quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

A subserviência patética aos EUA


Sergio Batalha Mendes

Bolsonaro protagonizou um dos momentos mais constrangedores da história do nosso país ao transmitir uma “live” na qual ele assistia, também ao vivo, o pronunciamento de Trump sobre o Irã.

Foi uma demonstração patética de subserviência aos EUA que deveria envergonhar qualquer brasileiro. Um Presidente da República pode concordar com o pronunciamento de outro chefe de estado, mas deve fazê-lo em uma entrevista ou nota oficial.

Transmitir imagens ao vivo assistindo o pronunciamento de um presidente americano passa ao mundo uma imagem de subordinação, como se fosse um empregado ouvindo às ordens do patrão.

O ataque ao Lula ao final só serviu para sublinhar a abissal diferença da postura de ambos na Presidência da República. Enquanto Lula tinha a estatura de um Chefe de Estado de primeira grandeza, a ponto de tomar a iniciativa de negociar um acordo de paz entre o Irã e os EUA, apoiado por diversos outros países, Bolsonaro se limita a replicar as declarações de Trump, como se fosse um menino de recados.

A negociação à época foi celebrada mundialmente pois o Irã aceitou diversas condições impostas pela comunidade internacional para a continuidade de um programa nuclear pacífico, como o que o próprio Brasil possui. O acordo foi rejeitado pelos EUA porque eles não tinham interesse na paz e sim no isolamento internacional do Irã.

A imagem de um presidente brasileiro sentado diante da televisão para assistir ao pronunciamento de Trump é um símbolo da postura atual do país diante dos EUA, uma vassalagem que contraria os interesses nacionais e constrange qualquer patriota.

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