sexta-feira, 2 de abril de 2021

Civismo

Diário do Front, com Miguel Nicolelis

Miguel Nicolelis

DIÁRIO DO FRONT 

Um resumo da situação crítica do Brasil e como ela pode evoluir nas próximas semanas.

Episódio 1 - Este é o primeiro episódio do meu mais novo Podcast. Semanalmente eu farei um resumo das notícias da pandemia de COVID19 no Brasil e no mundo, transmitindo diretamente do front brasileiro. 

Direção e produção de Cacau Guarnieri.

Fecha a boca, Bolsonaro!



Palavras banais de amor à democracia de quem votou em Bolsonaro

 
Ainda sobre o "manifesto dos presidenciáveis" - aquele que, como disse Gleisi Hoffmann, incluía um veto contra quem quer que tenha votado contra Bolsonaro em 2018.

Um documento inócuo, de palavras vagas, cuja única importância é  servir de declaração oficial do deslocamento de Ciro Gomes para o campo da centro-direita.

Todo mundo aplaude que esse pessoal esteja agora tão enamorado da democracia. Mas eles não carregam ônus nenhum por terem contribuído para sua derrocada?

Não se trata de buscar desforra. É que a história mostra que a democracia se mostra mais frágil e incerta quando construída sobre a amnésia, sobre a negação do passado.

No Brasil, as cúpulas militares continuaram reivindicando a ditadura como um feito do qual se orgulham. Os políticos que serviram a ela e os empresários que dela se serviram foram incorporados à nova ordem sem que se exigisse deles um mínimo de reflexão sobre seu comportamento anterior.
Parecia que, se a democracia não era aceita como valor, estava igualmente bom que fosse tolerada por senso de oportunidade.

Estamos vendo que essa fatura um dia é cobrada - e é alta.

Se e quando retomarmos um governo democrático no Brasil, os desafios que ele terá que enfrentar serão enormes. Não só pelo país devastado, mas pela ferocidade de uma extrema-direita "empoderada" e que relutará em aceitar a derrota.

Seria necessário construir um cordão sanitário em torno do bolsonarismo - tal como, na França, se fez em torno de Le Pen. Nenhuma força aceitaria compor com ele, os meios de comunicação se recusariam a aceitá-lo como parte legítima do debate público.

Alguém acredita que isso acontecerá no Brasil? Alguém duvida que, se o PT voltar ao governo, os signatários do manifesto e os bolsonaristas estarão todos abraçados na oposição de direita - tal como, com a exceção de Ciro, estiveram em 2016?

Sem uma autocrítica real de todos eles, incluindo Ciro, sobre seu comportamento em 2018, fica difícil acreditar em palavras banais de amor à democracia.

Um parasita mortal


Governo chinês ajuda a atrasar ainda mais vacinação no Brasil: quer acelerar imunização no seu país, rapou as vacinas do mercado e impediu assim que Sinovac antecipasse entregas no Brasil, por exemplo.

Butantan não vai entregar doses previstas pelo governo federal para abril. Fiocruz vai produzir menos do que o previsto (só em junho chega à capacidade plena, prevê). Covaxin e Sputnik eram ficções do Pesadello, claro. Nem a Covax deve chegar em abril. Um desastre.

Até fins de abril, Brasil só terá tido doses para vacinar 25% da população vacinável (18 anos ou mais), no máximo. Maio também vai ser difícil. É muito pouco para ajudar a controlar o morticínio e a epidemia.

Quer dizer que haverá vacinas no máximo para imunizar pouco menos da metade dos grupos de risco até fins de abril, quando muito. Nesses grupos é que ocorrem quase 90% das mortes de Covid.

Enquanto isso, Bolsonaro genocida continua a fazer campanha contra o distanciamento social etc. O "pacto nacional", o "comitê nacional" é em grande parte farsa. Do que der certo disso, pouco, Bolsonaro se aproveita: é um parasita mortal. 

Ninguém quer chegar perto do Brasil destruído pela Lava Jato

João Ximenes Braga

Em dezembro do ano passado, meses depois de já ter recusado 70 milhões de doses da Pfizer e de ter dito que não compraria vacina chinesa, o governo federal disse: 

- Se houver demanda, preço, vamos comprar.

Nunca vou esquecer essa frase. Vacina, demanda, preço. Como se fosse leite condensado, cerveja, picanha ou boneco do Rambo.

Estou propositadamente misturando frases do presidente e do seu ministro da Saúde MILITAR porque a responsabilidade é uma só.

Pois bem, acabo de ler que a FioCruz está temendo novos atrasos na produção porque a crise sanitária no país é tão avassaladora que empresas aéreas estão se recusando a transportar insumos necessários para a produção de vacina  porque ninguém, absolutamente ninguém, quer chegar perto, botar os pés, o frasco de álcool gel, nesse vale de necrochorume, nesse caldeirão borbulhante de sopa de morcego, em que o golpe de 2016, a Lava-Jato e seus apoiadores transformaram o Brasil.

Se houver demanda, preço, vamos comprar. Só se for no inferno.

Mas temo que nem o diabo queira mais trato conosco.

Conversa com Bia e Mau

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Entrevista de Lula tem 23 vezes mais audiência do que Bolsonaro

Só internet, fora TV aberta, Band News e rádio Bandeirantes.
Atualização 10:14h de sexta-feira: 1.438.897 visualizações


Fake news


Duke

O É da Coisa Especial - Reinaldo Azevedo entrevista Lula

Ministério do Turismo


A irresponsabilidade criminosa de Osmar Terra



Como seriam as manchetes se Haddad fosse o presidente


Brasil chega ao fundo do poço e segue abaixo rumo ao inferno




Ciro Gomes assume, finalmente, seu lugar na História



Ao juntar-se a Doria, Huck, Mandetta, Amoedo e Leite, em documento que só não foi assinado também por Moro porque ele não quis (alegou que seus patrões ianques não permitem), Ciro Gomes demarcou de que lado está.

Foi uma espécie de viagem a Paris antecipada.

Sob certo aspecto, acho bom. Ciro há tempos percebeu que suas chances estavam na centro-direita e movia-se nessa direção. Alguma hora teria que assumir isso e parar de ficar tumultuando o campo da centro-esquerda com suas provocações pretensamente "de dentro".

Brizola estaria indignado com o destino de seu partido. E os ciristas terão que seguir seu líder e também escolher seu lado.

Com os parças do MBL

Órfão de Trump, Bolsonaro sobe na prancha e tem os dias contados


Que país aguenta até 2022 com mais de 3.000 mortes causadas pela Covid-19 por dia?

Houve muita gente que apostou em Jair Bolsonaro como vacina contra os avanços sociais das gestões do PT. O dinheiro gordo; tucanos arrepiados; a escumalha parlamentar de sempre e a chusma de fanáticos que existe em qualquer país.

Essa mescla de interesses tinha por trás o apoio do grande capital financeiro, o americano principalmente. Bolsonaro foi eleito com base numa fraude digital gigantesca, arquitetada por gente como Steve Bannon, o Olavo de Carvalho de Donald Trump. Impediram Lula de concorrer às eleições com a ajuda do serviçal Sergio Moro.

Dispensável recordar as evidências de que a Lava Jato ignorou todas os protocolos de um processo legítimo e agiu como comparsa do Departamento do Estado americano para transformar Lula em inimigo público número um.

O “serviço” foi feito. Mal feito, porém.

Bolsonaro começou a cair de fato quando Donald Trump foi expelido da Presidência americana. O capitão expulso do Exército como terrorista e considerado “mau militar” por gente até como o ditador Ernesto Geisel ficou pendurado na brocha.

De lá pra cá, uma derrota atrás da outra. Os processos que mostram a roubalheira orquestrada por ele, Jair, e sua família ao longo da carreira de 30 anos como parlamentar são claros como a luz do sol. A desmoralização do Brasil no cenário internacional em todos os sentidos fala por si só.

Bolsonaro é medíocre. Pior: se orgulha disso, como seu ex-chanceler que festejava a condição de pária internacional. Identifica isso como “voz do povo”. Trata o Exército como “meu exército”, o que envergonha até o recruta recém-alistado. É imprestável. Serviu durante algum tempo, enquanto Trump esteve no poder, como aqueles pinchers que celebridades duvidosas seguram no colo em fotos de revistas.

Mas o fogo da batata começou a assar mais alto. A história tem suas leis e os cozinheiros fazem diferença. A turma que comandou o golpe contra uma presidenta legitimamente eleita está hoje contra a parede. O manifesto recém-publicado pedindo mudanças, assinado por banqueiros, empresários, economistas, é de uma hipocrisia exemplar.

Querem que Bolsonaro deixe de ser Bolsonaro. Durante 30 anos ele sempre disse o que defendia. Está pondo mãos à obra: “Vim para destruir, não para construir”. A parte dele ele está cumprindo...

O desgoverno chegou ao ponto de a grande mídia transformar as Forças Armadas em avalistas da democracia! Leiam a Constituição, por favor, cujos defeitos aparecem a céu aberto. O presidente da República é o comandante em chefe desta turma. Ao endossarem Bolsonaro nas eleições, o capital especulativo, o Judiciário subserviente, o Parlamento obediente e a grande mídia legitimaram o que vinha pela frente.

Se o país chegar ao ponto de aceitar que a democracia depende das Forças Armadas, pouco pode ser feito. Os militares estão infiltrados em todos os escalões. Militares de segunda categoria, da linha “uns mandam, outros obedecem”. O povo, ora o povo.

As Forças Armadas, que têm as armas na mão, “obedecem aos que mandam”. Analogias sempre são complicadas quando se comparam momentos diferentes. Em 1964, João Goulart, presidente, era o “comandante em chefe” da turma verde oliva. Mesmo assim foi deposto pelos golpistas através de Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara. Mazzilli foi chamado de “canalha” pelo então parlamentar Tancredo Neves quando destituiu um presidente eleito que estava em território brasileiro e jamais atentou contra a Constituição em vigor.

Muito cuidado nessa hora.

Transformar as FFAA em fiadoras da democracia é apertar a corda em torno do pescoço. Ou a sociedade civil verdadeira começa a se mexer a favor da liberdade, da diversidade, da defesa da vida, da luta contra a pandemia, do combate ao autoritarismo e ao arbítrio; ou então os dias serão piores do que já estão.

Na pandemia, Bolsonaro oferece caos e deixa social em segundo plano


O caos é o ambiente ideal para as aventuras autoritárias com que Bolsonaro sonha. 

Em um ano, Jair Bolsonaro falou uma dezena de vezes na ameaça de caos social na pandemia. Para torpedear medidas de distanciamento, o presidente repetiu que o país pode ter uma onda de violência e saques a supermercados. Nesse período, ele escolheu o lado do "caos" e deixou o "social" em segundo plano.

As sirenes de Bolsonaro soam apenas quando ele quer fazer uso político do risco de desordem. No início da pandemia, o presidente fez corpo mole na compra de vacinas que poderiam garantir uma volta segura ao trabalho. Agora, na pior fase da crise, o governo levou três meses para pagar uma nova rodada do auxílio emergencial e proteger quem foi afetado pelo isolamento.

Bolsonaro se lembrou da miséria nesta quarta (31), ao atacar o lockdown. Ele afirmou que "a fome está batendo cada vez mais forte" e disse temer "problemas sociais gravíssimos". Em vez de apresentar soluções, ele agiu como espectador: "Se a pobreza continuar avançando, não sei onde poderemos parar".

O governo tem um problema de ordem prática, que é a falta de dinheiro para lançar um programa robusto de socorro a quem precisa ficar em casa. Mas Bolsonaro se recusa a enfrentar a emergência econômica porque está concentrado em transferir as responsabilidades da pandemia para seus adversários políticos.

A propaganda do caos faz parte dessa campanha. O Brasil tinha 59 mortos por Covid-19 quando Bolsonaro lançou o perigo de saques a supermercados, em março do ano passado. Dias depois, ele publicou um vídeo que mostrava um falso desabastecimento de comida numa central de Minas Gerais. Há três semanas, ele citou o risco de "fogo em ônibus, greves, piquetes, paralisações".

O caos é também o ambiente ideal para as aventuras autoritárias com que Bolsonaro sonha. Quando fala dos brasileiros que ficaram sem trabalhar e desenha o risco de desordem, ele costuma citar medidas duras que podem ser tomadas contra o isolamento. A principal oferta do presidente nessa hora é a repressão.

Entenda o motivo do atraso ainda maior da vacinação contra a Covid-19


Parte das vacinas agendadas para abril era fantasia do general Pesadello


No calendário do governo federal, o Brasil teria 48,287 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 em abril. Pelo menos 20 milhões dessas doses não vão chegar. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira na Câmara que a coisa vai ser ainda pior: cerca de 22,8 milhões de doses vão desaparecer do cronograma do mês que vem. Seria o bastante para vacinar pelo menos 10,8 milhões de pessoas, quase dois de cada três idosos de 60 a 69 anos, o grupo de idade em que morrem 23% das vítimas da Covid-19 no Brasil.

Parte dessas vacinas agendadas para abril era fantasia do general Pesadello, o ex-nunca-ministro da Saúde. Eram as 8 milhões de doses da Covaxin da Índia e as 400 mil da Sputnik russa, que ainda não foram aprovadas pela Anvisa.

Tem mais problema.

O governo chinês decidiu acelerar a vacinação no país. Foi ao mercado local e comprou o que havia de vacina. Assim, as empresas chinesas ficaram sem sobras para adiantar entregas de insumos para outros países, segundo explicações que este jornalista ouviu no governo de São Paulo e no governo federal.

O Butantan não recebeu na segunda quinzena deste mês a matéria prima para fazer as vacinas que previa entregar em abril. A Sinovac, que produz o insumo da Coronavac, cumpre os prazos de entrega contratados, mas pelo menos por ora parou de fazer os adiantamentos solicitados pelo Brasil. A situação vai ficar apertada até pelo menos na primeira quinzena de maio. Em tese, a próxima remessa de insumos chega no dia 9 de abril.

No calendário do governo, haveria cerca de 15,8 milhões de doses da Coronavac disponíveis em abril. Agora, o instituto do governo paulista prevê entregar 9,8 milhões de doses, cumprindo o contratado com o governo federal até o final do mês que vem (46 milhões de doses).

Até a semana passada, o calendário do governo federal previa 21,1 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford para abril. Também na semana passada, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, disse ao Senado que espera entregar por volta de 18 milhões de doses (18,8 milhões, no cronograma divulgado pela Fiocruz). Apenas em junho a instituição espera chegar a sua capacidade de produção plena. Para maio, também estão previstas menos doses que as registradas no calendário do governo federal (21,5 milhões, não 25 milhões).

Mesmo descontados esses desastres, a conta pessimista do ministro Queiroga ainda não fecha, nem tirando de abril as doses do consórcio internacional Covax (quase 1 milhão) e aquelas que seriam importadas da Índia, prontas, pela AstraZeneca (2 milhões). Tem mais desastre?

Pelo calendário federal da semana passada, em parte fictício, até o final de abril o país teria doses suficientes para vacinar mais de 31% da população vacinável (de 18 anos ou mais) e mais de 63% dos grupos prioritários. Pelas novas contas do ministro Queiroga, não deve imunizar mais do que 24% dos vacináveis e algo menos que a metade dos grupos prioritários.

Com atraso maior na vacinação, a situação continuará desesperadora. Não resta alternativa a não ser distanciamento social e máscaras.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro continua a fazer campanha contra o distanciamento social. O “pacto nacional”, o “comitê nacional” é em parte a farsa prevista. Algo vai se fazer no Congresso e no ministério. Bolsonaro quem sabe se aproveite de alguma despiora devido à ação do restante do país, de parte dos governadores, dos prefeitos, do Congresso, enquanto faz propaganda criminosa para suas falanges. É um parasita. ​

Liga pro Paulinho

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Atila Iamarino: ainda vai demorar

Link direto:
https://youtu.be/2DTjWQXFbho