segunda-feira, 29 de julho de 2019

Os torturadores e assassinos estão soltos, e seus admiradores, cúmplices e seguidores estão no governo


A CONFISSÃO DE BOLSONARO 

Moisés Mendes

Para atacar o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, Bolsonaro atacou a memória de uma das vítimas da ditadura. Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, pai de Felipe, desapareceu em 1974, depois de ter sido preso por agentes do DOI-CODI.

Bolsonaro mandou esse recado ao presidente da OAB: “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele."

Não vai contar. Porque os matadores dos que combatiam a ditadura nunca contaram nada sobre seus crimes. Nem seus cúmplices.

Bolsonaro produziu uma armadilha contra ele mesmo. Bolsonaro sabe muito bem por que o pai do presidente da OAB desapareceu. Sabe dos crimes. Sabe quem foram os ajudantes de Brilhante Ustra. 

Sabe dos desaparecimentos, das perseguições, das torturas e dos assassinatos. Tanto que homenageia torturadores. Por isso mesmo não vai contar nada.

Bolsonaro não tinha nem idade para participar do desaparecimento do estudante em 1974. Mas confessa que sabe o que aconteceu, porque sempre foi amigo e parceiro dos repressores.

Num país sério, seria obrigado a contar o que sabe. No Uruguai, na Argentina e no Chile, ele seria convocado a dizer. 

Aqui os torturadores e assassinos estão soltos, e seus admiradores, cúmplices e seguidores chegaram ao poder.

O criminoso Jair Bolsonaro tem que ser afastado do cargo e preso já


Luiz Antônio Simas

Não estou estarrecido com a declaração do presidente da República sobre o pai do presidente da OAB. Ele é notório apologista da tortura e do assassinato. Ficaria pasmo é com alguma declaração civilizada vinda da criatura. Estarrecido eu fico é com quem referendou isso nas urnas.

Wadih Damous

Felipe Santa Cruz sabe como o pai dele desapareceu. Não precisa perguntar ao colega de seus assassinos, Bolsonaro. O que esse tiete de torturador tem que informar é como e porque o Queiroz desapareceu.
#BolsonaroEnvergonhaOBrasil


Felipe Santa Cruz presidente da OAB tinha dois anos quando o pai, com emprego e endereço fixo, foi preso pelo DOI-CODI em 1974. A família nunca mais teve notícias. 

Essa aberração é o resultado de deixar o idiota homenagear torturador.

Sâmia Bomfim

Bolsonaro passou de todos os limites. Que diga como Fernando Santa Cruz desapareceu e deixe seu posto de Presidente da República, pois não é lugar de tão repugnante criminoso.


Um presidente da República não pode se comportar com tanta pequenez e tamanha vilania.


Bolsonaro sabe como foi o desaparecimento do pai do presidente da OAB, sabe de um crime e não tomou nenhuma providência? Isso é corresponsabilidade. Bolsonaro é cúmplice e, a partir de hoje, réu confesso!


Bolsonaro afirmou que sabe como desapareceu na ditadura o pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, e que pode revelar o caso. Ele está acobertando um crime que é sabedor e se torna cúmplice do assassinato de Fernando Santa Cruz. Quebra o decoro do cargo e deve ser impedido.


A declaração de Bolsonaro sobre o pai do Presidente da OAB é repugnante até para o padrão bolsonarista. Quem votou nele ajudou um desgraçado da pior espécie a chegar no poder. Que criatura mais pequena, mesquinha, insignificante, bosta. Não tem como chamar esse cara de ser humano.


Bolsonaro é vil, troglodita e quer torturar o.presidente da OAB com histórias (mentirosas) sobre as torturas que seu pai Fernando sofreu na Ditadura militar. Um ser truculento e desqualificado. Como um presidente se rebaixa a ser um verme deste quilate??


Bolsonaro deve ser preso por crime de desaparecimento de pessoa. A anistia não perdoou tais crimes, que são crimes continuados. 


Não podemos mais tapar o sol com a peneira. Bolsonaro tem que ser impedido. Ele é um criminoso que idolatra genocidas, torturadores e ditadores. Ele e seu clã miliciano conduzem o país para um estado policial autoritário que corrói a democracia e as instituições da república.


Cada vez mais estamos com a cara das ditaduras africanas da década de 60. O presidente e seus parentes, ligados a grupos armados, usando aviões e helicópteros, sendo colocados como embaixadores e roubando o país, enquanto o desemprego e a pobreza ficam para o resto da população.

Bolsonaro é indivíduo mais escroto que já habitou este país


O presidente da República ataca o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil mencionando o desaparecimento do pai do dirigente da OAB, durante a ditadura. Seria este o fundo do poço? Tamanha torpeza indicaria que sim, mas em se tratando de Jair Bolsonaro, infelizmente, tememos coisa ainda pior. Bolsonaro não merece apenas deixar o cargo que ocupa por conta de fakenews e de artimanhas de um Judiciário parcial. Toda ideia representada por Bolsonaro merece ser esmiuçada pelos democratas brasileiros. Temos um incapaz na presidência da República.

Leia mais: http://bit.ly/2ZjmQWH

Rogério Correia

Ladragnol e Boçalnaro


DIÁLOGOS POSSÍVEIS

Cadu de Castro

— Alô, tá óquei?

— Na paz de Deus, irmão! Tudo bem, Presidente?

— Quem fala nisso daí?

— É o Deltan.

— Levei alguma multa? No tocante a isso daí tem que quebrar o galho, tá óquei? Eu sou a Minha Majestade, o Presidente, entendeu? Eu mando nisso daqui e posso correr na estrada, estacionar na calçada e atropelar uns petralhas, tá óquei?

— Desculpe, Presidente, não entendi.

— Não é do Detran?

— Não, é o Deltan.

— Então, é isso daí que eu falei, tá óquei?

— É Deltan, senhor, o procurador que estava mancomunado com o Moro na Lava Jato; que fez o power Point do Lula; que deu palestra remunerada para empresa investigada, lembra? Deltan Dallagnol.

— Ô Detran! Agora lembro disso daí. Tudo bem com você? Já achou o que tava procurando? O que manda?

— Senhor, serei direto: gostaria que me nomeasse para o STF.

— Detran, a qüestão é que eu já prometi pro Moro, tá óquei? Ele prendeu o Lula e impediu as investigações contra o Flavinho.

— Mas o senhor disse que nomearia alguém terrivelmente evangélico, e não há ninguém mais terrivelmente evangélico do que eu.

— No tocante a ser terrivelmente evangélico, qual o seu currículo nisso daí?

— Senhor, execro as mulheres, pois são elas que levam o homem ao pecado desde o início dos tempo, veja o pobre Adão e a maldita Eva. Condeno os homossexuais. Abomino a nudez. Odeio minorias como um todo. Educação e cultura, só se for bíblica. E, além disso, forjei provas contra vários acusados na Lava Jato, senhor. Mancomunei com Moro e Fux. O Lula não estaria preso se não fossem os meus ardis, tudo em nome dos bons costumes e de Deus. Além disso, venho de uma família de grileiros de terra de estirpe. Oro quando acordo, quando faço cada uma das refeições e quando durmo. Sempre pedindo a Deus dinheiro e prosperidade. Quero ficar ricoooooo, ricoooooo.

— No tocante a isso daí estou impressionado, Detran. Nunca vi currículo tão bom. O problema é que o Moro disse que os ráques invadiram meu celular, tá óquei? E se eu não nomear ele vai vazar isso daí…

— Não tem problema, senhor. Se qualquer acusação contra o senhor chegar no STF eu engaveto. Afinal, como está em Atos, capítulo 20, versículo 35, “É dando que se recebe”, senhor.

— Detran, no tocante a isso daí eu vou pensar, tá óquei?

— Deus estará vendo, senhor. Como eu disse, não há ninguém mais terrivelmente evangélico que eu.

— Brasil acima de tudo, Deus acima de todos, e vice-versa. E que a mamata reine para sempre, tá óquei?

— Amém! Na paz do Senhor, senhor.

Fascismo Bolsomorista tem que ser destruído já


Escalada autoritária


Justiça seja feita: se Bolsonaro não tentasse destruir a democracia brasileira, teria praticado estelionato eleitoral. Foi isso que passou a campanha inteira dizendo que faria.

Durante todo o ano de 2018, Bolsonaro repetiu que não reconheceria uma derrota —isto é, que tentaria um golpe de Estado se Fernando Haddad tivesse sido eleito.

Seu filho Eduardo Bolsonaro, nosso futuro embaixador em Washington, declarou que, para fechar o STF, bastariam um soldado e um cabo.

Quando indagado, no programa Roda Viva, sobre seu livro de cabeceira, Bolsonaro citou, às gargalhadas, as memórias falsificadas do torturador Brilhante Ustra, que já havia homenageado na votação do impeachment.

Faltando uma semana para a eleição, com 20 pontos de vantagem sobre o opositor, Bolsonaro discursou dizendo que para a esquerda só restariam o exílio ou a prisão.

Sinceramente, vocês acharam que a Presidência desse sujeito ia ser o quê?

Nesses seis meses, não houve nenhum gesto de moderação. A deputada bolsonarista Bia Kicis propôs revogar a PEC da Bengala para permitir que Bolsonaro nomeasse mais ministros para o STF —um entre vários movimentos extraídos do repertório do ditador húngaro Viktor Orban.

Militares filmaram ostensivamente uma palestra na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência porque o palestrante tinha críticas à política ambiental de Bolsonaro.

O general Santos Cruz foi demitido de maneira humilhante porque entrou em conflito com a extrema direita bolsonarista.

Os ataques à imprensa começaram contra a Folha; prosseguiram —sempre sórdidos, sempre imundos— contra jornalistas do Estado de S. Paulo, da Globo e de toda a imprensa independente.

As universidades estão sob cerco, e toda a máquina governamental brasileira está engajada em uma guerra contra a ciência.

O Brasil passou a votar com a Arábia Saudita na ONU em todas as questões relativas a direitos humanos. Olavo de Carvalho começou a fazer doutrinação de graça para policiais, para a eventualidade de os militares se provarem democratas.

Depois da votação da reforma da Previdência, a escalada autoritária se acelerou.

Convicto de que a elite agora estava devidamente comprada, Bolsonaro tornou-se mais ousado. Os ataques contra Míriam Leitão foram o começo dessa ofensiva.

Mas foi com a guerra à Vaza Jato que Bolsonaro percebeu a possibilidade de destruir a democracia em nome do combate à corrupção. Não há combate nenhum, é claro: há, sim, um acordão para livrar Flávio Bolsonaro, com Supremo, com tudo. Mas, na falta de uma reputação de honestidade própria, Bolsonaro parasitou a de Moro, que, coitado, acha que isso tudo é para defendê-lo.

Como parte dessa escalada, no último sábado, Bolsonaro cruzou uma linha: sugeriu que Glenn Greenwald, fundador do Intercept, havia se casado e adotado duas crianças para não ser deportado, acrescentando que o jornalista poderia “pegar uma cana” no Brasil.

É inaceitável e é mais um esforço bolsonarista de nos fazer cansar sob o peso do nojo.

Quanto antes os brasileiros entenderem que o bolsonarismo odeia tudo que neles é livre, maiores serão as chances de preservarmos a liberdade que nos resta. A escalada autoritária prossegue e é cada vez mais acelerada.

OEA, Organização dos Escravos Americanos

Leandro Fortes

AGOSTINHO E A OEA

Primeiro, foi Pedro Cardoso, o ator, em entrevista a Marcelo Tas.

Tas é um reacionário de carteirinha que viu no governo de Bolsonaro a chance de lavar a biografia, como outros arautos do antipetismo que apoiaram o golpe de 2016. Tem um programa na TV Cultura, a cidadela tucana, só para isso.

Cardoso, embora verborrágico, tem um discurso normalmente progressista, mas amalgamou-se à personagem de sua vida, Agostinho Carrara, uma caricatura suburbana de taxista da série "A grande família", da TV Globo.

Em nome disso, fez uma concessão estúpida a Tas, ao imputar um viés protofascista aos governos do PT, como condição para falar mal da direita brasileira diante de um dos queridinhos dela. Chegou a comparar Lula a Bozo, por si só, um raciocínio cretino, sob todos os aspectos - além de ser um exercício de desonestidade intelectual.

Agora, foi a vez de Edson Lanza, relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Para poder mostrar alguma preocupação com as ameaças de Bozo a Glenn Greenwald e a jornalistas, em geral, Laza precisou compará-lo a dois ex-presidentes sulamericanos de esquerda: Rafael Correa, do Equador, e, claro, Hugo Chávez, da Venezuela.

Para quem não sabe, os Estados Americanos que essa manjada Organização representa são aqueles 50, lá no Norte. Justamente o império que Chávez e Correa ousaram desagradar.

A OEA não tem o mínimo interesse de censurar as loucuras de Bolsonaro porque ele é um títere nas mãos dos EUA - que é quem manda na OEA.

É puro jogo de cena.

domingo, 28 de julho de 2019

A inação e o conluio do STF destruíram o Brasil


Minha hipótese sobre o imbróglio Moro-CIA-Vaza a Jato.


A inteligência brasileira (aparelhada pelos militares desde o governo Temer com Etchegoyen) monitora cerca de 3 a 4 mil pessoas da esquerda hoje no Brasil. Com escutas ilegais, invasões digitais e etc. Este grupo identificou no início do ano a vulnerabilidade do governo quando descobriu que Glenn havia recebido algum material. Sem saber o que era exatamente eles colocaram em prática uma ação militar conhecida para "diminuir danos".

Moro foi aos EUA para apagar todas as informações comprometedoras de seu celular, laptop e dos servidores da Internet que, para quem não sabe, ficam nos eua. No mesmo momento, eles criaram o plano para tirar ou diminuir a credibilidade do material do Glenn. Pegaram um criminoso monitorado pela ABIN (figura clássica para servir de bode expiatório) e inventaram que esta criatura seria o "hacker". Assim, garantem que a fonte do vazamento é "ilegal" e protegem Moro e Dallagnol.

O pobre "hacker" preso, já recebeu a proposta de  confirmar a versão do Moro e receber uma pena branda, conservando grande parte da grana que acumulou com os crimes. Este é exatamente o modo de operação da Lava a Jato. Usaram a Manoela para "esquentar" a versão, mas o material que o Glenn tem não foi passado pelos presos do Moro.

Ainda, o Moro declara que o "hacker" invadiu e coletou informações de "autoridades"  em todos os poderes brasileiros e assim "esquenta" o material que ele recebeu via NSA e CIA.

É a desculpa perfeita. Moro tem os vazamentos feitos pelos americanos, diz que foi um "hacker" criminoso brasileiro, colocando o material do Glenn no mesmo balaio.

Deixando claro, EXISTEM 3 materiais vazados DIFERENTES, de fontes diferentes, conteúdos diferentes e que Moro vai confundir como se fossem o mesmo:

1) o material grave e cheio de crimes do moro e Dallagnol que está com o The Intercept.

2) o material inócuo e desimportante que o laranja "hacker de Araraquara" obteve na ação pensada pela inteligência brasileira.

3) o material que Moro recebeu da NSA, que é totalmente limpo dos seus crimes e dos da lava a jato, mas contém vazamentos da vida pessoal, crimes e etc. de autoridades brasileiras. 

Com esta estratégia acontecem as seguintes coisas em curto espaço de tempo:

- Moro passa a ter material para chantagens de autoridades que não sejam tão alinhados quanto o "In Fux We Trust".

- Permite o argumento da "árvore envenedada" para invalidar juridicamente TODO o material do The Intercept. Sendo que ele precisa apenas de 4 votos no STF ("o Fux é nosso, aha uhu").

- Moro passa a ter material e motivos para processar Glenn e pedir busca e apreensão em TODO o material do Intercept. Para isto basta apenas mostrar material íntimo vazado pelos americanos a ele, Moro, e dizer que foram os "hackers de Araraquara" argumentando pelo "risco" do crime continuado e dizendo que o material do The Intercept pode "prejudicar terceiros" além do Brasil.

- Com busca e apreensão no The Intercept eles farão "perícia" nos dois materiais (o do Intercept e o do "hacker de Araraquara" que na verdade é o material da NSA americana dado ao Moro). Não vai fazer diferença se o Glenn disser que a apreensão não pegou o material, eles precisam apenas parecer que pegaram o material do the intercept, pois vão inventar o conteúdo do mesmo jeito.

- Nesta "pericia" de comparação, feita por um "método" impessoal de "comparação" simples por um software, vão "mostrar" que o material "foi adulterado". Com isso acabam com o material do Glenn e, ao mesmo tempo, indiciam o The Intercept, Glenn, Demori e etc. Por crimes digitais, receptação de mercadoria roubada, chantagem, formação de quadrilha e etc. Indiciam Manuela, Reinaldo Azevedo, Mônica Bergamo por associação ao crime, por bloquear as investigações, por tentar bloquear a justiça e etc.

- os "hackers" vão fazer "delação premiada" e terminarão o ano que vem como os delatores da lava a jato: em prisão domiciliar gozando o fruto dos crimes.

- Glenn, Demori e todos os que manipularam diretamente o material vão ter prisão decretada.

- Os jornalistas brasileiros com algum nome (como o Reinaldo Azevedo e a Mônica Bergamo) serão processados civilmente também e vão tomar umas multas milionárias.

- O STF vai se acovardar e declarar o material todo nulo. Lula segue preso, Dallagnol solto e inimputável e Moro novamente um herói.

- O Brasil segue sendo vendido, Bolsonaro como mico animador de plateia na cabeça de um estado fascista, controlado por instituições corrompidas e com Moro como "eminência parda", tendo controle total das polícias, do judiciário e do MP. Toda a família Bolsonaro estará nas suas mãos e se eles tentarem algo, o Queiroz será encontrado ou as investigações contra os filhos do bolsonaro andarão mais "depressa".

- Bolsonaro quer indicar o filho para a embaixada nos EUA porque viu que o contato dos americanos com Moro em imenso e "perigoso" aos Bolsonaro.

Só há dois problemas neste plano:

- As instituições ainda não estão totalmente conformadas e resistências pontuais podem fazer um grande estrago.

- As eleições.

Bolsonaro vai querer se candidatar e Moro, Doria e Witzel tem seus egos nas nuvens. Se os senadores disserem em alto e bom som que Moro NAO vai para o STF, acaba o contrato de apoio Moro-Bolsonaro. De repente, ao invés de amigos e colaboradores os dois se tornarão como amantes que dividem a mesma cama mas quer matar o outro.

A curto prazo todo o Brasil republicano perde.

No médio prazo temos ainda uma chance grande de todos perdermos muito...

A inação e o conluio do STF destruíram o Brasil.

Bolsonaro não é polêmico nem controverso, é um canalha mentiroso

Antonio Prata

Polemizando a controvérsia
As falas de Bolsonaro sobre o Inpe e Miriam Leitão são mentirosas
No final da semana passada, numa logorreia alucinante que fez Homer Simpson parecer um Bertrand Russell, Bolsonaro disse que os dados do Inpe sobre desmatamento na Amazônia eram falsos e que os cientistas deviam estar a serviço de alguma ONG. Disse que iria fechar ou privatizar a Ancine para que não houvesse mais dinheiro público em filmes como “Bruna Surfistinha”. Disse que não existia fome no Brasil.

Disse que a jornalista Miriam Leitão participava da luta armada na ditadura e mentia sobre haver sido torturada. Por fim, Jair referiu-se aos governadores do Nordeste como governadores “de Paraíba”. 

Na primeira página de sábado (20), a Folha definiu as declarações como “controversas”. Em matéria na página A4, adjetivou “governadores de Paraíba” como uma “fala polêmica”. Qualquer fala é “controversa” ou “polêmica” desde que haja versões contrárias ou cause barulho. Se eu disser que os brancos são superiores aos negros e que as mulheres são burras, terei sido “controverso” e “polêmico”, claro, pois a ciência diz o contrário. Se quisermos ser mais precisos, contudo, devemos afirmar que fui racista e machista. 

As falas de Bolsonaro sobre o Inpe e Miriam Leitão são mentirosas. A fala sobre a Ancine é autoritária, dirigista, censora, abusiva. A fala sobre os governadores nordestinos é preconceituosa, ofensiva. Talvez por receio de parecer partidária ao qualificar as declarações do presidente com os adjetivos acima, tanto a Folha quanto outros veículos de comunicação acabam tomando o partido oposto, normalizando seus absurdos. 

Quando usamos o termo “controvérsia”, legitimamos os supostos dois lados da moeda. Batizar uma mentira de “polêmica” é dar 50% de credibilidade para o fato, 50% para a fraude. Os termos não são apenas vagos, eles deturpam a realidade que o jornalismo precisa reportar. 

Dados mostram que 5.653 pessoas morreram de fome no Brasil, em 2017. Décadas de trabalho sério evidenciam que os cientistas do Inpe não forjam seus estudos a serviço de ONGs. Existem provas e testemunhas de que Miriam Leitão nunca participou da luta armada, foi torturada e presa numa cela, nua, com uma jiboia, aos 19 anos. (Sobre este último requinte de sadismo, Bolsonaro declarou, meses atrás: “Coitada da cobra”). 

Há tanta “controvérsia” sobre estes fatos quanto há sobre a segurança das vacinas e a circunferência da Terra. Cabe ao jornalismo afirmar com todas as letras que os que discordam de tais afirmações estão errados —e quando eles sabem que estão errados e mesmo assim emitem tais opiniões, é preciso dizer que eles mentem.

Há, por trás destas questões, uma outra. Como fazer um jornal (ou uma TV) que vive de assinaturas (ou audiência) e publicidade, buscando o maior número possível de pontos de vista, numa época em que estes pontos de vista incluem movimentos antivacina, terraplanismo (!), machismo, racismo, homofobia e até mesmo Olavo de Carvalho (!!!)? Ao meu ver, não é alargando as fronteiras do aceitável, mas fincando os pés na tradição iluminista, democrática, civilizatória. Se o mundo está ficando louco, não convém à mídia enlouquecer para acompanhar a tendência. 

​A imprensa, a ciência e a arte, os três maiores alvos do populismo autoritário que se espalha pelo globo, têm entre si um denominador comum: a busca pela verdade. Nestes seis meses de obscurantismo galopante, no Brasil, a Folha tem sido um pilar fundamental deste tripé: que não tenha medo de reportar a mentira, a ofensa, a burrice e o autoritarismo nos próximos três anos e meio.

Brainstorming...


O iluminado

Versão brasileira (2019)

A Globo vai afundar junto com Sérgio Moro


SABUJOS

Moisés Mendes

Merval Pereira, o Alexandre Garcia que deu certo (porque tem uma sobrevida impressionante), insinua que Manuela D'Avila e Glenn Greenwald podem ter pago o hacker filiado ao PFL.

É o recado da linha a ser seguida pela polícia política de Sergio Moro. Merval só passa a mensagem adiante.

A Globo agarrou-se a Sergio Moro, e os dois afundam juntos no redemoinho. Há meses nenhum veículo do grupo publica uma linha sequer contra Bolsonaro. Para não desgostar o ex-juiz amigo, encurralado pela própria armação dos hackers de Araraquara.

A Globo decidiu que seus humoristas ficarão fazendo piadinhas pretensamente críticas, que apenas humanizam os Bolsonaros, enquanto o jornalismo sesteia e Merval, Diogo Mainardi e outros fazem o jogo sujo. 

A Globo perdeu até para o Queiroz. Não sai mais nada sobre o chefe dos laranjas no jornal dos Marinho. Muito menos sobre o mandante do assassinato de Marielle. Os milicianos chegaram ao poder e puseram a Globo de joelhos. 

Ontem, depois do jogo do Palmeiras, Bolsonaro foi ao vestiário para dizer a Felipão que tem um cachorro com seu nome.

Felipão, adorador de Pinochet, achou o máximo. Alguns jornalistas da Globo ficaram com ciúme de Felipão.

Nada de destruição


Janio de Freitas
Queremos ouvir e ler o que Moro e Deltan diziam às escondidas
A primeira virada de mesa elaborada por Sergio Moro prosperou no ato inicial, mas ficou em suspenso antes do segundo. Pode parar aí, como pode seduzir interesses que imponham a destruição das mensagens captadas nos celulares invadidos.

Além desse risco, há várias alternativas ao método Moro para impedir as consequências apropriadas às ilicitudes e faltas morais que comprometem o então juiz, o procurador Deltan Dallagnol e muitos outros. Ainda haverá estoque de decência para impedir a virada de mesa? Eis a questão.

A pressa com que Moro se pôs a dizer que “as mensagens serão destruídas” sugeriu que está ainda pior na fita. Sua pressa paralela, para informar Bolsonaro, os presidentes do Senado e da Câmara, alguns ministros, juízes e parlamentares de terem sido também invadidos, foi mais do que gentileza.

A cada um deles disse que “o material será destruído”, um adendo que colhia, pela tranquilização, o imediato apoio à medida. O presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, citado em recente noticiário negativo, deu ênfase pública à adesão: “É isso que tem de ocorrer”.

Uma vez ocorrido, a borracha brasileira apagaria o publicado, a publicar e as respectivas memórias. Mas talvez não apague a concepção jurídica de que “só o Judiciário tem o poder de tal destruição”, como lembram alguns juristas, togados ou não. E, desde que há material referente a pessoas com foro privilegiado, é exclusiva do Supremo Tribunal Federal a decisão de destruir, como rebateu o ministro Marco Aurélio Mello —desde sempre ressabiado com os saberes jurídicos de Moro.

Os dias de hoje não fazem a atualidade. O passado tomou muito de volta, raso de cabeça e grosso na atitude. A ele são bem capazes de recorrer os interessados em virar a mesa do seu desmascaramento. Para valer-se da aliança com os militares do Exército, não hesitariam em apelar para uma velha e oca ferramenta verbal, autora histórica de inúmeras barbaridades: a “segurança nacional”. Expor viciosas condutas adotadas em nome da moralidade e de nova vida pública, ah, que ousadia desses esquerdistas e corruptos contra a “segurança nacional”.

Bolsonaro já encaminhou essa via. Definiu a alegada invasão do seu celular como “atentado grave contra o Brasil e suas instituições”. Não foi o que disse quando os telefones da presidente Dilma Rousseff foram hackeados por agentes americanos. Nenhum dos indignados com as revelações do The Intercept Brasil, em comum com a Folha, teve qualquer palavra de repúdio àquele verdadeiro “atentado grave contra o Brasil e suas instituições”.

O caso mesmo das revelações aqui atesta a competência da Polícia Federal. É equivalente, parece, à incerteza que se tem quanto ao uso e direção dessa competência. Não é preciso exemplificar com a Lava Jato. No episódio do caixote com dólares de Cuba, para a campanha de Lula à Presidência, a PF assombrou com a promoção de uma caixa de bebida vulgar a arma antieleitoral.

O dinheiro plantado na campanha de Roseana Sarney, para ser “descoberto” pela PF, foi um escândalo retribuído a um delegado na eleição em Minas. E a história dos “trapalhões do PT”, manejada por cordéis da Procuradoria da República em Mato Grosso, cujo final não pôde evitar a exclusão de um delegado. Tudo e sempre em benefício do PSDB.

A Polícia Federal está entregue a Sergio Moro. Logo, a alguém que teve o celular sugado e que está exposto, nas mensagens captadas, pelo que um juiz honrado não pode dizer nem fazer. Sergio Moro, portanto, figura em duas condições no inquérito que transcorre sob sua responsabilidade ministerial. Considerado o nível de lisura em sua participação na Lava Jato, são também duas as razões para que não permanecesse onde está: a formalmente óbvia e a dos antecedentes de interferência nas investigações da Procuradoria da República e da Polícia Federal.

Moro fez escutas ilegais. Divulgou escutas ilegais. Gravou conversas de advogados e outras pessoas isentas de suspeita. Deltan Dallagnol foi um associado de Moro com exibições de fanatismo e messianismo até na TV. Os vazamentos ilegais integraram a atividade de ambos como prática banal. Nós outros ouvimos e vimos tudo isso. Agora queremos ouvir e ler o que diziam às escondidas. Nada de destruir o material captado.

Os dois e seus companheiros de missão político-judicial já fizeram bastante destruição, não precisam fazer mais uma

Eu acuso


Leandro Fortes

Todos vocês, coleguinhas jornalistas, que embarcaram no antipetismo feroz que serviu para derrubar Dilma e gestar Bolsonaro, todos e todas, repito, são responsáveis pela merda em que estamos vivendo.

Para puxar o saco do patrão, para fazer média com as fontes, para ser aceito como protagonista em uma sociedade apodrecida pelo preconceito ou para garantir um salário de merda, no fim do mês, não importa. Vocês são culpados e culpadas.

Em maior ou menor grau, vocês emprestaram a credibilidade de vocês e destruíram o jornalismo brasileiro por ação ou omissão, naturalizando absurdos, incensando idiotas, amenizando arbitrariedades, fingindo indignação, dando asas a juízes e procuradores corruptos em nome do combate a uma corrupção que nunca, em tempo algum, lhes causou qualquer reação, antes.

Agora, eu vejo muito de vocês nas redes em um esforço comovente de se mostrarem democratas genuinamente horrorizados com o fruto podre da árvore que vocês regaram com tanto prazer. Sinto um misto de pena, nojo e vontade de rir.

Eu poderia nomear, sem medo de errar, pelo menos uma dezena de vocês, mas os não citados poderiam sentir um alívio injusto. Cada uma e cada um de vocês sabe o papel abjeto que cumpriu nessa jornada. Essa carapuça irá pairar, eternamente, no ar.

Portanto, não adianta posar de democrata, agora que o circo está pegando fogo. Porque quando só uns poucos tinham coragem de dizer a verdade, vítimas de toda violência que vem junto, vocês estavam disseminando mentiras, cúmplices bem remunerados dessa gente que agora também quer lhes devorar.

Sinto informar, mas, se depender de mim, vocês nunca vão conseguir se esconder.

Conspirações

Sangue?

Luis Fernando Verissimo

Nas comemorações da descida do Neil Armstrong na Lua também foram lembrados os 50 anos de teorias conspiratórias sobre o evento, que não teria acontecido. Segundo as teorias, os Estados Unidos estavam perdendo a corrida espacial para a União Soviética, que já tinha colocado um robô na Lua, e precisavam de um lance espetacular para superá-la. Na impossibilidade de botar um homem no nosso satélite sem o risco de uma tragédia que seria vista em todas as TVs do mundo, encenaram o espetáculo sem o risco.

Construíram um trecho da Lua num estúdio da Terra com um chão de, sabe-se lá, raspa de isopor, no qual plantaram uma bandeira americana. Primeira evidência de que a cena era falsa (arrá): a bandeira tremulava. De onde vinha o vento que fazia tremular a bandeira americana na superfície sem ar da Lua?

*

O problema com as teorias conspiratórias é que elas dependem de um somatório de coincidências e conluios que não resistem ao bom senso. A bandeira podia muito bem parecer tremular a um vento imaginário, nada que uma pilha AAA comum não garantiria.

As teorias conspiratórias costumam ser derrotadas pela excessiva criatividade, que muitas vezes beira o delírio. Numa das primeiras missões do programa de voos espaciais tripulados americano, o módulo incendiou antes de ser lançado, matando os três astronautas no seu interior. Surgiu a teoria de que os três tinham feito um pacto para denunciar a farsa do primeiro homem a pisar na Lua, que estava sendo armada pela Nasa, e por isso precisavam ser eliminados. A Nasa teria assassinado os astronautas!

*

Episódios das recentes eleições presidenciais brasileiras geraram teorias para todos os gostos. Alguém podia acreditar que o acidente aéreo que matara o ministro do Supremo, Teori Zavascki, em Paraty fora mesmo um acidente? Ali tinha coisa, o mais provável era um retoque na mecânica do voo programada para derrubar o avião numa manobra mais violenta, no mau tempo que é comum nas aterrissagens na região. A quem interessava calar o ministro?

E a punhalada que supostamente quase matou o Bolsonaro, mas ajudou a elegê-lo? Estranho que o ataque tenha produzido tão pouco sangue, né? Estranho que o autor da punhalada tenha sido diagnosticado como maluco, incapaz de dar qualquer informação sobre seu gesto, como, por exemplo, quem o encomendou. Ali, decididamente, teve coisa. Segundo as teorias, teve coisa.

*

Não tenho gosto ou imaginação suficiente para seguir conspirações, mas confesso que tem uma dúvida sobre a chegada do homem (ou da humanidade, disse Armstrong) à Lua que me persegue há 50 anos: a localização da câmera, daquela maldita câmera separada do módulo, que capta a cena do histórico primeiro passo de uma distância perfeita.

Quer dizer: o primeiro a pisar na Lua não foi o Armstrong, foi quem desceu a escada com o tripé e uma câmera, que montou num ângulo irretocável.

Os papéis do ministro do Tio Sam

Os papéis do superministro
Os vazamentos da Lava-Jato indicaram que Moro atuou como juiz e assistente da força-tarefa. Agora ele acumula os papéis de vítima, investigador e acusador

Amanhã completam-se 50 dias desde que o site Intercept Brasil divulgou os primeiros diálogos da LavaJato. De lá para cá, a Polícia Federal identificou e prendeu os responsáveis por interceptar conversas de agentes públicos. As instituições parecem estar funcionando na apuração dos vazamentos. Falta se interessarem pelo teor das mensagens.

A facilidade com que hackers de Araraquara violaram segredos da República é tão espantosa que arrisca ofuscar o resto da história. Num resumo rápido, os chats revelaram que Sergio Moro acumulou os papéis de juiz e assistente de acusação nos processos de Curitiba.

O atual ministro passou dicas, indicou testemunhas e antecipou ao menos uma decisão ao procurador Deltan Dallagnol. Além disso, orientou o Ministério Público a recusar a delação de um político (do ex-deputado Eduardo Cunha) e desistir de uma investigação sobre outro (o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).

Os diálogos indicam que Moro abandonou a neutralidade exigida de um magistrado. O Código de Processo Penal afirma que o juiz deve se declarar suspeito “se tiver aconselhado qualquer das partes”. Vale para a acusação e para a defesa.

Dois dias depois da primeira reportagem, o Conselho Nacional de Justiça arquivou um pedido para investigar a conduta de Moro. O corregedor Humberto Martins afirmou que o ministro deixou a carreira de juiz para embarcar no governo de Jair Bolsonaro. É verdade, mas as sentenças que ele assinou continuam a produzir efeitos.

A primeira reação do Conselho Nacional do Ministério Público também foi a de jogar uma pedra sobre o assunto. O corregedor Orlando Rochadel arquivou um pedido para apurar se Dallagnol violou os princípios da “equidistância das partes” e da “vedação de atuação político-partidária”. Alegou “inexistência de ilícito funcional”.

No episódio das palestras, Rochadel aceitou reclamação disciplinar contra Dallagnol e seu colega Roberson Pozzobon. Neste caso, os dois deverão explicar o plano de ganhar dinheiro com a fama obtida graças à Lava-Jato. “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”, escreveu o chefe da força-tarefa.

Fora das arenas corporativistas do CNJ e do CNMP, restaria a possibilidade de uma investigação da Procuradoria-Geral da República. Deste mato, não deve se esperar coelho. A procuradora Raquel Dodge está em campanha pela recondução e tem feito o possível para não melindrar o governo. Ela já repetiu o discurso de Moro ao ignorar o conteúdo das mensagens e condenar seu vazamento como um “grave atentado às autoridades constituídas”.

Desde o início da crise, o ministro viu seu boneco de super-herói murchar em praça pública, mas não desistiu de acumular funções. Neste momento, ele se reveza nos papéis de vítima, investigador e acusador. Na quinta-feira, também voltou a falar como juiz ao anunciar a destruição de provas. Ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp definiu a ideia como um “autoritarismo em nome da proteção de autoridades”. “Estamos vivendo num país surreal”, resumiu.

E se o grande hacker for Moro?



A quem interessaria diluir suas próprias transgressões, fazendo aparecer vazamentos de “mil políticos”? E quem tem acesso aos órgãos norte-americanos de vigilância capazes violar as comunicações de qualquer pessoa no planeta?


Rememore os fatos, como num filme. O ministro da Justiça está nas cordas, acuado pelo vazamento de diálogos que revelam como, quando juiz, abandonou a imparcialidade, feriu a lei e imiscuiu-se em assuntos políticos para favorecer um candidato que, no ato seguinte, o levaria ao governo. Em certa altura, sua linha de defesa, que jamais nega a possibilidade de os diálogos serem reais, torna-se ineficaz. Ele viaja aos Estados Unidos, pela segunda vez em apenas três semanas, tomando agora o cuidado de licenciar-se do posto – o que desobriga tanto a si próprio quanto (em especial) as autoridades norte-americanas de reportarem com quem se encontrou, e em que circunstâncias.

Quatro dias após seu retorno, eclode o rocambolesco episódio das prisões. Na terça-feira (23/3), com autorização de um juiz de primeira instância, quatro pessoas são encarceradas sob acusação de terem invadido as contas do ministro nas redes sociais. São, fica logo evidente, newbies, amadores dados a pequenos golpes – a quem faltam tanto saber tecnológico quanto equipamentos para invasões de porte. Rapidamente, porém, os fatos se precipitam e ganham nova dimensão. Na quarta, alguém da Polícia Federal nunca identificado (o anonimato de agentes do Estado será constante nesta história) diz aos jornais que os supostos hackers são os mesmos que alimentaram The Intercept, a publicação que incomoda Moro.

Na quinta, festival de fantasia e pirotecnias. Os amadores de Araraquara e Ribeirão Preto, cuja façanha suprema consistia até então em pequenos estelionatos e falsificação de carteiras de estudante, teriam, a partir de suas garagens, quebrado o sigilo de “mais de mil pessoas”. A lista incluiria o presidente da República, os da Câmara e Senado, o de ministros do STF e o da Procuradora Geral da República. No meio da tarde, Moro anunciou a destruição do material – para negá-la depois, por meio da PF, quando ficou clara a ilegalidade extrema do ato. Ao mesmo tempo, passou a telefonar aos “hackeados”. Quando Marco Aurélio de Mello, ministro do Supremo, lembrou que não poderia possuir a lista de vítimas de um processo judicial que corre em sigilo, tentou corrigir-se de maneira atrapalhada. Afirmou que lista não tinha; mas que, sim, avisava as vítimas – o que transfere para o terreno dos paradoxos lógicos a questão de como as identificava…

Na mesma quinta-feira, porém, um fato paralelo começou a levantar o véu de mistério que encobre o caso. O jornalista Glenn Greenwald, diretor do Intercept, exibiu a Veja diálogos que indicam a existência de mais de um hackeamento. Nestes diálogos, Glenn conversa com sua fonte sobre sinais de que autoridades brasileiras estavam recebendo, em seus telefones, chamadas inusuais, que – diziam os jornais já àquela época – podiam indicar interceptação e grampeamento. A fonte zomba: “posso garantir que não fomos nós (…) se fizéssemos isso ia ficar muito na cara (…) a notícia não condiz com nosso modo de operar. Nós acessamos telegrama (sic) com a finalidade de extair conversas e fazer justiça, trazendo a verdade pra o povo”. O hacker de Intercept também afirma que extraiu todo o material de uma única conta: o do procurador Dalton Dallagnol.

Surgem, então, duas hipóteses bastante seguras. Há, de fato, alguém abastecendo o Intercept a partir do hackeamento das contas de Dallagnol (todos os diálogos divulgados pelo site de Glenn Greenwald até o momento corroboram esta ideia). E há um segundo fato: o vazamento – confirmado pela PF e por Moro – das conversas de “cerca mil” (ou pelo menos “centenas”) políticos e membros do Judiciário.

O que vem a seguir está inteiramente no terreno das especulações. Quem, então, teria produzido este vazamento em massa? Os falsificadores de carteiras estudantis do interior de São Paulo? Ou alguém imensamente mais poderoso e acostumado a tais operações? Supondo mais claramente: as agências de informação norte-americanas, com as quais Moro possui relações privilegiadas; e com as quais ele teve, em teoria, enorme tempo para tramar, durante suas duas visitas recentes aos EUA – uma das quais inteiramente envolta em sigilo.

Cui prodest? – “A quem interessa?” é a pergunta primeira de qualquer investigação. Neste episódio concreto, especule: quem mais se beneficiaria em suscitar o fantasma da existência de “mil hackeamentos”; em possuir o conteúdo das conversas de “centenas” de personalidades de Brasília; em poder manejá-los, com força de autoridade; e em criar uma situação de caos na qual a única saída viável seja anular os efeitos de todos os vazamentos?

Cui prodest, ministro Sérgio Moro?

sábado, 27 de julho de 2019

O historiador de vagabundos


Luiz Antônio Simas

Um imbecil, já bloqueado, me chamou de "historiador de vagabundos". Acontece com frequência. Mas eu sou mesmo um historiador de vagabundos, ué. Isso é evidente e é elogio, para descontentamento dos "homens de bem". 

Vou repetir: eu sou um historiador dos "vagabundos" subalternizados pelo processo histórico que, ainda assim, são sujeitos de suas histórias. Tem história, pô. São invisibilizados, mas tem história. Insisto nisso.

Não quero e não posso sair do Brasil. Não tenho grana, tenho mãe, pai e irmãos aqui, todos os meus estudos são direcionados para a cultura carioca e brasileira. Vou sair daqui pra estudar as encruzilhadas da minha cidade?

No meio do horror, tenho algumas expectativas: uma delas é contar as histórias da cidade na cidade. Na rua, na encrenca, no perrengue, mas ancorado em pesquisa e reflexão de ponta. Como o povo comum do Rio de Janeiro merece.

O resto é dizer para esses imbecis que tenho 16 livros publicados, dois prêmios Jabutis, um deles de livro do ano, escrevendo sobre vagabundos.

Por fim: eu não escrevo e não me interesso pela história dos poderosos. É isso.

Bolsonaro é ovacionado em estádio de futebol

Pé na porta


O conjunto de atos estapafúrdios de Bolsonaro não é mera cortina de fumaça


Por Celso Amorim

Diário do Centro do Mundo

Há um eixo comum em atitudes tão estapafúrdias como a nomeação de um filho inexperiente e de posições sabidamente extremadas para ser embaixador nos Estados Unidos, a exaltação da posse de armas pela população “para impedir um golpe”, a intenção de extinguir órgãos de apoio à cultura (ou, alternativamente, a censura dos projetos), a decretação do fim das demarcações indígenas e áreas quilombolas e os ataques constantes a homossexuais e outras minorias. Tudo isso acompanhado por posicionamentos em organismos internacionais que se afastam da linha tradicional (e constitucional) de respeito aos direitos humanos e a autodeterminação, entre outros.

Há quem ache que esse comportamento exótico e chocante, que já nos levou à beira de uma guerra, é mera cortina de fumaça para distrair a atenção da aprovação de medidas impopulares, como a reforma da Previdência, ou antinacionais, como a venda da Embraer à Boeing e a dilapidação do patrimônio público na área energética.

Não concordo.

Mesmo reconhecendo que os gestos que beiram o surrealismo – um surrealismo sombrio e, por vezes, assustador – podem desviar a atenção de medidas estruturais de efeito deletério para a economia e o bem-estar da população, não subestimo o valor (no caso, obviamente, valor negativo) de declarações e atos cujo objetivo principal é atacar as bases de uma sociedade laica, tolerante, minimamente solidária e, na teoria ao menos, respeitadora da razão e da ciência.

Os ataques aos valores que, até aqui, com todas as limitações, orientaram a nossa vida política desde a redemocratização não são gratuitos. Nem são mera distração. Eles têm impacto direto na realidade, condicionando atitudes e liberando ódios que, de outra forma, permaneceriam dormentes ou reprimidos. Ao colocarem a ignorância acima do conhecimento, o egoísmo no lugar da solidariedade e – por que não? – a morte acima da vida, esses ataques penetram no imaginário coletivo e são fundamentais para alcançar o objetivo proclamado de “destruir tudo o que está aí”.

Duas leituras recentes reforçaram minha convicção e aumentaram minha inquietação. Uma delas tem a ver com as declarações racistas do presidente Donald Trump, dirigidas contra quatro parlamentares mulheres. Em artigo divulgado pelo site da Brookings, conceituado think tank norte-americano, o pesquisador Andre M. Perry (ele próprio afrodescendente) analisa como declarações e conceitos emitidos por autoridades tiveram, ao longo da história, impacto sobre a situação dos negros, reforçando posturas racistas.

Quando um presidente participa de uma “marcha com Jesus” simulando com a mão estar portando uma arma é o próprio sentido do cristianismo que é distorcido. Violência e religião misturam-se de forma perigosa no imaginário coletivo. Cria-se o quadro para impulsionar mudanças legislativas, que promovem o descrédito do Estado como provedor de segurança e a ideia de que a defesa e a justiça devem ser obtidas por meios próprios.

Talvez para escapar um pouco da nossa triste realidade, estive imerso, por alguns dias, na leitura de um livro de autoria de Sarah Bakewell, intitulado No Café dos Existencialistas. O capítulo sobre Martin Heidegger – que viria a filiar-se, por algum tempo, ao partido de Hitler – me trouxe de volta, abruptamente, à situação que estamos vivendo. Atenho-me a duas ou três passagens, referentes ao início dos anos 30. Comentando a sensação de “estranheza” do próprio Heidegger, diz a autora: “Os mais cultos foram por vezes os menos inclinados a tomar os nazistas a sério, considerando que eram muito absurdos para durar”. Para Bakewell, muitos agiam como se acreditassem que a barbárie não pudesse ficar um longo tempo no poder.

Outro comentário chamou minha atenção. Em 1935, quando as nuvens sombrias se acumulavam de modo indisfarçável sobre a Alemanha, o filósofo Edmond Husserl alertou para a crise que ameaçava a tradição europeia de apreço pela razão e pela ciência. Em uma palestra em Viena, o pensador sugeriu que os universitários devem se unir para resistir à “derrapada em direção a um misticismo perigoso e irracional”. Sempre segundo a autora, Husserl conclamou a um “heroísmo da razão”, como única esperança da Europa.

Em um “país demente”, para usar a expressão de Mino Carta, essa conclamação soa terrivelmente atual. Para evitar uma derrapada de consequências catastróficas em direção à loucura, será necessário unir forças – na universidade e para além dela – de modo a preservar o discurso racional, sem o qual a política inevitavelmente desemboca na tirania, desde sempre considerada a forma mais insana de governo.