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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
sábado, 6 de fevereiro de 2021
Twist and Shout
Ferris Bueller's Parade
Twist And Shout
Well, shake it up, baby, now
Twist and shout
Come on, come on, come, come on, baby, now
Come on and work it on out
Well, work it on out, honey
You know you look so good
You know you got me goin' now
Just like I know you would
Well, shake it up, baby, now
Twist and shout
Come on, come on, come, come on, baby, now
Come on and work it on out
You know you twist, little girl
You know you twist so fine
Come on and twist a little closer now
And let me know that you're mine, woo
Ah, ah, ah, ah, wow
Baby, now
Twist and shout
Come on, come on, come, come on, baby, now
Come on and work it on out
You know you twist, little girl
You know you twist so fine
Come on and twist a little closer now
And let me know that you're mine
Well, shake it, shake it, shake it, baby, now
Well, shake it, shake it, shake it, baby, now
Well, shake it, shake it, shake it, baby, now
Ah, ah, ah, ah
Fonte: LyricFind
Compositores: Bert Russell / Phil Medley
sexta-feira, 31 de julho de 2020
Alan Parker, diretor de cinema, morre aos 76 anos
Alan Parker, diretor de "O Expresso da Meia-Noite", "Mississipi em Chamas", entre outras obras do cinema, morreu aos 76 anos.
Segundo a imprensa internacional, Parker morreu na manhã desta sexta-feira-feira (31), em Londres. O Instituto Britânico de Cinema (British Film Institute), do qual o cineasta é ex-presidente, confirmou a morte. "Estamos profundamente tristes com a morte de Alan Parker nesta manhã", escreveu a instituição em mensagem no Twitter.
Nascido em Londres, na Inglaterra, Alan iniciou a carreira como redator publicitário, migrando para a direção de comerciais e iniciando seus trabalhos no cinema na década de 1970.
Alan ficou conhecido por seu trabalho em filmes como "Fama", "A Chama que não Se Apaga" e "The Commitments - Loucos pela Fama", além do longa "Evita", estrelado por Madonna. Ele também escreveu o livro "Bugsy Malone", que deu origem ao filme "Quando as Metralhadoras Cospem", dirigido por ele.
Ao longo da carreira, o diretor foi indicado diversas vezes em prêmiações como Oscar, Bafta e Globo de Ouro. Seu último filme com diretor foi "A Vida de David Gale", estrelado por Kevin Spacey e Kate Winslet e lançado em 2003.
Em 1984, Parker foi homenageado pela Academia Britânica com prêmio Michael Balcon Award por sua contribuição ao cinema. Em 2013, foi novamente reconhecido por seu trabalho e recebeu o Bafta Fellowship, prêmio entregue pela Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão, em reconhecimento "à contribuição considerável e excepcional ao cinema".
"Quando você faz seu primeiro filme, tem certeza que será o seu último. E então você aperta os olhos e de repente, quarenta anos depois, você está no Bafta ganhando um prêmio como este", disse Parker em comunicado ao receber a honraria.
Casado com Lisa Moran-Parker, Parker deixa cinco filhos e sete netos.
Andrew Lloyd Webber, compositor da trilha sonora de "Evita", lamentou a morte do cineasta. "Muito triste por ouvir a notícia sobre a morte de Alan Parker. Meu amigo e colaborador em ‘Evita’ e um dos poucos diretores que realmente entendiam de musicais no cinema".
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas também lamentou a morte e citou Alan como um "camaleão". "Seu trabalho nos entretinha, nos conectava e nos dava um grande senso de tempo e espaço. Um talento extraordinário, sentiremos muita falta."
domingo, 26 de julho de 2020
A queda e banimento do cowboy John Wayne, supremacista branco na vida, matador de índios nas telas
Reputação de John Wayne naufraga graças a movimentos antirracistas
Primeiro, foram as estátuas dos escravocratas, vandalizadas e derrubadas na Europa e na América. Também no embalo do movimento “Vidas Negras Importam”, o filme ...E o Vento Levou foi retirado da grade do HBO Max por sua visão dixieland, digamos assim, da Guerra de Secessão. Antes que um novo conflito fratricida dividisse a Trumplândia em neoconfederados e iconoclastas revisionistas, uma pausa nas refregas ajudou a manter de pé as estátuas e monumentos dos “pais da pátria”, ou seja dos fundadores da pátria americana, e seus primeiros sucessores na presidência da República.
Todos os cinco “founding fathers” dos EUA se beneficiaram do trabalho escravo (Thomas Jefferson chegou a ter 300 “slaves” em seus domínios), dispensado por apenas cinco dos 18 primeiros presidentes do país. Dos quatro presidentes esculturalmente glorificados no Monte Rushmore, só Lincoln e Theodore Roosevelt abriram mão da mordomia escravagista.
Há muito se diz que John Wayne não teria concorrente se a cabeça de algum totem não presidencial pudesse ser esculpida naquele rochedo chauvinista de Dakota do Sul. Quem, por ventura, ainda alimentava a ilusão de um dia ver a efígie do ator incorporada ao quarteto formado por George Washington, Jefferson, Lincoln e Teddy Roosevelt, pode tirar o alazão da chuva. A reputação do caubói número um do cinema, já em baixa havia algum tempo, desandou de vez depois das manifestações antirracistas dos últimos meses.
Quem mandou Wayne matar tantos índios e dizer tantas bobagens preconceituosas sobre os negros e os outrora chamados de “peles-vermelhas” à Playboy, no longínquo ano de 1972?
Por causa de suas observações paternalistas, racistas e supremacistas – justificava a ocupação de territórios indígenas pelos brancos como uma necessidade vital do processo de colonização e considerava os negros ainda sem educação e autoridade suficientes para liderar o país –parlamentares democratas da Califórnia exigiram, no mês passado, que o nome do ator fosse retirado de um aeroporto em Santa Ana, no Condado de Orange, perto de Los Angeles.
O aeroporto, construído nos anos 1920 e rebatizado John Wayne Airport em 1979, voltou a se chamar Orange County Airport, sob inúteis protestos de Trump, fã ardoroso do ator.
Duas semanas atrás, a School of Cinematic Arts da Universidade do Sul da Califórnia (USC), em Los Angeles, oficializou o cancelamento de uma exposição em homenagem a Wayne, programada há oito anos e desde então boicotada pelos estudantes, por razões políticas. As de sempre.
Sem qualquer liame afetivo com o ator e os heróis por ele encarnados, a garotada que melou a exposição, criada com outros mitos cinematográficos, nem era nascida quando seu derradeiro filme foi lançado, em julho de 1976. Para eles, Wayne não passava de um velho reacionário e patrioteiro, fiel eleitor de republicanos, fundador e presidente, no imediato pós-guerra, da jingoísta Aliança Para Preservação dos Ideais Americanos, e autor de dois épicos históricos tão ufanistas quanto falaciosos sobre a invasão do Álamo por tropas mexicanas e a guerra do Vietnã (Os Boinas Verdes).
Wayne estudou na USC entre 1925 e 1927, beneficiado por uma bolsa de estudos. Com 1,93m de altura, bom físico e craque em futebol americano, nem precisou de boas notas nas provas escritas; assim como não precisou cursar arte dramática para virar ator. Um intuitivo.
Foi graças também a seu físico privilegiado que o latagão matriculado na universidade com o nome de Marion Robert Morrison chamou a atenção do caubói de cinema mais famoso da época, Tom Mix, seu primeiro padrinho na profissão, que o tirou da taifa cinematográfica (Wayne começou carregando e arrumando objetos de cena) e o fez vaqueiro.
Crismado por John Ford em No Tempo das Diligências, depois de haver atuado em dezenas de bangue-bangues rotineiros, transformou-se no mais paradigmático cavaleiro das matinês. Matou muitos bandidos e centenas de índios, mas suas performances em Rastros de Ódio (The Searchers), Rio Vermelho e Depois do Vendaval (The Quiet Man), entre outras igualmente inesquecíveis, o indultaram para sempre no coração dos cinéfilos.
François Truffaut me revelou ter visto Godard chorando na cena em que o racista e ex-confederado Ethan Edwards, o complexo personagem de Wayne em Rastros de Ódio, pegava Natalie Wood no colo e lhe dizia: “Let’s go home, Debbie”. Cena que a música de Max Steiner tornou ainda mais arrebatadora.
Não era um grande ator, tampouco versátil, embora tenha se saído bem em situações cômicas, mas possuía o que no cinema mais importa: presença física. Uma impositiva e monumental presença na tela. E um andar inconfundível, meio felino, meio cambota. E um olhar fulminante, quando o ódio ou o desprezo lhe incendiava a alma.
Wayne foi muito mais que o maior dos caubóis de Hollywood, foi o Ulisses das pradarias do Velho Oeste, o herói supremo de uma gesta que contou com Ford, Howard Hawks, Raoul Walsh e outros Homeros do faroeste. Parecia invencível e quase sempre o foi nos quase 180 filmes que protagonizou. De apenas oito não conseguiu sair vivo. Em O Homem que Matou o Facínora já entrava morto quando o filme, um longo flashback, começava. Em seu canto do cisne, O Último Pistoleiro, um câncer prenuncia o que na vida real iria tirá-lo de cena para sempre, três anos mais tarde.
De certo modo, Wayne não morreu em junho de 1979, mas em abril de 1972, quando deu aquela malfadada entrevista à Playboy.
sábado, 18 de julho de 2020
domingo, 10 de maio de 2020
Planeta dos Humanos
Michael Moore Presents: Planet of the Humans | Full Documentary | Directed by Jeff Gibbs
terça-feira, 21 de abril de 2020
Nove filmes sobre pandemias
'O Enigma de Andrômeda' (1971)
Considerado um dos primeiros filmes de pandemia da história, acompanha um grupo de cientistas num laboratório para descobrir uma doença alienígena que, quando não mata, enlouquece e leva ao suicídio.
‘Epidemia’ (1995)
Dustin Hoffman vive um teimoso pesquisador do centro de doenças infecciosas do Exército americano na trama, adaptada do livro de não ficção “Zona Quente”, do jornalista Richard Preston. Ele contraria ordens superiores para controlar o surto de um vírus parecido com o ebola numa cidadezinha nos Estados Unidos. Um Kevin Spacey ruivo faz uma participação como um cientista mau-humorado.
‘Os 12 Macacos’ (1995)
A narrativa se passa em 2035, num planeta devastado por um vírus artificial criado pelo Exército dos 12 Macacos. Bruce Willis é o detento escolhido para viajar para o passado e recolher informações sobre a doença. Ele volta, no entanto, para o ano errado, seis anos antes da disseminação. O filme de Terry Gilliam é inspirado no clássico curta “La Jetée”, de Chris Marker.
'Ensaio sobre a Cegueira' (2008)
O longa dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles é inspirado no livro homônimo de José Saramago. Nele, os habitantes de uma cidade sem nome perdem a visão um a um, de uma hora para a outra –mas a sua cegueira é branca, leitosa. Os pacientes da doença são transferidos para abrigos para uma quarentena, mas aos poucos a doença contamina a todos e leva a sociedade ao colapso. A única pessoa que vê é a mulher de um médico, interpretada por Juliane Moore.
‘Contágio’ (2011)
Inspirado em surtos de vírus como o Sars, no início dos anos 2000, o filme de Steven Soderbergh é considerado um dos mais verossímeis quando se fala do impacto de uma pandemia. O longa mostra como diversos segmentos da sociedade lidam com ela, da população em geral aos agentes governamentais, passando pela mídia e pelos cientistas que tentam desenvolver uma cura para a doença.
'Sentidos do Amor' (2011)
Eva Green e Ewan McGregor fazem par romântico no longa britânico. Ela é uma médica epidemiologista. Ele, um chef de cozinha. À medida que eles se envolvem, porém, uma misteriosa pandemia que faz com que as pessoas percam o olfato se espalha.
'A Gripe' (2013)
Uma epidemia se dissemina por Bundang, um subúrbio de Seoul, na Coreia do Sul, depois que um traficante de imigrantes os traz ao país. Uma médica infectologista e um agente de saúde governamental correm contra o tempo para encontrar o paciente zero e desenvolver uma vacina.
'Os Últimos Dias' (2013)
A humanidade inteira sofre de um tipo fatal de agorafobia, medo irracional de espaços abertos, e se refugia em prédios e casas nesse longa espanhol. Em Barcelona, Marc tenta encontrar Julia, sua namorada, que desapareceu. Mas tem que fazê-lo sem sair ao ar livre.
'Eu Sou a Lenda' (2007)
Numa Nova York pós-apocalíptica, o único homem que resta é Robert Neville, infectologista do Exército americano vivido por Will Smith. Os demais humanos foram ou dizimados por um vírus que deveria curar o câncer, ou transformados em mutantes com hábitos noturnos. Imune à doença, Neville tenta desenvolver uma cura enquanto luta contra esses seres. O longa é baseado num livro homônimo de Richard Matheson que rendeu outras duas adaptações cinematográficas – "Mortos que Matam", de 1964, e "A Última Esperança da Terra", de 1971.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
Trump critica Oscar para "Parasita", e estúdio rebate: "Ele nem sabe ler"
Do UOL, em São Paulo
O presidente norte-americano Donald Trump criticou hoje o filme "Parasita", vencedor de quatro prêmios Oscar, durante campanha para reeleição em Colorado Springs.
"Quão ruim foi o Oscar este ano?", questionou. "E o vencedor é ... um filme da Coreia do Sul! O que foi isso? Temos problemas suficientes com a Coreia do Sul com relação ao comércio. Além disso, dão a eles o melhor filme do ano. Foi bom? Eu não sei. Vamos voltar com '... E o Vento Levou' e 'Crepúsculo dos Deuses', por favor? Tantos filmes excelentes."
Na sequência, o estúdio Neon, que distribuiu "Parasita" nos Estados Unidos, respondeu no Twitter: "É compreensível, ele [Trump] nem saber ler".
— NEON (@neonrated) February 21, 2020
Ainda sobrou tempo, em seu discurso, para Trump criticar Brad Pitt, vencedor da estatueta de melhor ator coadjuvante. "E então você tem Brad Pitt. Eu nunca fui um grande fã dele. Levantou, fez uma gracinha [ao receber o Oscar]. Ele é um cara pouco inteligente", disse o presidente.
No discurso de aceitação do Oscar, Pitt refletiu sobre sua infância e início no ramo de filmes de Hollywood antes de mencionar brevemente o fim do julgamento de impeachment de Trump.
"Eles me disseram que eu só tenho 45 segundos aqui, o que são 45 segundos a mais do que o Senado concedeu a John Bolton esta semana", afirmou Pitt em seu discurso.
domingo, 16 de fevereiro de 2020
Ecos dos Oscars
Parasita mereceu até o exagero dos seus múltiplos prêmios. Imerecido foi o relativo descaso com 1917, um filme superior ao coreano que só ganhou Oscars de melhor fotografia e melhor mixagem de som – escassos consolos, vamos combinar. A falsa tomada única que o diretor de 1917 Sam Mendes escolheu para contar sua história não é exibicionismo técnico vazio, como já ouvi dizerem. É mesmo difícil imaginar outra maneira de fazer um filme em que tudo é propulsão sem soltar uma ágil “steady camera” correndo na frente, atrás e lado a lado com os dois protagonistas através do inferno, como um terceiro corredor.
Sam Mendes tinha mais razão para usar a tomada contínua do que teve outro diretor a usar o mesmo truque, Alfred Hitchcock, em Rope (Festim Diabólico, é isso?). Hitchcock estava limitado pela capacidade das câmeras no seu tempo, que só podiam filmar dez minutos até o diretor ser obrigado a recarregá-las e disfarçar um corte. Só fez o filme para enfrentar o desafio.
Os cortes de 1917 são mais difíceis de localizar do que os do Hitchcock. Sam Mendes não tinha outra maneira de nos envolver tão realisticamente na Grande Guerra do que com sua câmera participante. O que para Sam Mendes foi uma escolha inescapável da falsa tomada única da sua narrativa, para Hitchcock a tomada contínua de Rope foi apenas uma das tantas dificuldades que ele costumava se impor.
Sua mania de sempre aparecer nos próprios filmes, mesmo rapidamente, exigiu muita criatividade de Hitchcock. No filme Um Barco e Nove Destinos que se passa todo dentro de um bote salva-vidas em que a presença dele seria improvável, alguém lê um jornal em que aparece o anúncio de um tratamento contra a gordura. Hitchcock é o “antes” no anúncio. Outro desafio entre os muitos que ele se propôs foi o de fazer o único filme de horror na história do cinema sem vilões e sem monstros, Os Pássaros, uma parábola apocalíptica nunca devidamente reconhecida.
Talvez Sam Mendes possa esperar um reconhecimento tardio.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
Entre rios: a urbanização de São Paulo
ENTRE RIOS from Caio Ferraz on Vimeo.
Direção:
Caio Silva Ferraz
Produção:
Joana Scarpelini
Edição:
Luana de Abreu
Animações:
Lucas Barreto
Peter Pires Kogl
Heitor Missias
Luis Augusto Corrêa
Gabriel Manussakis
Heloísa Kato
Luana Abreu
Câmera:
Paulo Plá
Robert Nakabayashi
Tomas Viana
Gabriel Correia
Danilo Mantovani
Marcos Bruvic
Trilha Sonora:
Aécio de Souza
Mauricio de Oliveira
Luiz Romero Lacerda
Locução:
Caio Silva Ferraz
Edição de Som:
Aécio de Souza
Orientadores:
Nanci Barbosa
Flavio Brito
Orientador de Pesquisa:
Helena Werneck
Entrevistados:
Alexandre Delijaicov
Antônio Cláudio Moreira Lima e Moreira
Nestor Goulart Reis Filho
Odette Seabra
Marco Antonio Sávio
Mario Thadeu Leme de Barros
José Soares da Silva
O documentário conta a história da cidade de São Paulo sob a perspectiva de seus rios e córregos. Até o final do século XIX esses cursos d’água foram as grandes fontes da cidade. Hoje, escondidos pelas canalizações, passam despercebidos pela maioria dos paulistanos. Mas, na época de chuvas, a cidade pára quando as enchentes mostram a face soterrada da natureza local.
Entre Rios fala sobre o processo de transformação sofrido pelos cursos d’água paulistanos e as motivações sociais, políticas e econômicas que orientaram a cidade a se moldar como se eles não existissem. A boa notícia é que a cidade, assim como os rios, está em constante transformação e pode tomar novos rumos dependendo dos valores e anseios de sua sociedade.
O vídeo foi realizado em 2009 como trabalho de conclusão de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini no curso em Bacharelado em Audiovisual no SENAC-SP, mas contou com a colaboração de várias pessoas que temos muito a agradecer.
Direção:
Caio Silva Ferraz
Produção:
Joana Scarpelini
Edição:
Luana de Abreu
Animações:
Lucas Barreto
Peter Pires Kogl
Heitor Missias
Luis Augusto Corrêa
Gabriel Manussakis
Heloísa Kato
Luana Abreu
Câmera:
Paulo Plá
Robert Nakabayashi
Tomas Viana
Gabriel Correia
Danilo Mantovani
Marcos Bruvic
Trilha Sonora:
Aécio de Souza
Mauricio de Oliveira
Luiz Romero Lacerda
Locução:
Caio Silva Ferraz
Edição de Som:
Aécio de Souza
Orientadores:
Nanci Barbosa
Flavio Brito
Orientador de Pesquisa:
Helena Werneck
Entrevistados:
Alexandre Delijaicov
Antônio Cláudio Moreira Lima e Moreira
Nestor Goulart Reis Filho
Odette Seabra
Marco Antonio Sávio
Mario Thadeu Leme de Barros
José Soares da Silva
Não existe fenômeno que seja vivido sem a determinação de classe
Jones Manoel
"A classe não explica tudo, ela estrutura o todo. Todas as relações sociais constitutivas da sociedade capitalista são determinadas em algum nível pelo pertencimento de classe do indivíduo ou do grupo." - Jaime Osório (citado por Jones)
O que significa isso? Veja, a chuva é a chuva; é um fenômeno natural, chove pra todo mundo, é molhado igual. Só que pelas diferenças objetivas de classe social as pessoas experienciam aquele fenômeno de maneira diferente. Pra família burguesa, a chuva foi massa, baixou o calor, molhou o jardim, dormiu friozinho enrolado na manta e tal, porque eles têm saneamento básico, a casa não alaga, é uma boa casa, o bairro não alaga, eles não tem problema com transporte publico; ou seja, os determinantes concretos fazem com que eles experienciem, vivam aquele fenômeno de maneira diferente do que a família trabalhadora, que mora numa casa que é uma merda, não tem saneamento básico, não tem um sistema de coleta de esgoto adequado para aquele nível de alagamento; ou seja, é o mesmo fenômeno, a diferença é a determinação concreta de classe de cada grupo familiar. Não existe fenômeno que não é vivido sem a determinação de classe, seja o direito à cidade, aquecimento global, diversidade sexual, questão de gênero etc."
- Jones Manoel, no episódio do Revolushow sobre o filme Parasita
(transcrito e adaptado por Gustavo Figueiredo)
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
E o Oscar vai para...
A direita burra deste país torcendo contra #DemocraciaEmVertigem vibrou com a escolha de Indústria Americana... Consciência de classe é a bandeira do filme. Desperta os Estados Unidos para a precariedade do subemprego. Levou na cara um tapa: “Trabalhadores do mundo, uni-vos”. De quem é essa frase mesmo?
domingo, 9 de fevereiro de 2020
Mesmo sem levar o Oscar, Petra Costa já venceu
“Acusar Petra de difamar o Brasil lá fora é minimizar o que o presidente mais tem feito, inclusive de corpo presente, desde que assumiu".Sergio Augusto
Com a entrega dos Oscars já dobrando a esquina e a possibilidade, ainda que remota, de Democracia em Vertigem levar uma estatueta, a desinformação e a má-fé se deram as mãos e invadiram as mídias impressas e digitais, seu trottoir de eleição. A desinformação de quem ignora a elasticidade do gênero documentário e crê ingenuamente em sua mítica imparcialidade; a má-fé de quem se aproveitou do filme de Petra Costa para exorcizar seus demônios, vestir a carapuça de golpista ou isentão, que até hoje insistem em negar o que o primeiro beneficiário do golpe e um de seus artífices, Michel Temer, já admitiu ter ocorrido.
Em pleno fastígio da polarização político-ideológica incendiada pelo sucessor de Temer, um filme abertamente impressionista sobre o Brasil de ontem e hoje virou saco de pancada da ultradireita, sobretudo desta, vilã insofismável do putsch parlamentar que derrubou Dilma Rousseff quatro anos atrás. As tais “pedaladas fiscais”, na época apontadas como a causa mortis do seu governo, foram nesta semana rebatizadas “dribles” pelo jornal Valor Econômico, numa reportagem sobre o rombo de R$ 55 bi no teto de gastos do governo em 2019. As modalidades esportivas mudaram, a metáfora ainda é a mesma.
Os elogios que Democracia em Vertigem recebeu e ainda recebe, aqui e no exterior, superaram amplamente as críticas e os insultos, muitos bem pesados e beirando a boçalidade, que nos últimos dias lhe foram dirigidos. Esse desequilíbrio a seu favor não conta voto na Academia de Hollywood, de resto já recolhidos àquela inviolável pasta da Price Waterhouse, a ser aberta amanhã à noite, mas gratifica o ego da diretora e lava a alma de seus apreciadores, entre os quais me incluo, mesmo fazendo-lhe algumas restrições.
Não existe filme imparcial, neutro, seja ele de ficção ou documentário. A verdade no cinema, mais que uma utopia, é uma falácia. A angulação da tomada já é uma interferência no real, uma escolha subjetiva. Elementar, meu caro Watson Macedo.
Um documentário confessional, quase um diário ou um livro de reminiscências assediadas por perplexidades e incertezas, como é Democracia em Vertigem, não merece ser medido com o rigor de quem avalia um ensaio de cunho histórico. Tem viés ideológico? Tem. Qualquer obra cinematográfica tem, mais e menos pronunciado. Não pretendia ser um agit prop petralha; mas se, por força das circunstâncias, virou um filme aparentemente simpático aos perdedores, o principal culpado é o governo desastroso do capitão.
Democracia em Vertigem poderia apresentar uma visão bolsonarista de nossa história recente; felizmente não o fez. Se o fizesse, a única academia que o consagraria seria a das Agulhas Negras, que, como se sabe, não premia filmes.
Não quero relativizar coisa alguma. Tirantes certos detalhes, a meu ver irrelevantes (procurem no Google o significado da expressão “catar pulga em leão”), o filme de Petra Costa reproduz na tela o essencial da escalada neofascista que há oito meses contemplamos com nojo e horror diariamente renovados. Ninguém nos contou, nós vimos e vivemos aquilo tudo. Está tudo gravado, documentado. E ainda fresco em nossa memória.
“Com seu fluir tranquilo, narrado por uma voz que nada tem de assertiva ou panfletária, o filme nos passa a sensação da inevitabilidade, de um monstro movido por inércia, que nada nem ninguém poderia deter ou tirar do seu rumo”, escreveu Luiz Zanin Oricchio, no Caderno 2 do Estadão, em junho passado. Se a voz não fosse da própria autora, desqualificá-la como “chatinha” seria apenas um juízo de valor, não uma objeção inoportuna, com viés de implicância.
A uma entrevista de Petra Costa na TV americana, serenamente contundente e sem qualquer acusação que não seja do conhecimento público, burocratas do governo, sicofantas de sua base parlamentar e o que sobrou dos bolsominions arrependidos desencadearam uma blitzkrieg digital com quase indistinta diferença entre os que gritavam “mata!” e os que gritavam “esfola!”.
Com uma hashtag sufixada com um “liar” (mentirosa, em inglês), Petra foi acusada de espalhar calúnias lá fora, de ser uma “militante anti-Brasil” e outras injúrias que são, notoriamente, uma especialidade de B*******ro. Marco Feliciano, um fariseu evangélico atolado em casos de corrupção e nostálgico da ditadura militar, chegou a pedir o enquadramento da cineasta na Lei de Segurança Nacional.
Quando o chefe da Secretaria de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, utilizando-se de um perfil oficial, sustentado, assim como ele, com os nossos impostos, soltou um vídeo abjeto e tuitou calúnias a respeito da entrevista, só os muito distraídos não se deram conta de que ele estava tentando, mais do que executar ordens, desviar a atenção das denúncias de corrupção, pelo MP, que ganharam destaque nos jornais do dia seguinte.
Acusar Petra de difamar o Brasil lá fora é minimizar o que o presidente mais tem feito, inclusive de corpo presente, desde que assumiu. Qualquer dano que ela e seu filme possam causar à reputação do país terá o mesmo efeito que teria um bombardeio da cidade alemã de Dresden pelas forças aliadas depois do dia 15 de fevereiro de 1945, quando ela já estava em ruínas. Ou um oitavo gol da Alemanha, na Copa de 2014.
Imaginem o que teriam feito com Petra Costa se ela tivesse repetido, literalmente, as litanias contra o povo brasileiro que, poucas horas depois, um telejornalista mais desacreditado que João de Deus regurgitou em seu canal no You Tube, na presença do presidente, que o endossou entusiasticamente e ainda repercutiu a afronta em sua rede social.
Alguém comparou o escarcéu de Wajngarten à retórica persecutória do governo Médici, que a todas as denúncias de torturas cometidas pela ditadura militar reagia com o mesmo bordão: Fulano “difama Brasil no exterior”. Fizeram isso com o bispo Dom Helder Câmara, entre outros. Petra Costa é a inimiga expiatória da vez.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
Brasil é referência mundial em desigualdade
'Parasita': desigualdade na Coreia, mesmo menor que no Brasil, virou tema da cultura pop do país
Filme com seis indicações ao Oscar reflete mal-estar de sul-coreanos, que aparece até em hits de k-pop. Imprensa mundial usa Brasil de referência para dizer que desigualdade podia ser pior.
O sucesso de "Parasita", com
seis indicações ao Oscar, gerou interesse sobre o retrato da Coreia do
Sul: será que a desigualdade lá é tão grave quanto o filme indica no embate
tragicômico entre pobres e milionários? Em busca da resposta, a imprensa
mundial usa o Brasil como referência - negativa, no caso.
- Uma coluna da agência Bloomberg, reproduzida em vários veículos estrangeiros, disse que o filme exagera e faz parecer que "a Coreia do Sul é uma versão asiática do Brasil";
- Um artigo no jornal "Washington Post" explicou que o país de "Parasita" é desigual, mas não é assim "uma África do Sul ou um Brasil";
- O "Khaleej Times", de Dubai, disse que
a Coreia do Sul não é a "distopia" que o filme pinta. Para
mostrar que podia ser pior, citou o Brasil.
O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019 da Organização
das Nações Unidas (ONU) confirma: na Coreia do Sul, a diferença entre ricos e pobres
é maior do que a de vários países desenvolvidos. Por outro lado, o índice
coreano não chega perto de lugares desiguais como o Brasil.
"A julgar por 'Parasita', a Coreia do Sul é uma versão
asiática do Brasil ou da África do Sul", diz o jornalista inglês David
Fickling na Bloomberg. "Na verdade, a Coreia do Sul fez muito melhor que
outras sociedades para evitar a desigualdade", ele escreve.
Artigos favoráveis ao retrato de "Parasita" usam
os mesmos países para comparar. A coreana-americana Sue Mi Terry, ex-analista
da CIA sobre a Coreia do Sul, escreveu no jornal "The Washington
Post" que o país "não é uma África do Sul ou um Brasil".
Democracia em Vertigem: cineasta é agredida pelo governo miliciano e por menino de recados da Globo
Dilma Rousseff
Como se não bastasse a grosseria misógina e sexista de Bial contra Petra Costa, ao chamá-la de menina insegura em busca de aprovação dos pais, a candidata brasileira ao Oscar com o filme Democracia em Vertigem foi vítima de intolerável agressão oficial do governo Bolsonaro.
A Secretaria de Comunicação da Presidência exibiu um vídeo, feito com dinheiro público, para ofender uma artista brasileira apenas porque exerceu o inalienável direito de criticar o governo numa rede de TV. Trata-se de censura e de brutal desrespeito à liberdade de expressão.
Petra foi até serena na escolha das palavras, ao dizer uma pequena parte do que os brasileiros e o mundo já sabem: o Brasil é governado por um machista, racista, homofóbico, inimigo da cultura, apoiador de ditaduras, da tortura e da violência policial, e amigo de milicianos.
Petra Costa foi chamada de mentirosa por dizer a verdade que o mundo conhece sobre a maneira como o governo trata o meio ambiente: a Amazônia está sendo devastada pela leniência de Bolsonaro com o desmatamento e com as invasões, e pelo seu profundo desrespeito pelos indígenas.
A Secom usa a máquina pública para incitar ódio contra uma artista. Mas Petra nos enche de orgulho. Por ser mulher, talentosa, representar o país no Oscar e ter feito um filme que desmascara o golpe do impeachment ilegal de 2016 que levou o Brasil ao desastre chamado Bolsonaro.
O insulto mais grave da Secom a Petra Costa foi acusá-la de militante antiBrasil no exterior. Isto é não só mentira, como também uma inversão absoluta da realidade. Não há em nosso país ninguém mais anti-Brasil e mais pernicioso à nossa imagem no exterior do que Bolsonaro.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
Até o mais bobo da famiglia Bolsonaro já está metendo a mão na bufunfa
Irmão de Bolsonaro atua como lobista e distribui verbas do governo federal
![]() |
| Renato Bolsonaro, conhecido como "Fredo Corleone". |
Sem cargo público, Renato Bolsonaro já liberou ao menos R$ 110 milhões para municípios do estado de São PauloRevista Fórum
O comerciante Renato Bolsonaro, irmão do presidente Jair Bolsonaro, tem atuado como lobista na distribuição de verbas do governo federal para prefeituras de São Paulo. Renato, que não tem cargo público, já liberou ao menos R$ 110 milhões para municípios do estado.
Levantamento da Folha de S. Paulo mostrou a participação do irmão do presidente na liberação de dinheiro para ao menos quatro municípios do litoral e do Vale do Ribeira, região de origem da família Bolsonaro.
Ele também participa de solenidades de anúncio de obras, assina como testemunha contratos de liberação de verbas, discursa e recebe agradecimentos públicos de prefeitos pela ajuda no contato com o presidente. Renato, no entanto, diz não ser pago pelo trabalho, que inclui viagens pelo estado de São Paulo.
Em um desses episódios, o irmão do presidente convenceu a gestão federal a pagar as obras da Ponte dos Barreiros, em São Vicente, que sofria impasse entre a prefeitura e o governo do estado. Ao todo, foram investidos R$ 58 milhões, anunciados pessoalmente por Renato no município.
Terry Jones, do "Monty Python", morre aos 77 anos
NãoVeja
Terry Jones, ator e diretor do grupo humorístico Monty Python, morreu na manhã desta quarta-feira, 22, em Londres. Ele tinha 77 anos e sofria de demência desde 2015.
Nascido em Colwyn Bay, no País de Gales, Jones mudou-se para a Inglaterra ainda na infância. Conheceu Michael Palin, outro Monty Python, enquanto estudava Literatura na universidade de Oxford. A dupla escrevia roteiros para humorísticos quando, em 1969, se uniram a John Cleese e Graham Chapman (dois estudantes de Cambridge), ao ator Eric Idle e ao ilustrador americano Terry Gilliam para a criação de um novo programa. Em 1969, chegou ao ar Monty Python’s Flying Circus, que durou cinco anos e mudou a maneira de se fazer comédia. Caótico, insano, mas extremamente inteligente, ele influenciou diversos programas de humor na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Jones dirigiu longas-metragens importantes do Monty Python, como O Cálice Sagrado (ao lado de Gilliam) e A Vida de Brian. Este último, uma das maiores comédias de todos os tempos, foi rotulado como “profano” por contar a história de um profeta que nasce no mesmo dia e hora de Jesus Cristo. Cenas como o Sermão da Montanha e a própria crucificação foram impiedosamente ironizados.
Após o Monty Python, Terry Jones dirigiu filmes como Erik, o Viking (1989), baseado num livro infantil de sua autoria, e produziu documentários sobre as Cruzadas, os bárbaros e a vida medieval. Em 2003, lançou um livro sobre o escritor Geoffrey Saucer, autor do clássico literário Os Contos de Canterbury.
Nascido em Colwyn Bay, no País de Gales, Jones mudou-se para a Inglaterra ainda na infância. Conheceu Michael Palin, outro Monty Python, enquanto estudava Literatura na universidade de Oxford. A dupla escrevia roteiros para humorísticos quando, em 1969, se uniram a John Cleese e Graham Chapman (dois estudantes de Cambridge), ao ator Eric Idle e ao ilustrador americano Terry Gilliam para a criação de um novo programa. Em 1969, chegou ao ar Monty Python’s Flying Circus, que durou cinco anos e mudou a maneira de se fazer comédia. Caótico, insano, mas extremamente inteligente, ele influenciou diversos programas de humor na Inglaterra e nos Estados Unidos.
Jones dirigiu longas-metragens importantes do Monty Python, como O Cálice Sagrado (ao lado de Gilliam) e A Vida de Brian. Este último, uma das maiores comédias de todos os tempos, foi rotulado como “profano” por contar a história de um profeta que nasce no mesmo dia e hora de Jesus Cristo. Cenas como o Sermão da Montanha e a própria crucificação foram impiedosamente ironizados.
Após o Monty Python, Terry Jones dirigiu filmes como Erik, o Viking (1989), baseado num livro infantil de sua autoria, e produziu documentários sobre as Cruzadas, os bárbaros e a vida medieval. Em 2003, lançou um livro sobre o escritor Geoffrey Saucer, autor do clássico literário Os Contos de Canterbury.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
Parasita, um retrato do neoliberalismo sul-coreano
Por Max Balhorn
O filme Parasita, de Bong Joon Ho, indicado ao
Oscar às categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, foi um enorme
sucesso entre os críticos e o público. Depois de sua estréia vencedora do Palme
Ouro em Cannes, vendeu mais de dez milhões de ingressos somente na Coréia do
Sul, tornando-se o quarto filme de maior bilheteria do país em 2019.
Com uma receita de mais de 120 milhões de dólares em todo o
mundo, Parasita é o sétimo filme do diretor Bong Joon Ho e o mais bem-sucedido
até hoje. Vindo de um diretor cujos filmes geralmente apresentam personagens
marginalizados que lutam contra a opressão (veja Barking Dogs Never
Bite, Gwoemul
— O Hospedeiro e, mais recentemente, Expresso do Amanhã), Parasita foi
aclamado como uma crítica clara e lúcida à desigualdade de riqueza na sociedade
sul-coreana.
O filme (spoilers abaixo!) é considerado uma alegoria da
desigualdade de classe desenfreada e da frustração popular pela falta de
mobilidade social em um dos países mais ricos da Ásia. Em um artigo para
a Jacobin, Eileen
Jones elogiou Parasita por ir além de simples propostas alegóricas,
afirmando que o filme “cristaliza as experiências de uma família de classe
marginalizada tentando se agarrar, desesperadamente, a uma chance para melhorar
a vida, retratadas de uma forma que te machuca”.
No New York Times, Brian
X. Chen descreveu o filme como um confronto entre “os que têm contra
os que não têm” e interpreta o golpe realizado pela família Kim no filme como
uma vingança pela “amargura e frustração” de uma sociedade projetada para
garantir que apenas os ricos tenham sucesso. Scott
Mendelson chamou o filme de “retrato social brutal” sobre a vida dos
ricos, dependentes do trabalho de uma classe marginalizada não reconhecida que
“mal pode se dar ao luxo de viver na civilização para a qual fornece o
alicerce”.
O encontro entre as famílias Kim e Park em Parasita é,
de fato, uma metáfora bastante óbvia para antagonismos de classe na sociedade
sul-coreana. Mas focar apenas na riqueza material pode negligenciar uma crítica
mais sutil e, em última análise, mais devastadora latente no filme de Bong Joon
Ho. O filme também foca na privação de dignidade, auto-respeito e status social
das pessoas da classe trabalhadora, ao passo que nossos trabalhos e nossas
vidas são cada vez mais precarizados pela dinâmica hostil do capitalismo
neoliberal.
Vivendo de Salário em Salário
Primeiro, o enredo. Em Parasita, uma família
empobrecida da classe trabalhadora de Seul, de sobrenome Kim, se infiltra no
mundo dos ricos através de uma série de golpes engenhosos. Quando o filho
Ki-woo recebe de um amigo a oferta de um bico lucrativo, dar aulas particulares
à filha de uma família rica — de sobrenome Park —. No entanto, Ki-woo enfrenta
a leve complicação de não ter frequentado a universidade, pois, sua família não
podia pagar as mensalidades. Prevendo que a família Park só aceitaria um
estudante universitário, ele aparece com um comprovante de matrícula forjado
por sua irmã com uma fina vocação artística.
Surpreso com a ingenuidade dos ricos, Ki-woo bola uma série
de planos
ao estilo Missão Impossível para levar toda a sua família
a trabalhar para os Parks. A irmã de Ki-woo, Ki-jeong, se torna professora de
“arteterapia” do peculiar e um tanto difícil filho caçula dos Park. O pai de
Ki-woo, Ki-taek, é contratado como motorista particular. A mãe de Ki-woo,
Chung-sook, se instala como nova governanta após expulsarem a antiga
funcionária que trabalhava à família há tempos.
Mantendo os laços familiares em segredo, seus novos empregos
tiram os Kim da pobreza aparentemente inevitável em poucas semanas. Em um
mercado de trabalho carente de posições estáveis e bem remuneradas, em que os
trabalhadores recorrem frequentemente ao trabalho autônomo ou à mão de obra
intermitente e sem proteção, os Kim tiraram a sorte grande.
Os Kim representam a situação da classe trabalhadora
sul-coreana. Eles moram amontoados em um apartamento sombrio em um semi-porão
em Seul, onde são submetidos a bêbados urinando ao lado da sua janela da
cozinha todas as noites. Suas vidas contrastam com as vidas dos ricos da
família Park, que desfrutam do raro privilégio de possuir uma casa luxuosa e
fechada, com um amplo jardim paisagístico (praticamente inconcebível nas densas
cidades da Coréia do Sul).
O simbolismo em Parasita não termina aí. Os
Kim sobrevivem fazendo bicos e, mesmo quando têm dinheiro, comemoram comendo
num buffet para taxistas — uma maneira barata de consumir uma refeição rica em
calorias. Esse simbolismo não se perde nos espectadores de cinema em Seul, hoje
uma das dez
cidades mais caras do mundo, com os produtos
alimentícios mais caros da Ásia. Os Park, por outro lado, abastecem
sua geladeira com água mineral com gás e alimentam seus cães com ração orgânica
de alta qualidade e kani-kama japonês.
As dietas dos ricos e pobres são, de fato, um impressionante
índice de desigualdade na capital sul-coreana. De acordo com um estudo de
2018 que avaliou 1.023 residentes de Seul, mais de 20% da população de
baixa renda não recebe os nutrientes adequados — um número quatro vezes acima
da média nacional. Além disso, 10% dos moradores de baixa renda sofrem de
insegurança alimentar, o que significa que eles não têm acesso confiável aos
alimentos de que precisam para ter uma vida saudável e ativa. Somado à
variedade geralmente menor de produtos frescos, isso alimenta uma situação em
que os pobres de Seul também sofrem maiores taxas de pressão alta, diabetes,
obesidade e doenças cardíacas.
Sem plano
Em uma cena na metade do filme, quando o pai da família Kim,
Ki-taek, leva o Sr. Park para um compromisso, ele tenta se passar por um
veterano na profissão, inventando uma história sobre seu longo caso de amor com
sua vocação. Park acena com a cabeça e responde: “Eu respeito quem trabalha na
mesma área por muito tempo”. Temas semelhantes sobre compromisso profissional,
“ter um plano” e autossuficiência se repetem ao longo do filme.
Enquanto Ki-woo fica parado na porta de casa, a caminho da
entrevista de emprego, com os documentos falsificados na mão, ele diz ao pai:
“Não considero isso um crime. Eu vou frequentar esta universidade um dia. Pense
nisso como se eu estivesse apenas recebendo os documentos um pouco mais cedo”.
Seu pai responde: “Ah, então você tem um plano!” Quando o vizinho de cima muda
a senha do Wi-Fi, Chung-sook pergunta ao marido: “Nossas linhas de telefone já
não funcionam. Agora nosso Wi-Fi está desligado. Então, qual é o seu plano?”
Mais tarde, depois que o apartamento dos Kim é inundado e
eles acabam dormindo em um ginásio, Ki-taek diz ao filho: “Ki-woo, você sabe
qual plano nunca falha? Nenhum plano. Você sabe porque? Se você faz um plano, a
vida nunca funciona como planejado”.
Para os moradores mais velhos de Seul, essa cena
provavelmente evoca as inundações recorrentes no bairro vizinho de Mangwon na
década de 1980, uma área de baixa renda adjacente ao aterro sanitário. A
cidade negligenciou
conscientemente a represa do rio Han, causando inundações devastadoras
que prejudicaram a vida das pessoas pobres e idosas que vivem lá. Os moradores
de Mangwon entraram com uma ação coletiva contra a cidade e receberam uma
indenização, dando origem à Lawyers for a Democratic Society, a
primeira organização de advogados voltada para direitos humanos e democracia na
Coréia do Sul.
Ao longo de todo o filme, a precariedade do bairro dos Kim é
fortemente contrastada com a segurança adquirida pela riqueza acumulada dos
Park. Sem o conhecimento do Sr. Park, antes de serem contratados pelos ricos,
Kim Ki-taek e sua família haviam tentado vários empregos para sobreviver. O
filme começa com os Kim sentados em sua cozinha, dobrando caixas de pizza para
um restaurante próximo — um bico precário para ganhar alguns trocados. Ki-taek
também menciona anteriormente a operação de uma franquia de frango frito e uma
confeitaria taiwanesa de bolos castella [um tipo de pão de ló], além de
trabalhar como motorista daeri.
Motoristas daeri levam pessoas bêbadas para
casa em seus próprios carros tarde da noite, uma forma comum de prestação de
serviço itinerante realizada por subempregados nas cidades sul-coreanas. Eles
são forçados a ficar de plantão o dia inteiro, geralmente esperando na rua sem
um lugar para descansar, se abrigar do mau tempo ou até usar o banheiro. A
maioria dos motoristas em turno integral recebe pouco mais de
um salário mínimo por mês e relata sofrer diversos problemas de saúde,
incluindo problemas osteomusculares, fadiga e estresse.
Os motoristas da cidade de Daegu formaram seu próprio
sindicato já em 2005,
mas tiveram seus direitos sindicais negados em nível nacional sob as
administrações de Lee Myung-bak e do recém
deposto Park Geun-hye. Apesar das promessas do atual governo Moon Jae-in,
os motoristas daeri foram novamente impedidos de se registrar
como uma organização nacional em 2017 pelo Ministério do Trabalho.
No entanto, isso pode estar mudando. Em uma série de decisões judiciais em
novembro de 2019, respondendo à crescente pressão exercida pelo trabalho
organizado, os motoristas daeri, assim como entregadores de delivery e caddies (carregadores
de tacos de golfe), foram reconhecidos como “trabalhadores” em vez de
“prestadores de serviço” segundo a constituição sul-coreana — abrindo caminho
para o direito de formarem um sindicato. Para os motoristas daeri que
lutam pelos direitos de sindicalização há mais de uma década, a capacidade de
negociar contratos coletivamente pode significar o fim dos salários de fome.
Sem esses direitos, seria um grande desafio para os motoristas daeri “trabalharem
na mesma área por muito tempo”, o que o Sr. Park tanto admira.
A Castella-mania
Em uma reviravolta dramática na metade do filme, a
governanta demitida Moon-gwang retorna enquanto a família Park passa o fim de
semana fora e implora a Chung-sook que a deixe entrar em casa. Aparecendo
desgrenhada, machucada e incoerente, ela corre para uma sala secreta no porão,
onde os espectadores descobrem que seu marido, Geun-sae, está se escondendo de
agiotas há quatro anos. Depois de escaparem do seu próprio porão para a
propriedade palaciana dos Park, os Kim descobrem que outra família da classe trabalhadora
estava levando uma vida ainda mais miserável no porão logo abaixo dos seus pés.
Geun-sae explica que é tudo culpa dele. Ele havia feito um
empréstimo com um agiota para abrir uma confeitaria “king
castella” — uma modinha que começou em Taiwan e explodiu na Coréia do
Sul em 2017. Devido aos baixos custos iniciais, essas confeitarias eram
relativamente baratas de se abrir e vários sul-coreanos apostaram suas
economias esperando ficar ricos com essa moda passageira. O mercado logo ficou
saturado e a bolha do “king castella” estourou, deixando centenas, senão
milhares de pessoas com dívidas enormes e nenhuma condição de pagá-las.
Esse tipo de história é comum na Coréia do Sul, onde a falta
de emprego estável e com carteira assinada impele as famílias a abrirem seus
próprios negócios, na esperança de mandar seus filhos para a faculdade e se
aposentar com algumas economias. Em 2017, 25,4%
dos sul-coreanos eram autônomos, geralmente operando estabelecimentos
como restaurantes de frango frito e lojas de conveniência — significativamente
acima da média de 15,3% dos países da OCDE como um todo.
Com mais de 8.000 lojas de
frango fechando as portas no país todos os anos, para a maioria dos
trabalhadores que já se esforça para sobreviver, o fracasso dos negócios da
família muitas vezes os afunda ainda mais em dívidas e desespero. Esse
desespero, uma experiência familiar para milhares dos espectadores
sul-coreanos, é o pano de fundo em que se desenrola a vida das duas famílias
“de porão” retratadas em Parasita. No caso extremo de Geun-sae, o
desespero o leva, literalmente, à clandestinidade subterrânea.
Ganhando “respeito”
Quando o pai da família Kim, Ki-taek, acaba se escondendo no
porão secreto da casa dos Park, ele testemunha o estranho ritual de Geun-sae,
que transtornado e de olhos arregalados, agradece a Park. Geun-sae fica na
frente de uma página arrancada de uma revista financeira que apresenta o Sr.
Park como “CEO do ano”, e agradece a ele por “me alimentar e me alojar” —
seguido de uma exclamação de “Respeito!”. Ki-taek, perplexo, pergunta: “Você
faz isso todos os dias?” Geun-sae então revela que, ao manipular interruptores
de luz no porão, ele envia à família Park mensagens diárias de agradecimento
usando código Morse. Incapaz de traçar os paralelos entre a situação de Geun-sa
e a sua, Ki-taek pergunta: “Como você consegue viver em um lugar como este? O
que você vai fazer no futuro? Você não tem um plano?”
Cenas de agradecimento e gratidão imerecida pela
“benevolência” dos ricos se repetem ao longo do filme. Depois de toda a família
Kim ser empregada pelos Park, Ki-taek sugere em um jantar que “façam uma oração
de agradecimento ao grande Sr. Park” pelos rendimentos que ele fornece à
família.
Os personagens da classe trabalhadora em Parasita internalizam
a lógica do capitalismo tardio — o que leva pessoas como os Kim a considerarem
a pobreza uma consequência de suas próprias falhas morais, não o resultado de
um sistema construído sobre a exploração e a precariedade perpétua. No filme,
essa lógica resulta em um “respeito” não merecido pelos ricos — impedindo que
os pobres que vivem no porão se identifiquem entre si e encontrem força na
solidariedade.
Planejar para vencer
Além de simplesmente ser um ótimo filme, Parasita ressoa
com o público porque coloca os holofotes sobre a injustiça econômica,
repetidamente evocada pelo semi-porão em que mora a família Kim. Em uma cena
tensa, o caçula dos Park comenta que o motorista da família, a governanta e os
dois professores têm o mesmo cheiro — uma consequência do odor mofado e úmido
que o “apartamento” dos Kim deixa em suas roupas. Em uma série de artigos,
tweets e postagens no Facebook após o lançamento do filme, o
“semi-porão” passou a simbolizar as experiências coletivas das classes menos
privilegiadas de Seul, experiências que são totalmente alheias a quem nasceu na
riqueza e com todas as oportunidades sob a mesa.
No entanto, o que torna a crítica de Bong Joon Hon à vida
sob o capitalismo tão condenatória não é o mero fato de ele destacar as
desigualdades, mas sua representação da desmoralização dos trabalhadores sob o
neoliberalismo de maneira geral. Presos em eternos ciclos de pobreza, os Kim
estão constantemente à procura de emprego, um sinal de Wi-Fi grátis e uma
maneira de escapar do cheiro de “trapo cozido” que os marca como pobres. Eles
constantemente inventam novos esquemas para escrever uma história de vida digna
de respeito.
A vida dos Park, por outro lado, exala permanência e
estabilidade. Eles moram numa casa histórica projetada por um arquiteto famoso
— um motivo de orgulho constante em conversas com visitantes. Eles desfrutam do
luxo de passar tempo juntos à noite e viajam nos fins de semana para comemorar
aniversários.
Os Kim e milhões de trabalhadores sul-coreanos estariam sob
menos pressão trabalhando em empregos tão precários se o país aplicasse
melhores proteções trabalhistas. A Coréia do Sul tem um movimento trabalhista
forte e orgulhoso, mas nunca teve um governo de esquerda para reescrever as
leis trabalhistas do país. Apesar das promessas de campanha do atual presidente
Moon Jae-in, pouco foi entregue até agora e as pessoas da classe trabalhadora
continuam a conciliar vários empregos apenas para chegar ao final do mês.
Dessa forma, o filme de Bong Joon Ho satiriza magistralmente
a cultura neoliberal da autoconfiança que permeia a sociedade sul-coreana,
forçando os trabalhadores a assumir a total responsabilidade econômica por si
próprios, ao mesmo tempo em que os estigmatiza como indignos de respeito e
humanidade quando o capitalismo põe suas vidas de cabeça para baixo. A
afirmação de Ki-taek de que é melhor “não ter plano” é um diagnóstico da vida
na Coréia do Sul após a reestruturação neoliberal: quando os trabalhadores são
atomizados e isolados, eles perdem a capacidade de planejar com antecedência,
de se sentir seguros e de identificar significado e propósito em suas vidas.
Cedo ou tarde, alguns deles atacam.
O filme foi recebido positivamente na Coréia do Sul, onde
uma série de questões sociais, como gentrificação desenfreada, “revitalização”
urbana em bairros de baixa renda, poluição do ar, aumento dos preços dos
alimentos e da habitação e insegurança no trabalho, geraram um sentimento de
traição entre muitos jovens. Segundo um estudo
de setembro de 2019, apenas 23% dos jovens de vinte e poucos anos da classe
média baixa para baixo afirmaram estar otimistas de que sua qualidade de vida
melhoraria.
Nesse contexto, não surpreende que o público sul-coreano
reconheça a hipocrisia de uma situação em que as pessoas são instruídas a “ter
um plano”, mas não recebem um caminho claro para a estabilidade. O fato
de Parasita também ter se saído tão bem com o público do
Ocidente sugere que as condições descritas em Seul não estão tão distantes da
realidade das pessoas ao redor do mundo.
SOBRE O AUTOR
Max Balhorn é estudante de doutorado na Universidade Chung-Ang, em Seul, onde está pesquisando a história ambiental da Coréia do Sul no pós-guerra.
SOBRE O AUTOR
Max Balhorn é estudante de doutorado na Universidade Chung-Ang, em Seul, onde está pesquisando a história ambiental da Coréia do Sul no pós-guerra.
A isenção autoritária
Nilson Lage
Não me surpreende a ideologia desses discursos. São pessoas que lucram com ele, pagas para dizê-los, estúpidas o bastante para acreditar neles; aloprados místicos e carreiristas que falam besteiras para ocupar espaços de poder nessa etapa de liquidação da Pátria-Mãe.
Assombra-me a ousadia da ignorância teórica que suporta o argumento.
Como exigir “isenção” de um relato pessoal, testemunhal, sobre fatos verdadeiros? De John Reed, em “Os dez dias que abalaram o mundo”? Peter Davis, em “Corações e Mentes”? Júlio César em “Sobre a guerra da Gália”? Ou, mesmo, da construção de um conceito do todo pela soma das partes, como faz Eduardo Coutinho em “Edifício Master”?
O que seria a isenção afora o apagamento do autor diante de interpretação prévia, autoritária e hipócrita?
Nélson Pereira dos Santos, Professor Titular da Universidade Federal Fluminense, ensinava que documentários são o melhor maneira para se apreender a essência do cinema, porque suprimem a muleta da dramaturgia; deles, pode-se discutir o discurso no plano das ideias, mas tudo que se admite exigir é que cada um dos segmentos produzidos ou selecionados seja, de fato, verdadeiro. Isso é ainda mais evidente quando a perspectiva do narrador define-se no início, como em “Democracia em Vertigem”
Assim, se era Lula e não um sósia que arrumava as malas para se apresentar à cadeia; se a megera que dá uma de Pomba Gira, não era protagonista de tragédia grega ou louca evadida do hospício, mas advogada de renome; se são, mesmo, parlamentares os pândegos e clowns que se apresentam no picadeiro das cuias, dispostos a mostrar ao grande público o que compõe de fato o Congresso brasileiro.
É de César, não diretamente perceptível na natureza, que a Gália se divide em três partes; ele a viu e conquistou dessa forma, e o relato o habilitava a comandar o Império Romano. Se o menino chora lancinante junto ao túmulo do pai, representado em uniforme militar, sobre a lápide do cemitério em Saigon, e o General Westmoreland, captado em plano americano, proclama que os orientais não dão valor à vida, não há como criticar o Professor Davis por ter juntado os dois segmentos na construção de seu discurso, ostentando, com isso, a hipocrisia condecorada.
A maneira como se arruma o relato -- a sintaxe e seu sentido, as sugestões que faz, as conotações que desperta -- é exatamente o que define a autoria, e que os jurados do Oscar poderão premiar.
Os episódios recentes da tragédia brasileira foram encenados de várias maneiras, algumas vezes, com escasso sucesso, arrumando as cenas para validar a “mudança de regime” com base na palavra dos conspiradores ou com a invenção do “povo” nas massas motivadas pelas técnicas de agitação de massas manipuladas pelos mesmos interesses de sempre -- da conspiração pela proclamação da República ao traque restaurador paulista de 1932; do “mar de lama” de 1954 à “república sindicalista” de 1964; de Sylvio Frota a Augusto Heleno; da projeção nos cinescópios de um Collor ao enchimento do balão de um Bolsonaro.
A diretora de “Democracia em Vertigem” contou a história real, como a viu. Assinou a obra.
Se o mundo e a inteligência brasileira concordam que a versão de Petra é inseparável dos fatos, será esse o juízo que persistirá na História.
É prudente conformar-se.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
Documentário de Petra Costa sobre o golpe de 2016 é indicado ao Oscar
'Democracia em Vertigem' é indicado ao Oscar de melhor documentário
O filme brasileiro "Democracia em Vertigem" foi anunciado, na manhã desta segunda (13), como um dos indicados ao Oscar de melhor documentário longa-metragem.
Dirigida pela cineasta mineira Petra Costa, a produção da Netflix acompanha o impeachment golpe jurídico/midiático contra Dilma Rousseff a partir de uma visão particular (se não fosse visão dela, seria de quem?) da diretora. A estatueta será entregue em cerimônia no dia 9 de fevereiro.
O longa chegou à plataforma de streaming em junho. Nos Estados Unidos, o filme também foi exibido em salas de cinema, requisito para concorrer ao Oscar.
Estão no documentário brasileiro imagens de impacto dos protestos patrocinados pela CIA e pela mídia brasileira de junho de 2013; do impeachment golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016; da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo criminoso sociopata Sérgio Moro, em 2018; e da vitória do líder miliciano Jair Bolsonaro, apoiado por toda a mídia e o Capital, na disputa para o Palácio do Planalto, também em 2018.
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