quarta-feira, 7 de abril de 2021

Não existem generais democratas no Brasil

Ilustração de André Stefanini

Ainda não me convenci de que existam generais democratas no Brasil 

Marcelo Coelho

É preciso falar sobre o puxa-saquismo dos civis em relação aos militares ao longo da história do país

Conheci um bom pedaço da ditadura (já estava grandinho no governo Geisel).

Nem vou falar dos horrores, das violências, dos desastres e das injustiças do período. Trato de uma coisa menor, mas que me deixa bem irritado ao ver repetida agora: o puxa-saquismo dos civis em relação aos militares.

Apareceu por toda parte nestes dias. “O general Fulano se recusa a participar de um golpe”: parabéns ao general Fulano. “Como nunca, os militares estão conscientes de suas funções constitucionais.” Que bom. Ainda bem. “O comandante Beltrano reafirma seu compromisso com a ordem vigente.” Nossa. Muito obrigado.

Quando chegamos a esse ponto, ponho as mãos na cabeça. É sinal de que nós, os civis, vamos deixando de ser sujeitos do processo político —e que depende deles, militares, a decisão de aderir ou rejeitar um projeto golpista.

“Não há clima para uma intervenção”, diz o general A; mas e se houvesse? Aí, imagino que não haveria declaração nenhuma —os tanques já estariam nas ruas. Parece evidente que, se não todos, muitos militares trabalham com essa hipótese. “Se tiver que haver, haverá”, disse o general Mourão em 2017.

Em 2018, o general Villas-Boas postou seu famoso tuíte alertando, por assim dizer, contra uma possível decisão do Supremo Tribunal Federal, o STF, em favor de Lula, falando de “repúdio à impunidade” e de um Exército “atento às suas missões institucionais”.

Dois anos depois, o general Augusto Heleno esbravejava contra outra decisão do STF, que possibilitava que Bolsonaro tivesse seu celular apreendido para investigações: haveria “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Ainda em 2020, o general Luiz Eduardo Ramos descartava um movimento militar: declarou que os comandantes militares achavam “ultrajante” essa hipótese. Mas logo acrescentou: “Agora o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda”.

Não são militares da ativa, certo. Pertencem à cúpula do bolsonarismo —ironicamente, à vertente “moderada” de um “freak show” de milicianos, malucos da conspiração, videntes e incendiários.

Não quero cometer injustiças com os três militares demitidos por Bolsonaro. Tudo indica que não quiseram aderir à demência presidencial.

Mas até hoje não tive notícia de chefe militar brasileiro visceralmente democrático. Só mudarei de ideia quando algum criticar o golpe de 1964.

Ao contrário, todo ano, no dia 31 de março, vemos pronunciamentos celebrando o movimento. Por quê? Afinal, não é feriado nacional, não é data religiosa, não é Dia Internacional da Mulher, Dia da Consciência Negra, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em 1964, os militares puseram tanques nas ruas sem que nenhum poder constitucional requisitasse a sua intervenção. Diante do fato consumado, a maioria do Congresso se curvou. O nome disso é golpe.

Passaram-se mais de 50 anos, e não sei de nenhum militar que tenha feito a autocrítica dessa violência, ponto de partida para todas aquelas que se seguiram.

É o que disse Janio de Freitas, na Folha de domingo passado: “Enquanto faltar a coragem moral de reconhecer que antecessores seus cometeram crimes bárbaros e estrangularam as liberdades e demais direitos universais, os militares não estarão a serviço legítimo da sua função de Estado”.

Mas o que mais se vê é um movimento de reverência aos militares supostamente democratas. É a mesma auto-hipnose de quem repete que “as instituições estão sólidas”.

Estivessem sólidas, não estaríamos dando graças a Deus pelo fato de haver militares sem disposição para dar o golpe. Estivessem sólidas, não estariam parados os processos investigando o golpismo do presidente. Um dia acordaremos percebendo que as instituições que “eram sólidas” deixaram de ser.

Muita coisa diferencia o momento atual do que acontecia em 1964. Naquela época, o golpe não foi feito em favor de um projeto individual. As Forças Armadas, como um todo, tomaram o poder; não é a mesma coisa do que entregar o comando a um psicopata.

Além disso, não estamos vivendo um momento de agitação social, de “caos”, de “baderna”, como os militares gostavam de classificar os movimentos de esquerda.

Esses dois fatores correspondem, creio, à “falta de clima” para uma intervenção agora. Mas nada me convence de que os militares descartam a hipótese. Provavelmente, quem os elogia agora também irá elogiá-los nessa ocasião.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Fome e peste


João Ximenes Braga 

Hoje o Brasil acordou com a notícia de novo recorde de gente passando fome e vai dormir com a de novo recorde de vítimas da peste.

Fome e peste.

A volta da fome para milhões de pessoas num país que escapara dela no governo Lula. A volta da fome deliberadamente planejada pelos que fizeram de tudo para apear o PT do poder e impedir Lula de se candidatar. Parabéns ao consórcio DOJ/Lava-Jato/mídia, vocês conseguiram.

Uma nova peste no país com uma das maiores tradições de vacinação e um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo,  cujo contágio em massa foi instintivamente planejado por um genocida com um instinto sobrenatural para a morte e a destruição, mais a ajuda de seus seis homúnculos, Luiz Ramos, Braga Netto, Helenículo, Villas-Boas, Pazuello e Guedes. Parabéns, vocês conseguiram.

Os neo-liberais e os fascistas formam um lindo par. 

Como a fome e a peste.

Como Caronte e Cérbero.

4.211 mortos em 24 horas



Brasil supera 4.000 mortes por covid em 24h e dobra recorde diário em 1 mês


Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

O Brasil bateu, mais uma vez, recorde no número de mortes pela covid-19. Nas últimas 24 horas, foram confirmados 4.211 óbitos em todo o país. O levantamento é do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

Em um mês, o Brasil dobrou o número de mortes pela covid. Em 10 de março, registrou mais de 2.000 óbitos nas últimas 24 horas. Dias depois, em 23 de março, o país superou a marca de 3.000 mortes no mesmo dia.

Em 6 de março, o recorde da pandemia era de 1.840 pessoas mortas por dia. O número total de vítimas da pandemia é de 337.364.

Os números mostram o avanço da covid no Brasil e confirmam que março foi o mês mais letal da pandemia, com mais de 66 mil pessoas mortas. Para abril, entretanto, a previsão é de que o Brasil tenha 100.000 mortes pela covid-19, apontam projeções são da Universidade de Washington.

De ontem para hoje, foram registrados 82.869 novos casos de covid-19, chegando a um total de 13.106.058 pessoas já infectadas. Os dados não representam quando os óbitos e diagnósticos de fato ocorreram, mas, sim, quando passaram a constar das bases oficiais dos governos.

A pandemia nos estados

Dez estados reportaram mais de cem mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Nestes locais, o total de vítimas soma 3.505:

São Paulo - 1.389
Rio Grande do Sul - 418
Goiás - 366
Rio de Janeiro - 347
Paraná - 280
Santa Catarina - 224
Ceará - 142
Bahia - 122
Espírito Santo - 110
Mato Grosso - 107

O Brasil em números

Na primeira onda:

Maior número de mortes em 24 h: 1.554 (19/7)
Maior média móvel de óbitos: 1.097 (25/7)
Maior período com média acima de mil: 31 dias
Maior número de óbitos em uma semana: 7.679 (de 19/7 a 25/7)

Na segunda onda:

Maior número de mortes em 24 h: 4.211 (6/4)
Maior média móvel de óbitos: 3.119 (1/4)
Maior período com média acima de mil: 76 dias
Maior número de óbitos em uma semana: 19.603 (de 28/3 a 3/4)

As 40 maiores médias móveis de mortes por covid-19 no Brasil ocorreram nos últimos 40 dias. As dez mais altas são as seguintes:

1 de abril - 3.119
2 de abril - 3.006
31 de março - 2.971
3 de abril - 2.800
6 de abril - 2.775
4 de abril - 2.747
30 de março - 2.728
5 de abril - 2.698
29 de março - 2.655
28 de março - 2.598

Os cinco dias com maior número de mortes em toda a pandemia ocorreram nos últimos 12 dias (os números não indicam quando os óbitos ocorreram de fato, mas, sim, quando passaram a contar dos balanços oficiais):

6 de abril - 4.211
31 de março - 3.950
1 de abril - 3.673
30 de março - 3.668
26 de março - 3.600

Dados da Saúde
Pela primeira vez em toda a pandemia, o Brasil registrou mais de 4 mil mortes provocadas pela covid-19 em um intervalo de 24 horas. Em boletim divulgado nesta terça-feira (6), o Ministério da Saúde informou que foram reportados 4.195 óbitos causados pela doença entre ontem e hoje.

Até então, pelos números do ministério, o recorde anterior havia sido computado em 31 de março, com 3.869 mortes. Desde o início da pandemia, o total de mortos em todo o país subiu para 336.947.

Pelos dados da pasta, houve 86.979 diagnósticos positivos para o novo coronavírus nas últimas 24 horas, elevando para 13.100.580 o total de infectados no país desde março de 2020.

Segundo o governo federal, 11.558.784 pessoas se recuperaram da doença até o momento, com outras 1.204.849 em acompanhamento.

Que religião é essa?


Que tipo de líder religioso quer aglomerar no auge da pandemia? Só o tipo que trata a fé como mercadoria e não se importa com a vida humana. 


Certos temas têm de ser enfrentados na sua plenitude. É falso dizer que não se trata de um debate religioso manter o fechamento de igrejas e templos para missas e cultos no auge da pandemia de coronavírus no Brasil.

Esta não deve ser apenas uma discussão jurídica ou sanitária. Do ponto de vista sanitário, tem de fechar porque as pessoas se infectam, adoecem e morrem ao se aglomerar. É consenso entre os especialistas que missas e cultos presenciais são bons para o coronavírus e perigosos para as pessoas.

Juridicamente, é certo apoiar governadores e prefeitos que querem igrejas e templos fechados em benefício da saúde pública. Apesar do grau de impopularidade da medida, é a coisa politicamente correta a ser feita neste momento.

Mas este também é um debate sobre religiosidade.

A liberdade religiosa não está ameaçada. As pessoas podem continuar a exercê-la sem precisar se aglomerar numa hora de tragédia sanitária.

Que crença é essa que se sente tolhida pelo impedimento temporário de frequentar um culto presencial?

Que tipo de líder religioso quer arregimentar fiéis no pior momento da pandemia?

Só o tipo que trata a fé como mercadoria e não se importa com a vida humana. Na sua maioria, são bispos e pastores preocupados em arrecadar o dízimo sem se preocupar se seus fiéis correrão o risco de morrer.

É injusto generalizar. Mas é evangélica a maioria dos religiosos que deseja manter os templos abertos. Nesse segmento, há forte apoio ao presidente Jair Bolsonaro, que implementa uma política sanitária genocida ao adotar uma estratégia irresponsável de imunidade de rebanho.

Nas últimas décadas, cresceu no Brasil o número de bispos e pastores que transformou a fé num modo de vida, enriquecendo, sobretudo, à custa dos mais pobres. Há igrejas evangélicas que montaram verdadeiras franquias para fazer dinheiro Brasil afora. Todas as igrejas contam com imunidade tributária. Ou seja, não pagam impostos, o que é injusto com o conjunto da sociedade.

Cada vez mais enfraquecido politicamente devido ao desastre do seu governo, Bolsonaro se agarra a quem pode. No caso, ele tem tido ótima aliança com líderes de igrejas evangélicas que vão se vacinar nos Estados Unidos mas, uma vez no Brasil, pregam a aglomeração de fiéis sem imunização.

A fé de Bolsonaro está mais para fake news do que para uma religiosidade autêntica. Trata-se de um presidente que dá provas reiteradas de não se importar com a vida das pessoas, comportamento semelhante ao da parcela de bispos e pastores que quer fazer cultos presenciais quando o Brasil bate recorde de mortes por covid-19.

Uma religiosidade verdadeira e empática não agiria com a irresponsabilidade de Bolsonaro e de seus mercadores da fé. Para piorar a situação, essa gente tem no Supremo Tribunal Federal um ministro como Nunes Marques, que, no sábado, decidiu liberar missas e cultos nacionalmente.

Entre os danos que Bolsonaro causa ao Brasil, a indicação de dois ministros para o Supremo será um dos mais prejudiciais, porque terá longa duração a presença na corte de figuras sem preparo para a função. Outro malefício de Bolsonaro é usar e abusar da religiosidade para manipular politicamente eleitores.

Que ninguém se engane. Bolsonaro, Nunes Marques e esses bispos e pastores oferecem a paz dos cemitérios aos brasileiros.

O Supremo Tribunal Federal tem o dever de derrubar a decisão de Nunes Marques nesta quarta-feira. É imperativo corrigir uma irresponsabilidade negligentemente homicida de quem se submete aos cálculos eleitorais do genocida e sacrifica o interesse maior da saúde pública.

Bolsonaro visto por ingleses





“A perspectiva do extremista de direita Jair Bolsonaro se tornar presidente do Brasil sempre foi assustadora. Era um homem com histórico de difamar mulheres, LGBTs e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade", afirmou o jornal inglês The Guardian, em editorial ontem, 05/4, que ainda citou a perseguição a críticos de seu governo e o aumento do desmatamento na Amazônia. 

No editorial o jornal afirma, ainda, que Bolsonaro coloca não só o Brasil em risco, mas o planeta inteiro, cita os mais de 60 mil brasileiros mortos em março por causa da pandemia da covid-19 e lembra que Bolsonaro já criticou o uso de máscaras, além de se posicionar contra as medidas de isolamento social e à vacinação.

O isolamento de Bolsonaro cresce, aqui e no mundo.

4.195 mortes em 24 horas

Quinho

4195 mortes em 24 horas

A procissão de caixões sem rumo continua num país que vê seu futuro se desfazer em cada enterro, em cada lágrima. 

Insuportável. Impeachment não é suficiente.

Jamil Chade


Seriam 14 aviões Boeing  Dreamliner 787-9 com capacidade de 296 passageiros caindo em 24h!


A cara de um é o focinho do outro

Todos os analistas do mercado em todas as mídias são lacaios do mercado. Não há exceção. Nesse mundo, o sublime Aloysio Biondi, que os desmascarava sem piedade sem perder o humor, iria para a fogueira, ou estaria aqui na internet dando o baile de sempre.

Palmério Dória

A ignorância funcional de tipos como Sergio Moro e Kassio Conká

MORO E KASSIO SÃO ANALFABETOS FUNCIONAIS, APESAR DO DIPLOMA 

Cristóvão Feil

Sempre fui cismado com a ignorância funcional de tipos como Sergio Moro. O sujeito fez terceiro grau em Direito, prestou concurso público para a magistratura, venceu (venceu?), fez-se juiz de Direito, mas se expressa (e deve exalar até odor) como analfabeto funcional de pai, mãe e avós. 

O mesmo pode-se dizer do novato ministro do Supremo, Kassio Nunes Marques, um tipo asselvajado que ignora o elementar instituto do Habeas Corpus, que existe desde o século 13. 

Existem pesquisas sobre o número de analfabetos funcionais no Brasil (ver link abaixo). 

A tabela 3, abaixo, identifica a ocorrência dos Moros e Kassios que concluem o terceiro grau (no Brasil, burramente, chamamos de "superior"), mas continuam sem qualquer habilitação e sem o mínimo conhecimento. 

Veja que 4% dos que concluem o mal-denominado curso Superior continuam analfabetos funcionais. Se somarmos os de nível Intermediário (37%) e Elementar (25%), teremos 66% de diplomados sem Proficiência (sem conhecimento/habilitação). 

Os Proficientes entre os diplomados no terceiro grau perfazem apenas um terço do total (34% na tabela). Quer dizer: dois terços dos diplomados no Brasil têm o conhecimento primitivo, asselvajado e parcial de Sergio Moro e Kassio Nunes.

Depois de ver estes números, também podemos entender o fato de Bolsonaro ter concluído a academia militar e sair mais boçal do que quando entrou. 

INAF Brasil 2018

Harmonia


Laerte

SP tem 1.389 mortes por Covid-19 em 24 h e bate novo recorde

O recorde anterior no número de óbitos registrados em um dia foi de 1.209, da última terça (30)
O estado de São Paulo registrou 1.389 mortes nas últimas 24 horas, de acordo com dados do governo estadual desta terça-feira (6). O recorde anterior no número de óbitos registrados em um dia foi de 1.209, da última terça (30).

O número impacta a contabilidade nacional, que pode também bater novos recordes nas próximas horas.

O total de casos de Covid-19 registrados desde o início da epidemia até esta terça no estado é de 2.554.841, sendo que 22.794 foram novos registros nas últimas 24 horas. O total de óbitos no território paulista até o momento é de 78.554.

O novo recorde de óbitos no período de 24 horas ocorre em meio a sinais de que as medidas restritivas determinadas pelo governo estadual começam a dar algum resultado. Os dados são ainda são vistos com cautela, mas também algum alívio.

A coluna noticiou nesta terça (6) que o número de pacientes internados em UTIs no estado segue alto, mas estável. Depois de chegar ao pico de 13.120 leitos ocupados na sexta (2), ele se manteve estável até a segunda (5), com 12.963 doentes em estado grave e tratamento intensivo.

​Na segunda (5), o Brasil registrou 1.623 mortes por Covid e 39.629 casos da doença. Com esses números, o país chegou a 13.023.189 pessoas infectadas e a 333.153 óbitos por Covid desde o início da pandemia.

Fanatismo jurídico-cristão

Não é a liberdade religiosa que está em jogo, mas a vida dos brasileiros 
A decisão do ministro do STF Kassio Nunes Marques a favor dos cultos religiosos presenciais sabota os esforços de prefeitos e governadores para controlar a pandemia, agride a ciência, empurra mais brasileiros para o cemitério e desrespeita o sacrifício dos profissionais de saúde, que estão trabalhando no limite da exaustão física, mental e emocional.

O ministro atendeu a um pedido da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure). Não é uma entidade qualquer. Fundada em 2012, a associação já teve a delirante Damares Alves como sua diretora de assuntos legislativos. Tem 700 associados, entre advogados, juízes, procuradores e desembargadores.

O advogado-geral da União e pastor, André Mendonça, era assíduo frequentador dos eventos da entidade, antes da pandemia. Aliás, foi Mendonça que, mais que depressa, pediu a intimação do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, quando este anunciou que não cumpriria a decisão de Nunes Marques. Depois da ameaça, Kalil voltou atrás.

Reportagem da revista Piauí (edição 169) revela o intenso lobby da Anajure para emplacar em cargos importantes do poder público defensores da sua agenda cristã ultraconservadora. A associação trabalhou, por exemplo, pelos nomes do procurador-geral da República, Augusto Aras, do defensor público-geral federal, Daniel de Macedo, e do ministro da Educação, Milton Ribeiro, também pastor e apologista da "vara da disciplina" para corrigir os filhos.

A Anajure parece ter obsessão com o tema. Recentemente, saiu em defesa de uma escritora que tivera um livro proibido pela Justiça por preconizar castigos físicos na educação das crianças. Outras fixações são o aborto e a "ideologia de gênero".

Nesta quarta-feira (7), o plenário do STF decidirá sobre cultos e missas presenciais ou virtuais. Espera-se que recoloque a questão em sua real dimensão, afastando da discussão qualquer traço de fanatismo. Não é a liberdade religiosa que está em jogo, mas a vida dos brasileiros.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Drama no Instagram: "Me chamaram de racista, mas eu tenho uma cachorra preta"

Meio cheio ou meio vazio?


André Dahmer

Gilmar Mendes prepara-se para outra surra em Kássio Conká


A decisão do Min. Gilmar Mendes é lapidar e enfrenta todos os pontos da decisão do Min. Nunes Marques. Vai ficar ruim a situação do mais novo Ministro do STF.

1. Em primeiro lugar, são duas as decisões do Min. Gilmar Mendes: (i) uma da APDF 810, proposta pelo Conselho Nacional de Pastores do Brasil (CNPB) e (ii) uma na ADPF 811, proposta pelo PSD. 

2. Na ação proposta pelo CNPB, o ministro indeferiu liminarmente o pedido, por falta de legitimidade da parte. Não é qualquer organização que pode propor ADPF. Ela precisa ter representatividade nacional.
 
3. Para esse indeferimento, o Min. Gilmar Mendes usou o exemplo da ANAJURE, que já havia sido considerada parte ilegítima pelo Min. Alexandre de Moraes e pelo pleno do STF. A ANAJURE é quem propôs a ADPF na qual o Min. Nunes Marques proferiu a liminar. Foi um tiro nele. 

4. Na ADPF do PSD, o ministro reconheceu a legitimidade, mas indeferiu o pedido liminar com base em dois pontos fundamentais: (i) medidas de isolamento não ferem liberdade religiosa e (ii) o pleno do STF já decidiu pela constitucionalidade de medidas de Prefeitos e Governadores. 

5. O primeiro é bem simples: proibir que se façam cultos presenciais não interfere na liberdade de professar uma religião. Você não obriga, com isso, que uma pessoa confesse um ou outra religião. Apenas que ela não pode fazer isso presencialmente.

6. Segundo a decisão, trata-se de medida temporária, razoável e adequado ao momento que vivemos. Nesse ponto, o ministro chama de negacionista a compreensão de que isso feriria a liberdade religiosa. 

Vale a pena conferir esse trecho:

7. O outro aspecto diz respeito ao que o pleno do STF decidiu na ADI 6341. Na ocasião, ficou assegurada a competência concorrente dos entes federativos, permitindo que União, Estados e Municípios possam adotar as medidas de isolamento cabíveis às suas situações específicas.

8. Essa ADI, de forma simples, julgou constitucional o art. 3º, da Lei 13.979/20 (lei de enfrentamento à pandemia) que prevê "como possíveis alternativas a serem adotadas pelas autoridades, no âmbito de suas competências, as medidas de isolamento e de quarentena (inc. I e II).

9. Ao final, o Min. Gilmar Mendes denega a liminar postulada pelo PSD e manda o caso ao plenário, com urgência. E nesse julgamento, é provável que o Min. Nunes Marques fique com as orelhas vermelhas.

10. Nunes Marques tem 26 anos de STF pela frente. Mas seu alinhamento com o Governo, nesses primeiros meses, pode custar caro para ele durante esse período.  Vamos acompanhar com atenção o julgamento de quarta-feira.

Roleta-russa da Covid no Brasil


O risco de um paciente morrer de Covid-19, se hospitalizado, equivale a colocar duas balas em uma arma de cinco tiros e disparar contra si mesmo. Se for para a UTI, o risco sobe para três balas; se for intubado, chega a quatro. 

Previsões do pinochetista e terraplanista Paulo Guedes


Lavagem de Dinheiro para Idiotas


Barangurte

O básico que você precisa saber pra entender porque as igrejas são consideradas serviço essencial mesmo que os fiéis morrendo diminua o dízimo: 

Imagina que eu chamo, sei lá, Flávio, e trabalho hipoteticamente de vereador.

Eu sou registrado na ALERJ com o salário de 18k, que comunica pro Ministério do Trabalho que eu ganho 18k, e cai no meu banco 18k e eu gasto/aplico a soma de 18k/mês

Mas eu sou pilantra... 

Eu me meti num esquema maneiro em que funcionários dão parte do salário deles pra mim, vamo chamar de rachadinha isso.

Aí eu passo a receber tipo 100k por mês, mas ainda a ALERJ diz que eu só ganho 18k. O banco tem por obrigação dizer à receita tá estranho o Flavio aqui... 

Pode não pôr o dinheiro no banco, mas qualquer compra grande que eu for fazer tá lá o CPF Flávio B, e a receita vai desconfiar que eu sou o pior tipo de pessoa do mundo: alguém que não paga imposto.

Então ganho 100k por mês mas só posso gastar no boteco porque o dinheiro tá sujo.

Aí eu posso pedir pra depositarem em valor miúdo na minha conta num caixa eletrônico e torcer pro meu pai virar presidente, ou fazer a famosa lavagem de dinheiro: pego o dinheiro sujo e misturo com outros dinheiros normais, pra ninguém saber de onde cargas d'água ele vem 

O jeito mais comum é pegar um empreendimento e fundir o dinheiro do caixa normal com o meu dinheiro sujo, fingindo que sou empreendedor meritocrata e o negócio tá dando nossa lucro pra caralho.

Só que tem duas características que o negócio precisa, e infelizmente start-up não rola: 

As pessoas não devem se identificar pra pagar as coisas e precisa movimentar dinheiro vivo, porque qualquer transação bancária identifica quem comprou e quanto gastou.

Também precisa ser adequado pro perfil do negócio o valor do dinheiro sujo, se não a receita também vai ficar hmmm estranho... 

Aí tipo eu tenho a Flávio Chocolate, onde quase ninguém usa cartão nem pede CPF na nota que lucra 50k, eu junto os meus 100k, deposito no banco e posso usar tranquilamente ou até transferir parte pra um miliciano sei lá.

Mas imagina um esquema ilícito milionário? 

Eu ia precisar de 10 lojas mil toneladas de chocolate um bando de vendedor, maior ralo.

Ou eu posso ter um negócio que não vende ou produz nada, que 200 pessoas podem entrar por hora e dar quanto dinheiro quiserem sem ninguém pegar o CPF delas

Igreja que chama esse negócio 🤷🏼‍♀️ 


Ao contrário do STF, traficantes tentam conter a pandemia

Papa cobra de Biden um pingo de solidariedade


Francisco cobra de Biden o fim do 'nacionalismo das vacinas'
China responde por mais de metade das exportações de imunizante; Paraguai é pressionado pelos EUA a não ceder
Na manchete do italiano Corriere della Sera e no alto das páginas iniciais do francês Le Monde ao Wall Street Journal, com foto, "Papa, em mensagem de Páscoa, clama por distribuição de vacinas".

Mais especificamente, no New York Times, Francisco "exorta líderes mundiais a garantir acesso". O "líder de 1,3 bilhão de católicos", entre eles Joe Biden, cobrou "internacionalismo das vacinas", a permissão à exportação.

Segundo o agregador de dados Statista, compartilhado pelo economista Marcio Pochman, ex-Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), das 644 milhões de vacinas contra Covid produzidas em março, a China respondeu por 36%, os EUA, por 26%, Índia, 19%, e União Europeia, 17%.

Das exportações, a China respondeu por 52%. Índia, por 26%, e UE, 22%.

DOSES POR IMIGRANTES

Em 28 de março, chegou ao México um "empréstimo" americano de 1,5 milhão de doses da AstraZeneca, noticia a Reuters. Elas foram negociadas junto com a repressão mexicana aos imigrantes centro-americanos que buscam os EUA, publicaram NYT e outros.

VACINA, PROVA DE AMOR

A Bloomberg noticia que, diante dos sinais de que o Paraguai estava para cortar relações com Taiwan para ter acesso às vacinas da China, o secretário de Estado dos EUA ligou para o presidente paraguaio.

"Blinken foi muito firme dizendo a Abdo: Olha, os seus aliados são Taiwan e nós", declarou então o chanceler paraguaio, "com franqueza", à TV de seu país. "Mas nós pedimos a esses aliados estratégicos uma prova de seu amor."

IMUNIZAR O MUNDO

Mais uma vez, no domingo, foi manchete online no NYT que as variantes ameaçam "prolongar" a pandemia nos EUA, "colocam em risco o retorno à vida normal", apesar da vacinação.

Sobretudo a cepa britânica, que em meados de março já respondia por 27% dos novos casos, contra 1% em fevereiro. E agora um susto com a variante brasileira fechou uma estação de esqui.

Do NYT: "A melhor forma de impedir o surgimento de variantes é imunizar a maioria do mundo —não só os EUA— o mais rápido possível. Se partes significativas do mundo permanecerem desprotegidas, o vírus continuará a evoluir".

'CHINA ENVY'

No alto do WSJ, "O que os EUA podem aprender com a paixão da China por infraestrutura", em reportagem que ouve e destaca, de um professor de Cornell, que existe "uma verdadeira inveja da China".

Na ironia do editor do Global Times, ligado ao PC, Hu Xijin, "Estou confuso: a China realmente se tornou modelo para os EUA?".

Entre a cruz e a lei, Nunes prefere a morte

Não bastasse carecer de base científica, decisão de liberar cultos na pandemia não para em pé juridicamente
Direito é como um castelo de cartas, onde as peças (os argumentos) empilham-se delicadamente; sem isso, o castelo todo cai por terra. É o que acontece com a decisão do ministro Kassio Nunes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pela liberação de celebrações religiosas presenciais na pandemia. Que fique claro: o ministro desafia a hermenêutica e a paciência jurídicas ao tentar, sem sucesso, empilhar de forma desconexa argumentos que, juntos, não convencem e, sozinhos, estão errados.

A primeira carta malposta é quem apresenta a ação. Nunes concedeu a medida cautelar pleiteada em uma ação diretamente proposta no Tribunal pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), ação tecnicamente chamada de ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental). Qual o problema? Anajure não pode apresentar uma ADPF ao STF. Quem disse isso? O próprio STF, com aceite de Nunes, em outro caso de fevereiro de 2021.

Naquele caso (ADPF 703), o Tribunal, em voto do ministro Alexandre de Moraes, decidiu por unanimidade que a Anajure não cumpria com os requisitos para ingressar com uma ação direta no STF, na qualidade de “confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional”, como manda a Constituição e a lei. Nas palavras do STF, Anajure congrega “associados não vinculados a uma única e homogênea categoria profissional ou econômica”, logo ilegítima para propor a ação.



No caso decidido neste sábado (3), Nunes tenta dar uma cartada em si mesmo: o ministro do STF diz praticar “distinguishing” —um termo técnico, aqui mal empregado, para dizer que o precedente anterior do STF não se aplicaria por ser distinto do caso atual. Primeiro, isso não faz sentido porque o caso decidido neste domingo versa sobre exatamente o mesmo tema do caso rejeitado pelo STF há um mês, a saber: questionamento de medidas municipais que restringem aglomerações religiosas em razão do agravamento da pandemia.

Em segundo lugar, Nunes pratica dois pesos, duas medidas: mesmo se considerarmos que a recente jurisprudência do STF tem flexibilizado as regras para se apresentar um caso direto ao Tribunal, o mesmo ministro preferiu rejeitar, no último 23 de fevereiro, a possibilidade da confederação nacional de quilombolas (Conaq) de usar do mesmo instrumento legal da ADPF, na ocasião para proteger comunidades quilombolas contra a Covid-19.

Outra carta malposta no castelo de argumentos de Nunes é sua visão sobre como lidar com conflitos de direitos fundamentais —de um lado, a liberdade de culto e, de outro, a vida e a saúde. Aqui, a técnica jurídica de Nunes é sofrível. “Proibir pura e simplesmente o exercício de qualquer prática religiosa viola a razoabilidade e a proporcionalidade”, escreve o ministro. Razoabilidade (adequação entre os meios empregados pelos municípios, o isolamento social, e o fim almejado, a diminuição das mortes) é diferente, tecnicamente, da regra de proporcionalidade, essa mais ampla.

Kassio Nunes teria que explicar, ademais, por que liberar cultos no auge da pandemia seria a solução, entre outras igualmente eficazes para garantir a liberdade religiosa, que menos violaria a vida e a saúde de todos. Tampouco o ministro nos explica por que pedir para que se pratique, temporariamente, a religião em casa viola tanto a liberdade religiosa quanto as mortes sem ar na pandemia violam o direito à vida. Esses questionamentos fazem parte da proporcionalidade que o ministro se propõe a fazer e não faz.

Praticar a fé em casa respeita tanto a sua religião quanto a vida e saúde dos outros. Entre a cruz que diz proteger e a lei que deve servir, Nunes não respeita nem um nem outro. Seus argumentos, já dizia Jesus, “por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de cadáveres.