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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

terça-feira, 23 de junho de 2020

Pastor brasileiro ora por novo Holocausto



Link direto para o vídeo

A organização Sinagoga sem Fronteiras apresentou uma denúncia à Polícia Federal contra o pastor que, em sua loucura, se comporta como uma criança mimada e birrenta pedindo à deus que realize suas maldades.

"Um fascista sempre sabe quem deve morrer. E nunca é ele."


domingo, 5 de janeiro de 2020

Fala que eu te escuto



Porta dos Fundos

Em nome de Jung! Pavlov esteja convosco. Bendita é a palavra de Nise. Lacan seja louvado! Philippe Pinel abençoe. Pierre Janet está no meio de nós. Sai desse corpo que não te pertence, pois estás disassociando. Fé em Freud, DJ!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Cultura, sob Bolsonaro, vive volta da censura, perda de ministério e viés evangélico


Primeiro ano da pasta no governo teve caça a temas sensíveis, conservadores em postos importantes e mudanças na Rouanet 
Gustavo Fioratti - Bruno Molinero

As ações do governo na Cultura em 2019 tiveram duas tônicas —a censura voltou a ameaçar a livre expressão de artistas subsidiados por verba pública, com agressividade que não se via desde a redemocratização, e a indústria do audiovisual, que vinha registrando crescimentos sucessivos e levava o cinema nacional para os principais festivais do mundo, foi freada com paralisações e cancelamentos de prêmios e patrocínios.

A extinção do Ministério da Cultura, definido no fim de 2018 e confirmado bem no início deste ano, já dava sinais de uma revisão histórica. Representou o ponto inicial de uma coleção de conflitos entre a classe artística e o governo.

Criado em 1985 pelo então presidente José Sarney, a instituição foi transformada na Secretaria Especial da Cultura, subordinada à pasta da Cidadania, sob comando do médico Osmar Terra. Em novembro, passou a fazer parte do Ministério do Turismo.

Já entre as primeiras medidas para o setor, o presidente Jair Bolsonaro questionou o patrocínio das empresas estatais à cultura. Reduziu o montante de incentivos na Caixa Cultural, no Banco do Brasil e nos Correios.

O governo anunciou ainda que a fatia mais robusta, vinda da Petrobras, deixaria de existir para ser realocada para programas de educação e produção tecnológica. O corte provocou preocupação, sobretudo nas direções dos grandes festivais de cinema.

O resultado da interrupção se consolidou no transcorrer de todo o ano, com a redução significativa das programações do Festival do Rio e do Anima Mundi, entre outros.

A leitura de que Bolsonaro promoveria um desmonte foi imediata e ganhou as redes. Em abril, uma nova mudança profunda na política de incentivos públicos atingiria uma parte significativa do mercado, o das artes cênicas.

Desde as eleições, Bolsonaro atacava a Lei Rouanet, questionando os subsídios públicos a produtores que, ele supunha, já andavam com pernas próprias. O teto de incentivos da lei caiu de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão.

As mudanças geraram protestos principalmente dos produtores de espetáculos musicais, que não ficaram dentro das exceções —planos anuais de museus, por exemplo, continuaram podendo captar fora do novo limite.

Neste fim de ano, o governo reconheceu o erro e divulgou que espetáculos musicais poderiam ter um teto superior, a princípio de R$ 10 milhões.

Também em abril, houve a paralisação da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, depois que o Tribunal de Contas da União questionou a metodologia usada nas prestações de contas de produções incentivadas. Obras aprovadas em editais tiveram de esperar a situação ser regularizada para ter acesso a verbas retidas.

Em agosto, o governo começou a pôr em prática a retaliação a obras com temas que desagradavam a ala bolsonarista, vetando trabalhos que falavam sobre regimes autoritários, sexualidade e questões de gênero. Naquele mês, houve o cancelamento de um edital da Ancine que incluía incentivo a projetos para TVs públicas com temática LGBT —era o início de uma série de atos de censura que atingiriam também os programas de incentivos das empresas estatais.

Houve, por exemplo, cancelamentos de espetáculos como “Abrazo”, da companhia Clowns de Shakespeare, e “Gritos”, da Dos à Deux. A primeira trazia a história de um governo que proibia cidadãos de falar. A segunda era protagonizada por uma travesti.

Em setembro, a Folha revelou que a Caixa havia implementado um sistema de censura prévia, determinando inclusive que funcionários investigassem as redes sociais dos artistas que se inscreviam em programas de incentivo.

Embora as restrições abrangessem um cenário mais amplo, foi por causa do corte do edital da Ancine, em agosto, que Henrique Pires, então secretário da Cultura, pediu seu afastamento. “Para ficar e bater palma para censura, prefiro cair fora”, ele disse, ao pedir a exoneração. Pires foi substituído por Ricardo Braga, que também deixou a subpasta e foi substituído pelo dramaturgo bolsonarista Roberto Alvim.

Alvim havia se aproximado de Bolsonaro com entrevistas polêmicas que agradaram o presidente. Em junho, ele foi nomeado diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte e passou a usar as redes para defender uma guerra cultural contra o que avaliava ser uma visão da esquerda no campo das artes.

Teve grande repercussão o episódio em que o diretor atacou Fernanda Montenegro, chamando a atriz de sórdida e de mentirosa.

Depois de assumir a secretaria, Alvim iniciou um processo de mudança nos postos da pasta e de entidades subordinadas —chegaram ao governo novos nomes responsáveis por áreas como promoção e diversidade cultural, fomento e incentivo à cultura e economia criativa. Alvim trocou também o comando da Fundação Palmares, da Biblioteca Nacional e da Funarte.

O apresentador e pastor Edilásio Barra, conhecido como Tutuca, por exemplo, assumiu o cargo que controla o gerenciamento de R$ 724 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual. Já um dos nomes mais controversos, Sérgio Nascimento de Camargo, ficou com a Fundação Palmares e se declarou contra o Dia da Consciência Negra e as cotas raciais —veja abaixo outros nomes.

A censura atingiu também a esfera municipal. Em setembro, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, do PRB, mandou fiscais à Bienal do Livro da cidade para recolher uma HQ da Marvel que trazia um beijo gay. O caso chegou ao Supremo, que proibiu a apreensão de obras no evento.

NOMEADOS RECENTES PARA A CULTURA

Roberto Alvim
Nomeado como secretário de Cultura, Alvim ganhou a simpatia de Bolsonaro ao defender o projeto do presidente nas redes sociais. Principalmente ao atacar Fernanda Montenegro, dizendo sentir ‘desprezo’ por ela e a chamar de ‘mentirosa’ e ‘sórdida’

Sérgio Nascimento de Camargo
Escolhido para comandar a Fundação Palmares, que faz a preservação de elementos da cultura afro-brasileira. Diz ser ‘negro de direita’ e é contra o Dia da Consciência Negra. Teve sua nomeação suspensa

Dante Mantovani
Também youtuber, o maestro divulga em seu canal vídeos com teorias da conspiração. Ficou famoso pela frase ‘o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto, e a indústria do aborto alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo’

Janícia Ribeiro Silva
Presidente da Associação Cristã de Homens e Mulheres de Negócio, ela assumiu a Secretaria de Diversidade Cultural

Letícia Dornelles
A roteirista e atriz assumiu a Fundação Casa de Rui Barbosa, responsável por manter acervos de intelectuais e escritores de destaque. Em dezembro, a instituição chegou a divulgar um evento sobre astrologia, que depois foi cancelado

Edilásio Barra
Conhecido como Tutuca, é apresentador e pastor. Está à frente da Superintendência de Desenvolvimento Econômico da Ancine e gere os recursos do Fundo Setorial do Audiovisual

Rafael Nogueira
Aluno de Olavo de Carvalho, ele se define nas redes sociais como ‘aspirante a filósofo’ e assumiu a presidência da Biblioteca Nacional. Em 2017, publicou um tuíte em que associa Caetano Veloso e a banda Legião Urbana ao analfabetismo

André Sturm
Ex-secretário municipal de Cultura de São Paulo, ele foi escolhido em dezembro para ser o novo secretário do Audiovisual do governo federal

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Milicianos e fanáticos religiosos fundam novo partido


Bruno Boghossian

Com Bolsonaro, país pode ganhar um partido de ultradireita
Sigla em criação pelo presidente tende a se tornar veículo para posições radicais
Com Jair Bolsonaro, o país pode ganhar um partido de ultradireita. A legenda que o presidente quer criar surge ancorada em valores reacionários, no populismo e no personalismo puro.

A aparente espinha dorsal da Aliança pelo Brasil coube numa sequência de publicações de Eduardo Bolsonaro. Na primeira frase, o deputado anuncia a criação da sigla com o objetivo de libertar a população "da destruição de valores cristãos e morais". Em poucas linhas, ele repete essa fórmula e encerra com um resumo dos princípios do novo partido: "fé, honestidade e família".

O ensaio de manifesto é carregado de tons messiânicos. Fala no "novo rumo brasileiro" e no que chama de "a verdadeira união com o povo", como se Jair fosse o único capaz de representá-lo. Sem modéstia, cita ainda um "momento histórico" e o "grito solitário" do pai, que passaria a ecoar com a criação da legenda.
Isso, é claro, sem falar na defesa aberta de ditaduras e de torturadores, que os grandes próceres da sigla fazem questão de defender publicamente e a todo momento.

O partido parece se inspirar na Arena (Aliança Renovadora Nacional), que serviu de sustentação para o regime militar. Seu manifesto de 1975 mencionava a união dos brasileiros e uma aliança com o povo, mas não apelava tanto aos valores cristãos quanto Eduardo Bolsonaro.

O partido pode se tornar veículo para a difusão de ideias radicais, a exemplo do espanhol Vox e do alemão AfD. Essas duas legendas ainda brigam pelo poder em seus países, enquanto a Aliança já nasce no topo.
A migração de integrantes do PSL para a nova legenda deve acelerar uma depuração do bolsonarismo e definir em que ponto do espectro político o grupo mais afinado com o presidente passará a operar.

Se apenas os mais fiéis seguirem Bolsonaro, como parece claro até aqui, haverá espaço para posições mais extremadas. Elas tendem a sobressair em ambientes de forte apelo religioso e de fidelidade a um líder que sustenta posições desse tipo.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Bolsonaro quer atropelar a laicidade do Estado para dar mais poder aos pastores

Uma toga para a bancada da Bíblia
Bernardo Mello Franco
Bolsonaro quer atropelar a laicidade do Estado para dar mais poder aos pastores. Deus acima de todos e as igrejas acima da Constituição
Jair Bolsonaro não perde uma chance de cortejar a bancada da Bíblia. Ontem o presidente começou o dia num culto evangélico no Congresso. Em seguida, festejou o 42º aniversário da Igreja Universal, do bispo e empresário Edir Macedo.

No primeiro compromisso, o capitão ensaiou um discurso de pastor. “A paz de Cristo”, iniciou. “Amém!”, respondeu a plateia. “Vocês são mais que amigos, são irmãos”, continuou o orador.

O presidente voltou a descrever sua vitória como uma missão divina. Em seguida, repetiu a cantilena do país abençoado com terras férteis e “povo maravilhoso”. “O que que nos falta?”, perguntou. “Falta a fé. A vontade de vencer”, ele mesmo respondeu.

A pregação animou os deputados, mas eles queriam ouvir mais. “Poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal. Um deles será terrivelmente evangélico”, prometeu Bolsonaro. O auditório explodiu em aplausos e gritos de “Glória!”, como nos cultos transmitidos pela TV.

Em governos passados, a bancada evangélica trocava votos por verbas, ministérios e isenções fiscais. Na gestão atual, a turma passou a sonhar mais alto. Quer ascender ao olimpo do Judiciário.

As igrejas já deixaram claro o que pretendem: neutralizar a atuação liberal do Supremo. Nos últimos tempos, a Corte tem protegido minorias ameaçadas pela ofensiva conservadora. Em junho, equiparou a homofobia ao crime de racismo.

O presidente se irritou com a decisão, que classificou como “completamente equivocada”. “Se tem um evangélico lá, pedia vista e sentava em cima”, disse. Não podia ser mais transparente sobre a missão do ministro que vai escolher.

Não há qualquer problema na nomeação de um ou mais evangélicos para o Supremo. Hoje o tribunal tem juízes católicos e judeus. A questão é que nenhum deles chegou lá por delegação religiosa.

Bolsonaro quer atropelar a laicidade do Estado para dar mais poder aos pastores. Deus acima de todos e as igrejas acima da Constituição.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Segurança do Extra que matou jovem é bolsonarista


Nilson Lage

O sujeito dá um golpe -- "mata-leão", uma espécie de "gravata" com sobrepeso-- e enforca, na maior covardia, um rapaz de 19 anos,em frente à mãe, que rogava, e aos circunstantes que lhe pediam que largasse a vítima..em um supermercado carioca onde o criminoso trabalha como segurança.

O crime foi gravado em vídeo.

Na delegacia, onde se livrou pagando fiança de dez mil reais, Davi Ricardo Moreira Amâncio contou uma história sem pé nem cabeça; . O ponto alto da fábula é a afirmação de que Pedro Henrique Gonzaga, enquanto estrebuchava."estava simulando". Simulou tão bem que morreu.


O espancamento brutal de um cachorro, há dias, em outro supermercado da cidade, teve enorme repercussão entre indignados defensores dos animais.

Estamos em plena temporada de caça aos pobres -- mais indefesos do que vira-latas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Boechat levantou a mão contra o ungido e foi morto por Deus!


Entre todas as coisas ruins que estão acontecendo nessa semana, tivemos uma mostra do que tem de mais tóxico dentro das igrejas evangélicas: fiéis comemorando a morte de Ricardo Boechat por ter "levantado a mão contra o ungido" e criticado um pastor.

Essa postura de alguns é uma consequência da cultura de medo que vem imposta de cima do altar, por pastores que se consideram autoridades inquestionáveis, condenando qualquer questionamento e amaldiçoando quem ousa deixar uma comunidade saindo de suas esferas de controle.

Não obstante, ainda citam ex-membros que passam por infortúnios ou tragédias, declarando o juízo de Deus ao falar que "a mão de Deus pesou" sobre a pessoa.

Para estes há apenas um recado triste: se vocês acham que Deus está olhando as pessoas para escolher que castigo ou que tragédias apontar para cada um, então sua concepção de deus é muito mais do grego Zeus do que de Jesus.

Declarar que Deus odeia uma parcela da população é libertador para alguns: permite que a pessoa transfira seu ódio para Deus e assim legitima sua fúria contra os outros.

Nada mais longe dos evangelhos: aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.

Ninguém pode reivindicar amar a um Deus que não vê se não consegue amar ao próximo que está bem visível na frente da pessoa.

Como seria bom que as pessoas que passam o tempo desejando a "justiça" de Deus (o certo é que querem vingança mesmo) ou o inferno para seus inimigos percebessem que elas mesmo estão vivendo no inferno.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Olavo de Carvalho criou uma seita


O mínimo que podemos dizer é que Olavo de Carvalho criou uma seita. Ele se apropria de algumas ideias caras a pensadores cristãos e pretende ter feito com elas a sua filosofia. Um verdadeiro “liquidificador delirante”. Link para o artigo:



Como liquidificador uma arma poderosa, precisamos ter cuidado. Olavinho me acusa de ter deturpado seu pensamento, ao não distinguir entre a comunidade de amigos-discípulos que ele cria e a comunidade que estaria baseada no conceito de amizade tal como pensado por Tomás de Aquino.

Conversa fiada. Que comunidade há entre uma figura patética que fica defronte de um computador dizendo absurdo atrás de absurdo e os pagantes de seus cursos? A comunidade de Olavinho é apenas isso, um espaço que ele controla de modo absoluto, no qual quem discorda está fora.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Evanjegues estão emputecidos com Mourão

Desenvoltura de Mourão desperta a ira de evangélicos

Líderes de igrejas e parlamentares querem que Bolsonaro desautorize o vice no episódio da transferência da embaixada do Brasil em Israel
O discurso independente e a desenvoltura do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) desgastaram a relação do Palácio do Planalto com o setor evangélico, considerado fundamental na eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Nos últimos dias, líderes de igrejas que durante a campanha apoiaram explicitamente o candidato do PSL e representantes do segmento no Congresso expuseram a insatisfação com o vice, principalmente após ele se manifestar contra a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

As lideranças religiosas e parlamentares da bancada evangélica pretendem pressionar o presidente para que ele desautorize publicamente o vice – Bolsonaro permanece internado em São Paulo se recuperando da cirurgia para a reconstrução do trânsito intestinal.

Na condição de presidente em exercício, Mourão recebeu no último dia 28 o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, e defendeu a posição que contraria manifestações anteriores do próprio Bolsonaro.

Com 108 deputados e 10 senadores na atual Legislatura, a Frente Parlamentar Evangélica, que tem uma atuação historicamente coesa em defesa de suas bandeiras, terá um peso decisivo para a agenda do governo no Congresso Nacional.

“Vamos cobrar (do Bolsonaro) o cumprimento daquilo que foi tratado. Se o Mourão está a serviço de algum grupo de interesse contrário a que isso aconteça, tenho convicção que ele perdeu essa queda de braço. Mourão é um poeta calado. Sempre que abre a boca cria um problema para o governo”, disse ao Estado o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), principal porta-voz da Frente. O deputado deve assumir a presidência do grupo nos próximos dias. O atual presidente, deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), não se reelegeu.

Os evangélicos ficaram também incomodados com o vice por causa de uma entrevista na qual ele defendeu que o aborto é uma escolha da mulher. O ponto central das queixas, contudo, é a questão da mudança da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém. “Esse foi um compromisso de campanha do presidente da República com nosso seguimento. Nós não pedimos muitas coisas a ele, mas essa foi uma delas”, disse Sóstenes.

“Por que o Mourão, sabendo das bandeiras do Bolsonaro, não se manifestou antes da eleição? É uma coisa feia esconder suas convicções. Faltou protocolo e ética no exercício da função dele. Mourão está fazendo campanha para 2022, mas a ala conservadora não vota nele nunca”, disse ao Estado o pastor Silas Malafaia, líder da igreja evangélica Vitória em Cristo e presidente do Conselho dos Pastores do Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém capital de Israel em dezembro de 2017.

Cinco meses depois, a embaixada norte-americana foi transferida para lá.

Para o bispo e presidente do Ministério Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, a mudança da embaixada “facilitaria muito” a viagem de brasileiros a Israel (!!!) e estimularia a ampliação da oferta de voos (!!!!!!).

Os contrários à mudança alertam para os potenciais prejuízos para as exportações brasileiras para países árabes, que estão entre os principais importadores de carne bovina e de frango do País.

O Brasil pode também receber pressão da comunidade internacional.

Para a ONU, o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

"Quando o Bolsonaro se recuperar, vamos marcar uma audiência com ele. A ideia é levar uma carta deixando claro nossa insatisfação. Hoje, o Mourão é uma instituição e deveria guardar as opiniões para ela”, disse o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR). Na semana passada, outros parlamentares usaram a tribuna da Casa para criticar publicamente o vice.

Segundo fontes do primeiro escalão das Forças Armadas ouvidas pelo Estado, Mourão age de forma “coerente” com o pensamento dos militares, especialmente quando faz críticas à política externa e sinaliza que a prioridade do governo deve ser a agenda econômica, e não a de costumes.

Ao desautorizar o chanceler Ernesto Araújo sobre a oferta de uma base no Brasil para os EUA, Mourão reproduziu a linha de pensamento dominante nas Forças Armadas, que contam com sete quadros no primeiro escalão e representam um dos pilares da administração. Procurada, a assessoria do vice disse que ele não iria se manifestar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Posse dos deputados na assembleia do Ceará foi pior que a tomada do poder pelo Taliban


Brasil caminha aceleradamente para ser o país mais atrasado e fanático do planeta. Imbecilização evangélica está destruindo rapidamente a cultura, a ciência e a política. Até o futebol já virou palco do Taliban evangélico, com seus jogadores canalhas, desleais e violentos louvando o "senhor" de dois em dois minutos. Em breve, todas as atividades terão de ser interrompidas várias vezes por dia para expulsar Satanás e dar dinheiro para os pastores.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Hélio Schwartsman, eleitor de Bolsonaro, está assustado com as consequências de seu voto


Trevas cristãs
Hélio Schwartsman
helio@uol.com.br

O “Deus acima de todos” que integrou o lema da campanha de Jair Bolsonaro e ainda o acompanha em muitas de suas declarações deveria provocar calafrios em todas as pessoas historicamente alfabetizadas, sejam elas religiosas ou não. Como a maioria dos brasileiros votou em Jair Bolsonaro conhecendo seu lema, parece lícito concluir que ou a maioria das pessoas é masoquista ou não é historicamente alfabetizada.

Nesta última hipótese, nossos professores de história, todos eles esquerdistas, fracassaram miseravelmente em mostrar para seus alunos os crimes cometidos em nome de Deus. Um bom jeito de sanar essa falha é a leitura de “The Darkening Age” (a idade das trevas), de Catherine Nixey (há uma edição lusitana).

A tese central do livro é simples. O cristianismo triunfou na Europa e cercanias destruindo o mundo clássico que o precedeu. O “destruir” deve ser interpretado literalmente, para incluir a pilhagem de templos, vandalização de estátuas, queima de livros e, é claro, tortura e assassinato de adversários. Nixey conta os detalhes dessa história.

Para dar uma ideia da escala da destruição, estima-se que apenas 10% da literatura clássica tenha sobrevivido até a Idade Moderna. Se considerarmos só os latinos, o quadro é ainda pior. Só 1% do que foi escrito por romanos não cristãos foi preservado. Santos das Igrejas Católica e Ortodoxa, como João Crisóstomo, gabavam-se de ter feito desaparecer toda uma cultura.

O que mais perturba na leitura de “The Darkening Age” é a total semelhança entre o que fizeram os cristãos dos anos 300, 400 e 500 o que fazem hoje membros do Taleban e do Estado Islâmico. A intolerância que militantes religiosos radicais mostram para com outros credos, os assassinatos praticados com requintes de crueldade e a insana “certeza” de estar obedecendo a comandos de um ente supremo infalível revelam quão perigoso é pôr Deus acima de tudo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Ministra fanática religiosa inventou títulos acadêmicos que não tem

Revista Fórum
Damares mente ao dizer em discurso que é “mestre em educação e em direito constitucional e da família”
Própria assessoria negou que ministra ostenta os diplomas. Damares diz, no entanto, que seu título tem a ver com o ensino bíblico. “Diferentemente do mestre secular, que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico”
Reportagem de Anna Virginia Balloussier, na edição desta quinta-feira (31) da Folha de S.Paulo, revela que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, mentiu ao se apresentar em discurso como “advogada” que é também “mestre em educação” e “em direito constitucional e direito da família”.

A própria assessoria de imprensa do Ministério confirmou à jornalista que Damares não têm os títulos acadêmicos, após ser indagada por três semanas sobre quais eram as instituições em que ela adquirira os alegados mestrados.

Damares afirmou, no entanto, que seu título tem a ver com o ensino bíblico. “Diferentemente do mestre secular, que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico.”

Segundo a reportagem, uma pessoa com trânsito na bancada evangélica no Congresso, para a qual Damares já trabalhou como assessora jurídica, afirmou à Folha que ela já ostentou o título em outras ocasiões.

A ministra pinça uma passagem bíblica (Efésios 4:11) para justificar a designação: “E Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”.


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Por que deixei de ser olavete

Por que deixei de ser olavete: ex-simpatizantes narram rompimento com guru Olavo de Carvalho
Discordâncias filosóficas e retóricas com ideólogo da nova direita marcam desilusão de antigos admiradores
Jan Niklas e Victor Calcagno

Na casa de Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, Olavo de Carvalho comandou a prece antes do jantar
Foto: Josias Teófilo / TWITTER

“Guru”, “um tipo de mestre”, “professor”, “ideólogo”, “intelectual”, “filósofo”, “mentor” e “espécie de guia intelectual”, mas também “charlatão”, “aliciador”, “impostor”, “aproveitador” e por vezes até “líder de seita”. Os termos utilizados para descrever o pensador conservador Olavo de Carvalho, de 71 anos, cujos seguidores já ocupam cargos de importância no governo de Jair Bolsonaro, são diversos entre os ex-alunos ou ex-simpatizantes do brasileiro natural de Campinas, desde 2005 autoexilado nos Estados Unidos. Em comum, todos eles compartilham, além de alguma admiração passada por Carvalho, seja pela “rebeldia” em desafiar paradigmas acadêmicos ou por acusar problemas da esquerda, a desilusão com o professor expressa em desavenças intelectuais, religiosas, políticas e pessoais em um momento específico — além da surpresa em ver sua autoridade potencializada nos últimos meses. Nesta semana, em que foi convidado pelo Departamento de Estado dos EUA para uma reunião a portas fechadas em Washington e aproveitou para se encontrar por três vezes com o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon, a influência de Carvalho mostrou-se em expansão.

Em jantar, Bannon sabatinou Carvalho sobre o Brasil e seus líderes e estimulou-o a se contrapor ao “cara de Chicago”, em referência ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que obteve doutorado na univesidade americana. Num momento devidamente registrado por um dos convidados, que o definiu como símbolo da nova era, Bannon, que é católico, pediu para Olavo de Carvalho fazer uma prece antes da refeição. Olavo rezou um pai-nosso, no que foi seguido por todos. Bannon pediu que Carvalho explicasse o curso on-line que oferece. Ele não soube explicar e pediu socorro aos demais brasileiros presentes. “Passamos um bom tempo tentando, e não foi fácil. Bannon ficou impressionado com a amplitude do tema tratado”, escreveu o cineasta Josias Teófilo, que dirigiu documentário sobre o professor de filosofia. Carvalho por vezes se mostra orgulhoso do protagonismo no governo Bolsonaro, mas, por vezes, rejeita-o. “E eu sou o guru dessa porcaria? Eu não sou o guru de m... nenhuma”, reclamou antes mesmo que a nova gestão completasse um mês. A contradição, como se verá aqui, é uma de suas marcas intelectuais.

Morador da zona rural perto da cidade de Ovar, no Norte português, o luso-brasileiro Carlos Velasco não se define no passado, quando começou a frequentar o Curso On-line de Filosofia (COF, ministrado por Carvalho desde 2009), como um legítimo “olavete”, termo depreciativo usado pelos adversários para caracterizar os seguidores mais assíduos de Olavo de Carvalho. Com 42 anos, o empresário do ramo de importação e exportação relembrou o primeiro contato que teve com o professor, por meio da internet e das colunas que mantinha na imprensa durante os anos 2000, história parecida com a de grande parte dos seguidores, antigos ou atuais, acima dos 30 anos.

“Por volta de 2003, me impressionou o fato de ele ser o único que escrevia em português com capacidade sobre temas que me interessavam na época, como a centralização dos poderes e a diluição do Estado institucional. Fui acompanhando até decidir fazer o COF no fim de 2009”, disse Velasco. Apesar de ter assinado as aulas — uma por semana — até o fim de 2013, quando teve uma ruptura total com Carvalho, Velasco afirmou que seu interesse começou a decrescer após algumas sessões. Segundo ele, além do professor ser pouco pontual, as aulas, que deveriam ser de filosofia, “entravam constantemente em assuntos paralelos, que só compreenderia, dizia o Olavo, quem assinasse outros cursos especializados que ele oferecia ou acompanhasse seu trabalho por fora”. Além disso, incomodava o empresário a virulência com que Carvalho atacava simpatizantes da esquerda, “como se quisesse iniciar uma guerra civil, sem lugar para a discussão saudável”. O ponto final de discordância, no entanto, veio dos desdobramentos da guerra na Síria e da Primavera Árabe: segundo Velasco, o pensador tentava justificar os acontecimentos baseado numa espécie de “globalismo islâmico”, “como se houvesse uma agenda comum à religião no mundo inteiro”, algo que jamais o convenceu.

“Como todo aluno, questionei o professor, primeiro por e-mail, depois pelas redes sociais, mas ele se esquivava. Então comecei a escrever sobre isso publicamente, como ele ensinava que devia ser feito.” Desde 2013, Carlos mantém uma cruzada anti-Olavo de Carvalho por meio de um blog em que rebate Carvalho, o que também rendeu alguns vídeos no YouTube com o irmão, Jorge Velasco — em uma das gravações, houve uma conversa com Heloisa de Carvalho, filha e desafeto de Carvalho, que em 2017 publicou uma carta aberta contra o pai. As críticas tiveram reação: contra o empresário há pelo menos 30 postagens na página oficial do pensador no Facebook desde 2014, algumas em que Velasco é xingado de “celerado”, “satanista” ou “criminoso”, principalmente quando o assunto é o passado de Carvalho ligado ao islã.

Discordância pouco encorajada
Não são todos os ex-alunos que têm a disposição de questionar publicamente o antigo mestre, com receio de perseguições dele ou dos olavetes, catapultadas pelas redes sociais. Depois de frequentar o seminário de filosofia que Carvalho oferecia presencialmente enquanto ainda morava no Brasil, entre o fim da década de 90 e o início dos anos 2000, um aluno que prefere se identificar como Paulo resolveu se afastar das aulas silenciosamente por causa de divergências nos posicionamentos religiosos e no que classificou como “contradições” do discurso olavista. Segundo ele, foi o único que recebeu com desconfiança a súbita mudança de opinião de Carvalho quanto à invasão americana ao Iraque, passando a apoiá-la. Paulo descreveu sua relação com o professor como de “alguém próximo”, tendo lido seus principais trabalhos até então e contribuído para a difusão de seus posicionamentos, o que perdurou em diversas aulas de Carvalho. A dinâmica delas e a relação com os alunos, segundo contou, tinham uma natureza sutil de acordo tácito, no qual o guru não era questionado, ainda que os alunos, em tese, pudessem fazê-lo a qualquer momento. “Nunca vi, nas aulas, alguém discordar do Olavo sem ter o pensamento ridicularizado de algum jeito.”

“Teoricamente, você pode discordar, mas, na prática, não há clima e ninguém faz. Tudo isso é muito sutil, claro, e a dinâmica não favorecia o questionamento. Se você discorda, ele diz: ‘Mas isso é um ponto de vista idiota’. Nessa, descobri que era idiota, mas resolvi ter minha opinião”, afirmou ele. Ainda sobre as aulas, Paulo destacou a ausência de exercícios, de produção escrita ou oral, para testar os alunos, como num curso normal, além de não terem um fim definido: o COF já passa das 450 aulas, uma por semana, ao custo de R$ 60 por mês e não dá sinais de que vai parar tão cedo, o que justifica a classificação do ex-simpatizante de “não ser um curso, mas uma espécie de seita”. A falta de uma área definida das exposições, que, apesar de se rotularem como filosofia, pulam nos ramos da política, da religião, literatura, moral e ética, também o incomodou: “No começo, era realmente sobre filosofia, mas depois a aula se resumia no Olavo abrindo o jornal e falando mal do PT. Ele justificava dizendo que era preciso ‘filosofar em tempo real contra a ameaça do comunismo’”, disse Paulo, que se definiu como liberal.

O ex-aluno não esconde o motivo que o levou até o professor: a capacidade retórica de Carvalho, que o faz “vender geladeira no Polo Norte”. Como é um “ótimo escritor”, Paulo afirmou que o filósofo consegue ser um expert no mundo da linguagem, trazendo seguidores pela retórica enfática, mordaz, belicosa, que “atinge quem não tem a capacidade de julgar as referências”. Apesar das críticas, ele elenca dois bons fatores trazidos pelo guru: a divulgação e publicação de autores conservadores no país e a difusão do pensamento liberal num primeiro momento. O ex-aluno classificou Carvalho como intelectualmente fraco, apesar de conseguir influenciar muitos com argumentos virulentos: “Ele fala com o máximo de ênfase e o máximo de ambiguidade para, se errar, poder sair quanto antes”.

'Olavo não resistiu à tentação de estar certo'
A mesma crítica ao conhecimento de Carvalho fazem o mestre em filosofia Joel Pinheiro da Fonseca, que, apesar de jamais ter sido seu aluno, foi influenciado pelo professor nos anos 2000, e Francisco Razzo, escritor e doutor em filosofia que se desentendeu com o guru depois de ter negado, por ocasião de uma entrevista, que lhe devia “pedágio intelectual”.

Tendo conhecido Carvalho em 2004 como leitor das colunas e de seus livros, Fonseca chegou a publicar artigos de Carvalho em uma revista cultural que mantinha, além de cultivar interações on-line com o professor. Na época, o filósofo lhe pareceu interessante por ser alguém “fora do cânone”, tanto por sua formação, já que nunca cursou faculdade, quanto pelo conteúdo divulgado, “sem medo de argumentar, de uma forma debochada, mas muito assertiva”. A relação degringolou quando os dois se envolveram num debate sobre filosofia medieval, evidenciado em posts na internet, o que rendeu desavenças, segundo Fonseca. Ele contou que acusou Carvalho publicamente de sempre tentar diminuir seus oponentes de forma desleal e pouco respeitosa, com “xingos” — o professor então teria questionado a existência da palavra e, comprovado o erro na dedução, bloqueado Fonseca das redes sociais. O episódio é ilustrado por Fonseca para atacar a erudição de Carvalho: “Ele tem, sim, uma erudição, mas a aumenta muito além do que ela é. Por exemplo, ele não sabe grego, mas quer discutir Aristóteles com uma autoridade de quem já leu no original perfeitamente. Fora que há sempre espaço para alguma teoria da conspiração na boca dele, desde FHC com maçonaria até programação neurolinguística, entre outros”.

Razzo, que se define como um “conservador não militante” e diz ser um ex-simpatizante do professor, mas nunca olavete, acusou Carvalho de subverter ideias básicas quando se trata de conceitos filosóficos, cometendo erros que “estudantes do segundo ano de filosofia jamais fariam”. Como exemplo, cita o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), dos maiores expoentes do idealismo alemão e frequentemente citado pelo guru em suas aulas no COF: “Para Kant, todo sujeito só conhece as interpretações dos objetos, esse é o cerne do idealismo. Olavo diz que, se Kant estivesse certo, você nem poderia ler os livros dele, uma vez que não seria possível conhecer a obra em si. Ele dizia: ‘Como pode se promover um pensamento que não é em si mesmo conhecido’? Erro básico. Kant partilha com seus leitores não a obra em si, mas as representações expressas na linguagem, enquanto um sujeito do idealismo. De tão básico, chega a ser vergonhoso que alguém afirme o contrário”, disse o escritor.

Outro problema de Carvalho, para Razzo, é o fato de defender a filosofia de forma unitária, de modo que o conhecimento também se expressasse nas práticas do indivíduo e em seus afazeres cotidianos. O escritor, por sua vez, afirma que a filosofia do ideólogo “pretende a síntese, mas não apresenta acabamento de pensamento unificado”, já que a conceituação de Carvalho passa por vários ramos de forma enfática e grandiosa, mas fragmentada. Para ele, “Olavo de Carvalho apenas não resistiu à tentação de estar sempre certo”.

A relação entre os dois azedou oficialmente depois de uma discussão no Facebook em 2014. Entrevistado por um blog, foi perguntado a Razzo sobre os pensadores que mais o influenciaram. Não citou Carvalho, apesar de então estar envolvido com a “nova direita”, o que despertou o rechaço do guru: num post, o professor escreveu que “é natural um estudante universitário só reconhecer a influência dos seus professores imediatos, sem ter em conta a atmosfera cultural criada por um antecessor”.

Esoterismo marca pensamento de guru
Razzo, Fonseca, Paulo e Velasco destacaram todos a fascinação que Carvalho exerce sobre os alunos, principalmente os mais jovens. Fonseca afirmou que a maior parte dos olavetes são pessoas à procura desesperada de certezas, ainda em processo de formação intelectual, que encontram abrigo nas vociferações do filósofo autoexilado. Já Razzo colocou o interesse na conta de uma desilusão intelectual — vindos de uma formação da qual não gostaram ou consideram atingida pelo esquerdismo, os alunos encontram em Carvalho alguém que não só sempre tem razão, como também elege um culpado para os desencantos acadêmicos passados. Paulo destacou a capacidade do guru de ter organizado intelectualmente parte da direita e “ter feito Bolsonaro possível”, já Velasco creditou o fato à capacidade de Carvalho em se apresentar como o único pensador existente num mar de lama dominado pela esquerda e pelo marxismo cultural. O professor de inglês Caio Rossi, no entanto, acredita que a principal influência no pensamento do professor, e, por consequência, no que é passado aos alunos, venha de sua ligação com o esoterismo.

Com a leitura de O imbecil coletivo, Rossi foi fisgado pelo texto de Carvalho e tornou-se um dos colaboradores do portal Mídia sem Máscara, site à direita do espectro político, fundado e mantido pelo professor em 2002. Ele afirmou que a capacidade do filósofo em citar e refletir sobre autores nunca discutidos nas universidades brasileiras era um enorme atrativo numa época sem internet. Tomou conhecimento, por esse meio, dos filósofos René Guénon e Frithjof Schuon, expoentes do perenialismo, ou tradicionalismo, linha de pensamento que defende a existência de uma verdade absoluta e transcendental comum às principais religiões do planeta. Schuon (1907-1998), explicou Rossi, aproximou-se do sufismo, ala esotérica do islã, tendo fundado uma tarica, ou confraria islâmica, da qual Carvalho fez parte e influenciou fortemente nos anos 80, antes de declarar-se católico: “Esses grupos têm a ideia de um resgate da ‘tradição’. O que eles querem construir é o retorno de uma mentalidade conservadora religiosa, porém coordenada por uma elite esotérica gnóstica. Tendo uma posição mais cristã e contrária a esse tipo de perspectiva, comecei a rejeitar”, disse Rossi.

Ex-estudante de psicologia e filosofia, Rossi afirmou que seu interesse por esses autores citados por Carvalho aconteceu porque resolveu, de fato, lê-los. A desilusão com o guru veio pela análise detalhada dessas leituras, o que lhe tomou tempo e energia: “Era muitas vezes uma interpretação pessoal do Olavo, e não raro as posições dele contrariavam as dos autores citados”. Rossi afirmou que chegou a conversar algumas vezes pessoalmente com Carvalho sobre o assunto, até que resolveu criticá-lo on-line. Como resposta, recebeu um vídeo, em que foi escrachado, além de ter sofrido ameaças, contou.

Os ex-simpatizantes de Carvalho veem de diferentes formas a relação dele com o governo Bolsonaro. Se Paulo disse “se perguntar o que quer” o guru da nova direita, Razzo afirmou que há um “projeto de poder”, mais importante que qualquer projeto de formação intelectual. Já Fonseca, que em 2015 já alertava para o crescimento da influência da “ala olavista”, agora disse que a questão é quanto o governo pode dar ouvidos a ela, principalmente via Eduardo Bolsonaro, olavete convicto. Rossi, por sua vez, expandiu os limites dessa influência: “O Olavo sabe exatamente aonde ele quer ir e, no meio do caminho, tenta se adequar à tendência. A relação dele com Bolsonaro é acidental. Já com Bannon, não, mas de outro nível: estão construindo algo”, completou. Olavo de Carvalho preferiu não conceder entrevista a respeito das críticas dos ex-simpatizantes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Novos livros pedagógicos serão padrão Bolsonaro: não precisarão ter referências e poderão ter erros e propaganda


O Ministério da Educação publicou uma nova versão de um edital que orienta a produção de livros escolares e, entre outros pontos, deixou de exigir das editoras referências bibliográficas que apoiem a estrutura editorial dos livros, o que, na prática, pode permitir a aprovação de livros sem qualidade, com erros e ainda visões de mundo particulares.

Além disso, o novo edital suprimiu trechos, como o compromisso com a agenda da não violência contra as mulheres e a promoção das culturas quilombolas e dos povos do campo.