Eu jamais lutarei no mesmo lado que o Serjo Moro, por exemplo.
Nunca, jamais, ao lado Caetano Veloso, por Deus...prefiro a morte.
Fernando Henrique Cardoso, Fernando Gabeira, Marina Silva... mas nem fudendo, nem contra o Mussolini em pessoa. Inclusive num caso desses eu fecharia o olho e tacava o soco, em quem pegasse tava bom.
Mas isso não quer dizer que todos eles não possam lutar contra o fascismo também. Cada um na sua, cada um na sua trincheira. Cada um faça o necessário, o que lhe cabe, o que está a seu alcance e de acordo com a sua consciência.
E isso por si só já é uma espécie de unidade.
Traçar uma linha de isolamento SANITÁRIO no chão. Eles lá, eu cá.
Dá pra fazer isso com respeito, sem ataques, sabendo que o inimigo comum é o Bolsonaro. Mas não precisa de síndrome de Estocolmo também.
Não sou obrigado a assinar documentos onde essas almas sebosas colocaram as suas patas. E isso não quer dizer que eu estou sendo sectário. Eles ficam lá do Leblon dando tiro de zarabatana, e eu lá de Duque de Caxias dando tiro de Lourdinha.
Gente, se vocês tivessem frequentado o boteco do Zé Pitoco e do Mela-Ferro lá em Duque de Caxias, teriam ouvido uma frase que o CIDINHO TIROTEIO gostava de repetir, que poderia ser extremamente útil para vocês neste momento:
"CACHORRO MORDIDO DE COBRA TEM MEDO ATÉ DE LINGUIÇA."
CAUTELA, MEU POVO.
Eu, por dentro, posso estar até adorando que o Anonymous está vazando os dados de bolsonaristas e dos bolsonaros. Mas vocês sabem quem são esses caras, os "anonymous"? Não, né. Sabem as intenções deles? Sabem se estão produzindo um grande "click bait" agora para meter uma calça arriada lá na frente?
Não aprenderam nada com 2013?
Na boa, meus amigos, DEVAGAR com essa parada de ficar espalhando que o Luciano Hang e o Bolsonaro deram entrada e ganharam o "auxílio emergencial". São caras já ricos e este tipo de denúncia flerta com a inverossimilhança. Ou seja, soaria ridícula aos ouvidos do povão que estamos buscando apoio, e, não obstante, caso seja fake, cairia como uma luva na deslegitimação de outras denúncias.
Cuidado com coisas absurdas demais. Não estamos vivendo dentro de um filme do Harry Potter. Isso só dá certo com o campo deles, que acreditam em terra plana e etc.
O ensinamento que eu vos deixo é:
MAIS CIDINHO TIROTEIO, MENOS NILDO OURIQUES, MENOS PABLO ORTELLADO E MENOS ELIANE BRUM.
São Paulo chegou a 327 mortes e 6.999 casos de covid-19 nas últimas 24 horas - número recorde desde o início da pandemia. Até o momento, 7.994 pessoas morreram e 118.295 estão infectadas pela doença causada pelo novo coronavírus no estado.
O recorde acontece na semana em que o estado começa a flexibilizar o isolamento social levando em consideração os dados de cada região. Na quarta-feira última quarta-feira, o estado foi dividido em 18 regiões e, em 15 delas, foi permitida a reabertura de parte das atividades econômicas.
Apesar do recorde, a Secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, afirmou que o caso não significa necessidade de rever o protocolo adotado pelo governo. Ela declarou que decisões são tomadas com base em um período longo de análise e afirmou que não haverá hesitação em retroceder a flexibilização caso ocorra um aumento de internações e mortes de covid-19.
"Este governo não tem medo de retroceder. Nós não passamos estes dois meses no sacrífico que nós fizemos para colocar tudo a perder", disse em entrevista coletiva concedida hoje no Palácio dos Bandeirantes.
O reconhecimento de que os assalariados têm interesses econômicos e políticos próprios, distintos do empresariado e dos setores médios, sempre contribuiu para a conquista de melhores condições de existência dos trabalhadores e das camadas subalternas.
Muitos daqueles direitos que até pareciam garantidos para sempre, como salários compatíveis com o custo de vida, aposentadoria e assistência médica, jamais foram entregues espontaneamente por empresários altruístas, mas conquistados em processos de luta e reivindicação.
Hoje, no capitalismo do século XXI, vivemos um processo na direção inversa, a uberização -- esforço especialmente selvagem de regressão social.
Como sabemos, no Brasil esse ataque a direitos tradicionais ganhou velocidade a partir do golpe de 2016, recebendo impulso ainda maior no governo Bolsonaro-Guedes.
Mesmo considerando possíveis mudanças na esfera política no próximo período, num processo cujo percurso ainda não é possível vislumbrar como será, nada indica que a guinada socialmente regressiva do bolsonarismo será interrompida automaticamente -- a menos que a parte mais prejudicada esteja organizada e preparada para ir atrás de um indispensável ajuste de contas.
E aqui se enxerga o papel de Lula, sua recusa em entrar "no primeiro ônibus que aparece".
Numa grande síntese: as mesmas forças políticas que em 1984 estiveram no palanque da campanha pelas diretas-já, ajudando a enterrar o regime militar, ressurgiram de casaca virada em 2016 para votar a favor do impeachment de Dilma Rousseff, no golpe parlamentar que abriu as portas para o bolsonarismo e sua sombra, uma ditadura.
Como farsa, como tragédia, é bom ser cuidadoso. A experiência brasileira ensina que a história costuma repetir-se com frequência indesejável.
O grande momento de inflexão da política brasileira recente não foi a eleição de Bolsonaro. Foi o golpe de 2016.
O golpe colocou em marcha a criminalização da esquerda, a macarthização da vida política, a instrumentalização aberta do aparelho repressivo de Estado e a tolerância ou mesmo estímulo à agressividade da direita radicalizada, elementos sem os quais não seria possível a vitória de Bolsonaro nas eleições ilegítimas de 2018.
O grande problema do golpe sempre foi como encontrar o caminho para sua normalização. Isto é, como deixaria de ser o ato de força que foi e teria seu legado (em retrocesso de direitos, redução do Estado e rompimento de políticas igualitárias, desnacionalização da economia) incorporado de vez à vida nacional.
No sonho dos golpistas, a normalização se daria com a eleição de Alckmin em 2018: um conservador que encarnava o programa dos retrocessos, mas que receberia o aval das urnas. O eleitorado, porém, não se dispôs a cumprir seu papel nesse script.
Quando ainda julgava que poderia ser candidato, o próprio Lula acenou com a possibilidade de uma normalização pactuada. Abraçava-se com políticos que tinham apoiado a derrubada de Dilma, falava em "perdoar" os golpistas e, sobretudo, indicava que estava disposto a se adaptar ao novo cenário, buscando uma reedição do pacto lulista, de manutenção dos privilégios com políticas compensatórias para os mais pobres, dentro dos limites ainda mais estreitos que a classe dominante concedia.
Como sabemos, os vitoriosos do golpe de 2016 não estavam dispostos a ceder um milímetro. E responderam a Lula com uma escalada de violência, tanto física - não esqueçam dos atentados contra a caravana - quanto institucional, culminando em sua prisão ilegal.
Sobrou a dupla Bolsonaro-Guedes, que fez com que o golpe se desdobrasse numa forma de pinochetismo. Tratava-se de impor reformas estruturais brutais, em prejuízo da vasta maioria da população, graças à disponibilidade do Estado para o uso da força.
Esperava-se que, como no Chile, quando o autoritarismo fosse superado, as reformas ultraliberais não teriam mais condições de ser desafiadas, mesmo que subissem ao poder governos nominalmente de esquerda. (Lá, foram quase 30 anos, incluindo dois governos "socialistas", antes que a sociedade tivesse forças para se mobilizar contra a herança do período Pinochet.)
Com a pandemia, o governo Bolsonaro se tornou tóxico e mesmo Guedes, cuja incompetência como gestor econômico não pode mais ser disfarçada, ficou menos atraente. O desembarque do caminho pinochetista está tendo que ser antecipado.
É isso que está em jogo na definição do caráter do movimento "amplo" contra Bolsonaro.
Há quem aponte claramente na direção de uma normalização pós-bolsonariana, como se retirá-lo do cargo esgotasse nossa agenda. Tiramos Bolsonaro e seguimos em frente, com CLT despedaçada, desigualdades ampliadas, Estado subfinanciado, Lula condenado por uma conspiração judicial etc. etc.
É o que transparece no texto do manifesto do "Juntos" e na pressão pelo silenciamento das posições de esquerda em tantos grupos.
Tirar Bolsonaro, tudo bem. Mas desde que não se fale sobre direitos trabalhistas, desmandos da Lava Jato ou imposto sobre fortuna. E que no pacote estejam "defesa da lei e da ordem" (e da família), "responsabilidade na economia" etc. etc.
"Somos 70%" é um slogan motivacional, que apenas indica que há uma maioria hoje contra o governo Bolsonaro. É ótimo que essa maioria exista e qualquer um que queira se juntar à tarefa de derrubar o sociopata do poder deve ser bem vindo.
Mas não dá para, em nome desse objetivo pontual, silenciar as reivindicações democráticas e igualitárias do campo popular e compactuar com a normalização dos retrocessos. Somos 70% hoje, mas não vamos virar as costas para os 99% que somos sempre.
Nem sempre concordo com o que Lula diz. Pior ainda: nem sempre o que Lula diz concorda comigo. Mas ele está certíssimo na avaliação sobre os manifestos que “estão tentando reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes". Podia ter deixado de lado aquela frase sobre não ser maria-vai-com-as-outras, que só serve para criar uma manchete marota e passa a impressão de que é mais um arroubo de hegemonismo. Mas, no que é central, está certo.
Há um movimento para que, no processo de construção das condições para a retirada de Bolsonaro do cargo, a direção política fique nas mãos da direita sem que a esquerda possa sequer contestar.
É isso que se traduz no apagamento do golpe de 2016 e das agressões à classe trabalhadora, na narrativa dos manifestos.
Ou na exigência de não-petismo, não-esquerda, não-vermelho, que surgem nos relatos de muitas pessoas que participam dos grupos de “70%” que estão sendo criados.
Tem que juntar todo mundo para derrubar Bolsonaro, sem exigir nenhum atestado de bons antecedentes? Claro que tem. Mas não dá para calar a voz da esquerda.
Quem está dizendo isso, notem bem, não é nenhum radical, mas Lula, o conciliador.
Tô ouvindo um podcast com o roteirista/diretor Jonathan Nolan falando como foi construir o mundo de 2058 na série #Westworld. Ele fala que seus primeiros 18 anos foram no Reino Unido. E quando ele mudou pros Estados Unidos ele achou que tinha mudado pro futuro.
Aí um dia ele foi visitar um amigo em Hong Kong, e ele percebeu que o mundo futurista construindo por Hollywood na verdade não existe nos Estados Unidos. Porque a infraestrutura aqui é ultrapassada.
Por isso ele filmou em Singapura e Valência, na Espanha. Os aeroportos aqui são muito velhos, ultrapassados, pequenos pro fluxo de pessoas. As estradas são sobrecarregadas de carros. Toda tarde, um trajeto que normalmente duraria 40 minutos entre DC e Baltimore na hora do rush vai durar entre 1h e 40min ou duas horas. É muito carro. É pouco transporte público. Não tem trem-bala. O maior terminal de ônibus de NY é pior que o terminal Tietê, mais sujo e o metrô mais velho (sim, vai pra qualquer lugar quando não quebra e fode a cidade).
Ele disse que na Ásia não tem a burocracia que tem aqui, porque aqui se um velhinho fizer uma petição e os moradores disseram que não querem uma rodovia, ela não passa pela sua casa.
Aí ele faz um comentário dizendo falando que ama os Estados Unidos, que não queria morar num lugar totalitário, mas é fato que na Ásia eles constroem o que quiserem porque seus Estados não são livres.
E agora ele e o âncora estão debatendo o que as pessoas nos Estados Unidos interpretam como liberdade. Porque estadunidenses pensam que ser livre é fazer, dizer o que quiser, na hora que quiser, contra quem quiser, por isso agora estão desrespeitando a quarentena.
Ele diz que ele sente os EUA se transformando na Inglaterra: “A gente não vai construir nada pra não incomodar ninguém”.
Agora o Nolan tá falando sobre o gênero western ser essa versão radical da liberdade americana, porque no Velho Oeste é cada um por si.
Agora ele fala que ele ama os Estados Unidos, mas que “imagine o que os Estados Unidos estariam fazendo em relação a isso 20 anos atrás. Estaria provavelmente liderando no combate e ajudando o resto do mundo. Hoje a gente não consegue fazer nem pela gente”. PÁ!
Agora ele está se reclamando da qualidade das estradas nos EUA. Nesse ponto eu posso dar o meu depoimento como guia turístico, porque quando vou pra Boston ou pra Washington DC com meus grupos, eu vou passar entre quatro e dez horas na estrada.
Como o movimento é muito intenso, especialmente na Baltimore-Washington Parkway, tá cheio de trechos esburacados, o túnel que passa embaixo do rio Patapsco sempre tem uma pista fechada, a travessia do Lincoln Tunnel, quando chego a NY, não vai durar menos de 40 minutos, 1 hora.
E olha que o pedágio do Lincoln Tunnel custa US$ 16.
Agora ele disse que a economia americana vai a 400km/h, mas sem cinto de segurança. “Podemos consertar isso."
Agora ele fala q #WestWorld discute consciência individual e consciência coletiva. E que os Estados Unidos até fevereiro de 2020 agia feito o caubói. Mas depois disso, o país teve que apelar pra consciência coletiva, porque o #covid_19 não dá a mínima pras liberdades individuais.
Agora ele fala que a terceira temporada é sobre como estamos entregando nossos dados para o Google e o Facebook e como essas empresas não são regulamentadas.
E que o Facebook ainda está resistindo não aceitar anúncios mentirosos, sem colocar nenhum aviso.
Aí ele fala: não podemos fazer isso na TV. A TV é regulada desde muito tempo. No Facebook você pode.
Agora ele relaciona isso com o Brexit e o escândalo da British Analytica. “Meus filhos perderam o direito a cidadania em 26 países da noite pro dia. Isso pra quem cresceu no Reino Unido era inconcebível.
O escândalo da Cambridge Analytica sobre essa empresa de coleta de dados que vendeu os dados dos eleitores britânicos pro grupo pro Brexit que passou a divulgar fake news sobre a União Europeia pra influenciar o voto pela saída.
Quem ajudou a Cambridge Analytica foi o Steve Bannon, ex estrategista da casa branca, supremacista, extrema direita que queria cravar um punhal no coração da UE e que foi conselheiro de Eduardo Bolsonaro. Então, gente, existe sim o cabinete do ódio.
Agora ele disse aqui que eu falei sobre parar de dar plataforma e outro lado pra conspiracionista. “Ter vozes dissidentes é algo bom, ter inúmeras vozes dissidentes sem nenhuma regulamentção vai nos levar ao ponto em que a verdade vai se tornar cara. Vamos ter que pagar por ela.”
“A internet é um verdadeiro velho-oeste. Daqui a dez anos pra saber a verdade vc vai ter que ser rico e assinar um serviço pra te dizer o que realmente está acontecendo.”
“Por exemplo, nessa situação de pandemia, se eu procuro na internet sobre um determinado medicamento vou encontrar 50 artigos todos discordantes. Fomos muito longe e precisamos de regulação, não muita, só um pouquinho.”
“Só algo suficiente pra que a gente possa diferenciar o que é informação e o que é papo furado.”
Agora ele fala de um dos melhores episódios de #Westworld e particularmente um que me pegou e eu fiquei pensando dias e dias a respeito. “The Bicameral Mind”, S01E10.
O meu fascínio por esse episódio é porque ali a gente finalmente entende o significado da “maze”, o labirinto, que é o labirinto das nossas memórias, que nos hosts, são embaralhadas e jogadas numa espécie de subconsciente.
Por isso que o Ford fala pro William que a maze não é pra ele. A maze é pros hosts. Quando eles chegarem ao centro, eles vão encontrar a si mesmos como indivíduos. Não tem mais o “Trompe L’oiel”, que é a ilusão de ótica, título do S01E07.
E a voz que Dolores escuta é sua própria voz. Isso pra mim tem muitos significados. O primeiro é muito presente todo dia na nossa cabeça. A gente tem um mente bicameral? Por que sempre que pensamos a gente também ouve de certa forma nossa voz.
A gente conversa consigo mesmo o tempo todo, né? A outra coisa é: a tomada de consciência do indivíduo enquanto sujeito ativo de seu destino e de suas escolhas.
Em certo aspecto, analisando de uma perspectiva de classe, Marxista, é o despertar da classe operária (no caso os hosts) e sua rebelião contra a grande corporação opressora (a Delos).
Agora vamos ver o que o Nolan fala da Mente Bicameral, que na verdade é um conceito que ele estudou no livro “The Origin of Consciousness in the Breakdown of the Bicameral Mind” de Julian Jaynes.
“Essa ideia que temos dessa sensação de que todos temos internamente e que nem questionamos, que é o nosso monólogo interno, nem sempre foi bem compreendido pela humanidade. Por uma grande parte de nossa existência achávamos que aquilo era as vozes dos deuses.”
“Isso é uma poderosa ferramenta de identidade e também de livre arbítrio. As decisões que você toma são suas. Mas mesmo até hoje a gente vê a alegoria do diabinho e do anjinho no ombro nos dizendo o que fazer...”
Nolan fala ainda que a regulação sobre fake news tem que ser muito cuidadosa, porque nós estamos vivendo numa Babel, em que perdemos completamente o senso de verdade objetiva.
Agora o Nolan explica por que eles usam a pianola na abertura da série. Segundo ele, a inspiração veio do livro “Player Piano”, do Kurt Vonnegut.
Caralho, agora ele tá falando exatamente o mesmo que escrevi na ensaio da @ilustrissimasobre a série, que #Westworld tem uma subclasse. E se você acha que a questão da luta de classes coisa de diretor de Hollywood comunista, isso surgiu de um papo sobre automação do trabalho.
O Nolan tá dizendo que depois dessa pandemia, muitos trabalhos vão desaparecer completamente. Aí ele diz que a S03 mostra isso, que a sociedade chegou a um ponto de tanta automação, que será preciso criar trabalhos pra essa subclasse social.
E que essa classe social já faz coisas que são perigosas demais e que a classe privilegiada não quer fazer, como crime, prostituição, vício. E que os hosts têm que ser criados para suprir nossa necessidade de violência e de perversão sexual.
Mano, como é bom saber que algo que você escreveu não foi só viagem da tua cabeça e que aquele monte de livro que você leu na faculdade é ferramenta pra vida inteira.
Pra quem não leu ainda e tá acompanhando o fio, eu criei na quarentena um video-cast chamado “Do @trashaoclassico”. A primeira edição foi sobre #Westworld:
Volto a dizer: não dá pra aceitar a ideia de que o Bolsonaro é resultado de um processo amplamente democrático. Ele é resultado de um processo que se deu desde a cassação de uma presidenta sem crime. Agora perceberam que o troglodita que eles elegeram não deu certo.
Estou dizendo pra gente não pegar o primeiro ônibus que tá passando. Estão querendo reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes. Tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora nesses manifestos. O editorial do Globo é uma proposta de acordo pra manter o Bolsonaro.
E o PT sabe porque quer tirar o Bolsonaro. A gente quer tirar o Bolsonaro pra defender a vida. Porque ele não gosta de mulher, não gosta de preto, não gosta de índio, não gosta do povo trabalhador. É por isso que estamos dizendo Fora Bolsonaro.
Tendo como base o plano de contingência criado pelo governo anterior de Tabaré Vázquez (Frente Amplio), em fevereiro, a coalizão de direita que dirige hoje o país optou por ações rápidas e efetivas para frear a escalada de contágios da COVID19.
Com 22 mortos e 803 casos positivos nestes quase 3 meses de pandemia em território uruguaio, a população vê a curva de contágios diminuir e se prepara para iniciar seu retorno a uma vida quase normal.
Mesmo considerando a diferença enorme de população o Uruguai tem um número de óbitos 23 vezes menor que o Brasil. Em número de infectados o número do nosso vizinho do sul é 10 vezes menor.
Como? Com eficiência e união da população.
1) Ao surgirem os primeiros casos no país, foi determinado a suspensão das atividades em lugares fechados, como teatros, museus e shoppings, além do cancelamento de festivais artísticos com alta aglomeração de pessoas, como o Montevideo Rock. A suspensão de aulas nas redes públicas e privadas de todo o país também foi prontamente informada. Medidas aceitas por todos;
2) O governo propôs o chamado "isolamento voluntário" para comércios e empresas;
3) Comércios essenciais instituíram a obrigatoriedade do uso de máscaras e limitaram o acesso a 4 clientes por vez ou apenas uma pessoa por grupo. Também foram abertos horários especiais aos idosos (8h às 11h);
4) Surgiram imediatamente as primeiras ações solidárias por parte da população, de sindicatos e comitês de base. Da organização de cestas básicas -- que também incluem produtos de higiene, brinquedos e livros para as crianças --, às "ollas solidárias" (panelas solidárias), onde voluntários preparam refeições balanceadas para serem distribuídas aos mais necessitados;
5) "Não falamos de números, falamos de pessoas. Pedimos às pessoas que não saiam de casa se não for necessário. Sabemos que muitos gostariam de viajar nos próximos dias. Não façam viagens ao interior do país, há muitos lugares onde o vírus não chegou. Vamos fazer isso à maneira uruguaia, com solidariedade, e pensando no bem comum", pedia o presidente Lacalle Pou, em 2 de abril.
6) Situação e oposição trabalharam juntas, no esforço comum de reduzir mortes e contágios.
A foto mostra a visita do presidente uruguaio à casa do líder da oposição.
A diferença entre um país que tem um presidente que é um democrata para o nosso onde um energúmeno autoritário dirige (?) a nação.
O anúncio do presidente Donald Trump de que quer reunir uma espécie de “G10 ou G11” em setembro, sem mencionar o Brasil, representa um retrocesso constrangedor à posição brasileira na governança global, uma espécie de rebaixamento para a segunda divisão da ordem internacional.
No sábado, Trump disse a jornalistas que adiou de junho para setembro o encontro de cúpula do G-7, no qual ele pretendia reunir nos EUA os líderes das principais economias desenvolvidas (EUA, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Canadá e Itália).
O adiamento ocorreu depois que a premiê alemã, Angela Merkel, anunciou que não compareceria, por cauda da epidemia de covid-19.
A novidade é que Trump agora quer convidar também Rússia, Coreia do Sul, Austrália e Índia para o evento. O presidente americano descreveu o encontro como um “G10 ou G11” para discutir o futuro das relações com a China.
Na Folha de hoje: "Mortes por Covid podem ser 140% maiores".
A reportagem mostra que um balanço do Ministério da Saúde, no dia 2 de maio, indicava que 9.420 mortes podiam ser acrescentadas às 6.724 oficialmente registradas até então.
São registros de óbitos pelo novo coronavírus, confirmados, que não entraram na contagem oficial (mais de 3 mil). E óbitos por síndrome respiratória sem causa definida que estão acima da média histórica do período (mais de 6 mil).
Se o padrão prossegue inalterado (não é necessariamente o caso, já que a testagem pode ter aumentado em alguns lugares) podemos estimar que as 29.341 mortes anunciadas ontem correspondem, na verdade, a mais de 70 mil.
O número é chocante. Mas pior ainda é pensar que os números do Ministério da Saúde, que deveriam orientar as ações de combate à pandemia, não são minimamente confiáveis.
Nunca é demais enfatizar a urgência de uma mudança de rumo no Brasil. Estamos caminhando a passo rápido para centenas de milhares de mortos.
A curva é aceleradamente ascendente, mas o que se vê, por todo lado, são anúncios de "flexibilização" do isolamento social (que já se mostrava insuficiente) e pressões crescentes pela reabertura total.
É como decidir voltar para um prédio em chamas porque temos saudade da nossa vida "normal" e cansamos de ajudar os bombeiros.
Essa mudança de rumo passa obrigatoriamente pela derrubada de Jair Bolsonaro. A crise política e a crise sanitária estão entrelaçadas.
Bolsonaro foi longe de mais no negacionismo para poder recuar. O apoio popular a ele se reduziu. Está cada vez mais dependente de um grupo ultra-radicalizado e agressivo. Não é à toa que símbolos neonazistas e supremacistas brancos têm se tornado presentes em todas as manifestações do bolsonarismo.
Recusar a racionalidade no combate ao novo coronavírus tornou-se um traço definidor desse grupo. Boicotar as ações necessárias para debelar a pandemia é, assim, algo que Bolsonaro deve à base que o sustenta. O bolsonarismo se tornou um culto da morte.
Montado a cavalo, ontem, em meio a seus apoiadores, Bolsonaro encarnava caracteristicamente duas dimensões de sua persona política: o boiadeiro que tange seu gado e o cavaleiro do apocalipse.
Ao mesmo tempo, a pandemia permite a Bolsonaro avançar na agenda destrutiva que lhe garante a simpatia de setores específicos - "passar a boiada", como disse Ricardo Salles na fatídica reunião ministerial.
Não é só no meio ambiente. Educação, patrimônio histórico, economia, em vários setores isso está sendo posto em curso.
Neonazis nas ruas, empresários reacionários nos gabinetes - e as ofertas ao Centrão para fechar a conta. Essa é a estratégia de sobrevivência de Bolsonaro. O vírus é parte dela.
Com as consequências fatais da pandemia se concentrando em grupos específicos (periferias, população negra, povos indígenas, os mais pobres e desvalidos em geral), o coronavírus toma, no Brasil, as feições de uma política genocida de Estado.