sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O triste fim de um bolsomínion


Governo fascista dos milicianos tinha tudo para dar certo, diz a QuantoÉ


Não há e nunca houve hacker



Desde o dia em que a Manuela d'Ávila soltou uma nota dizendo que houve uma tentativa de invasão no celular dela, eu fiquei intrigado porque ela teria soltado aquela nota. 

Pesquisei um pouco sobre as datas e sobre o assunto e cheguei a uma conclusão:

Pra começar, eu estou partindo do pressuposto de que NÃO houve hacker, NÃO houve invasão e o principal: todas as matérias (pelo menos até agora) vem no Telegram (e não necessariamente do celular) de Deltan Dallagnol.

Não há uma conversa sequer em que Deltan não esteja envolvido.

1) Não veio do celular de Deltan, mas sim do Telegram Desktop.

E quando se baixa um arquivo de dados do Telegram, o dispositivo é avisado na hora. Não tem como conseguir um backup do arquivo sem ter todos os seus dispositivos avisados instantaneamente.

Isso pra dizer que Deltan ficou sabendo na hora que teve seu backup baixado. 

Seja porque deixou sessão aberta em algum computador ou algo do tipo, não sei, mas o procurador teve os dados de seu Telegram vazado e ficou sabendo antes mesmo do The Intercept receber.

2) Ao tentar descobrir ou negociar quem baixou os dados, Inês já estava morta. 

Uma força tarefa de gestão de crise deve ter sido montada. Procuradores, Fux, Sérgio Moro. Enfim, todos os envolvidos preocupados com sua reputação.

Não precisa ser nenhum Sherlock Holmes para imaginar que Deltan já está tentando gerenciar essa crise antes mesmo da primeira matéria do The Intercept sair.

O que quero dizer é que Deltan NÃO foi pego de surpresa com a matéria. Ele já sabia. 

Ninguém comete uma barbeiragem dessa

3) A narrativa "HACKER" está sendo construída desde o segundo 00:01. Sérgio Moro, Deltan e todos estão com essa narrativa.

Sérgio Moro, inclusive, soltou tuite que "celular foi hackeado e que ligaram do meu número".

Só que NENHUMA matéria mostra conversa do Telegram de Moro.

Por que raios Moro tá insistindo em "HACKER" se as conversas não são do celular dele? 

Aí que entra a Manuela.

4) Sabendo que os dados foram vazados, sabendo que Glenn já estava com o arquivo, sabendo que inês já estava morta, algum contato em comum (jornalista, político, assessor, não foi divulgado) entrou em contato com a Manuela.

- Oi Manuela, não sou XXXXXX, sou um hacker. 
- Quem?
- Sou o hacker de Araraquara. Passa o telefone do Glenn?
- Ok

Manuela, sabendo que não poderia manchar o seu capital político (e ela fala isso explicitamente na nota) sai de jogo e diz que não tem muito a dizer.

Quando inventam o papo do hacker de Araraquara, o "Vermelho", que não assina o hackeamento, que não pede dinheiro, que é do DEM (hacker do DEM, que conceito...), já tinham um álibi: a troca de mensagens com Manuela.

Manuela, não querendo colocar o capital político dela na linha de fogo, sabendo que ela tem mais a perder do que a ganhar com essa história, fez uma nota e disse: "estou a disposição".

O diálogo com Manuela, pra mim, É REAL, no final das contas.

No resumo da história, já sabiam que estavam comprometidos, entraram em contato com Manuela para ter um print de conversas e fortalecer a narrativa hacker.

Continuo afirmando: não é e nunca foi hacker.

Dicionário bolsonarês-português


Diplomata


Contrariado com a doutrinação semântica, o presidente Jair Messias Bolsonaro mandou recolher todos os dicionários existentes no país. “Esse Aurélio Buarque de Holanda, que tem sobrenome comunista, fez mais estragos que aquele Paulo Freire. Sem falar naquele Houaiss que, além de dicionário, publicou o ‘Manifesto Comunista’”, declarou.

Em seguida, enquanto erguia a primeira edição do dicionário bolsonarês-português, concluiu: 

“Durante décadas, ensinamos os significados distorcidos das palavras para nossas crianças indefesas. Mas agora vamos acabar com isso”, explicou.

O exíguo volume traz as definições corretas para todas as 38 palavras usadas por Bolsonaro.

Eis algumas delas:

Cri.an.ça — Adulto pequeno com plena capacidade de trabalho.

Ne.po.tis.mo — É o tocante à questão de empregar parentes em cargos públicos desde que não sejam embaixadas.

Di.ta.du.ra — Ah, isso aí é a mesma coisa que escrever “governo de esquerda”.
É simômino que chama, né?

Jor.na.lis.mo — Reunião de comunistas mimizentos que distorcem tudo que o presidente diz pra continuar mamando nas tetas do governo.

WhatsApp — Atividade profissional que visa coletar, investigar, analisar e transmitir periodicamente ao grande público, ou a segmentos dele, informações da atualidade, utilizando veículos de comunicação para difundi-las.

Des.ma.ta.men.to — Transformação de matéria-prima em emprego e renda para quem trabalha nesse país enquanto os comunistas enchem a porra do saco.

Ci.ên.cia — Reunião de comunistas mimizentos que inventam dados para impedir o crescimento econômico e a geração de empregos.

Dou.to.ra.do — Fritar hambúrguer no frio do Maine.

No.va.ior.qui.nis — Quem tá em Nova York.

Ci.ne.ma — Reunião homoafetiva de comunistas mimizentos com o objetivo de mamar nas tetas do governo.

Pa.ra.í.ba — Cidadão de cabeça chata possivelmente petista.

Tor.tu.ra — Quando um terrorista de esquerda espanca os companheiros.

Bostonaro segue o manual dos fascistas modernos


Alerta contra o autoritarismo 

Bernardo Mello Franco
Bolsonaro tem seguido o manual dos autocratas modernos. Governa por decretos, hostiliza o Congresso e tenta jogar seus seguidores contra tribunais, órgãos de controle e imprensa
Inadmissível, perigoso, inaceitável. Os adjetivos foram usados ontem por Celso de Mello, o ministro mais antigo do Supremo. Ele se referia ao comportamento de Jair Bolsonaro no poder.

A Corte discutia a canetada presidencial que voltou a retirar da Funai a demarcação de terras indígenas. Bolsonaro atropelou o Congresso e reeditou uma medida provisória que já havia sido derrubada. Uma manobra de “agressiva inconstitucionalidade”, definiu a ministra Cármen Lúcia.

Os ministros condenaram o truque por unanimidade. Último a falar, Celso afirmou que o presidente cometeu uma “inaceitável transgressão à autoridade suprema da Constituição”. “Uma inadmissível e perigosa transgressão ao princípio fundamental da separação dos Poderes”, enfatizou.

O decano criticou a ditadura militar, sempre louvada pelo presidente. Ele lembrou que um governo que não se submete às leis é incompatível com a democracia. “Parece ainda haver, na intimidade do poder, um resíduo de indisfarçável autoritarismo”, afirmou.

O ministro reforçou um alerta repetido por muitas vozes desde a campanha. O regime democrático e as liberdades civis podem sofrer uma “imperceptível erosão, destruindo-se lenta e progressivamente”. É o que acontece quando governos de vocação autocrática não se submetem à Constituição e às leis.

Bolsonaro tem seguido o manual dos populistas modernos. Governa por decretos, hostiliza o Congresso e tenta jogar seus seguidores contra os tribunais, os órgãos de controle e a imprensa.

Ao condenar ameaças de “controle hegemônico do aparelho de Estado por um dos Poderes”, Celso indicou que o Supremo está disposto a barrar uma escalada autoritária. Resta ver se ele fala por todos os colegas.
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Com a nomeação de viúvas da ditadura, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos deixa de merecer este nome. Deveria ser rebatizada como Comissão do Acobertamento.

Vai sobrar para os hackers de Araraquara


O DESTINO DOS HACKERS


Os quatro hackers de Araraquara deveriam se informar, por seus advogados, se pode acontecer com eles, já a partir de agora, o que aconteceu com os presos da Lava-Jato. 

É provável que aconteça. 

As prisões temporárias dos quatro foram transformadas em preventivas pela Justiça. Ficarão presos por uma eternidade, até se submeterem, como quadrilha (já foram ou serão enquadrados) a acordos de delação.

Foi assim que a Lava-Jato prosperou. Sustentada pelas pelas delações, e não por investigações, com deduragens só conseguidas com prisões preventivas que encarceraram suspeitos por mais de ano.

Todo mundo sabe: quem delatou acabou sendo libertado, muitos sem penas a cumprir, e quem não apontou ninguém para Deltan Dallagnol e Sergio Moro está preso até hoje.

Os hackers não sairão tão cedo da cadeia, enquanto não corresponderem às expectativas do ministro que atua como polícia, como promotor, como juiz e como déspota.

O site Antagonista, de Diogo Mainardi, o homem-mosca, já avisou que Sergio Moro quer transformar o jornalista Glenn Greenwald em receptador de informações.

Esta é a informação que deverá ser 'buscada' nas delações. Os quatro hackers saberão logo: ou incriminam o Intercept, como os delatores da Lava-Jato fizeram com Lula, ou apodrecem na cadeia. 

Como o Supremo, que foi desmoralizado pela Lava-Jato, nada fez para impedir que a tática de Moro e Dallagnol prosperasse, o esquema se disseminou. Vai sobrar para os hackers de Araraquara.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Realismo não significa abrir mão dos ideais

Seja realista,  peça o impossível. 


Uma reação comum a meu texto indicando que a esquerda deve ter como bandeira não o impeachment do Biroliro, mas a anulação das eleições de 2018, é dizer que essa proposta não tem chance de vitória.

É o possibilismo estreito que anda ocupando cada vez mais o espaço do realismo político da esquerda brasileira. Como se a conjuntura fosse estática e não pudesse ser mudada.

Portanto, só nos resta acomodação, recuo, apequenamento e desespero.

Se a gente não se mexer, a conjuntura não vai mudar mesmo.

Além disso, parece que esquecemos que se trata de uma luta de longo prazo. Parece que só podemos abraçar bandeiras que tenham chance de vitória imediata.

Esquecemos que a trajetória do próprio PT foi construída com muitas derrotas - por abraçar propostas que naquele momento eram inviáveis, mas que sinalizavam a radicalidade do projeto ético-político que animava o partido nos seus princípios.

Defender a anulação das eleições sinaliza numa só bandeira a repulsa a Bolsonaro, a denúncia do retrocesso democrático em curso, o repúdio às medidas antipovo e antinação que estão sendo tomadas e também o Lula Livre.

Parece melhor do que ficar só reagindo ao twitter do ex-capitão ou aderir à campanha do impeachment pró-Mourão.

Buenos Aires, Argentina


O QUE ELES PENSAM DO BRASIL 


A gafe do momento, que deverá ser tratada com habilidade pelo futuro embaixador brasileiro em Washington, ampliou o erro mais repetido pelos americanos em relação ao Brasil.

É comum que eles digam que Buenos Aires é capital do Brasil. Agora, o secretário de Comércio deles, Wilbur Ross, disse que esteve em Buenos Aires, capital da Argentina. Já não é mais apenas Buenos Aires, capital do Brasil. É tudo junto.

Pois Ross (ou a equipe dele) cometeu essa gafe, em nota que está no site do departamento de Comércio, dois dias depois de ter visitado o Brasil. O homem pensou todo o tempo que estava em Buenos Aires.

Aproveito e conto uma história. No início dos anos 90, um grupo de jornalistas brasileiros participou de uma série de encontros com autoridades, empresários, professores, brazilianistas e outros curiosos (incluindo, acredite, até sindicalistas) sobre o Brasil. 

Foram três semanas muito interessantes, num programa anual para jornalistas, por convite do governo americano a cada um dos profissionais.

Eu era da equipe de editores de Economia de Zero Hora e estava nesse grupo. Pois numa visita ao Departamento de Comércio, fomos levados à sala do representante dos negócios com o Brasil.

O encarregado nos recebeu sentado diante de um imenso mapa do Chile na parede. Ao final da entrevista ao grupo, perguntei o que o mapa do Chile estava fazendo no escritório que tratava de negócios com o Brasil.

O homem, muito simpático, disse que era apenas um enfeite na parede. Rimos e fomos embora. Estamos rindo de coisas assim até hoje.

Mas quem mais ri hoje é o filho de Bolsonaro, que irá direto de Buenos Aires para Washington.

Bolsonaro cumpre recomendação do Supremo e passa a usar focinheira

Trump concede ao Brasil o status de capacho

FIGURAÇÃO

Leandro Fortes

Donald Trump fez do Brasil um aliado "extra Otan", o que, na prática, concede ao País o status de capacho oficial das forças ocidentais ao lado de potências como Argentina e Filipinas.

Isso significa que, havendo uma ação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte, estaremos credenciados para servir de bucha de canhão e, eventualmente, ceder território para instalação de campos de detenção e tortura de inimigos dos EUA.

Essa designação, por incrível que pareça, foi dada ao Brasil como demonstração de prestígio, um regalo à rastejante família Bolsonaro como parte das comemorações pela indicação do filho 03 para a embaixada, em Washington.

Dessa forma, Bozo conseguiu, além de transformar o País em uma piada internacional, colocar a nação de quatro.

Bolsonaro é exemplo de coerência


Eu não entendo alguém dizer que está decepcionado com o Bolsonaro. Nunca vi um presidente tão coerente com sua campanha. Ele, de todos que conheci, é o menos demagogo.  Se alguém se arrepende de ter votado nele merece desprezo.  Ele era isso aí. Quem pariu Mateus que o embale.


O poder contra a liberdade

Eugênio Bucci
Jornalistas têm, sim, o direito de receber e publicar informações obtidas ilegalmente
Os ataques do presidente da República a reportagens que apontam suspeitas de conduta indevida em trocas de mensagens entre membros do Ministério Público Federal e representantes do Judiciário por ocasião do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostram um sinal – mais um – da mentalidade antidemocrática no poder. No sábado, o chefe de Estado afirmou que o jornalista Glenn Greenwald – o principal repórter na série de revelações que flagram os protagonistas da condenação do presidente Lula, no bojo da Operação Lava Jato, em conversas, no mínimo, impróprias – poderia “pegara uma cana aqui, no Brasil”. A frase é um despautério. É também esdrúxula, estapafúrdia e extravagante, pois o presidente, que não exerce cargo em chefatura de polícia nem enverga toga, não tem incumbência nem atribuição para tomar decisões judiciais.

Está em marcha mais uma saraivada de ataques – infundados – à imprensa, à liberdade de expressão e ao direito à informação, de que todo cidadão é titular. Os fundamentos da democracia correm perigo. Fiquemos atentos.

As reportagens que enfureceram o Planalto – pois o então juiz da Lava Jato, Sergio Moro, é hoje ministro da Justiça, representando o papel de lastro moral do Planalto – começaram a ser publicadas pelo Intercept, site jornalístico de Greenwald. Os diálogos reproduzidos apontaram indícios de direcionamento indevido do Ministério Público pelo Poder Judiciário e falta de imparcialidade do juiz. Em seguida, em parcerias com a redação do Intercept, outros órgãos de imprensa, como a revista Veja e o jornal Folha de S.Paulo, entraram na história e veicularam novas notícias. Todas bombásticas e péssimas para o ministro da Justiça.

A reação inicial dos que tiveram seus diálogos vazados reforçou a impressão geral de que o material é autêntico. As autoridades flagradas não disseram que os registros são falsos, apenas levantaram a hipótese de que alguns trechos poderiam ter sido “editados”. Enquanto isso, repórteres de outras redações confirmavam que reconheciam nas transcrições mensagens que eles, repórteres, efetivamente trocaram com as autoridades implicadas no escândalo. Mais provas se somaram para atestar a veracidade das reportagens.

O governo, acuado, contra-atacou com uma operação policial espetaculosa – na linha de muitas daquelas que marcaram a Operação Lava Jato – para prender os hackers que teriam abastecido as reportagens. A intenção é jogar no descrédito as revelações feitas até aqui pelos repórteres e que, se confirmadas, apontam vícios de partidarismo na sentença que condenou o ex-presidente Lula.

Ao alardear que haveria um hacker no meio do caminho do Intercept, o governo pretende desacreditar o trabalho jornalístico realizado até agora. Cabem aqui duas perguntas. A primeira: se ficar provado que o material em que se baseiam as reportagens foi obtido de modo ilegal, as revelações das reportagens deverão ser descartadas pela opinião pública? A segunda, de escopo mais geral: a origem ilícita de uma informação invalida o conteúdo de uma apuração jornalística?

A resposta é não. Não para a primeira pergunta e não para a segunda. O jornalismo se abastece das fissuras que se abrem no poder. Recolhe as notícias das inconfidências, dos lapsos, dos atos falhos, das traições e de falhas de segurança nos sistemas que guardam sigilos de operações confidenciais. Uma notícia é, sempre, a publicação de um dado que deveria ter ficado escondido em algum lugar (do poder). E é só assim que a imprensa funciona como um serviço público de fiscalização do poder na democracia. Funciona porque alguém no poder erra ou se trai – e porque a democracia garante aos jornalistas o direito publicar o que obtêm de boa-fé e que seja de interesse público. Portanto, uma informação de origem suspeita pode ter valor jornalístico.

Jornalistas, por evidente, não dispõem de autorização para praticar crimes: não podem contratar arapongas para ouvir telefonemas alheios, nem podem violar as fronteiras da privacidade de quem quer que seja. Mas jornalistas têm, sim, licença para receber informações que, lá atrás, podem ter sido obtidas ilegalmente. Não é só. Depois de avaliar que essas são de interesse público e depois de checar a veracidade dos relatos, jornalistas têm, mais que o direito, o dever de publicá-las – para o bem do Estado de Direito. A cultura política no Brasil tem enorme dificuldade de entender essa questão, mas é assim que é.

Em 2009 este jornal deu um furo de reportagem noticiando que as provas do Enem daquele ano tinham vazado. A revelação só foi possível porque a repórter Renata Cafardo viu as questões roubadas. Em 1974 o então presidente americano Richard Nixon teve de renunciar em consequência do escândalo de Watergate, o qual só se tornou conhecido porque dois jovens repórteres do jornal The Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, investigaram a história. A fonte primordial de Woodward, identificada algumas décadas depois, era William Mark Felt, o número dois do FBI na época, que estava falando o que não podia nem devia. Em 1971 documentos do Pentágono (Pentagon papers) dando conta da irresponsabilidade do governo americano de seguir com a Guerra do Vietnã foram entregues à imprensa por Daniel Ellsberg, que tinha trabalhado para o governo e não poderia contar o que contou.

O fato de Felt e Ellsberg terem traído seus chefes não invalidou o que as reportagens mostraram. O fato de haver, talvez, um hacker no meio do caminho das reportagens sobre os diálogos impróprios da Lava Jato não torna o escândalo menos escandaloso. Se houve invasão ilegal dos celulares dos procuradores, isso, claro, deve ser investigado pela polícia, mas as conversas suspeitíssimas agora noticiadas continuam sendo de interesse público. As autoridades ainda devem explicação. Querer calar a imprensa ou intimidar jornalistas – que têm direito constitucional ao sigilo da fonte – são condutas inaceitáveis que traem tentações autoritárias.

Eleição fraudulenta do miliciano limítrofe tem que ser anulada


A esquerda e o impeachment de Bolsonaro

Luis Felipe Miguel

Nos últimos dias, Bolsonaro promoveu uma escalada em sua diarreia verbal. Foram agressões e ameaças a jornalistas e cientistas, defesas abertas da captura privada da coisa pública, manifestações de estupidez quase inimaginável, mentiras deslavadas e demonstrações brutais de desumanidade.

Os dois casos talvez mais chocantes - é difícil fazer uma escolha - mostraram, nos seus desdobramentos, um padrão de comportamento abjeto que é característico de Bolsonaro.

A fala racista contra os nordestinos foi captada sem que ele soubesse, mas ele se recusou a qualquer pedido de desculpas. Depois abordou indiretamente o tema com a lembrança hipócrita dos ancestrais de sua mulher.

A declaração agressiva sobre o pai do atual presidente da OAB novamente não levou a nenhuma retratação, mas ao vídeo em que improvisou uma explicação farsesca sobe o que estaria querendo dizer.

É difícil saber se o ex-capitão persegue alguma estratégia ou simplesmente está se sentido mais solto. Seja como for, é grande o desconforto de seus aliados envergonhados, na elite política e na mídia. E voltou-se a falar de impeachment.

É uma ideia que parece ganhar trânsito entre parlamentares do Centrão, chefes militares e colunistas da imprensa conservadora.

Afinal, o crime de responsabilidade está caracterizado com clareza - ao contrário do que aconteceu no caso da presidente Dilma Rousseff, aliás. "Quebrar o decoro" é a atividade principal de Biroliro.

Há um debate aberto na esquerda sobre o que fazer com essa bandeira. Um impeachment significaria, na prática, entregar a presidência ao general Mourão: não, não há previsão constitucional de convocação de novas eleições, mesmo que o impedimento ocorra no início do mandato, já que as ações imputadas não envolvem o vice.

Mourão aprendeu a se conter quando fala. Deixou no passado suas declarações racistas, não perde tempo com a "guerra cultural" que anima Bolsonaro, parece surpreendentemente sensato e até amistoso.

Seria um presidente muito melhor: sobretudo para implantar a agenda de retração de direitos, paulada na classe trabalhadora e entreguismo, que é a dos apoiadores envergonhados do atual governo.

Isso não quer dizer que a retirada de Bolsonaro da presidência não faça qualquer diferença. Alguém que entende que não pode parecer racista, homofóbico, misógino ou apologeta da tortura em público é melhor que alguém que não entende isso.

Também não creio que tenha sentido pensar que é melhor deixar Bolsonaro "se desgastar" no cargo. Vamos aguentar mais quantos anos disso? Com qual custo?

E ele não está "se desgastando" ou, ao menos, não está só se desgastando: está consolidando uma vasta extrema-direita hidrófoba, capturando parte do Estado em favor de seus milicianos e aviltando ainda mais a convivência política no Brasil.

É difícil, portanto, ser contra a retirada de Bolsonaro da presidência.

Isso significa que o campo democrático e popular deve aderir à bandeira do impeachment? Também creio que não.

Nossa oposição à falta de compostura de Bolsonaro é una com nossa oposição ao desmonte do país e ao sacrifício do povo. Ficar a reboque da semi-oposição conservadora é aceitar uma hierarquia de prioridades que não é a nossa.

Há elementos mais do que suficientes para defender a anulação das eleições de 2018 - cuja legitimidade foi ferida de morte não só pelo golpe de 2016, mas também pela conspiração levada a cabo por Sérgio Moro e por integrantes do MPF para impedir que a vontade popular se manifestasse nas urnas. Lembrando, aliás, que as ações mais recentes do ex-juiz só podem ser interpretadas como uma confissão de culpa.

Defender a anulação das eleições de 2018 é a única maneira de defender a retomada da democracia e a retirada das tutelas vigentes sobre o exercício da soberania popular. Não se opõe ao impeachment de Bolsonaro, mas vai muito mais além.

Alguém pode dizer que não há clima político para uma campanha pela anulação das eleições. Mas se nós não colocarmos a bandeira na rua, nunca haverá.

A movimentação pelo impeachment de Bolsonaro, por parte dos conservadores constrangidos com a brutalidade de seu presidente, pode ser a oportunidade para lançar a defesa da anulação das eleições.

O Bolsonaro ou a vida


Veríssimo

Num dos textos que escreveu na prisão, Antonio Gramsci refletiu sobre Maquiavel como teorista político, principalmente na sua obra “O príncipe”, sempre tida como um livro de conselhos sobre como governar Florença com sabedoria e alguma sacanagem, dirigidos aos Médici. Os conselhos de Maquiavel eram certamente influentes, mas o que ficou na História sobre sua atuação como consigliere foi a sacanagem. Até hoje “maquiavélico” quer dizer mau e furtivo no pior sentido. Para Gramsci, longe de ser apenas um oportunista bajulador do poder, Maquiavel foi um realista político que defendia coisas como a unificação da Itália por qualquer meio. Foi quem inventou os condottieri, equivalentes às nossas milícias e com a mesma função, proteger as fortunas da burguesia e a burguesia do crime nas ruas, sem se importar com muita legalidade. Maquiavel não tinha nada contra o sistema político das cidades-estado italianas, mas admirava as monarquias absolutas da França e da Espanha e os países que elas mantinham fortes e coesos. Os reis da França e da Espanha também faziam e diziam bobagens mas lá, ao contrário daqui, a imprensa não dava, e WhatsApp nem existia. As bobagens eram captadas assim que saíam das bocas reais e levadas para o fundo do palácio, onde eram sacrificadas.

Está aí, comecei a escrever sobre Gramsci e Maquiavel e acabei no Bolsonaro. É inescapável. Há uma expectativa no ar que dá às pessoas o que só pode ser descrito como cara de “meu Deus do céu”. O que o homem vai aprontar agora? O que ele vai dizer e desdizer depois? Não sei se foi boa ideia ele tomar café da manhã com jornalistas. Muitas vezes, o clima de cordialidade e informalidade não dura até servirem a laranjada. Tem havido desentendimentos lamentáveis. Na outra manhã um jornalista pediu: “Presidente, me dá um pão na chapa?”, e o Bolsonaro entendeu mal e chutou a sua canela.

Chega. Você eu não sei, mas eu quero ter a liberdade de mudar de assunto. Ficar chamando atenção para as barbaridades que ele diz e faz só o encoraja. Quero poder escolher entre o Bolsonaro e a vida, e sua bendita variedade.

Bolsonaro é um veterano da indústria do ódio

A estratégia do insulto

Bernardo Mello Franco

Donald Trump escolheu um novo alvo para despejar sua ira: o deputado Elijah Cummings, do Partido Democrata. Em tuítes raivosos, o presidente chamou o oposicionista de corrupto e inoperante. Ele também descreveu seu distrito eleitoral, de maioria negra, como um lugar “repugnante” e “infestado de ratos”.

Na terça-feira, Trump foi questionado sobre a estratégia por trás dos insultos. Ele negou que a baixaria seja calculada. “Não tenho estratégia. Zero estratégia”, disse, antes de embarcar no helicóptero presidencial.

Na mesma terça, Jair Bolsonaro deu entrevista à repórter Jussara Soares. Ela perguntou se suas declarações agressivas são calculadas. Ele jurou que não. “Sou assim mesmo. Não tem estratégia”, respondeu.

Trump e Bolsonaro têm pavio curto e sofrem de incontinência verbal. No entanto, seria ingenuidade pensar que fazem tudo de improviso. Os dois farejaram o potencial da ofensa como arma política. Na era das redes sociais, perceberam que o insulto rende cliques e votos.

Nos EUA, a estratégia de Trump já deixou de ser segredo. O republicano aposta na divisão do país e no clima de confronto permanente. Com isso, mantém sua base mobilizada e estimula os conservadores a irem às urnas. 

Antes de mirar em Cummings, o presidente torpedeou quatro deputadas que também representam minorias. Seu objetivo é claro: inflamar os eleitores brancos da América profunda, que têm pesadelos com as mudanças trazidas pela imigração.

Bolsonaro é um veterano da indústria do ódio. Sempre apostou no radicalismo para se eleger deputado. No passado, o discurso sectário o mantinha isolado no baixo clero do Congresso. No Brasil de 2018, ajudou a botá-lo na Presidência.

Pela lógica da política tradicional, o capitão já deveria ter recolhido as armas. Ele tem optado pela estratégia oposta, na tentativa de agradar os seguidores mais fanáticos. O bolsonarista-raiz é fiel: está disposto a fechar os olhos para todas as trapalhadas do governo, desde que seu líder continue a esbravejar contra o comunismo.

Se essa turma somar 30% do eleitorado em 2022, o presidente já garante uma vaga no segundo turno.

Trump e Bolsonaro dizem não ter uma estratégia por trás do discurso agressivo. Mas o objetivo deles é claro: acirrar a divisão e manter a tropa mobilizada.

Militares sãos buscam se afastar do capitão demente enquanto o barco afunda

Um homem comum

Maria Cristina Fernandes

Depois do surto das duas últimas semanas, Jair Bolsonaro resolveu confundir todas as teorias que já pontificavam sobre seu comportamento. O presidente que faz troça de um órfão produzido pela ditadura se diz capaz de se sentar com Adélio Bispo, antes que vire queima de arquivo, para saber o que o levou a esfaqueá-lo.

Na ausência de um laudo psiquiátrico, um amigo, que ainda o chama de Jair, o define como um homem comum, capaz de falar o que pensa, se desdizer e virar uma onça quando cutucado.

Foi assim que se mostrou a Jussara Soares, de "O Globo". A repórter pediu para falar com o presidente e ele a chamou na subida da rampa que separa o salão nobre de seu gabinete. A entrevista foi de improviso na forma e no conteúdo. Indagado sobre os disparates em série, respondeu: "Sou assim mesmo, não tem estratégia nenhuma."

Além de falar o que pensa, Bolsonaro também banaliza o mal

Por trás de todo homem comum que chega à Presidência tem um formulador. Aquele que tem assento no Planalto é Fábio Wajngarten. Depois de influenciar na campanha, foi mantido à distância, mas acabou incorporado ao governo com a queda de Gustavo Bebianno, de quem era desafeto.

No governo, Wajngarten ainda enfrentaria as resistências de Carlos Alberto dos Santos Cruz, não exatamente pela estratégia de comunicação, mas pela forma e, principalmente, pelo custeio de sua operação.

A queda do ministro da Secretaria de Governo escancarou as portas para o discípulo de Steve Bannon, que se tornou estrela da extrema direita mundial advogando a segmentação de públicos pela manipulação da informação. Na campanha a mistura de falso e verdadeiro provocava medo e ojeriza aos concorrentes. Agora ele se dá ao luxo de dispensar a oposição. Diz e se contradiz ou é desmentido por ministros.

Com isso, sempre haverá um Bolsonaro com quem se possa concordar. A soma deles evitará uma hegemonia que lhe seja desfavorável e o deixará na condição de eterno pauteiro. Na medição da Bites, as semanas pautadas pelo surto bolsonarista foram marcadas pelo acréscimo de 1 milhão de seguidores em suas redes sociais.

A O Globo, o presidente disse que pretende multiplicar "Serras Peladas" no país. Garimpeiro na adolescência no Vale do Ribeira e nos bicos que fazia como oficial das Forças Armadas, o presidente abriga com esse discurso desempregados que custam a encontrar algum alento na política econômica de seu governo e permanecem ou se dirigem - para garimpos clandestinos. Mas não apenas. As "pequenas Serras Peladas", para Bolsonaro, também abrigarão empresas estrangeiras e índios.

Uma parte do eleitorado pode acreditar que, num passe de mágica, os três históricos adversários se irmanarão. Uma outra parte pode ficar cabreira, mas ao abrir as redes sociais de Eduardo Bolsonaro se deparará com o deputado, de camisa florida, segurando um cheque gigante de R$ 31 bilhões ao lado do dono de uma multinacional da Indonésia que enfrenta o grupo J&F, dos irmãos Batista, nos tribunais brasileiros.

O tino comercial do potencial embaixador do Brasil nos Estados Unidos, diretamente incumbido pelo chefe paterno a buscar investimentos estrangeiros para a mineração, animará os incautos. Poucos se lembrarão de que um lobista da mesma empresa posou, dois meses atrás, com o vice-presidente Hamilton Mourão com um cheque de R$ 4 bilhões a menos.

O homem comum que chegou à Presidência tem o condão de fazer com que o país pareça depender quase que unicamente dele ao mesmo tempo em que um número expressivo de seus fiéis eleitores acredita que Bolsonaro só não faz mais porque não lhe deixam. O "sistema" que lhe atravanca o governo é o mesmo que atrapalha a vida do seu eleitor.

O presidente só pôde abraçar de vez a comunicação bipolar porque o Congresso encaminhou a Previdência. Como há quem se responsabilize pelas reformas sem as quais não lhe deixariam seguir adiante, ele pode continuar a animar o auditório cuidando de se dissociar daquilo que lhe parece impopular. Setores da oposição como aqueles que puxaram vaias durante o depoimento gravado em vídeo pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em apoio ao jornalista Glenn Greenwald também são de grande valia para o conforto com o qual Bolsonaro desempenha suas funções.

O contraponto que lhes era oferecido pelos militares do seu governo foi neutralizado pelo esculacho no general Luiz Eduardo Rocha Paiva, que defendera os governadores nordestinos da golden shower presidencial. O general melancia, termo com o qual, nos anos que precederam o golpe de 1964, se acusavam oficiais nacionalistas de camuflarem simpatias comunistas, é uma das principais referências intelectuais do general Villas Boas, ícone das Forças Armadas.

O comandante do Exército, Edson Leal Pujol, já deu demonstrações de que quer dissociar a farda da bipolaridade governamental. Além de proibir manifestações de sua tropa em redes sociais, nomeou para o Comando Militar do Sudeste o discreto general Marcos Amaro dos Santos, o mais graduado dos oficiais que cuidavam da segurança da ex-presidente Dilma Rousseff.

O comandante busca se distanciar num momento em que os oficiais da reserva que servem a Bolsonaro veem decair seu prestígio dentro e fora do Planalto. Um intermediário frequente de pedidos de audiência de empresários com generais do governo reporta uma demanda em declínio. O único que mantém ascendência sobre o presidente é o general Luiz Eduardo Ramos, substituto de Santos Cruz.

Paraquedista como Bolsonaro, é de bombeiro que está trajado no Planalto. Dois dias depois da inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista (BA), da qual o governador se ausentou por discordar das restrições impostas pelo presidente à cerimônia, Rui Costa foi recebido por Ramos em seu gabinete. Em seguida, ligou para o ministro a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, também petista. Três dias depois, em reunião do Consórcio dos Estados do Nordeste, os governadores evitaram polemizar com o presidente.

É sob o estilo conciliador de Ramos que está abrigado Wajngarten. "Ninguém quer fugir da verdade sobre desmatamento, crianças na rua e violência", disse ontem, um Bolsonaro conciliatório, "mas tem que usar dados precisos", completou o presidente que mentiu sobre a morte de Fernando Santa Cruz. De um lado está a redução de danos. Do outro, o mal que só um homem comum é capaz de banalizar.

Ladragnol tem que ser afastado imediatamente


Deltan tem de deixar LJ já. Caso de polícia não pode ter poder de polícia


Se, depois da reportagem publicada nesta quinta por Folha e pelo The Intercept Brasil, o procurador Deltan Dallagnol continuar à frente da Lava Jato, então será preciso decretar, agora sim, a falência não só da força-tarefa, mas também do Ministério Público Federal, uma vez que até a Procuradoria-Geral da República, como ente, restará desmoralizada. Por quê?

Contra a lei, Dallagnol investigou, de forma secreta, ao menos dois ministros do Supremo: Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Faltassem outras evidências de que a Lava Jato atuava — atua ainda? — como um Estado paralelo e policial, agora não há mais. Para piorar o quadro: os bravos da força-tarefa, liderados por Dallagnol, primeiro selecionavam os alvos para, então, dar início a uma investigação informal. E, por óbvio, o trabalho se completava com o vazamento para a imprensa não exatamente de informação. Podia ser um simples boato. A Receita Federal acabou fazendo parte da arquitetura criminosa.

Ministros do STF não podem ser investigados por procuradores de primeira instância, como Dallagnol. Tal tarefa, quando necessária, cabe à PGR. Dallagnol não é do tipo que dê bola para a lei. No dia 13 de junho de 2016, travou o seguinte diálogo no "Grupo Acordo OAS", no Telegram:

Deltan Dallagnol – 22:36:58 – Caros, a OAS trouxe a questão do apto do Toffoli?

Sérgio Bruno Cabral Fernandes. – 22:55:26 – Que eu saiba não. Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela.

Dallagnol – 23:09:42 – Quando é a próxima reunião?
O coordenador da força-tarefa estava interessado em saber detalhes sobre uma reforma havida na casa de Toffoli, que ele chama "apartamento", evidenciando que não estava suficientemente informado nem sobre o boato. E qual era? O de que o empreiteiro Léo Pinheiro, um dos sócios da OAS, havia arcado com o custo do trabalho.

No dia 28 de julho de 2016, Dallagnol procura, então, Eduardo Pelella, número dois de Rodrigo Janot, à época procurador-geral da República, e faz duas coisas: ele se oferece para passar as informações que conseguir sobre o ministro e faz perguntas sobre a reforma. Pede ainda o endereço do imóvel do ministro, dado que lhe foi fornecido no dia 4 de agosto.

Dallagnol – 22:09:59 – Pelella, queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs. Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes. Vc conseguiria por favor descobrir o endereço do apto do Toffoli que foi reformado?

Pellela – 23:16:05 – Foi casa
Pellela – 23:16:09 – Consigo sim
Pellela – 23:16:15 – Amanhã de manhã
Dallagnol – 23:21:39 – ótimo, obrigado!


E de onde vinha a conversa de que a tal reforma era um mimo da OAS ao ministro? Léo Pinheiro havia, de fato, dito a seus advogados que dera dicas a Toffoli sobre a reforma e lhe sugerira uma empresa, mas que nada havia acontecido além disso.

Em agosto de 2016, reportagem de capa da revista Veja tratava da reforma em tom acusatório, embora os advogados não tivessem apresentado relato nenhum sobre o assunto e não houvesse indício de irregularidade. O boato havia vazado. Quem se atreve a especular sobre o responsável? A PGR mandou suspender a delação do empresário. Dallagnol não gostou e afirmou: "Qdo chega no judiciário, eles se fecham".

Pouco depois da publicação da reportagem, o ministro Gilmar Mendes criticou duramente a Lava Jato. Afirmou:

"Eu acho que a investigação tem que ser em relação logo aos investigadores porque esses vazamentos têm sido muito comuns. É uma prática bastante constante e eu acho que é um caso típico de abuso de autoridade, e isso precisa ser examinado com toda cautela".

NÃO SE CONFORMOU

Não pensem que Dallagnol se conformou. O rapazola resolveu, então, investigar não um, mas dois ministros: Mendes também virou alvo. Numa conversa com o procurador Orlando Martello, no dia 16 de agosto, ele afirma e pergunta: "Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar. Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?". Ele se referia, respectivamente, às advogadas Roberta Maria Rangel e Guiomar Mendes. Antes, Martello especulara sobre a possibilidade de haver pagamentos da OAS para o escritório de Roberta.

Nota antes que continue: inexistem os pagamentos da OAS ao escritório de Roberta ou evidência dos tais pagamentos cruzados entre as respectivas mulheres. Havia, sim, pagamentos por serviços prestados, feitos pela empreiteira Queiroz Galvão, ao escritório de Roberta entre 2007 e 2011, totalizando R$ 300 mil. Escrevi a respeito no dia 14 de setembro de 2016, destacando que nada havia de irregular. Segue o diálogo entre Dallagnol e Martello, travado no dia 16 de agosto de 2016:

Orlando Martello – 09:10:04 – Esposa do Toffoli; não do gilmar. Sim, prestação de serviços do escritório de advocacia dela para, acho, OAS. Só estou em dúvida se foi para a OAS ou outra empreiteira, mas quase certeza de que foi para a oas. Fatos de 2009 ou 2010. Não me recordo bem. Jonathas pode fazer esta pesquisa.

Deltan Dallagnol – 10:02:15 – Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar. Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?

Dallagnol – 10:02:25 – Aí é diferente rs

Martello – 12:20:46 – Não. Não tenho nada sobre isso.

Martello – 12:21:23 – achei o que me mandaram.

Martello – 12:21:30 – Achei uma procuração do toffoli e da mulher dele, representando Queiroz Galvão no tcu… Então eles podem ter recebido pagamentos em 2009, ano que tem quebra fiscal por aí. Nós vamos tratar isso com toda a gravidade que merece. ele tinha que ter se declarado impedido… Não pode ajudar só a achar esses pagamentos?? Com certeza tem algum pagamento em 2009 pela Queiroz Possíveis favorecidos: TOFFOLI E TELESCA ADVOGADOS ASSOCIADOS S C CNPJ SUPRIMIDO TOFFOLI RAVANELLI E MASSULA ADVOGADOS ASSOCIADOS ME CNPJ SUPRIMIDO JOSE ANTONIO DIAS TOFFOLI CPF SUPRIMIDO ROBERTA MARIA RANGEL CPF SUPRIMIDO RANGEL ADVOCACIA CNPJ SUPRIMIDO

Martello – 12:22:10 – É sobre a queiroz galvão e não sobre a oas

Dallagnol – 13:53:13 – [TRÊS MÃOZINHAS COM SINAL DE POSITIVO]

Martello – 14:50:43 – Mas olha que não pedi pesquisa em relação a OAS!!!

ESTADO POLICIAL

No dia 21 de agosto de 2016, no grupo "FT MPF Curitiba 3", o procurador Martello afirma sobre os inexistentes pagamentos da OAS ao escritório da mulher de Toffoli:

"A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea [Secretaria de Pesquisa e Análise, órgão da PGR] de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz [Toffoli] q terão mais alguns assuntos para a veja. Não é nada relevante, mas acho q da uns 500 mil".

E Dallagnol responde então:

"A RF [Receita Federal] está olhando. Mas disso eu não sabia".

Vale dizer: sem autorização judicial, a Receita quebrava sigilos fiscais sob o comando de Dallagnol. Para lembrar: as mulheres de Toffoli e Mendes foram mesmo alvos do órgão. Em fevereiro deste ano, o Estadão informou que elas fizeram parte de um grupo de 134 contribuintes investigados por uma equipe especial criada pelo Fisco em 2017.

O objetivo evidente, como se nota, era emparedar dois ministros do Supremo que Dallagnol via como adversários dos altos desígnios da Lava Jato. A ação criminosa, por óbvio, tinha como alvo o próprio tribunal. Já sabemos como esse rapaz fez fama e fortuna com a notoriedade que ganhou. É bom de lábia, já escrevi aqui. Os que não consegue seduzir — como Luiz Fux, Edson Fachin ou Roberto Barroso —, ele submete a seu estado policial paralelo.

Ou Dallagnol e seus acólitos deixam a Lava Jato como providência inicial para o resgate da moralidade na força-tarefa, ou não poderá agir também com poderes de polícia quem se tornou um caso de polícia.

VAZAJATO: Deltan incentivou cerco da Lava Jato a Toffoli, revelam mensagens

Procurador da força-tarefa de Curitiba sugeriu investigações sobre atual presidente do STF e escritório de advocacia da mulher em 2016.

O procurador Deltan Dallagnol incentivou colegas em Brasília e Curitiba a investigar o ministro Dias Toffoli sigilosamente em 2016, numa época em que o atual presidente do Supremo Tribunal Federal começava a ser visto pela Operação Lava Jato como um adversário disposto a frear seu avanço.

Mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e analisadas pela Folha junto com o site revelam que Deltan, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, buscou informações sobre as finanças pessoais de Toffoli e sua mulher e evidências que os ligassem a empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras.

Ministros do STF não podem ser investigados por procuradores da primeira instância, como Deltan e os demais integrantes da força-tarefa. A Constituição diz que eles só podem ser investigados com autorização do próprio tribunal, onde quem atua em nome do Ministério Público Federal é o procurador-geral da República.

As mensagens examinadas pela Folha e pelo Intercept mostram que Deltan desprezou esses limites ao estimular uma ofensiva contra Toffoli e sugerem que ele também recorreu à Receita Federal para levantar informações sobre o escritório de advocacia da mulher do ministro, Roberta Rangel. 

O chefe da força-tarefa começou a manifestar interesse por Toffoli em julho de 2016, quando a empreiteira OAS negociava um acordo para colaborar com as investigações da Lava Jato em troca de benefícios penais para seus executivos.

No dia 13 de julho, Deltan fez uma consulta aos procuradores que negociavam com a empresa.

"Caros, a OAS touxe a questão do apto do Toffoli?", perguntou no grupo que eles usavam no Telegram. "Que eu saiba não", respondeu o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília. "Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela."

Em 27 de julho, duas semanas depois, Deltan procurou Eduardo Pelella, chefe de gabinete do então procurador-geral, Rodrigo Janot, para repassar informações que apontavam Toffoli como sócio de um primo num hotel no interior do Paraná. Deltan não indicou a fonte da dica.

No dia seguinte, o chefe da força-tarefa insistiu com o assessor de Janot. "Queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs", escreveu. "Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes."

Deltan continuava interessado no caso do ministro do Supremo. "Vc conseguiria por favor descobrir o endereço do apto do Toffoli que foi reformado?", perguntou. "Foi casa", respondeu Pelella. Ele evitou esticar a conversa na hora, mas informou o endereço a Deltan dias depois.

Todas as mensagens são reproduzidas pela Folha com a grafia encontrada nos arquivos originais obtidos pelo Intercept, incluindo erros de português e abreviaturas.

Em suas primeiras reuniões com os procuradores da Lava Jato em 2016, os advogados da OAS contaram que a empreiteira havia participado de uma reforma na casa de Toffoli em Brasília. Os serviços tinham sido executados por outra empresa indicada pela construtora ao ministro, e ele fora o responsável pelo pagamento.

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que disse ter tratado do assunto com Toffoli e era réu em vários processos da Lava Jato, afirmou a seus advogados que não havia nada de errado na reforma, mas o caso despertou a curiosidade dos procuradores mesmo assim.

INTERESSES DA LAVA JATO

Duas decisões de Toffoli no STF tinham contrariado interesses da força-tarefa nos meses anteriores. Ele votara para manter longe de Curitiba as investigações sobre corrupção na Eletronuclear e soltara o ex-ministro petista Paulo Bernardo, poucos dias após sua prisão pelo braço da Lava Jato em São Paulo.

Os procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima e Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa de Curitiba, chegaram a criticar Toffoli num artigo publicado pela Folha no início de julho, em que compararam a soltura de Bernardo a um duplo twist carpado, por causa da "ginástica jurídica" usada para justificar a decisão.

As mensagens obtidas pelo Intercept não permitem esclarecer se alguma investigação formal sobre o ministro do STF foi aberta, mas mostram que Deltan continuou insistindo no assunto mesmo depois que um vazamento obrigou os procuradores a recuar.

Em agosto, a revista Veja publicou uma reportagem de capa sobre a reforma na casa de Toffoli, apontando a delação de Léo Pinheiro como fonte das informações. Embora os advogados da OAS tivessem mencionado o caso aos procuradores, eles ainda não tinham apresentado nenhum relato por escrito sobre o assunto.

O vazamento causou mal-estar no Supremo e levou a Procuradoria-Geral da República a suspender as negociações com a OAS, para evitar uma crise que poderia prejudicar o andamento de outras investigações.

O rompimento dividiu a força-tarefa de Curitiba, segundo as mensagens analisadas pela Folha e pelo Intercept. Carlos Fernando defendeu a medida, mas Deltan achava que o recuo seria interpretado como uma tentativa de proteger Toffoli e o STF, impedindo a apuração de desvios.

"Qdo chega no judiciário, eles se fecham", disse Deltan aos colegas em 21 de agosto, um dia após a reportagem sobre Toffoli chegar às bancas. "Corrupção para apurar é a dos outros."

Carlos Fernando temia que os ministros do Supremo reagissem impondo obstáculos para novos acordos de colaboração e criando outras dificuldades para a Lava Jato.

"Só devemos agir em relação ao STF com provas robustas", afirmou. "O que está em jogo aqui é o próprio instituto da colaboração. Quanto a OAS e ao toffoli, as coisas vão crescer e talvez daí surjam provas."

No mesmo dia, horas mais tarde, o procurador Orlando Martello sugeriu que os colegas pedissem à Secretaria de Pesquisa e Análise (SPEA) da Procuradoria-Geral da República um levantamento sobre pagamentos da OAS ao escritório da mulher de Toffoli.

"A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz q terão mais alguns assuntos para a veja", disse Orlando no Telegram. "Não é nada relevante, mas acho q da uns 500 mil".

Em resposta ao colega, Deltan afirmou que a Receita Federal já estava pesquisando o assunto, mas disse que não sabia dos pagamentos que teriam sido feitos pela OAS. "A RF tá olhando", escreveu o chefe da força-tarefa. "Mas isso eu não sabia".

Dias após a publicação da reportagem sobre a delação da OAS, o ministro Gilmar Mendes saiu em defesa de Toffoli e do STF e apontou os procuradores da Lava Jato como responsáveis pelo vazamento, acusando-os de abuso de autoridade.

Deltan propôs aos colegas a divulgação de uma nota em resposta ao ataque do ministro, mas não conseguiu apoio suficiente para a iniciativa. "Não acho que seja uma boa estratégia", disse Pelella. "Isso tende a acirrar os ânimos no STF."

Pouco depois, Deltan escreveu a Orlando Martello em busca de novidades sobre a mulher de Toffoli. As pesquisas não pareciam ter avançado, e o chefe da força-tarefa sugeriu que o colega também procurasse informações sobre a mulher de Gilmar, Guiomar Mendes.

"Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar", escreveu Deltan. "Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?"

Martello disse que não tinha nada que confirmasse as suspeitas, mas compartilhou com Deltan informações que recebera um ano antes sobre a atuação do escritório da mulher de Toffoli na defesa de outra empreiteira, a Queiroz Galvão, no Tribunal de Contas da União.

O informante de Martello, que ele não identificou na conversa com Deltan, dizia ter encontrado uma procuração que nomeava Toffoli e a mulher como representantes da empresa no TCU e sugeria que essa ligação obrigava o ministro a se afastar dos processos da Lava Jato.

Toffoli e a mulher foram sócios do mesmo escritório de advocacia até 2007, quando ele saiu para assumir a chefia da Advocacia-Geral da União.

Duas semanas depois do diálogo de Deltan com Martello, a Folha publicou reportagem sobre pagamentos que um consórcio liderado pela Queiroz Galvão fez ao escritório em 2008 e 2011, no valor total de R$ 300 mil.

As mulheres de Toffoli e Gilmar foram mesmo alvo da Receita. Em fevereiro deste ano, o jornal O Estado de S. Paulo informou que elas fizeram parte de um grupo de 134 contribuintes investigados por uma equipe especial criada pelo fisco em 2017.

OUTROS ALVOS

Toffoli não foi o único alvo da Lava Jato na cúpula do Judiciário.

As mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Deltan também usou a delação da OAS para tentar barrar a indicação de um ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, para a vaga aberta no STF com a morte de Teori Zavascki em 2017.

Quando o nome de Martins apareceu na imprensa como um dos cotados para a vaga, Deltan procurou Eduardo Pelella para sugerir que o procurador-geral Janot alertasse o então presidente Michel Temer de que ele era um dos alvos da delação de Léo Pinheiro.

"É importante o PGR levar ao Temer a questão do Humberto Martins, que é mencinoado na OAS como recebendo propina", disse Deltan ao colega. "Deixa com 'nós'", respondeu Pelella.

O chefe da força-tarefa de Curitiba sugeriu que o assessor de Janot conferisse os documentos anexados pela OAS à sua proposta de colaboração, mas depois se lembrou de que a Lava Jato não recebera até então nenhum relato escrito sobre Martins.

Mesmo assim, Deltan insistiu com Pelella para que avisasse o presidente. "Não tá nos anexos, mas iriam entregar. Só não lembramos se era corrupção ou filho... vou ver se alguém lembra e qq coisa aviso, mas já cabe a ponderação pq seria incompativel", afirmou no Telegram.

Fazia cinco meses que as negociações com a OAS tinham sido encerradas. Como o acordo com a empreiteira não fora assinado nem homologado pela Justiça, as informações fornecidas por Léo Pinheiro durante as negociações não podiam ser usadas pelos investigadores.

O anexo com o relato sobre Martins só surgiu após a retomada das negociações, em março de 2017.

Segundo Léo Pinheiro, a OAS pagou R$ 1 milhão a um filho do ministro em 2013 para obter uma decisão favorável no STJ. Em janeiro deste ano, Martins disse à Folha que nunca atendeu pedidos da OAS e sempre se declarou impedido de julgar ações em que o filho atue.

Quando os procuradores voltaram à mesa de negociações com os advogados da OAS, Léo Pinheiro estava preso em Curitiba e se preparava para depor no processo em que incriminou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o caso do tríplex de Guarujá (SP).

O acordo com o empreiteiro foi assinado no fim do ano passado, mas até hoje não foi encaminhado pela procuradora-geral, Raquel Dodge, ao Supremo para homologação. Sem isso, Pinheiro não pode sair da cadeia e receber os benefícios acertados com a Lava Jato.

Leia mensagens dos procuradores da Lava Jato sobre o ministro Dias Toffoli

Em julho de 2016, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, consultou os colegas que negociavam um acordo de colaboração com a empreiteira OAS para saber se tinham informações sobre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.


13.jul.2016

Deltan Dallagnol

22:36:58 Caros, a OAS trouxe a questão do apto do Toffoli?

Sérgio Bruno Cabral Fernandes

22:55:26 Que eu saiba não. Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela.

Semanas depois, Deltan procurou Eduardo Pelella, chefe de gabinete do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para trocar informações sobre Toffoli. Ele estava especialmente interessado na reforma que o ministro tinha feito em sua casa em Brasília, com participação da OAS.

27.jul.2016

Deltan

22:16:07 Pelella, segundo informações, Toffoli é sócio oculto do primo, [...], no [...]. Este Resort situa.se em [...].

28.jul.2016

Pelella

04:56:29 Opa!!!

[...]

Deltan

22:09:59 Pelella, queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs. Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes. Vc conseguiria por favor descobrir o endereço do apto do Toffoli que foi reformado?

Pelella

23:16:05 Foi casa

23:16:09 Consigo sim

23:16:15 Amanhã de manhã

Deltan

23:21:39 ótimo, obrigado!

4.ago.2016

Deltan

20:05:09 Pelella consegue ainda o endereço do Toffoli?

Pelella

20:30:31 Sim

20:30:34 Perai

20:49:55 SHIN [...] cnj [...] casa [...]

CITAÇÃO

PGR o procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Em agosto, a revista Veja publicou uma reportagem sobre a reforma na casa de Toffoli, com base na delação do empreiteiro Léo Pinheiro. O vazamento causou mal-estar no STF e levou a Procuradoria-Geral da República a suspender as negociações com a OAS. Mesmo assim, os procuradores continuaram buscando informações sobre as finanças pessoais de Toffoli e o escritório de advocacia de sua mulher, Roberta Rangel.

21.ago.2016

Orlando Martello

14:44:00 A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz q terão mais alguns assuntos para a veja

14:44:36 Não é nada relevante, mas acho q da uns 500 mil

Deltan

15:58:35 A RF tá olhando... Mas isso eu não sabia

CITAÇÕES

Spea Secretaria de Pesquisa e Análise da Procuradoria-Geral da República

RF Receita Federal

26.ago.2016

Martello

09:10:04 Esposa do Toffoli; não do gilmar. Sim, prestação de serviços do escritório de advocacia dela para, acho, OAS. Só estou em dúvida se foi para a OAS ou outra empreiteira, mas quase certeza de que foi para a oas. Fatos de 2009 ou 2010. Não me recordo bem. Jonathas pode fazer esta pesquisa.

Deltan

10:02:15 Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar. Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?

10:02:25 Aí é diferente rs

Martello

12:20:46 Não. Não tenho nada sobre isso.

12:21:23 achei o que me mandaram.

12:21:30 Achei uma procuração do toffoli e da mulher dele, representando Queiroz Galvão no tcu... Então eles podem ter recebido pagamentos em 2009, ano que tem quebra fiscal por aí. Nós vamos tratar isso com toda a gravidade que merece. ele tinha que ter se declarado impedido... Não pode ajudar só a achar esses pagamentos?? Com certeza tem algum pagamento em 2009 pela Queiroz Possíveis favorecidos: TOFFOLI E TELESCA ADVOGADOS ASSOCIADOS S C CNPJ [...] TOFFOLI RAVANELLI E MASSULA ADVOGADOS ASSOCIADOS ME CNPJ [...] JOSE ANTONIO DIAS TOFFOLI CPF [...] ROBERTA MARIA RANGEL CPF [...] RANGEL ADVOCACIA CNPJ [...]

Martello

12:22:10 É sobre a queiroz galvão e não sobre a oas

Deltan

13:53:13 

Martello

14:50:43 Mas olha que não pedi pesquisa em relação a OAS!!!


CITAÇÕES

Gilmar Gilmar Mendes, ministro do STF

TCU Tribunal de Contas da União

Meses depois, com Léo Pinheiro na cadeia e as negociações da delação da OAS ainda sem perspectiva de retomada, Deltan sugeriu a Pelella que usasse informações fornecidas pelo empreiteiro para barrar a indicação do ministro Humberto Martins, do STJ, para uma vaga que estava aberta no Supremo.

27.jan.2017

Deltan

16:31:38 Pelella, é importante o PGR levar ao Temer a questão do Humberto Martins, que é mencinoado na OAS como recebendo propina...

16:32:00 Melhor checar antes o conteúdo do anexo, para lembrar certinho

16:32:06 Vou checar e já falo, aliás

Pelella

16:34:00 Beleza

16:34:14 Deixa com “nós”

16:34:20 Td certo por aí?

Deltan

19:54:32 Opa, tudo certo... e por aí?

20:01:10 Não tá nos anexos, mas iriam entregar. Só não lembramos se era corrupção ou filho... vou ver se alguém lembra e qq coisa aviso, mas já cabe a ponderação pq seria incompativel

3.fev.2017

Deltan

16:29:29 Pelella, não esquece por favor a questão do Humberto Martins do STJ (o nome dele continua cotado)

Informações de natureza pessoal e mensagens sobre outros assuntos foram suprimidas nos pontos indicados com o sinal [...]

A transcrição das mensagens manteve a grafia original dos arquivos obtidos pelo The Intercept Brasil