quinta-feira, 1 de abril de 2021
Órfão de Trump, Bolsonaro sobe na prancha e tem os dias contados
Na pandemia, Bolsonaro oferece caos e deixa social em segundo plano
Entenda o motivo do atraso ainda maior da vacinação contra a Covid-19
quarta-feira, 31 de março de 2021
Bolsonaro precisa ser neutralizado, afastado do poder e depositado na caçamba da História
Quando acaba a pandemia?
Quando acaba a pandemia? Do @drauziovarella , no Instagram. pic.twitter.com/KJQJw3wkPi
— Rita Machadø (@nesimachado) March 31, 2021
Valentão de Palácio
Já tínhamos no Brasil como consagrada a expressão "cavalo paraguaio" que define aquele tipo de político que sempre larga na frente nas pesquisas eleitorais e nas urnas amarga um dos últimos lugares. E o famoso "cavalo de parada"? Aquele político bonitão, garboso, charmoso, mas que é um zero à esquerda no trabalho e no desempenho parlamentar.
Jair Bolsonaro, o estorvo que reside no Palácio do Alvorada e trabalha no Palácio do Planalto, é inspiração agora para um novo personagem na política nacional: o "valentão de palácio".
O vi hoje, em discurso no Palácio Planalto, exortando os brasileiros a sairem às ruas e enfrentarem com coragem a pandemia do coronavírus. Nenhuma palavra sobre os cuidados, a necessidade de distanciamento social, sobre a permanência em casa sempre que possível. Pelo contrário, mentiras sobre um suposto "lockdown" que estaria acontecendo no país e do qual ele é crítico ácido.
Ora, ora, qualquer que saia às ruas de qualquer cidade brasileira sabe que no máximo, em algumas, estão em curso medidas de fechamento de boa parte do comércio e restrições à circulação de pessoas em horários noturnos. Em quase nenhuma nada próximo a um "lockdow". Este é o panorama geral.
O presidente mente, como usual.
Mas, além de mentir, exortar brasileiros pobres da periferia que, se adoecerem de forma gravosa, irão morrer em casa por causa do colapso do sistema de saúde público é covardia. Mesmo os brasileiros de classe média alta, que possuem bons planos de saúde, na atual situação correm o risco de ficar sem atendimento médico por ausência de vagas nas UTIs de hospitais privados.
A exortação ao enfrentamento do vírus de "peito aberto" como defende o ignóbil presidente brasileiro é típica de um "valentão de palácio". Ele e sua extensa família estão protegidos por centenas de assessores, médicos renomados e garantia de que face à qualquer problema terão assistência médica imediata e integral, com transporte por helicópteros a qualquer excelente hospital brasileiro.
É fácil, muito fácil, ser um "valentão de palácio".
No fundo, apenas um covarde.
Bolsonaro: o cavalo de Troia que pode deixar os militares a pé
Covid volta a crescer globalmente
Covid volta a crescer globalmente, alertam Drudge e Axios
Aumento vai dos EUA à Índia; no Brasil, número de mortes 'ultrapassa em muito qualquer coisa vista no início da pandemia'
No alto do Drudge Report, "Vírus cresce globalmente...", linkando o site Axios. Além da "desgraça iminente" nos Estados Unidos, como foi descrita pela própria Casa Branca, são citados Índia, Alemanha, Quênia e sobretudo:
"O Brasil está registrando, de longe, o maior número de
mortes diárias do mundo, ultrapassando em muito qualquer coisa vista no início
da pandemia." Foi antes das 3.780 de
terça (30).
Sobre os EUA, no alto da home do Washington
Post, "Nação se prepara para quarta onda com aumento de casos".
No New
York Times, a "ameaça de surto de casos" chegou a ser manchete
pela manhã, na terça, responsabilizando novamente a "variante que surrou o
Reino Unido, B.117".
Pelas contas do WP, o salto em uma semana foi de 12%. Pelas
contas do NYT, alertando que "a nação está muito longe de alcançar a
chamada imunidade de rebanho", o salto em duas semanas foi de 19%.
Em editorial com a foto acima, a nova edição em revista do financeiro Caixin, de Pequim, cobra vacinação "mais rápida", enfatizando que "a China controlou com sucesso a pandemia, mas elevar a taxa de vacinação tornou-se uma prioridade máxima".
Segundo o site Our World in Data, os
EUA vacinaram 145 milhões, a China, 110 milhões.
Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo.
Ditadura não se celebra. Vivemos sob o manto da Constituição de 1988, elaborada para sepultar 20 anos de arbítrio. No discurso de promulgação, Ulysses Guimarães sintetizou o espírito da Carta Magna: "Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo."
"Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações. (...) A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram (...) Traidor da Constituição é traidor da pátria." (...)
"Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério."
Disputar a memória sobre o passado é lutar pelo futuro
Jumentos fardados
Todo esse rumor de botas, de jumentos fardados, é para agradecermos a pseudodemocracia que nos enfiam pela guela. O facão suspenso sobre nossos pescoços. A chama do medo acesa. E, mais uma vez, com o apoio incondicional da mídia, que finge se indignar mas colabora com a farsa.
terça-feira, 30 de março de 2021
Non, je ne regrette rien
Édith Quack pic.twitter.com/fObG5kBeXl
— Bruno Sartori (@brunnosarttori) March 30, 2021
A linguagem bozonazista
Mitologia bolsonarista inventou dispositivo invertido com disfarce libertário
Um leão desdentado
Xuxa e os direitos humanos
Em sua linguagem utilitarista, presos se equiparam a ratos de laboratório
Em recente entrevista, Xuxa se manifestou contra o uso de animais em testes de cosméticos e remédios. E ofereceu, digamos, o que lhe pareceu uma boa alternativa. "Eu tenho um pensamento (...) que pode parecer desumano porque, na minha opinião, existem muitas pessoas (...) que estão pagando seus erros num ad aeternum para sempre em prisão, que poderiam ajudar nesses casos aí, de pessoas para experimentos, sabe? Pelo menos eles serviriam para alguma coisa antes de morrer, entendeu?".
Entendi, Xuxa. Entendi que você acha natural que pessoas possam ser usadas como cobaias sem que seja da vontade delas apenas porque você acha que quem está atrás das grades, sob custódia do Estado, não deve ser tratado como gente. Entendi que você não tem discernimento para distinguir justiça de vingança. Entendi que no seu pensamento e linguagem utilitaristas, pessoas se equiparam a ratos de laboratório. A palavra "experimentos" me causou calafrios. Os livros de história mostram onde isso vai dar.
Xuxa foi rápida em seu pedido de desculpas: "Quem sou eu pra dizer que essas pessoas estão ali e que devem ficar ali ou morrer ali? Quem sou eu pra fazer isso?". Aí é que está. Personagem onipresente na TV, fenômeno de popularidade, Midas de um império empresarial, Xuxa é referência para milhões de pessoas.
Fixa padrões, como seu programa da década de 1980 cheio de clones loirinhos num país de todas as cores. O que Xuxa disse não foi uma frase solta e descuidada. É expressão didática do seu pensamento, explica muito do caldo de cultura que formou milhões de "baixinhos" e aprofunda o abismo em que estamos.

















