Presidente mostra baixa compreensão de política externaKennedy Alencar
A intenção do presidente Jair Bolsonaro de indicar o filho Eduardo para embaixador em Washington parece piada, mas é sinal da tragédia política que vivemos. No Brasil, a realidade supera mais uma vez a ficção.
O fato de Bolsonaro dizer publicamente que fez o convite já pega mal para a imagem internacional do Brasil. Se a coisa se concretizar, será uma medida inapropriada e que mostra baixa compreensão da política externa.
Bolsonaro disse que, se o filho de Mauricio Macri, presidente da Argentina, fosse embaixador em Brasília, ele receberia “tratamento diferente de um embaixador normal”. O presidente também afirmou que o Eduardo Bolsonaro fala inglês com fluência e tem proximidade com a família Trump.
São argumentos frágeis. A ideia é absurda. O Brasil é uma república há 130 anos. Acabou o império. Não é uma ditadura. Não é um emirado. Não estamos nos tempos dos Habsburgos.
Além de claro nepotismo e do paralelo com a Arábia Saudita apontados por Roberto Nonato na conversa no “Jornal da CBN – 2ª Edição”, o convite que Bolsonaro confirmou ter feito ao filho reitera a mentira do discurso de “nova política”. Bolsonaro é a velha política. Ele é o pior político do país. E colocamos o pior político, que foi um deputado federal medíocre, na Presidência da República.
No comentário ao vivo, fiquei na dúvida se a indicação teria de ser aprovada pelo Senado. Dormi no ponto e não prestei atenção na informação que a Basília Rodrigues havia acabado de dar na CBN.
O artigo 52 da Constituição Federal diz que é atribuição do Senado aprovar “a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente”, como é o caso dos embaixadores nos países com os quais o Brasil tem laços diplomáticos. Correção feita.
Ouça o comentário feito há pouco no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

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