quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O valentão do bairro


Ricardo Costa de Oliveira

O valentão do bairro, antes temido porque bulia todo mundo, foi desafiado por um emergente. O valentão deu um soco no desafiante e inacreditavelmente recebeu uma bofetada deste na frente de todo mundo apreensivo. Quando esperavam que o valentão reduziria o seu rival a pó este simplesmente deu um deixa pra lá e quer fugir da situação. Quando isto acontece no reino animal, em bandos ou gangues e o antes todo poderoso macho alfa é desafiado por um subalterno, não responde imediatamente raivosamente e sai de banda é porque seu domínio absoluto já era, está ameaçado e em cheque. 

O Irã teve seu general morto, mas não se intimidou e passou um recado de força e determinação para toda região, o que deve fortalecer sua liderança nos grupos xiitas e opositores de todo Oriente Médio. O membro mais baixinho e invocado do bairro, Israel, completamente dependente dos favores e da força do grandão deve ficar apreensivo porque um Irã aprimorando sua força balística, militar e nuclear mudará a geopolítica regional. Também diziam que a arma atômica seria inaceitável na Coreia do Norte, no Paquistão, na índia e na própria URSS, o que não foi impeditivo para que a obtivessem sob pressão. Um equilíbrio de forças e de terror é mais significativo para acordos de paz do que um valentão bulindo e espancando os outros na região. 

Parece que cenários como o do Iraque e da Líbia não se repetirão com um Estados Unidos enfraquecido e não interessado em guerras distantes, o que pode custar a reeleição de Trump tal como custou para Carter em 1980. Os conflitos certamente continuarão, mas algo de novo se modificou nos primeiros dias de 2020 no Oriente Médio.

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