O Brasil e os brasileiros vão mal. Mas os procuradores
Deltan Dallagnol, Roberson Pozzobon e outros — além, é claro, do ex-juiz e
atual ministro Sérgio Moro — passam muito bem.
Só Deltan, o Menino Prodígio, previu um aumento de R$ 400
mil na sua conta bancária, no ano passado, com recursos oriundos de
palestras. Reportagem da Folha e do site "The
Intercept Brasil", publicada no jornal neste domingo, traz a estratégia do
rapazola, em diálogos com Pozzobon e com sua própria mulher, para obter lucros
com a operação. Nas suas palavras: "Vamos organizar congressos
e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e
visibilidade".
Era e é preciso combater a corrupção no Brasil?
Todos sabem a resposta.
Esse combate precisa se dar à margem da lei?
A boa resposta também é conhecida.
A Lava Jato provocou um estrago gigantesco na política e na
economia. Não em razão do combate ao crime. Mas porque também ela agrediu as
leis sob o pretexto de combater ilegalidades.
É muito provável que você que me lê — e é ainda pior com os
pobres — tenha sentido na pele os efeitos do lado desastroso da operação. Ou
que conheça alguém que esteja entre as vítimas.
Nove empreiteiras que caíram nas malhas da Lava Jato, por
exemplo, haviam demitido 331.705 pessoas até o ano passado. A operação destruiu
o setor de construção pesada no Brasil. Junto com os empregos, aniquilou
tecnologia nacional. Para punir malfeitores, destruiu as empresas.
Mas e os procuradores? Ah, meus caros! Estão experimentando
os melhores anos de suas respectivas vidas. Leiam trecho da reportagem:
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador
da força-tarefa da Operação Lava Jato, montou um plano de negócios de eventos e
palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações do
caso de corrupção, apontam mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e
analisadas em conjunto com a Folha.
Em um chat sobre o tema criado no fim de 2018, Deltan e
um colega da Lava Jato discutiram a constituição de uma empresa na qual eles
não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e
críticas.
A justificativa da iniciativa foi apresentada por Deltan
em um diálogo com a mulher dele. "Vamos organizar congressos e eventos e
lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade",
escreveu.
Os procuradores cogitaram ainda uma estratégia para criar
um instituto e obter elevados cachês. "Se fizéssemos algo sem fins
lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das
críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários",
comentou Deltan no grupo com o integrante da força-tarefa.
A realização de parcerias com uma firma organizadora de
formaturas e outras duas empresas de eventos também foi debatida nessa
conversa.
A lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e
permite que essas autoridades apenas sejam sócios ou acionistas de companhias.
Os diálogos examinados pela Folha e pelo Intercept
indicam que Deltan ocupou os serviços de duas funcionárias da Procuradoria em
Curitiba para organizar sua atividade pessoal de palestrante no decorrer da
Lava Jato.
As mensagens mostram ainda que o procurador incentivava
outras autoridades ligadas ao caso a realizar palestras remuneradas, entre eles
o ex-juiz e atual ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.
(…)
RETOMO
Leiam a íntegra da reportagem e os diálogos. Cuidado com enjoo.
Especialistas que são em identificar falcatruas ou em atribuí-las a terceiros,
Deltan e Roberson pensam estratégias para driblar os limites legais e poder
lucrar no mercado de palestras e eventos. Uma das ideias é criar um ente sem
fins lucrativos, em nome de suas respectivas mulheres, que assinaria o
compromisso com o contratante. Eles, por sua vez, seriam apenas os palestrantes
regiamente remunerados. Ou por outra: dois dos mais destacados membros da
força-tarefa discutem meios de dar um olé na lei.
PIROTECNIAS
E enquanto a mulher de Deltan e a de Roberson não abrem o seu negócio? Bem,
o coordenador da força-tarefa tem uma ideia, fazendo uma referência à
empresária Fernanda Cunha, da Star, empresa que organiza palestras e eventos.
Escreve ele num grupo que reúne a dupla e suas respectivas mulheres:
"Caros, se formos tocar nós mesmos, não vai funcionar. E se eu
passar pra Fernanda da Star organizar isso e combinar que dividiremos os
lucros? Se tivermos a empresa em nome de Amanda e Fer, jogamos pra ela
organizar tudo e dividimos por 3 o resultado, sendo 1/3 pra Fernanda da Star.
Estão de acordo? Se estiverem de acordo passo pra ela a ideia e começamos
fazendo na Unicuritiba e talvez 1 em SP inserindo um professor como Edilson
mougenot, e enquanto isso as meninas abrem a empresa."
Deltan lembra que um tio seu é dono de uma empresa de
eventos. E tem outra ideia:
"Uma vantagem deles é que eles têm contato com inúmeras comissões de
formatura. Ou seja. têm canal de divulgação pra universitários. Podem fazer uma
'promoção' pras salas das comissões que são clientes e isso dar volume (…) Se
chamarmos ele pra ser sócio com 20%, ele sem dúvida alguma topará. E ele tem
toda a estrutura de formatura pra fazer aquelas piras pirotécnicas que Vc
[Pozzobon] queria. Som etc."
AUTOAJUDA
No dia 27 de dezembro do ano passado, Deltan evidencia que seus horizontes
para ganhar dinheiro enxergam muito além do direito. Ele sonha com algo maior.
E faz referência à Conquer, uma empresa especializada em eventos motivacionais.
Escreve o buliçoso rapaz (transcrição conforme o original):
"Qual a razão para estudantes de direito (ou profissionais) se
interessarem por um curso sobre corrupção? Ou na área penal? Curiosidade não
basta, até porque a maior parte dos jovens não têm interesse em Lava Jato. Para
o modelo dar certo, teria que incluir coisas que envolvam como lucrar, como
crescre na vida, como desenvolver habilidades de que precisa e não são
ensinadas na faculdade. Exatamente na linha da Conquer, bem lembrada por
Fernanda. Como nosso objetivo não é evidentemente competir com a conquer,
podemos nos aliar a ela e à sua ideia… Poderia ser um curso com 4 palestras de
1h: TURBINE SUA VIDA PROFISSIONAL COM FERRAMENTAS INDISPENSÁVEIS 1)
Empreendedorismo e governança (inspiração e "como"): seja dono do seu
negócio e saiba como governá-lo 2) Negociação: domine essa habilidade ou ela
vai dominar Você – Roberson/Delta?? 3) Liderança: influencie e leve seu time ao
topo – ?? 4) Ética nos Negócios e Lava Jato: prepare-se para o mundo que te
espera lá fora – Delta/Roberson?? Cada palestra teria que ser muito bem
desenhada, ter uma pegada de pirotecnia e ainda dependeríamos de uma boa divulgação.
Todas as palestras deixariam um gostinho de quero mais (tempo limitado) e
direcionariam pra conquer, com retorno de percentual sobre cada aluno que se
inscrever no curso da conquer nos 4 meses seguintes."
Sim, Deltan já tinha dado "aula" em curso da
Conquer. Escrevi neste blog no dia 13 de março de 2018
um post intitulado "Deltan Dallagnol vira professor de
autoajuda. Faz sentido… Ninguém ajuda tanto a si mesmo. Logo, vai começar a
curar pessoas ou fundar uma religião". No post, afirmei:
"Ninguém se auto-ajudou tanto nestes tempos como
Deltan. Da obscuridade para o estrelato, sem ter produzido uma obra que fique
para a posteridade que não seja o desrespeito sistemático às leis e a
Constituição. Um dos causadores do terremoto político em curso no Brasil será
professor de um troço que proclama ser uma escola dos que "não ficam de
mimimi". Aliás, no Brasil, até a Constituição virou "mimimi". O
herói de um tempo diz muito sobre esse tempo. É do balocobaco! Mais um pouco,
esse rapaz começa a curar pessoas. É esperar para ver. Ou funda a sua própria
igreja."
MORO E JANOT
Deltan trata também com Rodrigo Janot, já ex-procurador-geral, e com o
então juiz Sérgio Moro a operação como um negócio, como um meio de vida.
Ah… Os membros da Lava Jato se estivessem nas mãos da Lava
Jato seriam alvos de pedido de prisão deferido por Moro. Em vez disso, a gente
nota que todos melhoraram de vida.
Só o país piorou. E muito!
Até quando Deltan e seus amigos continuarão a insultar a
inteligência alheia em prejuízo do país e em benefício de si mesmos?
Com a palavra, o Conselho Nacional do Ministério Público.
Com a palavra, a Corregedoria do Ministério Público Federal.
Deltan e sua turma são remédios contra a corrupção?
Como perguntou Padre Vieira: "E quem remedeia os
remédios?"
Leia a reportagem.
Se você achar tudo normal, seja feliz no papel de otário.
A propósito: quando acontece a próxima passeata em defesa da
Lava Jato?

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