terça-feira, 28 de maio de 2019

Imbecilidade do general Augusto Heleno é comparável à do Bozo



"O Brasil precisa se unir para sair do buraco", diz Heleno


 Por Carla Araújo, Claudia Safatle e Rosângela Bittar

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, afirma que um desdobramento das manifestações de domingo consideradas bem sucedidas a favor do governo deverá ser a busca de "um denominador comum", para que a reforma da Previdência possa avançar. "Vamos apressar isso", conclamou. Em entrevista ao Valor, concedida em seu gabinete ao meio dia de ontem, o ministro avaliou que a manifestação "foi a favor das metas do governo Bolsonaro". Mas negou participação do presidente na definição dos temas que traziam críticas violentas ao Legislativo e ao Judiciário.

O general fez uma distinção entre a manifestação do dia 26 e a do dia 15, quando estudantes foram às ruas protestar contra os cortes de verbas para a educação. Numa, a de anteontem, ele viu bandeiras do Brasil; na anterior identificou a ausência do símbolo nacional. "As pessoas foram às ruas, nesse domingo, pelo Brasil, e naquele outro domingo foram para satisfazer suas posições ideológicas".

Segundo disse Augusto Heleno, o Brasil precisa se unir "para sair do buraco". Muitos, segundo disse, torciam para que Bolsonaro "quebrasse a cara" e ficaram desapontados com o alegado sucesso da mobilização. A avaliação ele resume em uma frase: "Foram expressivas em quantidade e significativas em mensagem".

A seguir os principais trechos da entrevista:

Valor: Qual a sua avaliação das manifestações de apoio ao governo?
Augusto Heleno: Eu acho que as manifestações foram expressivas, pela quantidade, e significativas, pela mensagem. Estava todo mundo torcendo para ser um fracasso, eu sei disso.

Valor: Todo mundo quem?
Heleno: Vai gastar cinco blocos, não preciso dizer nomes.

Valor: Quais são os desdobramentos dela, o que muda na estratégia política do governo?
Heleno: Hoje, ela está viva, pode ser trabalhada para mostrar que precisamos conversar, vamos buscar um denominador comum para que as coisas aconteçam rapidamente. É bobagem ficar retardando isso aí, tem que chegar a um acordo, o problema é o Brasil, não é ciclano ou beltrano.

Valor: O governo quer aprovar a reforma da Previdência e é Rodrigo Maia, presidente da Câmara, quem a está levando adiante. Não é contrassenso convocar um protesto contra Maia, o Congresso e os que estão empurrando a reforma?
Heleno: Vamos por partes. O presidente não participou da convocação para a manifestação...

Valor: Não? Só não esteve de corpo presente, mas ele e o partido se envolveram.
Heleno: Todo o tempo ele disse que não havia participação do governo nisso. Segundo, não houve nenhuma intenção de fazer alguma coisa, principalmente da parte dele, de fazer alguma coisa contra o Legislativo, contra o Rodrigo Maia. Pelo contrário, eles têm uma relação muito boa. Tanto ele, quanto o Davi Alcolumbre [presidente do Senado] têm uma relação muito boa, bem como com o presidente e o Dias Toffoli [presidente do Supremo Tribunal Federal]. Então, os Poderes estão perfeitamente em harmonia. É claro, cada um tem as suas maneiras de pensar que não são idênticas.

Valor: Mas então não é um contrassenso considerar que foi um sucesso do governo um movimento contra o Congresso?
Heleno: Não foi contra o Congresso. Onde é que estava escrito isso?

Valor: Nas faixas, por exemplo.
Heleno: Mas faixas são outra coisa. Havia algumas faixas contra o Congresso, havia muitas pedindo pela reforma da Previdência, pela Nova Previdência, e havia muitas pedindo pelo [Sergio] Moro. Então, foi uma manifestação espontânea de um país democrático. Se o cara quiser sair com faixa a favor do Vitinho para centroavante do Flamengo, sai. É uma manifestação absolutamente democrática, autêntica, palavra que esta na moda agora, republicana. E nada foi pensando antes, "vamos fazer uma manifestação contra o Congresso". Não houve nenhuma referência a um alvo prioritário. O alvo era uma manifestação a favor das metas do governo Bolsonaro, isso sim.

Valor: De apoio ao governo?
Heleno: Isso aí ficou claro. Não contra Congresso. Até porque essa estrutura da democracia, a harmonia entre Poderes, independência entre Poderes, isso aí é absolutamente intocável. O próprio presidente já falou isso várias vezes. Muita gente quer levar isso aí para o lado da radicalização, da tentativa de implantar uma ditadura. Isso é uma bobajada, de gente que não tem o que fazer, que fica jogando boatos que não os atingem, então os boatos atingem o presidente da Republica. Então, às vezes o cara bota uma bobajada dessa no jornal, numa coluna, e ficam discutindo. Isso jamais passou pela cabeça do presidente.

Valor: Se a cada dificuldade, e a aprovação de uma reforma é uma negociação dificílima, o ministro da Economia ameaça sair e o presidente chama os eleitores para a rua...
Heleno: Ele não chamou o povo para a rua. Ele gravou um 'post' dizendo que ia haver uma manifestação, ele não fez nenhuma convocação. Pelo contrário. Todo tempo ele disse "eu não quero participação". Ele sugeriu aos ministros que não participassem. Para ele era muito fácil dizer aos ministros "compareçam e arrastem quem vocês puderem". Ao contrário, na reunião ministerial, ele sugeriu que os ministros não participassem. Sugestão do presidente é ordem.

Valor: Mas se elas não tivessem sido o sucesso que foram, seria ruim para o governo?
Heleno: Mas, aí é outro problema. Aí nós vamos partir para o "se", que é perto do talvez. Lógico que a expectativa e o desejo de muita gente era de que ele quebrasse a cara. E ele ia quebrar a cara porque iam debitar na conta dele o fracasso. E muita gente quebrou a cara porque a participação foi muito significativa.

Valor: Quando o senhor fala sobre os que desejam o fracasso de Bolsonaro está falando da oposição, de um partido, do quê?
Heleno: Não vou carimbar ninguém não. É muita gente. Uma das coisas que ficaram demonstradas na manifestação é que existe uma grande parcela do povo brasileiro que foi para a rua com a bandeira do Brasil. Na manifestação dos estudantes havia pouquíssimas bandeiras do Brasil. Isso para mim é um absurdo, é fruto de toda essa doutrinação ideológica que foi feita nos últimos 20 anos. Então, nossos jovens não têm o país na cabeça. Têm ideologia, têm mandamento que botaram na cabeça deles, mas o Brasil não está na cabeça de boa parte da nossa juventude. Infelizmente, esse é um erro gravíssimo, eu acho que uma grande parte da nossa juventude acordou e participou ativamente da campanha e da eleição do nosso presidente. Mas uma grande parte continua contaminada pelo que ouviram nos colégios que frequentaram, nas universidades que frequentam.

Valor: E o que seria??
Heleno: Você vê uma manifestação de jovens, devia perguntar em primeiro lugar: Essa manifestação é para quê? É para eles satisfazerem seu lado ideológico, pessoal? Ou é uma manifestação para o Brasil e eles acham que o que está sendo feito é errado para o Brasil? Qualquer manifestação desse tipo tem que ter em primeiro lugar o país. aí depois vem partido, agremiação, vem universidades. Essa manifestação de ontem deixou claro que o pessoal foi para a rua pelo Brasil. E eu tenho apelado para o senso patriótico dos nossos congressistas e até do nosso pessoal do Judiciário e obviamente o Executivo tem obrigação de fazer isso, eu tenho apelado para o senso patriótico, porque determinadas coisas são necessidades iminentes do Brasil.

Valor: Uma união em torno do quê?
Heleno: Unir para sair do buraco. Esquecer que o presidente é o Jair Bolsonaro e, portanto, esquecer essa bobagem de que se a reforma da Previdência passar, com economia de R$ 1 trilhão em dez anos, Bolsonaro será reeleito.

Valor: A reforma está andando, será votada logo na Comissão Especial, passou na CCJ e já, já estará no plenário, com a liderança do presidente da Câmara que demonstra querer aprovar a Previdência. Em Brasília não se reúne uma multidão sem que a metade seja funcionário público, que sempre foi contra a reforma. O senhor acha que agora eles estão a favor?
Heleno: Qualquer conclusão desse tipo será precipitada, porque há classes que obviamente não estão completamente de acordo com a reforma, porque vai atingi-los. Então é óbvio e natural que haja um certo repúdio a que sejam mexidos alguns parâmetros que fazem parte da carreira e que vão ser mexidos. Mas não há dúvida de que ou aprova a reforma da Previdência ou todos nós vamos para o buraco. O Brasil está à beira do abismo.

Valor: O que seria esse abismo na sua visão?
Heleno: Subida violenta do dólar, queda abrupta das ações das empresas brasileiras, desabastecimento. Vamos virar uma Venezuela! Vamos disputar arroz no tapa, vamos disputar feijão no tapa! Venezuela é um exemplo típico que continua a ser a menina dos olhos de algumas pessoas nesse país. Isso não dá para entender. Desabastecimento foi uma das principais causas do regime militar. Eu vivi isso porque eu já era nascido, tinha 16 anos, estava no colégio militar. Minha mãe ia para fila às 5 da manhã para comprar 3 quilos de arroz. aí quando estava na fila há 3 horas avisavam que não era mais no mercado Mundial, que o arroz ia chegar na Casas da Banha. Saia todo mundo correndo para o outro mercado. Vivemos uma crise de desabastecimento seríssima no país, e até hoje os caras querem esconder isso, contar uma história diferente.

Valor: O ministro da Economia ameaçou ir embora umas três vezes se a reforma da Previdência não passar ou se passar uma reforminha. A última vez foi neste fim de semana, em entrevista à revista "Veja". Se a reforma está andando, do que tem medo?
Heleno: Claro que está com medo. Ele tem um compromisso com o país de tirar o país do buraco. Ele já condicionou isso a ter uma economia de R$ 1 trilhão em dez anos. Pode duvidar? Pode. Pode passar para R$ 900 milhões, R$ 800 milhões, pode. O que ele está avisando é o seguinte: "Isso aí não é uma brincadeira". Nós fizemos um cálculo sério, com economistas da melhor qualidade. Muita gente está discutindo a previdência não pelos méritos, nem tem dados de economia para discutir. Apenas o sujeito quer fazer alguma coisa contra o governo. Chega a um ponto que todo mundo começa a sacar todas as armas.

Valor: Então o que se quer, no fim, é apressar a tramitação?
Heleno: É tão evidente a premência do final deste filme para que a gente possa ter uma segurança econômica, que comece a atrair investimentos nacionais, investimentos estrangeiros. Nós estamos com um nível de desemprego... o próprio presidente sempre diz que esse nível anunciado aí, de 13 milhões de desempregados, está abaixo da realidade, tem mais gente desempregada.

Valor: Chega a 20 milhões se considerado quem desistiu de procurar emprego....
Heleno: Isso é uma barbaridade!

Valor: O próprio ministro da Economia já disse que a Previdência não vai resolver tudo...
Heleno: Tem outras reformas na área. O governo recebeu o país com zero de recursos, praticamente zero. Imagina você assumir uma casa em que a família saiu e deixou aos pedaços, teto furado, a piscina quebrada. Vamos imaginar uma casa bacana, o Brasil é uma casa bacana. Vamos imaginar que ela esta destruída e você pensa em consertá-la e vai ver quanto tem de recursos e não tem nada.

Valor: Não tinha dinheiro em caixa?
Heleno: Claro que não! Dinheiro em caixa de quem? Depois dessas pedaladas todas ia ter dinheiro em caixa como? O aumento que houve de salários do funcionalismo em geral foi criminoso. Recebemos o Brasil numa situação caótica, e só vai sair dessa situação caótica na hora que os investidores brasileiros ao invés de botar dinheiro no mercado financeiro ou fora do Brasil resolverem empreender, botar dinheiro na indústria, no setor real, para gerar empregos.

Valor: Indústria que cada vez empregará menos.
Heleno: Sim, isso é outra coisa que os países de nível médio tecnológico ainda não avaliaram: o que vai acontecer com o fim de algumas profissões? Houve uma imposição dos fatos e eu deixei de ter trocador de ônibus, frentista de posto de gasolina, caixa de supermercado. São profissões que estão acabando. Há, nos EUA, um monte de mercados em que só duas ou três senhoras vão no caixa pagar. Os demais passam os seus produtos e já pagam. A Amazon tem lojas que você pega o produto, mostra o cartão no início e no final está pago. É um negócio sensacional, mas é óbvio que isso em termos de emprego é muito ruim. E há profissões que são muitas vezes desprezadas, a área técnica, por exemplo, e que vão ter valor. O mecânico de automóvel vai ter valor, ele vai ter que se adaptar a uma serie de maquinários avançados, que dependem de computador, mas eu posso formá-lo. As escolas técnicas podem formar. Agora, se eu gastar metade do tempo que o aluno passa na escola para fazer doutrinação, não se forma ninguém. Aí você forma um monte de inocentes úteis.

Valor: Quando o governo fala da doutrinação nas salas de aula, há pesquisas sobre isso, levantamentos, relatórios?
Heleno: Nossa senhora! Tem muita coisa, só WhatsApp e vídeo no YouTube tem uns 300. Recebi várias fotos de várias universidades mostrando o estado de depredação em que elas se encontram, depredação que não foi fruto de vendaval ou furacão, foi depredação por livre e espontânea vontade dos alunos. Agora, vai na academia militar sem avisar, cada papel no chão que você encontrar eu te dou R$ 100. Você não vai encontrar nenhum papel no chão. E essa doutrinação... o professor bota o aluno em sala de aula e conta a história que ele acha que é história. Se entrar outro professor ali, de outra linha de pensamento, vai contar outra história. Os dois estão absolutamente errados. O livre pensar é fundamental no nível superior. Tem que ter o livre pensar.

Valor: Mas o livre pensar vem também do ensino de filosofia, sociologia...
Heleno: Claro! Mas você não tem que ser comunista, nem fascista. Pode estudar isso ao longo da sua vida inteira e não adotar nenhuma posição extrema. O livre pensar é exatamente você deixar que cada um adote a postura que for mais conveniente. Agora, se eu boto um professor ou vários para doutrinar um adolescente, eu levo ele para esse lado. Adolescente de direita hoje não consegue nem falar nas universidades...

Valor: Na semana passada o presidente falou de uma proposta que poderia arrecadar mais do que a economia com a reforma da Previdência....
Heleno: Não me aprofundei. Não sei detalhes. Nosso direito tributário é um cipoal.

Valor: Até onde foi possível entender, seria cobrar uma taxa sobre a valorização antecipada do valor de aquisição de imóveis. O senhor sabe de quem é essa proposta?
Heleno: Não. Pode ser que ele tenha ouvido de alguém, mas ele não entrou em maiores detalhes. Isso aí as vezes é uma falta de experiência, ele tem cinco meses de mandato, e não cinco mandatos.

Valor: O ministro Paulo Guedes disse, em entrevista à revista "Veja", que em setembro não haverá mais dinheiro para as Forças Armadas e, para as universidades, isso ocorrerá entre julho e agosto. Por isso é necessário apertar o contingenciamento
Heleno: Sempre houve contingenciamento. O que faz o país ter dinheiro é os empresários terem lucros e pagarem impostos. Se eu diminuo a atividade econômica e reduzo a capacidade de arrecadar, chega-se a um ponto que.... Não foram dois anos. Foram 15 anos a 20 anos de irresponsabilidade fiscal. Já houve anúncio de que o Brasil estava independente do petróleo. Mentira! Já se disse que não tínhamos mais a classe pobre. A Dilma [ex-presidente Dilma Rousseff] anunciou isso. Acho que liberdade de imprensa é fundamental. Se não houver liberdade de imprensa não tem nem sintoma de democracia, mas a imprensa tem que ter uma coisa básica que é honestidade intelectual. Se eu sei que uma coisa é mentira eu não vou publicar. Para desfazer uma mentira publicada por alguns órgãos de imprensa é muito difícil. E o presidente da República tem que ter, obrigatoriamente, honestidade intelectual.

O governo do nada

Leandro Fortes

A rigor, não tivemos um único dia de governo, desde de 1° de janeiro, quando a histeria antipetista colocou no Palácio do Planalto uma dinastia de celerados.

Todas as ações do governo Bolsonaro gravitam em torno da reforma da previdência social, o que, por si só, é uma insanidade política transformada em pauta única e onipresente.

Todo o discurso de desenvolvimento social e econômico da turma do Bozo está calcada nessa fantasia mal calculada: ora 1 trilhão, ora 800 bilhões de reais a serem economizados em 10 anos.

São números que não significam absolutamente nada para a população, não se traduzem nem em esperança nem em desespero. Não dizem nada sobre nada.

Trata-se de uma aposta clássica na acalculia generalizada do eleitor brasileiro e na permissividade da maioria dos chamados jornalistas econômicos, estes a quem o escamoso Delfim Neto costuma dizer que não são nem uma coisa nem outra.

Fora desse delírio, não há mais nada além de ações especulativas, como essa aberração anticrime bolada para dar alguma consistência à presença de Sérgio Moro, no Ministério da Justiça.

O resto são ações destrutivas e vexames diários.

Propostas de Sérgio Moro para a Segurança? Licença para matar e milhares de armas


Reinaldo Azevedo através do DCM

Reinaldo Azevedo critica Sérgio Moro em seu blog no UOL. “Foi um erro brutal o governo Bolsonaro ter fundido os Ministérios da Justiça e de Segurança Pública, transformando esta numa secretaria, subordinando-a ao ministro Sérgio Moro, que, visivelmente, não sabe o que fazer. O resultado, até agora, tem sido a paralisia. Tudo o mais constante, outros Amazonas virão. E depois outros. E outros mais. Suas propostas para a segurança pública potencializam os desastres”.

O jornalista desenvolve seu raciocínio: “As operações nacionais envolvendo todos os Estados e polícias contra as facções e o crime organizado já não ocorrem mais… Afinal, a aposta do Supremo Ministro é num pacote dito anticrime que dá licença para a polícia matar. Amplia ainda o encarceramento, o que, num sistema prisional superlotado, só irá aumentar os respectivos exércitos de mais de 70 facções criminosas geradas lá dentro, mas que controlam a violência e o tráfico cá fora”.

E completa: “Os adoradores de mitos e fantasias, no entanto, custam a reconhecer o óbvio — também na imprensa. Moro está em Portugal. Para mais um seminário sobre corrupção”.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Balão de ensaio

Aroeira

A revolução dos brancos


Leandro Fortes

Desde 2013, já era possível notar que essas manifestações de fascismo urbano eram, por assim dizer, piqueniques cívicos da classe média branca, racista e iletrada do Brasil.

O antipetismo alimentado pela mídia fez os pobres apoiá-las, mas não conseguiu manchá-las de pardo: durante todo o processo que resultou no impeachment de Dilma Rousseff, a histeria das ruas manteve-se branca, alva, em fantasias verdes e amarelas.

Mesmo fracassadas, as manifestações de apoio a Bolsonaro mantiveram esse padrão intacto. Mais ainda, filtraram esse fenômeno até o limite de qualquer percepção.

Nas ruas, nos pequenos e grandes grupos, eram sempre brancos e brancas em máscaras de ódio, rancor e tristeza. Uma gente tão infeliz que não causa espanto nenhum as opções que faz.

Essa gente horrível, plena de desgosto, ainda vive seu momento, embora seja óbvio o seu ocaso.

Ainda assim, me embrulha o estômago ver essa turba ignorante empunhando banners de vinil expondo a própria ignorância, disseminando ódio e intolerância, erguendo bonecos infláveis para disfarçar uma vida inteira de insignificância.

Diferenças

Benett

Ustrapalooza

Celso Rocha de Barros

As manifestações deste domingo (26) foram do tamanho e tom certos para que o impasse entre governo e Congresso continue.

Os protestos não foram grandes o suficiente para pressionar o Congresso, ou para servir de ponto de partida para o golpe com que sonham os bolsonaristas.

Mas tampouco foram pequenas o suficiente para que Bolsonaro se conforme com a necessidade de respeitar as instituições e comece a dar expediente como chefe do Poder Executivo.

Em todas as grandes cidades, as passeatas não superaram as dos estudantes do dia 15. Nenhuma foi nem sequer comparável às passeatas a favor do impeachment ou às de 2013. Lembraram mais outra passeata a favor, as passeatas contra o impeachment de 2016.

Ainda é bastante gente, sem dúvida, e é preciso admitir que a pauta da direita radical tem apoiadores.
Mas para uma passeata convocada pelo presidente da República, foi pouco. Bolsonaro começou o domingo elogiando as manifestações em um culto religioso e tuitando imagens de gente indo para o ato.

Todo mundo entendeu que o plano inicial das manifestações era atacar as instituições.

E teve isso: na praia de Copacabana uma faixa dizia "STF, preste atenção, a sua toga vai virar pano de chão". Houve bonecos infláveis pouco lisonjeiros do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o único sujeito que ainda trabalha para aprovar a reforma da Previdência do Guedes.

Para não deixar dúvida, Eduardo Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais, dias antes do ato, o vídeo de uma entrevista que fez com a viúva de Brilhante Ustra. 

Sutil.

Já sabendo que seria isso, o bolsonarismo institucional, que depende das instituições para manter sua influência, foi contra a passeata. O MBL, cujos líderes se elegeram parlamentares em 2018, Janaina Paschoal e Joice Hasselmann, deputadas extremamente bem votadas, Luciano Bivar, presidente do partido de Bolsonaro, todos foram contra os protestos. A Fiesp, os evangélicos, a grande maioria dos militares, todos ficaram de fora.

Não descarto que ao menos algumas pessoas nessa lista topassem medidas repressivas contra a esquerda. Mas outras devem ter mesmo convicções democráticas, e todas têm suas tribunas dentro da democracia.

Se o bolsonarismo já era a série B da direita brasileira, a turma que convocou a passeata de ontem era a série B do Bolsonarismo: os olavistas, os defensores de golpe militar, o cara que rasgou a placa da Marielle, os monarquistas, aquele seu parente burro que é uma ou várias dessas coisas.

Se as manifestações não foram grandes o suficiente para assustar deputados ou ministros do STF, talvez tenham sido grandes o suficiente para provocar uma redistribuição de poder dentro do bolsonarismo a favor dos radicais, com o apoio do presidente da República.

A macarronada de domingo do bolsonarismo ficou mais tensa.

As alas não doidonas do governo tentaram moderar as manifestações.

A turma de Paulo Guedes, por exemplo, tentou fazer colar que a passeata era em defesa das reformas do governo. Proponho medir a proporção das faixas ou dos minutos de discurso de ontem sobre ajuste fiscal. Duvido que tenha sido alta.

De qualquer modo, é chocante que ainda haja quem precise do autoritarismo bolsonarista para manifestar sua frustração pós-Lava Jato. A oposição ainda tem muito trabalho pela frente.

Manifestação a favor

Montanaro

domingo, 26 de maio de 2019

Piada pronta

Foto de Marina Pinhoni. Essa é uma infiltrada, mas ninguém comentou o absurdo do cartaz dela.
Foto de Guilherme Balza
Mais estranho que a ficção.

O texto mais besta do domingo


Lamento discordar da maioria de meus amigos, mas acho que as manifestações de hoje são muito mais significativas e bem sucedidas do que o relativamente baixo volume de pessoas pelo Brasil sugere.

Explico:

A frente da Fiesp sempre foi o ninho e a vanguarda desse identidade estética e política que ainda está longe de achar sua expressão final. Essa identidade tem mais a ver com as complexas formas de desmediação do discurso e das instituições do que uma ideologia fascista clássica.

Hoje o clima era de empolgação, conversa e confabulação. De um quem ganhou a eleição e pretende dar o próximo passo. Esse passo, antes da agenda, tem a ver com a mesma força que vem moendo mediadores, tanto na direita quanto na esquerda: o desejo narcísico de protagonismo.

Esse desejo sempre foi a força que impulsionou MBL, Doria, VPR e tantos grupos que erodiram partidos para arrebanhar votos e seguidores. Eram novos atores que conseguiram entregar a sensação de protagonismo, de autoralidade histórica a esse grupo verde e amarelo.

Mas foi Bolsonaro quem, nas eleições, capitalizou de forma mais perfeita esse narcisismo. Justamente por não ser oportunista. Ele é a vocalização pura, sem planos ou freios, das índoles mais inconfessáveis de boa parte do Brasil. Por isso virou um mito. Pois cumpre a função de um.

Agora empossado, o Bolsonarismo encontrou na hesitação de MBL, Doria e afins a brecha perfeita para assumir as rédeas, sem mediadores, dos rumos do discurso, da interlocução e, principalmente, da intralocução (existe esse termo?) nas redes privadas.

Houve uma explosão de micro canais de Youtube, todos cancelando MBL e outros organizadores. Centenas de pequenos grupos - originalmente de whatsapp - agora ganhando materialidade e, claro, uma forte injeção de libido política.


STF, Maia, MBL, PT, FHC. Todos edifícios a serem demolidos não exatamente em nome de um projeto ditatorial. Mas em nome do protagonismo individual, da história feita em no Stories. De uma barbárie hiperconectada e um pensamento que vai se massificando à medida que perde autoria.

Bolsonaro cresceu hoje. Não dentro do jogo político, claro. Nesse ele está mais acuado do que antes. Mas na nanopolítica, no processo psíquico que está moldando o infrareal, ele se consolida como o líder ideal em uma sociedade viciada em espelho e raiva. Aquele que não lidera.
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Uma resposta ao mais besta dos textos:

Antonio Luiz M. C. Costa
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Faria sentido se os Bolsonaros tivessem o Exército ou coisa que o valha por trás. Sem isso, não acho que o WhatsApp e a #FoliaDosCusProlapsados possa substituir uma base no Congresso ou o apoio da grande mídia.
Bruno Torturra 
Concordo. Mas acho que Record e Youtube são grandes mídias. Não tem adesão do exército, acho. Mas tem 100% da PM e da banda podre das polícias. Sigo achando que ele se enfraquece no jogo político. E se fortalece no jogo antipolítico. Tudo em aberto. Só não foi flop...
Antonio Luiz M. C. Costa

A Record é relativamente grande, mas só prega aos convertidos. O YouTube, como o WhatsApp, não é bem um "apoio". Acho que Bolsonaro tem 100% das milícias, mas de jeito nenhum tem 100% da PM. E o resto é cachorro que ladra, mas não morde.

Não verás nenhum país como este!

Foto de Fernanda Canofre, Folha de São Paulo, 26 de maio de 2019.

 
Da página da Pinky Wainer.

Extremistas pedem enforcamento de Moro, Bozo e Guedes


Nazistas iletrados do Paraná arrancam faixa "Em defesa da educação" de universidade


O problema não é Bolsonaro

Apelo als congrecista

O problema nunca foi o Bolsonaro. Político sincerão, incompetente e ordinário por 30 anos.
Quem representa o atraso e a destruição do Brasil é quem acredita nele.

Xico Sá

O nazismo floresce em São Paulo

Foto dos Jornalistas Livres (por enquanto...)

Na verdade, o nazismo era bem menos criminoso, excetuando-se as etnias minoritárias e a ideologia de esquerda, do que o paulista médio.


Passar pano para Bolsonaro num dia como hoje é compactuar com um projeto de destruição da democracia


A vontade de alguns analistas em normalizar Bolsonaro e as manifestações de hoje encontra um sério obstáculo: nem Bolsonaro nem as manifestações de hoje querem ser normalizadas. É uma lição que já deveria ter sido incorporada.

E não que alguém se importe, mas vá lá: os ex-jornalistas em atividade que o bolsonarismo usa para lhe dar legitimidade não são mais jornalistas nem estão em atividade jornalística. São apenas militantes governistas. É legítimo que militem, aliás. Só não vale enganar as pessoas.

Por fim, a quantidade de faixas abertamente golpistas hoje deveria levantar o sinal amarelo. Bolsonaro não é um presidente normal. O projeto dele está claro. Ele só não teve tempo suficiente de implementá-lo nem coragem para levá-lo a cabo.

Portanto, passar pano para Bolsonaro num dia como hoje é compactuar com um projeto de destruição da democracia brasileira. Imperfeita, insuficiente, mas é a única que temos. É essa democracia torta da Nova República que universalizou ensinou básico e criou o SUS.

Amo o Brasil. Foi este país meio destrambelhado que acolheu meus avós refugiados da miséria e da perseguição. Foi nesse país que minha mãe saiu de uma favela na beira da rodovia Anhanguera pra me dar educação decente. Não dá ficar indiferente a esse necroprojeto presidencial.

Brasil é caldeirão prestes a explodir, afirma presidente da OAB



Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

Resumo da notícia
  • Presidente do Conselho Federal da OAB vê Brasil pior que EUA em 1929
  • Santa Cruz afirma que proposta de Moro radicaliza modelo que dá errado
  • "Sou criticado 24 horas por dia nas redes sociais", conta o advogado
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, 47, vê uma situação de perigo no Brasil. Para ele, o atraso de uma retomada mais forte do crescimento econômico pode provocar colapso e ruptura social. "O Brasil é um caldeirão prestes a explodir".

Para Santa Cruz, que participa do Conselho Estratégico da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o governo Jair Bolsonaro (PSL) perde tempo com "bobagens ideológicas e radicalizadas" e precisa "tratar do que importa, que é emprego e renda".

Filho de uma vítima da ditadura militar, o advogado foi presidente da OAB do Rio de Janeiro. Quando ocupava este cargo, pediu a cassação do mandato do então deputado Jair Bolsonaro por causa da homenagem ao coronel Brilhante Ustra, apontado como um dos maiores torturadores do regime militar, na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Acabou por assumir o comando da OAB nacional um mês depois da posse de Bolsonaro na Presidência da República. A defesa que a família Bolsonaro faz da ditadura incomoda o presidente da Ordem. "Isso para mim é imperdoável", afirma Santa Cruz.

No começo da semana, a OAB apresentou um estudo sobre o pacote anticrime enviado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, ao Congresso. A entidade contesta propostas como a prisão após a condenação em segunda instância e mudanças no instituto da legítima defesa para agentes de segurança pública.

Confira os principais trechos da entrevista AQUI.

Manifestação em defesa das milícias e da ditadura fracassa pela manhã


Boçalnaro tem pouco a perder com manifestações

Luis Felipe Miguel

Tornou-se quase lugar comum, entre analistas da centro-direita à esquerda, dizer que Bolsonaro sai perdendo, qualquer que seja o resultado das manifestações de hoje. Se forem um fiasco, ele perde capital político. Se foram um sucesso, ele piora sua relação com o Congresso e com o Supremo.

Eu acho, ao contrário, que Bolsonaro tem pouco a perder. Dificilmente as manifestações vão flopar de maneira indiscutível, o que seria, sim, um problema. Mesmo que sejam fracas, devem reunir gente suficiente para que seus seguidores garantam que foi um sucesso retumbante - e seus seguidores, não custa lembrar, são bem treinados na arte de negar evidências.

Manter a agressividade de uma minoria radicalizada em alto grau é o que interessa a Bolsonaro. Ele construiu Mourão e o centrão como inimigos, o que faz com que as soluções à mão para a velha elite política (impeachment, parlamentarismo branco) despertem a ira de sua tropa só de serem cogitadas.

A classe dominante brasileira, por motivos diversos, alguns deles psicanalíticos, fechou para si mesma o caminho que a racionalidade política exigiria: retomar as negociações com uma esquerda pra lá de moderada, tirar Lula da prisão e pacificar o país isolando as hordas de fanáticos do nosso projeto subnormal de Duce tupiniquim.

Ela quer manter, sozinha, o veto ao campo popular como interlocutor legítimo do debate político e, ao mesmo tempo, colocar Bolsonaro de escanteio. O objetivo do ex-capitão é mostrar que isso não será possível e que terão que aceitá-lo com Queiroz, com Olavo, com tudo.

Em suma: ele não quer governar, quer manter-se no governo para avançar o pequeno elenco de pautas que o interessam diretamente (liberação das armas, flexibilização da legislação de trânsito e ambiental, proteção ao clã e às milícias vinculadas). Sabe ou intui que não tem condições de manter negociações efetivas com os outros poderes. Quer é estar em posição de força para as escaramuças que certamente continuarão.

Se as manifestações forem grandes, ótimo. Se não forem um malogro completo, dá pro gasto.

Sérgio Moro sempre foi um militante de extrema-direita, mas passou no exame da OAB, sim


Centenas de milhares de picaretas semianalfabetos também passaram no exame, por que Moro não passaria? Além disso, sempre existe a possibilidade de comprar o gabarito, não é? Aqui é Brasil...
Outra coisa: tendo recebido diploma em 1995 e aprovado na OAB no mesmo ano, não houve tempo para ser reprovado cinco vezes.

Quando pesquisarem algo sobre o elemento não esqueçam do nome do meio: Fernando. Existem outros Sérgio Moro com nome do meio diferente e até um Antonio Sérgio Moro.