domingo, 2 de junho de 2019

MC Reaça: funkeiro fascista suicidou-se depois de espancar amante grávida


Funkeiro Tales espanca namorada e se mata
Por Alenita Ramirez

   
O MC Reaça, Tales Alves Fernandes, conhecido como o funkeiro Tales Volpi, de 25 anos, espancou a namorada, uma agente de viagem de 28 anos, e depois se matou. Tanto Volpi como a namorada são moradores de Indaiatuba. A moça segue internada em estado grave no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC). O corpo dele está sendo velado no cemitério Parque dos Indaiás e será enterrado nesta segunda-feira (3), às 10 h. O crime e o suicídio aconteceram entre madrugada e início da tarde deste sábado (1º)

O funkeiro ficou famoso no ano passado ao gravar músicas em apoio à então candidatura de Jair Bolsonaro à presidência. A composição compara mulheres às cadelas e o vídeo chegou a ser compartilhado nas redes sociais de Flávio Bolsonaro.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na delegacia de Indaiatuba por um metalúrgico de 62 anos, a filha namorava Volpi e na madrugada de ontem ligou para a mãe, que está no Rio Grande do Sul, avisando que havia sido agredida pelo namorado e estava internada no hospital. O pai seguiu até o HAOC onde foi informado que a agente de viagem passará por cirurgia, uma vez que apresenta edema e hematomas no lado direito dos rosto e no olho, além de fraturas no maxilar.

O funkeiro era casado e tinha uma relação extraconjugal com a agente de viagem. A polícia acredita que a agressão foi em razão de um suposto anúncio de gravidez, já que em um dos áudios enviado por ele à mulher, o músico pede para que ela ajude a amante a cuidar do bebê, caso a criança sobreviva.

Após o espancamento à namorada, Volpi saiu de moto. Por volta das 14h deste sábado, a Polícia Militar Rodoviária foi acionada por um funcionário da Concessionária Rota das Bandeiras, que administra a Rodovia Dom Pedro 1. Ele relatou que passava pelo km 116 da pista quando avistou uma moto estacionada no acostamento e um rapaz, com uma corda nas mãos, indo em direção a uma árvore, no meio da mata. Ele pediu ajuda da base, mas não conseguiu evitar o suicídio.
...
Bolsonaro usou as redes sociais para lamentar a morte de MC Reaça. 

A fila do Everest


Luis Fernando Verissimo
Como fomos de Edmund Hillary, o primeiro a chegar ao cume do monte, em 1953, a vendedores de água mineral e biscoitos Globo na fila, sem nos darmos conta?
Por certo, nenhuma imagem publicada na imprensa mundial nos últimos dias impressionou tanto quanto a foto daqueles alpinistas fazendo fila para chegar ao topo do monte Everest, colocar uma bandeirinha do seu país ou uma lembrancinha da sua mãe e pedir para o cara de trás tirar uma selfie. A fila não é pequena, é enorme. Presume-se que não seja novidade e que se forme todos os dias, resistindo ao frio, ao vento, à falta de ar, à morte e à impaciência do cara de trás. O que aconteceu para que o desafio se tornasse corriqueiro?

*

O Everest continua onde sempre esteve. Seu pico deve aumentar ou diminuir com as variações no tempo, mas não muito. O desafio ainda é o mesmo, ainda se sofre para chegar ao cume da grande montanha. Tanto quanto sofreu o neozelandês Edmund Hillary, primeiro a chegar lá, em 29 de maio de 1953. Hillary tornou-se uma celebridade mundial e viveu dos direitos da sua aventura até morrer, em 2008. O guia da expedição que culminou, trocadilho intencional, com a conquista de Hillary, o nepalês Tenzing Norgay viveu menos do que Hillary (morreu em 1986), mas foi uma espécie de subcelebridade, bem recompensada, embora pouco lembrada depois da aventura. Hillary foi um autêntico herói ocidental que falava a língua dos colonizadores. Ninguém esperava que o nome de um nepalês aparecesse nos créditos junto com o nome de um neozelandês. Não neste mundo.


*

A questão dos créditos sempre foi uma questão de nomes. Você imaginaria que o nome “Everest” seria uma justa homenagem a alguma divindade oriental ou monumento nacional, e não a um cientista e explorador inglês, como é. Quando apareceu reproduzido num mapa pela primeira vez, na China, o monte foi identificado como Qomolangma. No Tibete ele era, ou ainda é, Chomolungma. Também na China, seu nome era ou é Zhugmulanga Feng.

*

Como se explica a fila do Everest? Descobriram uma nova rota de subida? A população do mundo está maior do que se pensava, está sobrando gente para fazer fila, qualquer fila? Como fomos de Hillary e Norgay se arrastando na neve a vendedores de água mineral e biscoitos Globo na fila, sem nos darmos conta?

Perdidos na Terra

Dorrit Harazim
Em sua 29ª semana no poder, Bolsonaro ainda soa como se estivesse pisando em solo intergaláctico
Difícil conceber missão mais atordoante para a mente e o corpo do que a empreendida em julho de 1969 pelo americano Neil Armstrong — sair de uma nave espacial, a Apollo 11, e pisar na Lua. Na Lua, caramba! Essa experiência transcendental, tanto para o astronauta como para a humanidade, será fartamente dissecada nas homenagens previstas para o cinquentenário da epopeia. Mas vale lembrar que Armstrong, apesar de ser filho de pais devotos, nunca se considerou escolhido por Deus para realizar a monumental missão. Viveu longa e produtiva vida na Terra com o mesmo foco com que imortalizou suas pegadas no “ Mar da Tranquilidade” lunar.

Em sua 29ª semana no poder, Jair Bolsonaro ainda soa como se estivesse pisando em solo intergaláctico. Em longa entrevista concedida à revista “Veja”, o presidente se mostra atordoado com o caminho que acredita ter-lhe sido designado por Deus. “Imaginava que ia ser difícil, mas não tão difícil assim”, declarou aos jornalistas porcalistas Mauricio Lima e Policarpo Júnior. “Essa cadeira aqui é como se fosse criptonita para o Super-Homem. Mas é uma missão. Entendo que Deus me deu o milagre de estar vivo”, disse, referindo-se ao atentado à faca que sofreu em setembro passado. “Nenhum analista político consegue explicar como eu cheguei aqui, mas cheguei e tenho de tocar esse barco...”

Na sexta-feira, poucas horas após a publicação da entrevista regada a lamentos e autoelogios superlativos, deu uma remada a mais no seu modo de tocar o barco. “Será que não está na hora de termos um ministro evangélico no STF?”, perguntou aos fiéis presentes à Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira, numa estocada adicional contra a criminalização da homofobia sendo julgada no Supremo.

Para quem fica algumas semanas de folga do ciclo noticioso 24/7, pousar novamente no planeta Brasil de 2019 não é banal. O país parece uma casa de espetáculos com programação múltipla, disfuncional: em Brasília há desde sessões matinais de troca de coraçõezinhos entre o presidente e a bancada parlamentar feminina até a matinê “A Praça é Nossa”, em homenagem ao apresentador Carlos Alberto de Nóbrega com aparição impromptu do presidente.

Mas há, sobretudo, o horror sazonal das matanças intestinas nos presídios nacionais — desta vez foram 55 os mortos esganados ou perfurados até ficarem exangues, em quatro unidades do Amazonas. Para quem tem interesse no tema, recomenda-se aqui o livro “American Prison: A Reporter’s Undercover Journey into the Business of Punishment” . Trata-se de um mergulho quase dickensiano no universo do sistema prisional americano gerido por empresas privadas. Nada a ver diretamente com a Umanizzare, empresa responsável pela gestão dos convulsionados presídios amazonenses, mas seminal. O autor é Shane Bauer, repórter investigativo da “Mother Jones”.

O planeta Brasil de hoje (como de ontem, aliás) parece ter um braço extraterritorial em Lisboa, Harvard, China, Jerusalém, tantas são as escapadelas individuais ou caravanas para eventos, seminários, viagens oficiais. A novidade são os desconvites — somente no mês de maio o próprio Bolsonaro achou prudente evitar Nova York e contentar-se com Dallas para receber um prêmio, enquanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tratou de cancelar um giro europeu (Paris, Oslo, Berlim, Londres) que tinha tudo para dar errado. Não apenas as lideranças europeias preferem manter distância da atual política de desconstrução ambiental do Brasil como o ativismo ecológico no Velho Continente está mais vibrante do que nunca — é provável que o giro de Salles teria tido um séquito interminável de protestos de rua.

Adicione-se a ideia de Bolsonaro, apresentada sem sutilezas, de transformar a Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis, numa pulsante Cancún turística. Ela consegue soar mais desvairada ainda do que a imagem do recente engarrafamento humano no topo do Everest.

Ao contrário do que se pensa, governos populistas fascistas não se diferenciam dos demais por criticarem as elites, pois apontar falhas nas altas esferas do poder é essencial a democracias. A característica dos populistas, ensina Jan-Werner Müller, professor de Teoria Política de Princeton, está em se apresentar como únicos representantes do que seria o cidadão de bem, o verdadeiro cidadão. As demais lideranças nacionais passam a ser retratadas como potencialmente corruptas, usurpadoras ilegítimas da confiança popular, e quem as apoia não seria povo.

Selecionar um povo ideal que caiba no figurino imaginado é o sonho quântico de todo populista. Para o povo real, poder contar com alguma política de educação coerente já seria milagroso.

AO VIVO: Festival Lula Livre em São Paulo



A TVT  e a Rádio Brasil Atual transmitem, das 14h às 21h, a terceira edição do Festival Lula Livre que acontece em São Paulo!

Os shows de BaianaSystem, Emicida, Rael, Criolo, Nação Zumbi, Tulipa, Slam das Mina, Fernanda Takai e muitos outros acontecem na Praça da República.

O Festival Lula é um ato musical e político em defesa da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Os europeus menosprezaram os neandertais - até perceberem que compartilhavam seu DNA

Antonio Luiz M. C. Costa

Quando se descobriu que são os europeus e não os aborígenes australianos que têm mais parentesco com os neandertais, a imagem do homem de Neandertal passou por uma transformação dramática.

"Quando seus restos foram descobertos em 1856, o naturalista alemão Ernst Haeckel sugeriu nomear-lhes Homo stupidus. Mas agora esses mesmos neandertais, outrora definição de dicionário de assassinos simplórios, boçais e incivilizados, foram estranhamente reabilitados."

Em 2018, pesquisadores na Suíça e na Alemanha sugeriram que os neandertais tinham um "comportamento cultural sofisticado", levando um arqueólogo britânico a se perguntar se "eram muito mais refinados do que se pensava".

Um arqueólogo na Espanha afirmou que humanos modernos e neandertais devem ter sido "cognitivamente indistinguíveis".

"Os neandertais são romantizados. Não estão mais aqui e não temos muitas evidências sobre como eles eram ou como viviam, o que significa que eles podem ser o que quisermos que eles sejam. Somos livres para projetar boas qualidades, coisas que admiramos e nossos ideais neles".

Por mais de um século, a palavra “neandertal” foi sinônimo de baixa inteligência. No espaço de uma década, uma vez que se suspeitou da ligação genética com os europeus modernos, tudo isso mudou.

"Se fossem os aborígenes australianos que tivessem alguns ancestrais neandertais em vez dos brancos europeus, nossos primos neandertais teriam tido sua imagem tão extraordinariamente reformulada? Eles teriam sido recebidos com tantos abraços calorosos?"

"Os neandertais foram trazidos para o círculo da humanidade por terem um pouco de parentesco com os europeus - e se esqueceu que, há um século, foi sua suposta semelhança com nativos australianos que ajudou a expulsar estes últimos, seres humanos vivos e reais, deste circulo"

Notícias do Hospício

Adélio Bispo junta-se à nau de loucos, ao Titanic psicodélico do Brasil


CartaCapital

Na edição da semana de #NotíciasDoHospício, o correspondente no manicômio Fred Melo Paiva traz importantes relatos, com vídeos que comprovam a planicidade da Terra, além de um apelo da Ministra Damares Alves aos pais. Fred traz também boas notícias, tanto para o Meio Ambiente, quanto para o time de loucos, que realizou uma grande conferência e acaba de ganhar a companhia de Adélio Bispo.

O recalque e o ressentimento tomaram conta do país

Bernardo Carvalho
Nem com seus percalços os personagens de '45 Dias sem Você' projetam sua realização na infelicidade alheia
Pensei em dar o título de “Lady Macbeth Redux” a uma crônica sobre o surto de uma mulher que, ao pressentir a iminência da debacle, depois de anos de intensa atividade política nas redes sociais, promovendo o cônjuge cego de vaidade e sustentáculo moral do governo, tentasse em vão exortá-lo a abandonar o barco antes de seu nome ser chafurdado para sempre na lama da história.

Seria uma crônica cômica sobre os horrores perpetrados por um simulacro de governo que oscila entre a estupidez, a irresponsabilidade e a desonestidade, sempre em nome do pior, para salvar a própria pele. Seria mais uma crônica sobre a indignação e a impotência de ver um país se desmantelando nas mãos da pior escória. E, nesse sentido, é provável que soasse como um disco riscado.

Mudei de ideia depois de assistir ao filme de Rafael Gomes, “45 Dias sem Você” (já disponível nas plataformas digitais). A exemplo do protagonista, resolvi arejar o espírito em outras paragens e tentar evitar, nem que fosse apenas no espaço exíguo desta crônica, o nome já tão surrado do objeto da minha obsessão e da nossa ruína.

“45 Dias sem Você” acompanha um rapaz brasileiro entre Londres, Coimbra e Buenos Aires, tentando esquecer uma desilusão amorosa. Ao longo da viagem, nas conversas com os amigos que o hospedam e que, por motivos diversos, deixaram o Brasil sem perspectiva de volta, ele evita dizer o nome daquele que é o objeto de sua obsessão sentimental. A interdição acaba ganhando tom de piada.

“45 Dias sem Você” é um filme encantador, doméstico e lúdico, que faz lembrar o cinema de Éric Rohmer.

É possível imaginar que, antes de saírem do Brasil, esses personagens tenham participado das primeiras manifestações de 2013, aquelas contra o aumento das tarifas de ônibus. E que tenham se surpreendido com o desdobramento imprevisível dos protestos, que desembocaram no movimento pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Como todo mundo, devem ter assistido boquiabertos ao arrastão dos acontecimentos políticos subsequentes. Fazem parte de uma juventude de classe média alta ou remediada, branca em sua maioria e com meios para debater seus dilemas existenciais e amorosos em viagens pelo mundo.

A seu favor, entretanto, deve ser dito, ainda mais hoje, como exceção, que sua busca pela felicidade não está atrelada à infelicidade dos outros. Não dependem de estrangular a vida alheia, de frustrar projetos ou estragar o dia dos outros. Por mais individual, juvenil e romântica que seja sua busca, ela pressupõe um terreno fértil, comum a todos, como condição de possibilidade. É a ausência dessa condição no Brasil que justifica pelo não dito o autoexílio dos personagens.

Ao contrário do que diz a narrativa dos vencedores, o Brasil elegeu nas últimas eleições presidenciais o único candidato não só capaz de transformar o país numa Venezuela mas cuja sobrevivência política parece depender exatamente disso. O método de desmanche do Estado e das instituições não deixa muita dúvida.

Ou alguém acredita mesmo que o estrangulamento da ciência e da educação, os ataques ao meio ambiente, os incentivos à indústria tabagista, o rebaixamento do programa de combate à Aids, a demonização da Justiça e do Parlamento podem servir de alguma maneira ao Brasil e aos brasileiros?

Escrevi há alguns meses, neste mesmo espaço, sobre um casal da alta burguesia paulistana que, ao me ver saindo com amigos de um restaurante nos Jardins, no dia das eleições, com adesivos do Haddad no peito, pararam a SUV no meio da rua, abriram a janela e gritaram: “Vão pra Venezuela, viados!”. Não bastava vencerem; precisavam foder com a vida alheia e com tudo o que os contrariasse.

Os personagens de “45 Dias sem Você” correm atrás da felicidade do jeito que podem, mas não lhes passaria pela cabeça, nem com todas as suas dificuldades, percalços e desilusões, projetar sua realização na infelicidade alheia. É uma diferença brutal de perspectiva e de paradigma em relação ao recalque e ao ressentimento que tomaram conta do país, tornando-se lugar-comum entre nós, projeto de governo e modelo de políticas públicas.

Pela ausência deliberada e conspícua, o Brasil acaba ganhando uma presença triste e contundente no filme de Rafael Gomes. Ao debater uma desilusão amorosa pessoal, e sem nunca mencionar o nome da nossa ruína comum, os personagens nos falam o tempo todo, em sua juventude, em sua inocência e em seu romantismo, sobre o que poderia ter sido e não foi, o que deu tremendamente errado entre nós.

Bernardo Carvalho
Romancista, autor de "Nove Noites" e "Simpatia pelo Demônio".

Se o STF não defender a Constituição, para que ele serve?


Renato Janine Ribeiro

Por volta de 2006, fui convidado a falar na AGU. No fim da palestra me apresentaram o ministro Toffoli. Faziam um trabalho bom de inclusão de crianças em condições difíceis. Mesmo assim, estranhei um video de uma ação deles em cooperação com alguém em Cubatão (SP), que incluía a formação de adolescentes uniformizados marchando em pelotões. Não achei educativo.

Foi a única vez que o vi.

Mas me surpreende que neste momento, em que sai uma norma inconstitucional do governo por dia (praticamente), o presidente do STF esteja fazendo pacto com o presidente em vez de defender a Constituição.

Hoje, o deboche de um sucessor meu, falando em tom de piada do Museu Nacional, patrimônio destruído pelas chamas. (Nem interessa se ele tem razão. A Leilane Neubarth, sem coragem de dar nome aos boys, o desmentiu na GNews mais tarde. Contou que o corte de 12 milhões, atribuído pelo ministro à bancada do Rio, foi determinado por Paulo Guedes).

Ou a proibição de protestos por parte de professores, alunos e funcionários.
Ou a proibição de universidades federais terem seus sites.

E Toffoli, não diz nada? Apenas adia o julgamento do processo sobre homofobia, que já tem votos suficientes para proclamar a criminalização desse preconceito desprezível?

Se nesta hora difícil o STF não defender a Constituição, para que ele serve?

Flaira Ferro canta sobre a juventude e a educação


Brasil com menos ódio: morre o bolsomínion MC Reaça


Uma grande mentira

Os bolsonaristas do poder econômico começam a se assustar
Janio de Freitas

A aquietação silenciosa em que a trupe mergulhou, por toda a semana, obedeceu à reação, demorada mas enérgica, dos ministros militares à tolerância explícita de Jair Bolsonaro aos insultos de Olavo de Carvalho ao general Villas Bôas.

O "basta", calado diante de ataques a outros generais, como Santos Cruz, e mesmo aos militares em geral, representa a primeira dissensão verdadeira, apesar das várias noticiadas, entre os generais reformados do governo e Bolsonaro.

O ataque ao ex-comandante do Exército foi agravado por dirigir-se também ao estado físico do general, condicionado à cadeira de rodas e ao auxílio respiratório. Pior do que indiferente, a atitude de Bolsonaro desconsiderou a contribuição de Villas Bôas à sua eleição, como patrocinador da candidatura nas Forças Armadas e entre os conservadores civis.

Não podendo ser um dos limitados à comunicação privada, Bolsonaro refluiu as suas provocações e a falta de senso, também como efeito das cobranças e conversas afinal mais responsáveis no Planalto.

Passou a semana buscando eventos em que se mostrasse simpático, quis entrevistas, culminando com o espetáculo do enlace a que atraiu dois incautos. Dias Toffoli e Rodrigo Maia capitularam a papéis deploráveis.

O primeiro não tem como comprometer por sua conta, em pactos ou no que seja, os demais magistrados do Supremo Tribunal Federal. Até os desvalorizou no tal pacto político com Bolsonaro em nome do tribunal. O outro, sonhando sempre com a Presidência, pensou subjugar às pretensões do Executivo a independência do Legislativo ditada pela Constituição. Ambos demonstraram mais presunção pessoal do que noção dos limites de suas funções.

O silêncio da trupe e a contenção de Bolsonaro falsificaram a índole do governo. Só Abraham Weintraub, da Educação (sic), com seu desempenho tanto pior que o de Ricardo Vélez quanto, por isso, melhor para o saldo de democracia ainda existente.

A construção ou, no nosso caso, a salvação do regime medianamente democrático precisa de quem o defenda. À falta de oposição organizada e incisiva, estudantes coadjuvados por professores entregam-se com altivez a esse papel. Weintraub é quem os incita.

Flagrante significativo: os meios de comunicação clamam sem cessar por melhor sistema de ensino, sua única ou maior bandeira de benefício com amplitude absoluta —e recorrem a métodos conhecidos para depreciar as manifestações contra o corte de 30% dos recursos do ensino superior público. É o famoso tiro no pé. Há informações sobre esforços de organização para manifestações várias, já em junho, de outros segmentos prejudicados.

É o esperável de um país que degringola. Ao se completar apenas o quinto mês de governo, os 3% de crescimento neste ano, previstos antes da posse pelo novo ministro da Economia, já estão reduzidos à faixa do zero vírgula. Afinal divulgados, os resultados econômicos do primeiro trimestre foram desastrosos. Os do atual não prometem coisa melhor.

A figuração das mudanças na Previdência como chave para uma grande virada é engodo. E seus propagadores sabem que aí não há milagre algum.

Estamos vivendo dentro de uma grande mentira. Não há sinal de que os militares do governo se inquietem além das bagunças da trupe bolsonara.

Mas os bolsonaristas do poder econômico (sim, é redundância) começam a assustar-se, ainda mais com as perspectivas do que com a má atualidade. Por ora, pacificam-se na sua catedral, a Bolsa. Não falta muito, porém, para que se sintam premidos a liberar as palavras ainda retidas em ambientes restritos, como fizeram em ocasiões passadas. Sem que isso permita, necessariamente, vislumbrar uma saída saudável de dentro da grande mentira.

sábado, 1 de junho de 2019

Desemprego caindo


Crocodilo miliciano


O Brasil de Bolsonaro


Caetano processa Olavo e Justiça notifica astrólogo nos EUA

Revista Época

Olavo de Carvalho foi notificado nos Estados Unidos pela Justiça brasileira, por meio da cooperação internacional entre o Brasil e os EUA, sobre o processo de danos morais que Caetano Veloso move contra o escritor.

Caetano pede indenização de R$ 150 mil de Olavo, que chamou o cantor de pedófilo. Caetano já venceu na Justiça um blogueiro que criou a hashtag #CaetanoPedófilo, acusando Caetano por ter começado a namorar a produtora Paula Lavigne quando ela tinha 13 anos — há mais de 30 anos, quando a lei não afirmava ser proibido.
Olavo de Carvalho é intimado nos EUA Foto: Coluna Guilherme Amado/Agência O Globo

Foi o próprio Olavo quem recebeu o documento, em mãos.

Sofrimento é inevitável


O apodrecimento da Justiça criminal é patrocinado pelo Poder Judiciário


Quando os olhos condenam
Luís Francisco Carvalho Filho

A polícia é "capaz de tudo". A afirmação é chocante —afinal, em tese, forças policiais existem para proteger— e parece exagerada. Mas não é.

A frase é fio condutor da série que estreou mundialmente ontem sobre cinco adolescentes condenados em Nova York por um crime que não cometeram: "Olhos que condenam" ("When They See Us"), direção de Ava DuVernay para a Netflix.

Neste célebre caso, o erro judiciário se explica pelo racismo e pela histeria coletiva. Quatro rapazes negros e um latino são suspeitos porque estão no Central Park fazendo bagunça em uma noite de abril de 1989. São obrigados a confessar.

A série tem o componente político da atualidade. Os personagens estão vivos e os Estados Unidos, na antessala da eleição presidencial.

Em meio à indignação provocada pelo ataque brutal contra a mulher branca e formada em Yale, surge o empresário arrivista Donald Trump investindo US$ 85 mil em matéria paga clamando pelo retorno da pena de morte e da "nossa polícia".

Mesmo depois da declaração da inocência dos réus, Trump reapareceria em 2016, não para lamentar o erro clamoroso, mas para legitimar a condenação, mesmo que o DNA do verdadeiro estuprador tenha sido localizado na cena do crime.

A polícia só não é "capaz de tudo" porque há instrumentos de proteção institucional. Sim, sempre haverá policiais corruptos e assassinos, mas o poder desmedido tornaria o aparelho repressivo implacavelmente arbitrário e absolutamente impune.

Suspeita tem limites, regras. Como agentes de segurança correm risco de vida no enfrentamento do crime violento, eles defendem a erosão do sistema de pesos e contrapesos.

Nos EUA, policiais alcançam imunidade ainda que o componente racial do abuso seja escandaloso. No Brasil, Bolsonaro empresta o peso da Presidência da República para proteção de policiais que matam por matar.

A Justiça não libertaria militares (exercendo poder de polícia) acusados de desferir 80 tiros contra o veículo de um magistrado, mas os liberta se os 80 tiros são desferidos contra o de uma pessoa qualquer.
A recente reportagem do programa "Fantástico" sobre reconhecimento de suspeitos no Brasil é sólida e didática.

O repórter lembra que cérebro não é câmara fotográfica e mostra como é passível de falha o olhar da testemunha. Indução voluntária ou involuntária da autoridade responsável pela investigação, diferentes graus de atenção, memória e rigor semântico, o desejo insondável de identificar alguém para mitigar os efeitos da agressão, tudo é capaz de embaralhar certezas e incertezas no processo criminal.

Em vez de aprimorar protocolos, para reduzir a incidência do erro (a pretexto de lutar contra a impunidade e de eliminar formalidades inúteis), os tribunais brasileiros têm visão complacente da atividade policial. Toleram desvios e violência desde que praticados contra pobres ou pretos.

O Código de Processo Penal estabelece que, antes do reconhecimento, a testemunha deverá descrever a pessoa a ser reconhecida. O segundo passo é colocar a pessoa a ser reconhecida ao lado de outras que com ela tiverem semelhança.

O roteiro é simples, mas não é obedecido por policiais e juízes. Segundo o entendimento jurisprudencial, o texto da lei é "recomendação", não "exigência". Como dá trabalho cumprir a lei, ainda que policiais e juízes sejam remunerados para isso, o reconhecimento é feito "nas coxas" e os equívocos se multiplicam.

Joice Hasselmann, expoente da direita-alfafa

CHEQUE = ordem de pagamento à vista. Documento bancário.
XEQUE = Posição difícil ou comprometedora, termo dos jogos de xadrez.

O entreguismo fardado

Carta Capital desta semana enterra o bisturi na ferida: onde anda o tão propalado nacionalismo das Forças Armadas brasileiras?

Da soberania à sinecura. Seduzido pelas benesses do poder, o comando militar torna-se o fiador do desmonte da economia e da liquidação do patrimônio nacional. 

Jegue Kelly! O Ignorante do MEC!

O ministro cortou verbas da Educação pro país ficar tão ignorante quanto ele 

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Pensamento do dia: “O Brasil não precisa nem de extrema esquerda nem de extrema direita, precisa de extrema unção!” Tira o tubo! Rarará!

“Ministro da Educação grava vídeo de guarda-chuva ao som de ‘Cantando na Chuva’!” Imitação de Gene Kelly em “Singing in the Rain”. E o chargista Reuvar: JEGUE KELLY! Jegue Kelly in Golden Rain! Rarará! ​Show de calouros! Parecia vídeo que esse povo louco grava pra participar do “BBB”! E ainda erra no português: “Haviam emendas”. ANTAlógico!

Por isso que ele cortou verbas da educação: pro país ficar tão ignorante quanto ele! O INGUINORANTE DO MEC! Rarará! Eu acho que ele é inimigo infiltrado!

E o plano de saúde do Queiroz é o Miliciamed! Rarará!

E o Bozo não vai fazer piada de japonês com o pibinho do Guedes? Bolsonaro e Guedes no elevador: “Guedes, você soltou um pum?”. “Não, foi só um pibinho.” Rarará! PIB: Pobreza Individual do Brasileiro. E na casa de uma amiga minha, PIB é Pinto Indo pro Brejo! Rarará!

“Damares diz que o Bob Esponja é gay e namora o Patrick!” Só porque ele veste rosa? Doidamares já disse que a Elsa de “Frozen” é lésbica e o Bob Esponja é gay! Não vai sobrar um desenho hétero? E o apelido dela é MENINISTRA! Não cresceu!

E o Flávio pediu um habeas artamentus! E sabe o que o Bozo falou do Flávio? “Ele não é meu filho, ele é filho do Lula!” Rarará! E o Lula recebeu uma carta do papa. É lindo, mas não adianta nada. O Papa é Supremo Pontífice, mas não é o presidente do Supremo. Esse Papa vai entrar na Lava Jato! Rarará!

Bolsonaro, Maia e Toffoli anunciam o Pacto dos Três Poderes. Ops, dos TRÊS FODERES! Rarará! E o chargista Son Salvador revela como foi o pacto. Bolsonaro: “Vamos fazer um pacto”. Toffoli: “Eu prefiro lagosta”. E o Maia: “Eu como os dois: o pacto e a lagosta”. Rarará!

Melhores faixas do Ato dos Estudantes! “Ministro deixa de show! Você não é a Xuxa”. “Corta da Educação, mas não cobra o Pai do Neymar e o Veio da Havan!”. “Cadê o Queiroz?”. “Nossas expectativas já eram baixas, mas puta merda”. Rarará! O Bolsonaro tá cutucando onça com vara curta: estudantes!

Nóis sofre mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!