Quando Dilma Rousseff reduziu impostos para que os empresários investissem no mercado brasileiro, na última fase de seu governo, cometeu um erro que se repete: não se deu conta de mudança radical na estrutura das empresas.
Não existem mais (ou são raros) empresários nas grandes companhias atentos à área de atuação, objetivos e permanência da instituição,, mas prepostos bancários dos acionistas e fundos investidores, cuja única motivação é o lucro imediato. E todos sabemos que, no estado comatoso da economia mundial, o lucro é proporcional ao risco e ele já se descolou da realidade há muito tempo.
O compromisso das pessoas que decidem, em última análise, nas empresas, não é com outra coisa senão com o dinheiro que entrará em caixa nos próximos meses, do qual percebem comissões despropositadas.
Tivemos antecedente típico desse fenômeno quando, há perto de dez anos, executivo da Sadia, próspera empresa que se preparava para incorporar a concorrente de marca mais fraca, a Perdigão, depositou a integralidade dos fundos disponíveis na atraente aposta lucrativa e podre dos resseguros de operações imobiliárias dos Estados Unidos: foi-se a Sadia, absorvida pela Perdigão.
O dinheiro a ser tomado dos trabalhadores com essa “nova previdência” será aplicado pela malha bancária onde o lucro for maior -- e isso acontecerá em qualquer lugar do mundo, porque os grandes bancos funcionam em sistema de vasos comunicantes globais.
Há um resultado dessa distorção visível nas cidades brasileiras: frente as imensas demandas do país, os recursos insuficientes de investimentos privados disponíveis estão sendo alocados na implantação de redes de farmácias-perfumarias, super-mercados e lojas de importados: deve ser o que os gênios do mercado financeiro enxergam como aplicação promissora.
O “estado comatoso da economia” é um estado terminal para países governados por gente estúpida ou de má-fé, como o Brasil.

Nenhum comentário:
Postar um comentário