda sempre com a direita e, nas eleições passadas, ajudou, direta ou indiretamente, a eleger esse demente fascista que está no Palácio do Planalto.

Ou seja, Tábata é uma moça inteligente e muito preparada, mas tem esse perfil de isentona que agrada o eleitor que votou integralmente no Bozo, mas finge que votou em Amoedo, no primeiro turno.

Novo ministro da Educação tentou interditar o próprio pai sem atestado médico

Curiosidade: em 2014, os irmãos Weintraub tentaram interditar o próprio pai, sem atestado ou prova da suposta incapacidade. O juiz entrevistou o pai, considerou-o totalmente lúcido e indeferiu o processo. 
Antonio Luiz M. C. Costa

Processo 0033871-32.2011.8.26.0100 - Interdição - Tutela e Curatela - Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub e outro - MAURO SALOMÃO WEINTRAUB - Vistos. 

Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub e Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub ajuizaram a presente ação de interdição de MAURO SALOMÃO WEINTRAUB, na qualidade de filhos do requerido. Instruída a ação com os documentos de fls. 19/57, não juntaram os suplicantes qualquer atestado médico que respaldasse suas afirmações. Às fls. 60 foi indeferido o pedido de tutela antecipada, tendo os autores agravado às fls. 63/76. Ao tomar conhecimento da presente, o requerido deu-se por citado às fls. 84, contestou a ação às fls. 91/113 e foi interrogado às fls. 340/341. Sobreveio a juntada de laudo pericial elaborado por perito judicial às fls. 380/387, bem como de parecer discordante trazido pelos requerentes às fls. 411/416 e de mais outro parecer, às fls. 417/429, trazido pelo requerido. Os autores interpuseram novo agravo de instrumento às fls. 440/463. Às fls. 469/475, vieram aos autos a complementação do laudo pericial. Ante a decisão do E. Tribunal de Justiça de fls. 535/539, o perito judicial respondeu em separado os quesitos apresentados pelos autores e pelo Ministério Público, às fls.569/574. O requerido pugnou pela improcedência da demanda às fls. 576/578 enquanto os requerentes, questionando o laudo pericial e apontando omissões, pleitearam a realização de nova perícia, com profissional de outra especialidade, às fls. 580/588. Por fim, o Ministério Público opinou pela improcedência do pedido de interdição. É o relatório. FUNDAMENTO E DECIDO. Os requerentes não lograram êxito quanto à comprovação da incapacidade de seu pai para os atos da vida civil e nem apresentaram qualquer evidência da patologia que alegaram acomete-lo. Há que se considerar, ainda, que, tanto durante o interrogatório quanto a partir do laudo pericial o requerido demonstrou higidez mental. Assim, de acordo com o laudo pericial, “o requerido mediante as observações do exame médico-pericial mantém condições físicas, psíquicas de continuar assumindo as responsabilidades da sua pessoa, assumir os atos da vida diária e mantendo os seus compromissos e responsabilidades da vida civil diária.”” (fls. 386) Mais adiante, respondendo a quesito formulado pela psicóloga, aduziu que o requerido “apresenta-se consciente, orientado auto e alopsiquicamente, com plena capacidade cognitiva, de entendimento, interpretação e capacidade profissional e também de conduzir a sua vida diária e assumir suas responsabilidades, etc.”” (fls. 569) Isto posto, à vista da conclusão do laudo pericial e da comprovação da plena capacidade civil do requerido, JULGO IMPROCEDENTE o pedido de interdição formulado por Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub e Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub em face de MAURO SALOMÃO WEINTRAUB, em conformidade com o art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil. P.R.I.C. - ADV: ANDRÉ ZANETTI BAPTISTA (OAB 206889/SP), DILERMANDO CIGAGNA JUNIOR (OAB 22656/ SP), JOSE CARLOS LEITE MACHADO DE OLIVEIRA (OAB 136657/SP)

Letícia Novaes denuncia a prisão política de Lula no Lollapalooza



@leticialetrux

Witzel é um criminoso à solta: precisa ser denunciado, julgado e preso


Por Luis Nassif

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, é um desequilibrado dotado de instintos assassinos. Há vários maneiras desse instinto aparecer. Uma, é através da perpetração pessoal de assassinatos. Outra, é através do estímulo aos assassinos.

O Código Penal trata essas pessoas como partícipes, ou autores intelectuais dos crimes. Quando essa pessoa tem um cargo público, com ascendência sobre a opinião pública, e sobre as forças de repressão, há agravantes óbvios.

Desde que foi eleito, Witzel não só estimulou os assassinatos indiscriminados, estimulando os “tiros na cabeça”, como autorizou o uso de “snipers” (atiradores de elite), atirando à distância, de pontos estratégicos ou helicópteros, sobre a população civil. O aumento exponencial dos assassinatos no Rio, por forças de segurança, está diretamente ligado aos estímulos do chefe maior (no caso das PMs) ou ao efeito-demonstração (no caso dos soldados do Exército).

Mesmo que mirassem só bandidos, estaria configurado um assassinato previsto no Código Penal. Só se aceita a execução quando há indícios de que o atirador corria perigo de vida.

O Ministério Público Estadual, ou o Federal, ou a Procuradoria Geral da República têm que vir a campo e controlar os movimentos desse assassino. É questão de segurança pública. Não se pode deixar a população de todo um Estado à mercê dos instintos assassinos de um governador doente.

80 tiros



80 tiros. Sob forte emoção. Hoje era pra todo mundo cancelar seus compromissos. As tevês tinham que tirar a programação do ar. Os bancos que fechar as portas. As escolas, as câmaras de vereadores, de deputados.Os juízes, os políticos, todos nós. Deveríamos nos reunir onde estivéssemos, sentados no chão, porque é onde estamos, chorar, chorar, chorar e pedir desculpas. Ao país, aos pais, aos filhos. 80 tiros. Não é possível uma sociedade aceitar isso assim, como se fosse normal. Não, não é. Sim, estamos doentes. É preciso refletir sobre isso. Demorada e profundamente. É preciso silêncio, é preciso paz, é preciso falar baixo. É preciso seriedade e inteligência. É preciso que as bestas sejam civilizadas, é preciso que os falsos pastores sejam desmascarados, que os ignorantes se calem e estudem. Que a justiça seja justa. É preciso que as regras voltem a ser obedecidas. É preciso responsabilidade sobre os próprios atos. Urgente. Agora. Não se constrói um país melhor desejando que nossos desafetos sejam injustamente perseguidos e desrespeitados. 80 tiros. É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã. Mas não agora. Agora é hora de tirar a gravata e sentar no chão.

Novo ministro da Educação é seguidor de astrólogo conspiracionista iletrado

Irmãos Weintraub defendem adaptar teoria de Olavo de Carvalho para vencer a esquerda

Mariana Haubert /, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2018

FOZ DO IGUAÇU - Responsáveis pela área da Previdência na equipe de transição de Jair Bolsonaro, os irmãos Weintraub defenderam neste sábado que os militantes de direita devem adaptar as teorias do filósofo Olavo de Carvalho, tido como guru do próximo presidente, para vencer os embates teóricos com os militantes de esquerda. Eles integraram o painel sobre economia da Cúpula Conservadora das Américas, evento realizado neste sábado em Foz do Iguaçu.

Indicado para ser o secretário-executivo da Casa Civil a partir do ano que vem, Abraham Weintraub afirmou que é preciso vencer o marxismo cultural nas universidades e trabalhar para que o país pare "de fazer bobagem" para se chegar a uma situação ideal. Ele afirmou também que é preciso vencer o comunismo e evitar outras ameaças, como ataques islâmicos, para que o Brasil seja uma dos países mais pacíficos do mundo.

"Dá para ganhar deles. É Olavo de Carvalho adaptado", disse Abraham. "E como ganhamos deles? Não sendo chatos. Temos que ganhar com humor e inteligência", completou. Arthur Weintraub, por sua vez, afirmou que "o socialista é a Aids e o comunista, a doença oportunista", arrancando aplausos da plateia de cerca de 200 pessoas. Arthur é o responsável pela previdência na equipe de transição.

Abraham fez uma explanação histórica sobre questões econômicas, mas centrou seu discurso no combate ao pensamento de esquerda. "Quando ele (um comunista) chegar para você com o papo "nhoim nhoim", xinga. Faz como o Olavo de Carvalho diz para fazer. E quando você for dialogar, não pode ter premissas racionais", disse.

Arthur Weintraub, por sua vez, contou que ele e o irmão começaram a ajudar Bolsonaro ainda no ano passado e enfrentaram muita resistência por parte de seus pares. "De 2 mil professores, fomos os únicos que demos apoio a Jair Bolsonaro.

Ricardo Veléz deixará saudades: sucessor é olavista delirante com experiência na especulação financeira


Abraham Weintraub elogiou Olavo de Carvalho em encontro conservador 

Indicado para o comando do Ministério da Educação, Abraham Weintraub já fez vários elogios autoproclamado filósofo .

Durante a Cúpula Conservadora das Américas (a qual nem os próprios conservadores ouviram falar), em dezembro, Weintraub disse que era preciso adaptar as teorias de Olavo para “derrotar a esquerda”.

Weintraub também disse que “é preciso vencer o marxismo cultural nas universidades e trabalhar para que o país pare de fazer bobagem”.

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Explicado.

"Irmãos Weintraub defendem adaptar teoria de Olavo de Carvalho para vencer a esquerda. Responsáveis  pela área da Previdência na equipe de transição de Jair Bolsonaro,  Arthur e Abraham participaram da Cúpula Conservadora das Américas." 


Antes de se animar com o novo ministro da educação, cabe ler o que ele disse ao "Estadão" em agosto do ano passado, quando participava ativamente da campanha do capetão:

"Diante de ameaças é necessário lutar pelo país em que se vive. Os venezuelanos descobriram isso muito tarde. Perderam o controle de sua pátria e hoje são colônia dos ditadores que controlam Cuba. São escravos", disse Abraham, em nome dele e do irmão, sobre o que os motivou a contribuir com Bolsonaro. Não se trata de ser de direita, sustentam. Eles não se reconhecem nas classificações políticas tradicionais. "Esquerda ou direita, acho que é uma rotulação pobre. Somos humanistas, democratas, liberais, lemos a Bíblia (Velho e Novo Testamento) e a temos como referência", afirmou. "

Canibal colombiano da Educação é substituído por especulador do mercado financeiro

Roberto Moraes

Bolsonaro finalmente troca o "des-ministro" do MEC, Vélez.

Em seu lugar nomeia um executivo do mercado financeiro, onde atua há mais de 20 anos. 

Abraham Weintraub é economista e sócio na Quest Investimentos, diretor Estatutário do Banco Votorantim, CEO da Votorantim Corretora no Brasil e da Votorantim Securities nos EUA/Inglaterra. 

A sua experiência no mercado financeiro vai longe, mas na Educação o Lattes nada registra a não ser sua condição de professor. 

Weintraub foi membro do comitê de Trading da BM&F Bovespa; conselheiro eleito da ANCORD; membro do Comitê de Macroeconomia da Andima; representou o Votorantim nos encontros do FMI e do IDB. 

Atualmente é também diretor-executivo do CES (Centro de Estudos em Seguridade) que em 2016, durante o governo Temer, coordenou a apresentação uma proposta de reforma da previdência social. 

As informações são do próprio no Lattes e no Linkedin.

Talvez seja preciso avisar que no MEC, ações tem outro sentido diverso do que sempre lidou no mercado financeiro. As crianças e os jovens não são números e lucros.

O mercado acima de tudo e de todos segue o seu caminho.

Os 100 dias de um idiota no poder



A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um "protesto". Para a elite o que conta é a captura do orçamento público e do Estado como seu "banco particular" para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição.

Mas as outras classes sociais também participaram do esquema. A classe média entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais da classe média. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo eleitoralmente, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres "delinquentes". Juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeu Bolsonaro e sua clique.

Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção.

A "corrupção política", como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a "esquerda" até hoje, ainda sem contra discurso e sem narrativa própria, parece ainda não ter compreendido.

Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados "delinquentes" (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os "comunistas", para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles. Toda a sexualidade reprimida e toda o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu antintelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.

A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos, e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos Bolsonaristas de raiz que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam a mão de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.

Os 100 dias de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua clique que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do "capitão pateta". Ao mesmo tempo sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro "é" a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem a elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.

O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT. Mas ele é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua clique no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo á parte, comandado pelo anti-intelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo. O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo. Esse é o dilema dos 100 dias do idiota Jair Bolsonaro no poder.


Jessé Souza é sociólogo, escritor e autor de "A elite do atraso"

domingo, 7 de abril de 2019

Amizade em tempos bozonarianos

Amigas

Luis Fernando Verissimo

Eu sabia de casos em que conversas que começavam civilizadas e amenas terminavam em trocas de pontapés e o fim de amizades eternas

– Querida, é Gisele.

– Fala, meu amor.

– Preciso da sua ajuda, Zeca.

– Diga.

– É sobre o meu jantar de hoje...

– Mmm. Já estou salivando. Há três noites que o Eurico sonha com sua espuma de bacalhau.

– Pois é...

– Epa. Não gostei do tom desse “pois é”. Qual é o problema?

– É que...

– Fala, mulher! Se o problema for com o bacalhau...

– O problema não é com o bacalhau. É com o Eurico.

– O quê?! Vocês se separaram? Logo hoje, no dia de seu jantar?

– Não, é que...

– O Eurico vai se matar!

– Não. A culpa foi minha. A ideia de reunir amigos antigos como você e o Eurico com a Sonia ou a Sandra, ou como quer que ela e o marido bigodudo e os outros se chamem, me pareceu uma ideia ótima. Até que me dei conta.

– Se deu conta de quê?

– Que eu não sabia a política de nenhum dos amigos novos. Quem tinha votado no Bolsonaro, quem não tinha, quem surpreendera votando ou não votando no Bolsonaro. Eu sabia de casos em que conversas que começavam civilizadas e amenas terminavam em trocas de pontapés e o fim de amizades eternas, quando não de famílias inteiras. Pedi socorro ao Eurico. Ele alegou que não sabia mais a política de ninguém, que já recebera vários choques descobrindo que quem ele sempre julgara um reacionário, não era. O Eurico só pediu à Gisele que cuidasse para não afrontar o bigodudo marido da Silvia ou da Célia, ex-petista que agora usava camiseta do Exército por trás da camisa do Olavo de Carvalho, porque o Eurico tem negócios com ele. Zeca, socorro!

– Amiga, o que você quer? Como é que eu posso ajudar?

– Seja você mesma. Você é boa nisso. Conte piadas, dê risadas, anime a mesa. Tudo para que ninguém se lembre do Bolsonaro e estrague a minha espuma de bacalhau.

– Mas, amiga. Pensei que você soubesse.

– O quê?

– O Eurico e eu votamos no Bolsonaro.

As empresas estão indo embora do país que Elio Gaspari ajudou a destruir


As empresas estão indo embora
Elio Gaspari

À primeira vista, o braço brasileiro da empresa americana RR Donnelley decidiu falir, prejudicando o cronograma da impressão das provas do Enem. Se esse fosse o problema, seria pontual. É mais que isso.

Essa multinacional fatura US$ 6,8 bilhões e opera em 28 países. O silêncio de seus executivos, a intimidade que ela tinha com os educatecas do MEC y otras cositas más deixam no ar perguntas para que se saiba como funcionava essa operação, mas o fato é que ela quer ir embora.

A primeira vítima da falência será o chão da fábrica, onde estão os direitos trabalhistas de seus mil empregados. A falência teve o beneplácito da matriz americana, que certamente terá algo a dizer sobre o assunto. Nos Estados Unidos, ela não se comportaria como se comportou no Brasil.

Antes da Donnelley, a Ford fechou sua fábrica de São Bernardo, a CVS (maior rede de farmácias dos Estados Unidos) fez as malas, a rede francesa de livrarias Fnac pagou para sair do Brasil, o Citibank vendeu-se ao Itaú e o HSBC vendeu-se ao Bradesco. Isso tudo não aconteceu de uma hora para outra, mas o movimento começou em 2015.

Em muitos casos as empresas foram embora porque vieram com falsas expectativas e em outros porque suas operações foram mal administradas. Em dois deles, o da RR Donnelley e da CVS, porque também se enroscaram em litígios judiciais. Em quase todos, não conseguiram operar pelas regras e costumes do capitalismo mambembe brasileiro.

Numa época em que as economias no mundo se integram, a Terra dos Papagaios não só perdeu atrativos para quem investe na produção como tornou-se desinteressante para quem está aqui. Para a turma do papelório eletrônico, continua a ser um paraíso.

Desde que os franceses vieram pegar pau brasil e papagaios na costa da Terra de Santa Cruz o ufanismo nacional cultiva a ideia segundo a qual os estrangeiros querem vir para cá. Às vezes querem, mas há épocas em que preferem sair. 

Faz tempo, quando se falava em abrir o mercado nacional, importadoras de carros abriram filiais brasileiras. A Aston Martin (o carro de James Bond) veio e houve um ano em que vendeu apenas duas peças. Azar o delas, mas algumas tentaram construir fábricas e desistiram. 

Enquanto a discussão ficava em torno do vem-não-vem, ela era uma. Quando quem veio se vai, ela deve ser outra.

Defender a liberdade de Lula é defender a Constituição

Flávio Dino

Segundo a Constituição e as leis, ninguém pode ser preso por “atos indeterminados”, sem crime devidamente provado. Decisão contra LULA não atendeu aos requisitos jurídicos, mas sim a metas políticas. Por isso, defender a liberdade de Lula é defender a Constituição. #LulaLivre

Como alguns vão tentar desqualificar minha opinião, sou obrigado a lembrar que em 1994 fui aprovado em 1º lugar em 2 concursos: Juiz Federal e Professor de Direito Constitucional. Creio que não desaprendi, como constato lendo opiniões similares de milhares de juristas: #LulaLivre

O Direito não pode estar submetido a apetites individuais ou a paixões partidárias. Os Tribunais, o Direito Penal e o Processo Penal existem para proteger a todos contra atos arbitrários de pessoas ávidas por cargos, poder e fama. Se isso prevalece, morreu o Direito. #LulaLivre

Aos que me “advertem” que defender essa opinião vai me “atrapalhar” no futuro: não sou oportunista, não vivo de cálculos “politiqueiros”. Não sou afeito a extremismos e sempre pondero. Segundo a correta interpretação do Direito, hoje não tenho dúvidas de defender: #LulaLivre

Não existe saída para o Brasil sem Lula Livre



ANÁLISE - UM ANO DA PRISÃO DE LULA OU SOBRE O LULA LIVRE

Há um texto do espanhol José Maria Maravall sobre o lawfare que ajudou a acabar com o longo domínio pós-Franco do PSOE de Felipe Gonzáles. Ele mostra como as ações na justiça foram importantes para isso. Sem entrar no mérito jurídico do processo que condenou Lula, que é muito questionável, trata-se de algo evidente que o PT foi o único partido que perdeu sua principal liderança em função da justiça. Por outro lado, Lula é um símbolo fortíssimo. Ele é sinônimo de política social, de melhoria da vida dos pobres, de bolsa-família, de defesa dos direitos de negros, LGBTs e outros. Quando saiu da presidência ele foi de SP a Brasília em um voo de carreira da Gol, foi ovacionado na aeronave e nos dois aeroportos, era 2011. Foram necessários 7 anos de noticiário contra Lula para que a sua imagem fosse derrubada e, mesmo assim, entre aspas, pois vale lembrar que ele liderava todas as pesquisas da eleição presidencial de 2018. A decisão de libertar ou não Lula é política, não é jurídica. Todos sabem disso. Lula livre é sinônimo de tudo que ele representa. Lula preso é a negação do que ele significa. A decisão entre Lula livre e Lula preso é de uma parte de nossa elite, que envolve fortemente o poder judiciário. Vejamos qual será a sua escolha, se será a favor de um país mais igualitário ou não.

Um ano de infâmia